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ditadura

10/06/2013

às 17:28 \ Direto ao Ponto

Fala, Lobão! (1)

A partir desta segunda-feira, a coluna vai publicar trechos do livro mais recente do Lobão ─ Manifesto do Nada na Terra do Nunca ─ que melhoram o dia e a cabeça dos leitores. Seguem-se os quatro primeiros:

(Página 23)

Num clima de estupidez ideológica, estelionato intelectual ou, simplesmente, suborno, a grande parte dos artistas, dos cineastas, da imprensa e dos intelectuais está nocauteada. Quem ousa tecer algum comentário um pouco mais crítico sobre a realidade que nos rodeia acaba sofrendo violências morais e psicológicas, sempre no intuito de eliminar o interlocutor.

Como somos seres ungidos por uma natureza customizada que nos distingue do resto da humanidade, resolvemos optar por essa forma de perceber o mundo, absolutamente destacada de qualquer resíduo de razoabilidade. Somos o suprassumo da precariedade, a nata da malandragem agúlhica, de um nacionalismo chauvinista, e isso nos dá uma noção meio psicodélica de superioridade em relação ao restante dos outros meros mortais espalhados pelo planeta. 

Talvez esse comportamento seja fruto de um tipo coletivo de bipolaridade em que a alegria é um imperativo maníaco-depressivo. Somos o povo mais alegre do mundo!

Nessa maneira singular de encarar a vida, nasce uma espécie muito peculiar que reina soberana na nossa terra, patrulhando incautos e dando carteiradas nos descontentes, filha de um marxismo guarani-kaiowá de butique, uma espécie que, apesar de sua aparente e impositiva festividade carnavalesca, é a encarnação vívida da ofensa, da obtusidade e do recalque: o carola estatizado. 

(Páginas 24 e 25)
Um dia, após chegar de uma turnê, comentei no Twitter que estava irritadíssimo com a infraestrutura do país, as estradas federais numa buraqueira dos infernos, sem sinalização, sem iluminação, os aeroportos caindo aos pedaços, superlotados, voos atrasados, ou seja, não era algo que eu havia lido por aí: eu tinha acabado de vivenciar, de sofrer na pele a precariedade da parada.

Pois bem, por essa declaração, fui instantaneamente admoestado por ofendidíssimos legionários governistas a bradar que o Brasil está muito melhor, que nunca estivemos tão bem, que aquela declaração era puro preconceito, e, sendo assim, fui sumariamente diagnosticado como… brasil-fóbico!

É a verdadeira Terra do Nunca, onde nos recusamos a crescer e com uma religião de Estado promovida por autoproclamados progressistas: os nossos carolas estatizados.

(Página 35)
Nosso imaginário coletivo também vive se retroalimentando de conceitos herdados de “heróis libertários”, sempre os mesmos. Já repararam? É o Lamarca, o Marighella ou qualquer outro que se autoproclame um ex-guerrilheiro combatente da ditadura militar. Símbolos em repetição buscando uma performance ideológica e existencial que se afaste de qualquer desvio ou oposição da norma. A reação é a situação. Marcação cerrada.

Essa compreensão da palavra “libertário” ganhou contornos próprios e, não raro, transmite justamente o contrário de seu significado original.

O libertário é, na viciada compreensão generalizada, uma criatura que pegou em armas nos anos 1960 para impor uma ditadura no Brasil, com o álibi capenga de lutar contra uma outra ditadura. Qualquer ditadura é injustificável, e esse pessoal, com raríssimas exceções, teima patologicamente em negar esse singelo detalhe. Anseiam de maneira apaixonada que Cuba seja aqui.

Hoje em dia, não conseguir enxergar e abominar o que acontece em Cuba é, no mínimo, imoral, quanto mais apoiar! E o governo do PT é associado e cofundador do Foro de São Paulo (Lula & Fidel), que visa implementar uma ditadura do proletariado continental, tipo uma União Soviética chicana. Tem gente que acha essa realidade, repleta de provas e fatos, uma simples teoria da conspiração.

(Página 53)
Nao conseguimos aprender com a sucessão dos fatos, não conseguimos nos desprender das mesmas ideias que nos paralisam. Morremos de medo de sermos comparados com o mundo civilizado e desmascarados diante da nossa mediocridade, soberba, inoperância e importência.

