Blogs e Colunistas

dilmês

26/02/2011

às 18:56 \ Sanatório Geral

Clareza & concisão

“Não há inovação ou invasão de competência, por parte do Executivo em matéria ordinariamente reservada ao Legislativo. Este último fixa os valores, por lei, e aquele primeiro dá continuidade à aludida fixação, mediante cálculo de reajustes e aumentos. O regulamento apenas cuida do fiel cumprimento da lei. Trata-se de mera recomposição de referências e de expressão”.

Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, consultor-geral da União, explicando com clareza e concisão, em dilmês castiço, por que o governo pode fixar até 2015 o valor do salário mínimo por meio de decreto presidencial.

29/11/2010

às 0:51 \ Sanatório Geral

Na selva das redundâncias

“Sou contra preso político por crime de opinião, sou contra alguém ser preso político”.

Dilma Rousseff, perdida na selva das redundâncias, aparentemente tentando dizer, em dilmês de catedrático da USP, que é a favor da liberdade de expressão.

13/11/2010

às 15:15 \ Sanatório Geral

Dilmês cibernético

“Repito: não viajei pra SP, não está tendo reunião, não estou querendo enganar os jornalistas. Palavra de escoteiro. Bom findi proceis”.

José Eduardo Dutra, mostrando no Twitter como se diz “a reunião foi cancelada” em dilmês cibernético.

07/11/2010

às 2:41 \ Sanatório Geral

Epidemia de dilmês

“A coalizão político-eleitoral que se fez agora foi com muitos partidos. Mas são os mesmos partidos da base do governo atual. O ideal seria manter esse mesmo quadro para o futuro”.

Michel Temer, vice-presidente eleito, em entrevista à Rádio Gaúcha, comprovando que o dilmês é contagioso.

04/11/2010

às 23:01 \ Sanatório Geral

O apito do trem fantasma

“O trem-bala em um país continental, mas com grande densidade populacional no Sudeste e Sul, é absurdo as políticas que são obscurantistas e que consideram o trem-bala um absurdo. O investimento do trem-bala é feito pela iniciativa privada, e o financiamento a eles não concorre com o investimento em metrô e metrô só segura sendo público”.

Dilma Rousseff, tentando dizer alguma coisa em dilmês rústico sobre o trem fantasma que, segundo o cronograma original do PAC, está pronto há dois anos.

02/11/2010

às 19:55 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo em outro grande momento: a imprensa búlgara comenta em dilmês a vitória da mulher que quase nasceu lá

O jornalista Celso Arnaldo Araújo resolveu dar uma espiada no que anda dizendo a imprensa da Bulgária sobre a vitória da filha de um imigrante que veio de lá. Descobriu uma preciosidade. “É a melhor e mais reveladora reportagem em dilmês já publicada sobre a presidente eleita”, resumiu o único especialista no estranho idioma falado por Dilma Rousseff. Depois de juntar o que saiu nos principais jornais búlgaros, Celso Arnaldo aplicou ao noticiário o tradutor automático e colheu um buquê de espantos. Confira um dos melhores momentos do grande caçador de cretinices:

A Bulgária, onde ultimamente não acontece muita coisa, está eufórica com a eleição de Дилма Русеф para presidente do Brasil — é assim que se escreve Dilma Rousseff em búlgaro.

Consultando alguns jornais locais no Google, e aplicando às notícias o tradutor automático disponível, descobri que, em homenagem à vitória da conterrânea, o idioma nacional está sendo vertido diretamente para o dilmês — a começar pela manchete do Trud, o principal jornal de Sófia.

“A primeira presidente mulher na história do Brasil é a metade da Bulgária e foi eleito no domingo com 56 por cento do escoamento.”

Logo de início, um breve dado biográfico da vitoriosa, para os leitores que ainda não conhecem essa conexão: “Dilmano Rousseff é filha de imigrantes de Gabrovo Petar Russev, mas nunca visitou a Bulgária.”

