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direito

07/04/2011

às 20:38 \ Sanatório Geral

Cleptomania aguda

“Eu me guardo o direito de, nesse momento, me calar porque eu necessito esperar formalmente as acusações”.

Jaqueline Roriz, de volta à Câmara dos Deputados depois do vencimento do prazo da  licença médica por cleptomania, explicando que não vai comentar o vídeo em que protagoniza cenas de roubalheira explícita antes de ficar completamente curada.

30/03/2011

às 17:00 \ Sanatório Geral

Soneto & emenda

“Quando vi a cara de Preta Gil, já tive má vontade. Comigo, não! Não cruzo com ela. É um direito meu. Como muita gente não gosta de mim. Aceito meu filho ter relacionamento com qualquer uma, menos com uma pessoa com o comportamento da Preta Gil. Quem é o pai dela? Aquele que dá bitoquinha em homem”.

Jair Bolsonaro, deputado federal do PP fluminense, confirmando que a emenda quase sempre piora o soneto.

11/01/2011

às 17:12 \ Feira Livre

Homens e animais

TEXTO PUBLICADO NA FOLHA DESTA TERÇA-FEIRA

João Pereira Coutinho

Assisti a uma tourada na vida. Foi a primeira e a última. Era verão na Espanha e eu resolvi fazer um roteiro Hemingway (1899-1961): primeiro, beber na Gran Plaza; depois, tourada; finalmente, vomitar. Por causa da tourada, não da bebida. Tinha 15 anos.

O espetáculo pode ser esteticamente apelativo. Não contesto. Mas também não contesto que as antigas lutas de gladiadores romanos talvez pudessem proporcionar espetáculo igual. Ou, pensando melhor, os pobres cristãos lançados às feras. Fechar o juízo estético a qualquer consideração moral permite chegar a conclusões mil.

E a horrores mil. Como o horror da tourada. Não me lembro, com rigor, das etapas da corrida. Deixo isso para os especialistas. Lembro-me apenas de imagens soltas, cruéis, de uma violência primitiva.

O touro na arena a investir furiosamente contra os homens que ondulavam as capas vermelhas. Os cavaleiros e os bandarilheiros a sangrar o bicho. Lentamente. E, quando o sangue já escorria, abundante, pelo dorso do animal, o matador tinha o seu solene momento.

Curiosamente, o matador é a peça quase bondosa do processo: quando a espada trespassa o touro, sabemos que a desumanidade acabou.

Nesse sentido, honra seja feita, os espanhóis são mais compassivos do que os irmãos lusitanos. Em Portugal, nem sequer se concede ao animal a estocada da misericórdia.

Regresso à arena. O touro cai. O matador ergue os braços como um deus pagão.

O povo aplaude, em delírio. E os abolicionistas protestam: às portas da praça; nos jornais; nas televisões. Fatalmente, protestam com o pior argumento de todos: torturar é um erro porque os animais têm direitos.

Lamento discordar. Os animais não têm direitos. Porque os animais não têm deveres. “Direitos” e “deveres” são concepções e imperativos humanos, criados pela nossa específica superioridade enquanto homens, enquanto seres racionais.

Só nós temos direitos. Só nós temos deveres. Só nós somos capazes de os formular e articular e de viver em sociedades politicamente organizadas onde existe o poder necessário para proteger e aplicar esses direitos e deveres.

Temos o direito de não ser arbitrariamente perseguidos ou mortos. Temos o dever de não perseguir ou matar. Mas também temos o dever de não torturar um animal para gáudio das massas.

Assim se entende por que sou contra as touradas. Não porque os animais têm direitos. Mas porque nós, como humanos, temos deveres para com eles.

As touradas são uma forma de degradação, não apenas para os animais, mas, antes de tudo, para nós. Elas suspendem a nossa singularidade como seres racionais e compassivos.

É por isso que aplaudo a decisão da televisão pública espanhola de não transmitir mais touradas. É um passo histórico, precedido por outros passos históricos: na Catalunha, por exemplo, a “fiesta” está banida. Segue-se o resto do país?

Mistério. Mas confesso que nunca acreditei na validade de uma proibição pura e simples enquanto não existe na comunidade o repúdio moral que a justifique.

E esse repúdio cresce devagar; cresce com a atitude sábia dos programadores televisivos de retirarem as touradas do “prime time”, alegando a intrínseca pornografia do espetáculo.

Claro que a decisão não convence toda a gente. Não convence os aficionados, que avançaram com argumento previsível: os filmes de Hollywood são incomparavelmente mais violentos do que uma tourada. Como justificar a exibição de filmes e o boicote à tourada?

Era Cioran (1911-1995) quem definia o pessimista como o mártir do senso comum. Mas, às vezes, o senso comum é necessário. Desde logo para lembrar que existe uma diferença entre a ficção e a realidade.

No cinema, e mesmo no bom cinema, em nenhum momento a sombra do artifício desaparece por completo. Paradoxalmente, acreditamos na mentira porque suspendemos a incredulidade: é um negócio, consciente ou inconsciente, em que nos deixamos iludir. Mas que não altera a natureza inofensiva e indolor do que foi filmado.

Na tourada, essa ilusão desaparece. E, despida dos seus ornamentos retóricos, folclóricos ou culturais, o que resta é aquela memória de Espanha: uma memória de violência crua e cobarde dos homens sobre eles próprios.

29/10/2010

às 21:01 \ Sanatório Geral

Neurônio generoso

“Eu acho que é a posição do Papa e tem que ser respeitada. Ele tem direito de manifestar o que ele pensa. É a crença dele, e ele está recomendando uma orientação”.

Dilma Rousseff, depois de consultar mais uma vez o neurônio solitário, autorizando o Papa Bento XVI a manifestar-se sobre assuntos do interesse da Igreja.

30/08/2010

às 20:48 \ Vídeos: Entrevista

Carlos Ari Sundfeld, professor de direito administrativo e especialista em agências reguladoras (parte 2)

Criadas para garantir o cumprimento de regras em serviços essenciais como telecomunicações, energia e aviação, as agências reguladoras estão perdendo importância desde o começo da Era Lula. De acordo com Carlos Ari Sundfeld, professor de direito Administrativo da Fundação Getúlio Vargas, o principal problema está no boicote do Poder Executivo à autonomia dessas instituições. Para esvaziá-las, o Planalto se vale de medidas que incluem a redução dos recursos e do contingenciamento das verbas incorporadas ao Orçamento da União. “O governo está trazendo para si decisões que deveriam ser técnicas”, explica Sundfeld. Na última parte da entrevista, que entrará no ar quarta-feira, o professor diz o que deve mudar para que as agências voltem a cumprir o seu papel principal: melhorar a vida dos cidadãos.

10/11/2009

às 21:00 \ Sanatório Geral

Dilmês supremo

“Espero que prevaleça o direito posto, e que não se crie, no caso concreto, o direito de plantão”.

Marco Aurélio Mello, avisando em dilmês supremo que (daqui para a frente a responsabilidade é do tradutor) não gostou da tentativa do governo italiano de afastar o ministro Dias Toffoli do julgamento de Cesare Battisti, hipótese que, consumada, tornaria inútil o lance do pedido de vista do processo que dorme há quase dois meses na casa do declarante.


 

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