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dilmês

21/07/2014

às 17:43 \ Direto ao Ponto

A espetacular descoberta de Dilma: o míssil foi disparado pelo governo da Ucrânia para derrubar o avião do companheiro Putin

O extenso noticiário sobre o Boeing da Malaysia Airlines derrubado quando sobrevoava os céus de Donetsk, região da Ucrânia controlada por separatistas financiados pelo governo russo, tratou com inexplicável avareza a mais inventiva das teorias vinculadas ao episódio. Foi ignorado pelos jornais (ou confinado em míseros centímetros) o monumento à criatividade erguido por Dilma Rousseff  com 82 palavras distribuídas por quatro frases. Concebido para explicar aos jornalistas por que o governo ainda não dera um pio sobre o mais recente capítulo da história universal da infâmia, deu no seguinte:

“Olha, eu acho que é prudente … vô… a gente tomar cuidado, porque, ao mesmo tempo, né?, tem um segmento da imprensa dizendo que o avião que era… esse avião que foi derrubado tava na rota da volta do avião do presidente Púti. Coincidia com o horário… e com o percurso. Então, que o míssil seria dirigido ao avião do presidente Púti. Eu acho que é importante tá… ter… ter claro que não era um míssil de fácil manejo. Não é um míssil de fácil manejo. Então, nós temos que olhar com cuidado pra vê de fato o que  aconteceu. Então, o governo brasileiro não se posicionará quanto a isso até que fique mais claro, por uma questão não só de seriedade, né?, mas também de prudência. Nós não temos todas as informações”.

Em língua de gente, o falatório em dilmês primitivo produziu uma teoria e tanto. Amparada no que andou lendo num misterioso “segmento da imprensa”, a presidente do Brasil afirmou ─ nada mais, nada menos ─ que só os imprudentes e os pouco sérios se atrevem a atribuir o disparo do míssil aos rebeldes supridos pelo padrinho Vladimir Putin com armamentos de última geração. Segundo Dilma, a explosão do Boeing foi coisa do governo constitucional da Ucrânia, que errou o alvo ao tentar espatifar o avião que levava o presidente da Rússia de volta a Moscou. Nem o mais imaginoso veterano da KGB havia pensado nisso.

Como a autora não a desmentiu, a tese continua valendo manchete de primeira página ─ e à espera de detetives preparados para averiguar se tem fundamento ou não. Se tiver, o caso sofrerá reviravoltas que poderão levar a descobertas ainda mais espetaculares. (Uma dupla de enviados especiais a Donetsk talvez descubra, por exemplo, que o míssil decolou de um aeroporto clandestino construído nas terras de um tio ucraniano de Aécio Neves, expropriadas pelo governo mineiro). Se tudo não passou de outra maluquice do neurônio solitário, os eleitores terão um motivo a mais para negar à presidente um segundo mandato.

Pelo que anda acontecendo por lá, falta pouco. Mas o Palácio do Planalto ainda não virou hospício.

15/04/2014

às 12:21 \ Sanatório Geral

Houve uma vez um neurônio

“Eu acho que poucas vezes um presidente esteve tantas vezes num município”.

Dilma Rousseff, na inauguração da adutora de Pajeú, em Pernambuco, internada por Celso Arnaldo ao dar mais uma mostra de que nenhum outro idioma humano permite construções neurolinguísticas tão perturbadoras quanto o dilmês.

14/04/2014

às 14:48 \ Direto ao Ponto

Machado de Assis é a nova aquisição do selo literário Dilma Rousseff: “Muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro”

dilma cachorro

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Machado de Assis, maior nome da literatura brasileira, é a nova aquisição do selo Dilma Rousseff – especializado em adaptar para o dilmês obras-primas das letras nacionais, com um grau de acurácia inferior ao do patético Google Tradutor.

Seu autor favorito vinha sendo Nelson Rodrigues, o frasista perfeito ─ por via do dilmês, transformado num escriba de péssimos bofes e estrofes, capaz de cometer pecados estilísticos mortais, como “não se pode apostar no pior” ou “pessimistas fazem parte da paisagem assim como os morros, as praças e os arruamentos”. Coisas que Nelson nunca disse ou escreveu e não diria ou escreveria nem sob um ataque de apoplexia, enforcado por seus suspensórios e afogado num barril de baba elástica e bovina.