Os búlgaros, entusiasmados com o sucesso da compatriota, agora presidente da maior potência sul-americana, estão efetivamente por dentro dos bastidores de nossa política. Informa a jovem jornalista Mihailina Dimitrova (Международни новини em búlgaro) com grande propriedade:

“Será protegido de Lula, que tem carisma pouco a sair da sua sombra e se tornar um verdadeiro estadista? Esta será a questão dos estrangeiros para Dilmano Rousseff, nos próximos quatro anos a partir da resposta depende da sua avaliação global, que o Washington Post previu o primeiro lugar — a mulher mais poderosa do planeta. Será que a senhora que lutou por um chefe de estado maior país católico do mundo para se tornar verdadeiramente a mãe de todos os brasileiros?”

Como se percebe, Mihailina, que nunca veio ao Brasil, conseguiu ser mais clara que a própria Dilma no Jornal Nacional desta segunda-feira. Ah, esses búlgaros! Graças ao surpreendente desabrochar da conterrânea cuja existência há pouco era completamente desconhecida até pelos aldeões decanos de Gabrovo, terra natal do pai da nova presidente, eles estão vencendo décadas de isolamento do Brasil.

Com pose de brasilianista, a jovem repórter do Trud certamente virá ao Brasil antes que Dilma vá à Bulgária – quem sabe até para a posse. Mas o país não perde a esperança de uma visita oficial, porque Dilma parece ter sido muito receptiva numa mensagem que enviou aos irmãos búlgaros há dois meses. Escreve o jornal:

“No início de setembro Dilmano enviadas por Trud grande abraço a todos os búlgaros e prometeu que o país esteja entre as suas prioridades para a visita.”

Mesmo de longe, Mihailina, pós-graduada brilhante de Ciências Políticas da centenária Universidade de Sófia, vibra com a eleição de “tia” Dilma e lhe dá sugestão para um choque de eficiência — que a presidente eleita ficou de estudar e quem sabe incorporar a seu plano de governo:

“Então Dilmano Rousseff, gostei principalmente porque probidade e espírito tecnocrático (foi sucessivamente ministro da Energia e do chefe do Gabinete de Luis da Silva) terão que reestruturar um dos mercados emergentes mais quentes do mundo. Para manter o crescimento em um país com infra-estrutura desesperada e burocracia muito poderoso e inchado.”

Para terminar, o Trud avisa: Parvanov e Borisov, respectivamente presidente e primeiro-ministro da Bulgária, estão “esperando por ela em casa”. Petar Russev, infelizmente, não pode vibrar com o triunfo da filha, mas a presidente eleita — completa o principal jornal búlgaro – tem “vários primos em Gabrovo”. Seu parente mais próximo ainda vivo é Bozidar Baykushevata, esposa do sobrinho Luben Roussev.

Finalizando, o jornal lembra que Dilma fez bonita família no Brasil:

“Ela casou com um ano de guerrilha companheiros – Carlos de Arauho, e teve sua única filha – Paula, poucos dias antes da eleição presidencial, em janeiro deu um neto. Dilmano e Carlos para os anos são divorciados.”

Minha modesta opinião: é a melhor e mais reveladora reportagem em dilmês já publicada sobre a presidente eleita.

18/10/2010

às 19:00 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: Dilma espanca o idioma na visita ao Museu da Língua Portuguesa

Dilma Rousseff deve gostar de viver perigosamente. Depois da espetacular conversão que a levou do ateísmo para a carolice sem ter aprendido o Sinal da Cruz, a candidata que trata o idioma a pontapés resolveu visitar o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, e discorrer sobre o tema numa entrevista coletiva. Único especialista em dilmês do Brasil, o jornalista Celso Arnaldo Araújo não iria perder essa, claro. Não percam o relato do grande caçador de cretinices:

Ainda me impressiono com o que esses marqueteiros obrigam os candidatos a fazer, exigindo deles o que vai de encontro às suas resistências ou dificuldades mais profundas. De Dilma, que não decorou nem o sinal da cruz, já tinham exigido fé demais.

Mas agora passaram do ponto, tentando transformá-la numa devota da língua portuguesa ─ justo ela, que há um ano carrega por palanques e microfones de todo o Brasil a mais desarticulada candidatura presidencial da história da República. Dilma cultiva tão bem as palavras da língua portuguesa quanto Duda Mendonça trata seus galos ─ que se bicam até sangrar, humilhados, zonzos.