28/05/2013

às 8:21 \ Direto ao Ponto

O criador que se confundiu com a criatura alcançou a mais bela forma de eternidade

Conheci Roberto Civita em 1973, quando o colosso em que VEJA se transformaria era apenas um brilho no olhar do seu criador. Somadas as duas passagens pela Editora Abril, tive o privilégio de trabalhar 18 anos sob o comando de RC, como se identificou em milhares de bilhetes manuscritos. Já descrevi sucintamente o risonho, otimista e irredutível defensor da liberdade e da democracia que o Brasil perdeu neste domingo. Junto-me à cerimônia do adeus com um aceno de poucos parágrafos.

Jornalistas aprendem já na primeira reportagem que governantes brasileiros não admitem menos que elogios e elegias. Revelações fartamente documentadas, constatações visíveis a olho nu, verdades factuais indesmentíveis, críticas merecidíssimas, mesmo ligeiros reparos ─ tudo que não se sujeite ao manual da vassalagem assume, aos olhos dos donos do poder, contornos de ofensa grave, infâmia imperdoável, crime hediondo ou afronta aos superiores interesses da pátria. Uns mais, outros menos, todos sonharam ou sonham com o sumiço da imprensa independente.

Para livrar-se da altivez de VEJA, quase todos tentaram dobrar Roberto Civita. Nenhum conseguiu. Nascida três meses antes da decretação do AI-5, que proclamou a ditadura escancarada, a revista cruzou a infância e a adolescência pressionada por chefes militares, alcançou a maturidade quando a democracia ressuscitada reaprendia a andar e enrijeceu a musculatura enfrentando o coro dos déspotas nada esclarecidos com a serenidade dos que têm razão e a combatividade dos que foram poupados do sentimento do medo.

Nunca cessaram os queixumes, choradeiras, berreiros ou rosnados dos coronéis de jaquetão, tiranetes sertanejos ou, mais recentemente, populistas demagogos promovidos a padroeiros da nação por stalinistas farofeiros e assaltantes de cofres públicos. Quase todos chegaram ao Planalto com a esperança de induzir Roberto Civita a esquecer momentaneamente princípios irrevogáveis ─ e forçar uma publicação que sempre teve como patrão o leitor a desviar-se da estrada principal. Voltaram à planície frustrados com a descoberta de que existem homens e coisas que não têm preço. A maioria desses pastores da escuridão já passou. Os que restam logo passarão. VEJA ficará.

A criatura não teria sobrevivido ao cerco dos intolerantes se não fosse blindada pela bravura com que o criador soube defender os valores que sempre balizaram sua caminhada. A revista tem a cara, a alma e o coração de Roberto Civita, que nela continuará existindo. Poucas formas de eternidade são tão belas.

11/05/2013

às 3:02 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: O Brasil tem jeito?

REYNALDO ROCHA

Não se deve temer a verdade. É bíblico. “A Verdade vos libertará!”. Não é assim?

Mas qual é a verdade dos homens? Sei quais não são. Do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra jamais será. A argumentação do assassino demonstra que continua acreditando na mentira.

Não foi ele quem impediu a implantação de um regime de extrema esquerda no Brasil. Foi o povo nas ruas.

A derrubada de uma ditadura de extrema direita ensinou que toda e qualquer quebra da legalidade deve ser execrada. Aprendemos que deveríamos impedir que outra – de extrema-esquerda – fosse imposta ao Brasil.

A nós, nas ruas, não importava a cor do porco. O essencial era impedir a continuidade da barbárie cometida em nome do Estado e com o uso do mesmo. Sempre quisemos liberdade, dignidade e democracia.

De onde o famigerado Ustra tira a conclusão de que ele seria um “defensor” de nossos direitos, como afirmou no depoimento patético na Comissão da Verdade?

É um anistiado. E em nome do que foi possível ser feito, à época, para dar fim ao pesadelo. Seria salutar que o Brasil passasse a respeitar os compromissos com a história assumidos pelo povo. Ou em nosso nome.

Não propugno a prisão de quem foi anistiado. Anistia é perdão. Foi negociada e não imposta. Foi uma conquista que os que estão agora no poder (e naquela época, onde estavam?) teimam em tentar desprezar, sem entender que desprezam a NOSSA luta.

Mas a Verdade tem que ser dita. Demonstrada e exposta, como antídoto. Ustra foi (e parece continuar a ser) um monstro. Alguém com um grave desvio de conduta. É daqueles que se compraziam com a dor imposta a outros. Com o poder infinito sobre a vida de terceiros.

Acha que quem deveria estar sentado na Comissão da Verdade é o Exército. Precisa explicar melhor o que diz e identificar os alvos que está mirando.

Nada que é erguido sobre mentiras tem a mais remota chance de prosperar. Como a ditadura não prosperou. Foi por isso que as ditaduras — todas — não prosperam. É por isso que democracias centenárias esbanjam saúde.