Agora é a vez de Machado, novo contratado da editora DR. A pátria em chuteiras deu lugar à pátria em cachorros. Mestre na observação psicológica, só Deus sabe quanto se esforçou o mago do Cosme Velho para esculpir o personagem do barbeiro Porfírio, um dos opositores do protagonista Simão Bacamarte no conto “O Alienista”. O médico Simão, que estudara na Europa, volta ao Brasil e se instala na pequena Itaguaí, estado do Rio, onde abre um hospício, a Casa Verde, “a bastilha da razão humana”, com um conceito muito amplo, quase universal, de loucura. Bastava uma esquisitice, uma mania e até uma mera vaidade humana e o cidadão era internado na Casa Verde – isso incluía 80% da população.

O pacato barbeiro Porfírio então lidera uma rebelião contra o hospício e seus métodos. Pouco adiante, porém, Bacamarte, o alienista, muda radicalmente seu conceito – passa a considerar loucura qualquer demonstração de bom senso. E eis Porfírio de novo à beira do hospício, a cunhar o lendário aforismo que atravessaria 132 anos – a partir da publicação do conto — para chegar intacto aos dias de hoje como um primor da ironia dialética:

“Preso por ter cão, preso por não ter cão!”.

Bem, intacto até cruzar com Dilma Rousseff, que – no discurso de Porto Alegre em que defendia sua Copa – enquadrou o dito machadiano em sua sintaxe enlouquecida, com a camisa de força de um idioma insano:

“E é interessante que muitas vezes no Brasil, você é, como diz o povo brasileiro, muitas vezes você é criticado por ter o cachorro e, outras vezes, por não ter o mesmo cachorro”.

De cara, ela confundiu Machado com o povo brasileiro, atenuou a prisão original em mera crítica e transformou o cão em cachorro – é o mesmo animal, mas as cinco letras a mais fazem toda a diferença em termos de estilo e prosódia. Seria a materialização da figura oculta do cachorro que Dilma vira atrás de cada criança, na mesma Porto Alegre? Sim, “o mesmo cachorro” – para não deixar dúvida.

Logo adiante, a crítica rende prisão, mas temporária:

“Então, nessa história de preso por ter cachorro, criticado por ter cachorro e criticado por não ter o cachorro, o que eu estou explicando para vocês é o seguinte…”

Não, Dilma Bacamarte nunca terá uma explicação lúcida. No seu hospício idiomático, todas as palavras viram coisa de louco.

Nas eleições de outubro, a confirmarem-se as previsões, Machado de Assis será novamente vilipendiado:

– Ao vencedor, as batatadas.

08/04/2014

às 12:51 \ Sanatório Geral

Neurônio inominável

“Eu quero, então, voltar aonde eu comecei. Eu vou falar agora que aqui tem 37 municípios. Eu vou ler os nomes dos municípios, porque eu acho importante que cada um de vocês possam (sic) se identificar aqui dentro e, por isso… Eu ia ler os nomes, não vou mais. Por que não vou mais? Eu não estou achando os nomes. Logo, não posso lê-los”.

Dilma Rousseff, na cerimônia de formatura do Pronatec em Belo Horizonte, internada por Celso Arnaldo ao dar mais uma mostra de que aquilo que faz com o Brasil não tem nome.

02/04/2014

às 18:37 \ Sanatório Geral

Samba do Neurônio

“E esse Samba do Avião, ele faz uma ligação entre o Brasil de hoje e o Brasil de ontem, porque o Samba do Avião descreve a chegada no Brasil, e em especial no Galeão, dos brasileiros que voltavam ao Brasil após a Anistia, alguns após 21 anos de exílio, outros menos do que isso, mas essa é a realidade, o Samba do Avião é isso”.

Dilma Rousseff, durante assinatura do contrato de concessão do Aeroporto do Galeão, internada por Celso Arnaldo ao se emocionar com uma canção composta por Tom Jobim dois anos antes do golpe de 1964 que já descrevia a chegada dos anistiados em 1979.

“Veja que essa música, ela mostra duas coisas: para um exilado o que era o Brasil? O que é a lembrança mítica do Brasil? É o Rio de Janeiro, né, e a ‘minha alma canta’. E, além disso, mais na frente diz: “Rio de sol, de céu, de mar. Dentro de mais um minuto estaremos chegando ao Galeão’, chegando aqui, no Galeão. E aí, no final diz: ‘Aperte o cinto, vamos chegar, água brilhando’, ─ que é uma coisa fundamental, a água brilhando, você ver a água brilhando ─ ‘olha a pista chegando e vamos nós pousar’. Eu acho que a imagem é belíssima, porque acredito que um exilado não volta para o Brasil, pousa, pousa”.