Já conhecendo bem a dialética da campanha dilmista, eu sabia que depois da visita ao Museu da Língua Portuguesa anunciada no twitter ─ tão demagógica quanto a de Goebbels ao Museu Rainha Sofia para ver Guernica de Picasso ─  ela daria entrevista sobre o tema, à porta.

Bingo. Perdão ─ agora não é mais entrevista, é o tal “minuto propositivo” que o João Santana inventou para as pessoas acreditarem que Dilma só falará um minuto. No caso, foram penosos 11 despropositados minutos de espancamento impiedoso do pobre português, à porta de seu próprio museu.

“Meu minuto propositivo hoje diz respeito a duas coisas. Primeiro é uma questão que eu acho que é fundamental. Nós sabemos que há um problema muito sério não só aqui em São Paulo mas em vários estados da Federação, é que as crianças e os jovens passam de ano, mas quando você vai fazer os testes de matemática e de língua portuguesa, o nível de aproveitamento é baixíssimo. Então, estão passando de ano sem aprender”.

Dilma pretendeu criticar, evidentemente, o sistema de progressão continuada que vigora em São Paulo ─ esquecendo que foi algo do gênero, ou a benevolência de seus professores, que lhe permitiu concluir o curso de Economia que diz ter feito, com uma agravante: no caso dela, parece claro não ter havido progressão alguma.

“Uma das maiores preocupações que eu vô tê é garanti que as crianças passem de ano no Brasil e ao mesmo tempo aprendam, que não pode sê assim”.

Talvez fosse melhor ao contrário ─ que as crianças primeiro aprendessem e depois passassem de ano. Mas Dilma quer garantir que as crianças passem de ano no Brasil ─ e, aparentemente, pretende impedir nossos filhos de passarem o Réveillon no exterior para equilibrar a balança de pagamentos. Tem meu apoio: tenho quatro filhos, eles querem sempre ir para a Disney e sai muito caro.

“E aí uma questão deve sê enfatizada e deve sê muito considerada. A questão de duas, de dois conhecimentos. Um é a matemática. Hoje nós temos um grande incentivo à matemática, através das olimpíadas da matemática, onde participam 20 milhões de pessoas, de alunos. E é meu objetivo fazê também uma olimpíada da língua portuguesa”.

Ótimo. Um país que ainda tem 30 milhões de analfabetos latu senso, incluindo um deputado federal eleito, e milhões de analfabetos funcionais, vai produzir, no governo Dilma, gramáticos olímpicos. Ela, pessoalmente, não passaria dos 10 metros bem rasos. Fala, Dilma Houaiss:

“Nós criamos uma língua própia (sic), que é a língua brasileira, através de uma série de casamentos que ao longo do processo foram feitos com as línguas de origem indígena, o bantu e outras…”.

Epa! Bantu de origem indígena? A própria Dilma Houaiss vem em socorro de Dilma Rousseff:

“Desculpa, a tupi e outras. E com toda a descendência nossa africana também, o bantu e outras”.

Perdoe-se o lapso momentâneo, louve-se a correção quase imediata. Mas o fato é que os marqueteiros, ou os monitores do Museu, só ensinaram a ela uma língua de cada tronco – daí o salvador “e outras”, que saiu automaticamente três vezes. Uma pergunta que quer calar: a que família linguística pertence o dilmês?

“Tudo isso mostra que nós temos de valorizá a língua portuguesa. Porque não existe como uma criança ou um jovem, se ele não se apropiá (sic), não existe como se ele não se apropiá (sic) da língua portuguesa e da matemática de ele tê acesso aos outros conhecimentos. Está provado isso”.

Então está comprovado o mistério de Dilma: ela não tem nenhum conhecimento sobre rigorosamente nenhum assunto porque não se apropiou da língua portuguesa.