 

As democracias são eternas. As ditaduras são acidente de percurso, dolorosos e desnecessários. Estes novos tempos pós-ditadura são diferentes dos anos de chumbo.

O que há em comum entre o que vivemos hoje e o que sofremos ontem é a mentira oficial. É indispensável a demonização dos adversários. Se antes éramos os “comunistas” – nunca fui! – hoje somos os “raivosos direitistas”. Nunca fui!

A ferocidade de um Ustra não tem parentesco estreito com a imbecilidade patética de um Delúbio Soares, a arrogância idiota de um José Genoino, a mitomania de um Dirceu ou a megalomania de um Lula. São males distintos. Um é uma besta humana. Os outros são delirantes corruptos.

Mas há como ver nos dias de hoje as mesmas sementes que germinaram no pântano de 1964. A tentativa de censurar a imprensa, por exemplo. O Brasil que se deve amar ou deixar. A idolatria que substituiu generais por sindicalistas. A procissáo de programas nunca executados: antes a Transamazônica, agora o PAC. A compra de apoios da dita classe (desclassificada) política. O emprego de asseclas (antes os milicos, hoje os companheiros). A alteração da história como instrumento de permanência no poder (antes o perigo vermelho, hoje o desprezo pelo que outros fizeram. Pelo que nós fizemos.)

Ideologicamente, cada vez mais o hoje se parece com o ontem.

Sem Ustras, pois isso seria repetir a barbárie! Com a troca da violência física pela violência moral.

Os lulopetistas somente aprimoraram o método.

21/02/2013

às 17:05 \ Sanatório Geral

Ditadura baiana

“Um grave precedente, Sr. Presidente, abre-se na Câmara dos Deputados. Vou trazer um blogueiro baiano amanhã.”

Alice Portugal, deputada federal (PCdoB-BA), sobre a presença da blogueira cubana Yoani Sánchez no plenário da Câmara, capturada pelo comentarista Hermenegildo Barroso ao acusar o companheiro Jaques Wagner de ter proclamado a ditadura que cerceia a liberdade de expressão dos baianos e persegue blogueiros em todo o território estadual.

 

06/01/2013

às 6:00 \ Sanatório Geral

Coisa de ditadura

PUBLICADO EM 3 DE NOVEMBRO

“O Supremo ameaça a democracia ao me punir”.

José Dirceu, nesta segunda-feira, ensinando que achar que a lei vale para todos é coisa de ditadura.

21/12/2012

às 16:24 \ Sanatório Geral

A revolução dos corruptos

“O povo, em vários momentos desse país, soube se levantar contra o arbítrio e a ditadura. Nós não vamos permitir que mais uma vez nosso país possa ser vítima da truculência, da selvageria, mesmo que ela venha recoberta pelo manto do apoio da lei”.

Rui Falcão, presidente nacional do PT, sobre o pedido de prisão dos mensaleiros condenados feito pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, prometendo desencadear a primeira revolução feita para libertar os corruptos e prender os homens da lei registrada desde o Dia da Criação.

 

04/07/2012

às 11:57 \ Feira Livre

Reynaldo-BH e o assassino confesso: ‘Clemente permanece vivo em Carlos Eugênio’

REYNALDO ROCHA

A Comissão da Verdade precisa definir o que seja verdade. Descartes afirmava que a verdade nasce da certeza. Nietzsche sequer acreditava nela. Qual a verdade que norteia esta comissão? A da certeza ou aquela que pode ser inventada ou reescrita?

Prefiro a dos historiadores. Que provam com fatos históricos. E estes podem ser interpretados; jamais desmentidos.

Usar a verdade para fazer a apologia de determinada posição histórica ou opção ideológica é uma mentira em si. Pouco importa a motivação do formulador da hipótese. História não pode sujeitar-se a visões. Simplesmente é. Ou foi.

A Comissão da Verdade – criada para um ajuste de contas entre vencedores e vencidos, que não faz parte da pauta dos brasileiros – teria que buscar a história e nela permanecer. Ou terá.

A lágrima da mãe que perdeu um filho na ditadura é menos valiosa caso o filho tenha sido assassinado pelo então companheiro? Ou só será relevante se foi vítima dos trogloditas oficiais? Os outros – tão trogloditas quanto – estão, a priori, isentos de censura ética?

A violência e horror da tortura são mais leves que o horror do justiçamento executado por um algoz que tinha a confiança do marcado para morrer? A ausência do desaparecido será compreendida como justa se derivar de um ato dos grupos de esquerda que desejavam substituir uma ditadura infame por uma infame ditadura?