Dilma Rousseff, na cerimônia de concessão do Aeroporto do Galeão, internada por Celso Arnaldo ao homenagear o gênio musical que dá nome ao local com uma interpretação teco-teco de um clássico supersônico da MPB.

02/04/2014

às 17:36 \ História em Imagens

Aprenda a discursar com Dilma Rousseff: dez aulas práticas em cinco minutos e meio

Para cumprir a promessa formulada no título ─ “Aprendendo a discursar com Dilma Rousseff ─, o vídeo editado por Kim P.K. agrupou 10 palavrórios da presidente que criou um estranho subdialeto para deixar claro que não consegue dizer coisa com coisa. Ela tropeça na gramática e espanca o raciocínio lógico até quando está lendo o que algum assessor escreveu. Encerrado o curso intensivo de 5:39, também fica evidente que é melhor ser surdo do que ouvir improvisos em dilmês.

O cortejo de assombros começa com Dilma ensinando a Barack Obama que pasta de dente não tem nada a ver com dentifrício e termina com a invenção do “decreto líquido”. Entre os dois espantos, o neurônio solitário promove a Zona Franca de Manaus a capital da Amazônia, descobre só no segundo parágrafo que está lendo à tarde o discurso que foi escrito para o comício da noite, avisa que as árvores são plantadas pela Natureza, inaugura uma ligação submarina entre o Brasil e a Europa, enxerga um cachorro oculto por trás de toda criança e reconhece formalmente “a União Europeia como sendo uma reserva dos maiores times de futebol”. Fora o resto.

Veja Dilma em ação. E tenha piedade dos encarregados de traduzir para outros idiomas falatórios que são indecifráveis para qualquer brasileiro com a cabeça em ordem.

27/03/2014

às 0:13 \ Sanatório Geral

Neurônio datado

“Todos nós aqui sabemos que cada um de nós escolhe ─ a vida faz a gente escolher ─ alguma das datas em que a gente nunca vai esquecer dessa data”.

Dilma Rousseff, na entrega de unidades do Minha Casa, Minha Vida em São Paulo, internada por Celso Arnaldo ao garantir que, no dia de seu aniversário, lembra que é dia de seu aniversário.

26/03/2014

às 22:01 \ Sanatório Geral

Neurônio! Presente!

“Eu estou muito feliz de estar aqui em Bauru. O prefeito me disse que eu sou, entre os presidentes, nos últimos tempos, uma das presidentes, ou presidentes, que esteve aqui em Bauru”.

Dilma Rousseff, durante entrega de casas populares em Bauru, internada por Celso Arnaldo ao confirmar que estava em Bauru.

20/03/2014

às 22:03 \ Sanatório Geral

Neurônio modal

“Porque qual é o objetivo de você ficar integrando modal? Não é porque acha moderno. É moderno. Mas não é só por isso. Não é porque é correto, é por isso, mas não é só por isso. É, sobretudo, porque se você integrar o rodo, o fluvial, o trilho, quando houver o trilho, você obtém a possibilidade de ter um bilhete único”.

Dilma Rousseff, em Belém do Pará, internada por Celso Arnaldo ao dissertar sobre mobilidade urbana com a linguagem modal que integra despreparo, desinformação e falta de estudo ─ seu bilhete único para a Presidência.

20/03/2014

às 19:51 \ Sanatório Geral

Neurônio segregado

“Vamos dar prioridade a segregar a via de transporte. Segregar via de transportes significa o seguinte: ou você faz metrô, porque o metrô… porque o metrô, segregar é o seguinte, não pode ninguém cruzar rua, ninguém pode cruzar a rua, não pode ter sinal de trânsito, é essa a ideia do metrô. Ele vai por baixo, ou ele vai pela superfície, que é o VLT, que é um veículo leve sobre trilho. Ele vai por cima, ele para de estação em estação, não tem travessia e não tem sinal de transito, essa é a ideia do sistema de trilho”.

Dilma Rousseff, em anúncio de investimentos em mobilidade urbana, em Belém do Pará, internada por Celso Arnaldo ao descobrir que metrô não faz cruzamentos e instituir o apartheid no sistema de transportes públicos do país.

 

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