Amigos: parei quando o cronômetro marcava apenas 2min44s. Vocês têm pela frente ─ se a matemática não me trai ─ mais 8min16s propositivos, em que ela deixa o português de lado e, ainda maltratando cruelmente a matéria do museu, discorre com a graça e a espontaneidade habituais sobre assuntos diversos, inclusive o escândalo do dia, a tal história do banco alemão que perdeu 200 milhões de dólares para uma subsidiária da Eletrobras.

Ela culpa o banco alemão por ter caído no golpe.

17/10/2010

às 18:30 \ Sanatório Geral

Dilmês e português

“Recomendo a todos uma visita ao Museu da Língua Portuguesa. Fui de manhã. Além do acervo, tem uma temporária fantástica do Fernando Pessoa”.

Dilma Rousseff, no twitter, depois de entrar em contato com a língua portuguesa, preparando-se para prometer, no próximo comício, a criação do Museu do Dilmês.

06/08/2010

às 14:18 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: ‘Cada frase de Dilma no debate valeria uma internação no Sanatório’

São-paulino de brigar em botequim e único jornalista brasileiro especializado em dilmês, Celso Arnaldo teve de multiplicar-se, nesta quinta-feira, para ver o jogo sem ignorar o debate. O que viu e ouviu bastou para outra tomografia da mente inquietante da mais bisonha candidata da história do Brasil. Confira:

Ontem à noite tive de fazer uma Escolha de Sofia entre dois desastres anunciados: a eliminação de Dilma e a eliminação do São Paulo. Como são-paulino histórico, optei por esta – pelo menos fui recompensado com um time bem articulado, que soube responder aos ataques do Inter e esteve muito próximo da vitória consagradora.

Num momento de bola parada, zapeei para a Band. Vi uma jogadora de várzea tentando fazer duas embaixadinhas seguidas – perdeu a bola na primeira, bisonhamente:

– O Samu, que transporta crianças…

Perdão? O Samu, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, um dos raros serviços públicos de saúde com padrão de excelência, pelo menos em São Paulo, vai se tornar pediátrico no governo de Dilma?

Claro que não. Dilma não sabe o que é Samu — embora viesse incluindo esse programa como uma de suas falsas metas para a saúde. Dilma não sabe nada de coisa alguma.

No intervalo, retornei ao debate, justo quando Dilma tentava, agonicamente, explicar sua política para a inclusão social de deficientes – que ela chamou de “excepcionais”, um termo em desuso. A resposta foi tão deficiente que valeria sua exclusão automática do debate e da cena política brasileira.

Nem precisei ver o resto, continuei sofrendo com meu São Paulo. Mas aposto minha carreira profissional como cada uma de suas frases no debate de ontem valeria uma internação no Sanatório. E, cada uma, um milhão de votos a menos do Brasil que pensa.

Nesta manhã, ouvi umas cinco ou seis pessoas de minhas relações, que não leem a coluna de Augusto Nunes e nem acreditavam em mim, dizendo-se chocadas com o desempenho de Dilma. Alguma surpresa para nós? Esperávamos algo melhor da mais estapafúrdia, ofensiva e despreparada candidatura da história da República?

No fundo, sim. Despreparo, normalmente, é um estado temporário de ignorância. Qualquer pessoa na posse de faculdades intelectuais medianas pode se preparar em qualquer assunto que desconheça, com treinamento, leitura, estudo, afinco.

Não Dilma. Ela é impreparável. Ter sido jogada ao primeiro debate nesse estado rudimentar de pensamento sobre virtualmente qualquer tema não foi falha de seu staff de campanha. A falha é estrutural – é do cérebro de Dilma, um dos órgãos com menor eficiência e apetrechamento da máquina estatal brasileira em todos os tempos.

Do pouco que vi ontem e li hoje, o desempenho de Dilma no primeiro debate foi mais desastroso do que até os dilmólogos esperavam. Tão estarrecedor que até seus assessores mais próximos, os xiitas da campanha, devem ter entrado em desespero — porque há pelo menos mais quatro debates pela frente. Bem, isso pode até ser verdade, mas não em público. Os construtores da fraude se apressaram em mandar estampar hoje cedo como manchete principal do site oficial:

– Dilma estreia com vitória

Trecho do texto triunfal:

“Confiança, conhecimento e sinceridade na transformação do país. Foi o que Dilma Rousseff demonstrou no debate entre os candidatos na Rede Bandeirantes, na noite de quinta-feira. Dilma respondeu com elegância e profundidade às perguntas dos adversários e dos jornalistas da Band, mostrando que conhece a realidade do país e é a mais preparada para fazer o Brasil continuar avançando”.