É o terror revisitado. É o pesadelo continuado. Que ninguém pediu. Exceto os desejosos de uma cobrança que nós – brasileiros com vergonha na cara e esperança no futuro – já julgávamos ser dívida liquidada. Pela anistia.

O mesmo sentimento que motivou a criação da dita comissão é o que pede a revisão da anistia. Pior: o cancelamento do esquecimento que a anistia carrega como motivação principal – senão única – em qualquer situação.

Esta anistia é que permite que assassinos possam vir a público enaltecer a própria covardia e ferocidade. De ambos os lados.

Não me oponho à elucidação histórica do passado tenebroso da ditadura militar. Ao contrário, creio que uma análise séria serviria de antídoto para outras aventuras. Mas não se constrói a história de um povo e de um país a partir de visões previamente distorcidas. Com antolhos.

A Comissão da Revanche ficará desmoralizada com depoimentos como o de Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o “Clemente. Ou irá recriar um passado. O que não seria estranho: quem não tem projeto de futuro tende a reescrever o passado. Conhecemos a fórmula. E os autores da alquimia.

Não há como separar a tortura bárbara e desumana da desumanidade do julgamento sumário de um ser humano. Julgamento e execução reunidos num só momento. Promotor e juiz de uma causa sem direito à defesa.

Covardia elevada à enésima potência. Usando da confiança da amizade e de sentimento de grupo, tem-se uma vítima desamparada e iludida. O que seria pior? Enfrentar militares armados em camburões policiais ou ir ao encontro de amigos que decidiram pela execução sumária e direta?

Quem é o covarde nesta cena? O que se pode invocar como argumento de defesa? Qual foi a chance concedida à vítima? Em nome de quê? Da democracia? De um novo projeto de país? Qual seria o final destes episódios se os perdedores tivessem triunfado?

Nada disso elimina a minha absoluta repugnância pela ditadura militar. Cruel, covarde e assassina. Ao contrário, aumenta o débito que deixou como herança ao Brasil.

Criou assassinos que, passados mais de 40 anos, ainda se orgulham de serem assassinos. Mesmo que anistiados.

Respeito a não punibilidade derivada da anistia. Para todos. Inclusive para a besta-fera que ironicamente informa que só não confessou o crime por que ninguém havia feito a pergunta. Não respeito o cinismo que sobra e a decência que falta ao Clemente.

A diferença entre ele e o facínora delegado Fleury é que este já morreu. Clemente parece insistir em permanecer vivo em Carlos Eugênio.

03/02/2012

às 20:26 \ Direto ao Ponto

Cuba proíbe a viagem de Yoani ao país que adotou a política externa da cafajestagem

“Não há surpresas”, começa a nota divulgada nesta tarde pela blogueira cubana Yoani Sanchez. “Voltaram a me negar a permissão de saída. É a ocasião de número 19 em que me violam o direito de entrar e sair do meu país”. É também a terceira tentativa frustrada de vir ao Brasil. E é mais uma prova de que o paraíso socialista dos irmãos Castro não passa de uma ilha-presídio.

Um post aqui publicado há uma semana comentou a concessão do visto de entrada no país, anunciada com pompas e fitas pelo Itamaraty. “Bom sinal”, constatou o texto. “Mas falta o essencial: a permissão para a saída. Dilma precisa afirmar publicamente que o colega Raul Castro deve autorizar a viagem. Como Lula em 2010, a presidente está  obrigada a escolher entre a generosidade e a infâmia. Ela decide”.

O que disse a presidente em Havana e, sobretudo, o que deixou de dizer anteciparam a opção vergonhosa. De novo, o governo brasileiro ajoelhou-se diante da ditadura caribenha. Nada mudou no Itamaraty. Continua em vigor a política externa da cafajestagem.

02/02/2012

às 20:48 \ Frases

Uma dúvida

“O que a militante política de esquerda Dilma Rousseff deve ter pensado quando Jimmy Carter, presidente dos Estados Unidos entre 1977 e 1981, começou a criar dificuldades para a ditadura militar brasileira cobrando mais respeito aos Direitos Humanos?”

Ricardo Noblat, colunista e blogueiro de O Globo.

31/01/2012

às 20:35 \ Sanatório Geral

Neurônio em trânsito

“Quem atira a primeira pedra, tem telhado de vidro. No Brasil, temos os nossos”.

Dilma Rousseff, em Havana, capturada pelo comentarista Hermenegildo Barroso ao explicar que, por causa das ditaduras que controlaram o Brasil no passado, não pode abrir a boca sobre a ditadura que controla Cuba no presente.

 

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