Pior do que ver Dilma debatendo é olhar na cara dos filhos depois de escrever isso.

20/07/2010

às 17:28 \ Direto ao Ponto

O som perturbador do neurônio em ebulição

A imensa maioria dos eleitores de Taquaritinga não estudou em Harvard, não fala como personagem de livro de Machado de Assis, não é fluente em outros idiomas ─ não apresenta, enfim, nenhum dos sintomas que permitem à companheirada identificar integrantes da elite golpista. Mas não votam em gente que se expressa de modo incompreensível. Até os doidos de pedra da cidade onde nasci se recusam a apoiar quem não diz coisa com coisa.

Não chegaria a 100 votos, por exemplo, um candidato a prefeito que prometesse melhorar o sistema de atendimento à saúde com a seguinte discurseira:

“É necessário tê clínica especializada. Porque as pessoas não podem recorrê ao… o hospital quando se trata de… de fazê exames especializados. Não pode i pro hospital porque lá no hospital a média e alta complexidade… uma pessoa que precisa de tratamento de urgência. Então eu acredito que todas as experiências de policlínicas especializadas são fundamentais. Por que? Porque u.. aí na policlínica ocê teria toda a possibilidade do tratamento especializado… de estômago, de pulmão, enfim… é…da…da… de todas as chamadas… tratamento de ouvido, garganta, e etc… laringe, enfim, cê teria um tratamento especializado pá avaliá se seu caso é de… né?… é… é… ocê vai tê uma medicação, vai ficá em casa, vai tê um acompanhamento médico, aí seria a policlínica especializada”.

Parece mentira? Pois é exatamente isso o que diz Dilma Rousseff no áudio divulgado pelo seu site oficial. Pela pergunta que abre o palavrório, pode-se deduzir que ela está querendo dizer que a salvação da saúde está em algo que chama de “clínica especializada”. Mas não consegue explicar o que é isso. Só consegue ampliar a montanha de evidências de que a candidata que não tem ideias próprias não consegue sequer declamar as que lhe são sopradas.

Como todo sinal de alarme, o som de um neurônio em ebulição é  perturbador, mas muito útil. Quem tem juízo entenderá que Dilma Rousseff não é uma candidata em campanha. É uma ameaça a caminho.

Subscrevo e acrescento ao post o comentário do Celso Arnaldo:

O que parece estarrecedor para quem nunca ouviu Dilma antes — e tenho colegas jornalistas que nunca a viram discursando ou dando entrevista — é absolutamente familiar para os frequentadores desta coluna. Que há nove meses têm acesso a veementes indícios, há muito transformados em provas documentais, de que Dilma é uma afronta imposta ao Brasil por Lula, num crime lesa-pátria sem perdão.

A afronta chega às raias do insulto, da bofetada vil, quando o próprio site oficial reproduz, sem pudor, sem autocrítica alguma, uma explanação vexaminosa como parte da plataforma de saúde da candidata.

Se os chefes da campanha fossem honestos, até com a própria Dilma, só poderiam ter uma reação ao ouvir esse lixo, que é mais uma confissão explícita de apedeutismo radical e ignorância pluralista:

─ Pelo amor de Deus, esconde isso. Joga fora, não deixa ninguém ouvir. Aliás, vamos esconder a Dilma.

Ao contrário. A exposição é total, ilimitada, sem revisão, sem edição. É como se o despreparo agônico de Dilma fosse seu cartão de visitas para um Brasil desarticulado, que não raciocina, não ouve, não registra — mas que recebeu de Lula metade daquela célula rasgada por ela e vai às urnas, dia 3 de outubro, votar na candidata que supostamente pode inteirar a outra metade.

Nessa “policlínica especializada” da Dilma, não haverá especialistas numa candidatura tão patológica, tão terminal.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados