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dilmês

10/10/2011

às 17:36 \ História em Imagens

Dilma em Gabrovo: ‘Por trás da presidente do Brasil, tinha um búlgaro nascido aqui’

Celso Arnaldo Araújo

O pessoal do Implicante extrairia mais algumas pérolas do vídeo abaixo. É o discurso de Dilma na escola do pai, em Gabrovo ─  e, de cara, tem um fato histórico: apresenta a primeira tradução simultânea e explícita do dilmês para o búlgaro, inexistente até no tradutor universal do Google.

Sinta o desespero choroso da oculta intérprete búlgara: algumas de suas traduções são três vezes mais longas que a fala original, certamente na tentativa de achar um correspondente fiel para aquela estranha algaravia ─0 daí a crescente impaciência de Dilma, que estava emocionadíssima, irritadíssima e, em consequência, inspiradíssima.

Como aperitivo aos que, assistindo ao vídeo completo, irão se aventurar pelos labirintos borgeanos do primeiro discurso do mundo feito em dilmês/búlgaro, destaco alguns pontos baixos:

“Por trás da presidenta do Brasil, tinha um búlgaro nascido aqui em Gabrovo”.

“Queria mais uma vez comprimentar os moradores aqui de Gabrovo, os búlgaros e os nascidos aqui nesta região”.

“Meu pai contribuiu para o fato de me educar olhando para a situação dos povos do mundo”.

“Saibam vocês que uma parte de Gabrovo e da Bulgária mora, reside e é presidenta do Brasil”.

Por fim, chamo atenção para uma informação constante deste vídeo, que nossa grande imprensa injustamente não repercutiu, e que é um “tapa na cara”, um “cala a boca” naqueles que criticam a política educacional da presidente Dilma ─ a começar por sua própria educação.

Ela informa que, correspondendo à intenção dos diretores da escola onde seu pai estudou de ali instalar um curso de português, pretende propor em Brasília um curso de língua búlgara, “pra que búlgaros e brasileiros possam istreitar (sic) o seu relacionamento e se conhecer cada vez mais”.

Apoio incondicionalmente a proposta, mas já estou com peninha da tradutora búlgara ─ 4 que perderá seu emprego na próxima visita de Dilma.

28/09/2011

às 13:33 \ Sanatório Geral

Ditador-de-Adidas

“Quem entendeu o discurso confuso do presidente americano na ONU?”

Fidel Castro, ditador-de-Adidas, surpreendendo o mundo com a descoberta de que o inglês é mais difícil que o dilmês.

30/08/2011

às 17:22 \ Sanatório Geral

Neurônio esperto

“Crise se combate com crescimento e fortalecimento do mercado interno”.

Dilma Rousseff, na reunião do conselho político, como se alguém achasse que a redução e o enfraquecimento do mercado interno pode resolver alguma crise econômica.

08/08/2011

às 22:55 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo captura a presidente durante a assombrosa entrevista em dilmês castiço: ‘O povo brasileiro não tinha nem casinha’

Os amigos da coluna estavam com saudade do implacável caçador de cretinices. Que voltou em grande forma, comprova o texto sobre outra inacreditável entrevista concedida por Dilma Rousseff. Não percam. (AN)

Por Celso Arnaldo Araújo

Quase tudo o que se lê atribuído à Dilma, quando transcrito literalmente, parece trote, pegadinha, erro de transcrição – porque decididamente não é possível que uma pessoa que tenha curso superior, só não é doutora por um triz e chegou à presidência da República do país que é a “oitava economia do mundo” se expresse desse jeito.

Além de falar uma espécie de patois brasileiro, pouco assemelhado à língua culta do país que preside, faz associações de palavras que não seriam usadas por um aluno de escola fundamental numa redação. As improváveis “casas de papel”, objeto de sanatório nesta coluna, se enquadram na categoria.

Mas Dilma disse exatamente isso – foi numa entrevista concedida às rádios Grande Rio AM (Petrolina/PE) e Juazeiro AM (Juazeiro/BA) semana passada. E a transcrição está no próprio Blog oficial do Planalto, que agora reproduz ipsis literis, sem tirar nem pôr, ao lado da gravação eletrônica, discursos e entrevistas da presidente Dilma. Justiça seja feita, é uma extraordinária contribuição do poder público aos raros abnegados da iniciativa privada que se dedicam à pesquisa e ao estudo do dilmês, antes obrigados a despender tempo, energia e massa cinzenta para fazer uma transposição mais penosa que a do Rio São Francisco.

A resposta da “casa de papel” ao radialista baiano foi exatamente esta:

– Mas o povo brasileiro não tinha nem casinha. O povo brasileiro tinha o quê? Morava em casas de papel, em palafitas. Esta casinha, como você está dizendo – imagino que a sua casa seja grande.

Repare: ela não fala em casas de papelão, que eventualmente devem existir até a 20 quilômetros do Palácio do Planalto, mas de papel mesmo — sulfite, almaço, embrulho, jornal. E palafitas eram da cota de FHC? Depois de quase nove anos de governo Lula/Dilma, a “stilt house” ainda é um “brazilian housing style” no rigor da moda em quase todos os estados do norte ou nordeste. E notou uma ponta de sarcasmo na resposta? Lógico, madame ficou irritada com a pergunta do jornalista:

– Por casinha?

O jornalista só queria confirmar a estranha sequência de números apresentada por Dilma na resposta anterior, ao falar do custo dos imóveis e garantir que, no Brasil Maravilha, há um canteiro de obras com três milhões de construções para quem não tem casa:

– Isso hoje ocorre. E mais: ocorre para a população que não tem dinheiro. Qual é essa população que não tem dinheiro? Não é que ela não tenha nenhum, é que a conta não fecha. Por que a conta não fecha? Hoje uma casa, em média, que nós pagamos pela Caixa Econômica Federal – e aqui está o presidente da Caixa – ela fica em torno de 50, 51, 52 mil reais.

Ou seja: Dilma tenta explicar que a população que não tem dinheiro para comprar uma casa é justamente aquela que não tem dinheiro.

ÁGUA DE RIO É DOCE
Além da “casinha”, Dilmona ficou engasgada com outra pergunta que não quer calar: o 1 milhão de casas do PAC 1 já foi entregue antes de se anunciarem os 2 milhões do PAC 2?

–Não, uai. Elas foram contratadas. Você acha que a gente contrata e entrega? Não. Você contrata, constrói e entrega.

Taí: explicado, enfim, porque o 1 milhão de casas do PAC 1 mais os 2 milhões do PAC2 até hoje só se materializaram em pouco mais de 200 mil moradias, ou um pouco menos, contando as já inabitáveis e as que não estão mais de pé — há casos no nordeste. Entre contratar e entregar – o Brasil ainda não sabia disso e injustamente a questionava – há uma etapa intermediária relativamente importante: construir.

As casas de papel da frase non sense de Dilma não passam de figura de linguagem, mas parecem verdade. As casas do PAC da Dilma parecem de verdade, mas não passam de figura de linguagem. São as casas no papel.

E muitas das que saíram do papel têm a marca das construções verbais de Dilma – desmancham ao primeiro retoque, daí a necessidade de se mantê-las, as casas e as falas, como foram concebidas. Foi fartamente noticiado: os primeiros moradores do Residencial São Francisco, do Minha Casa Minha Vida em Juazeiro, foram orientados a não fazer reformas no imóvel, sob risco de “danos à solidez”. Já houve desmoronamentos em outros conjuntos. Os imóveis, construídos com a tecnologia “alvenaria estrutural”, sem pilotis, já foram apelidados no Nordeste de “prédios-caixões”, talvez porque se desfaçam como ataúdes enterrados — depois de naturalmente fazerem a fortuna da companheirada muito viva.

A transcrição da entrevista no Blog do Planalto continua palavra a palavra, sem chapiscos ou rejuntes, e Dilma segue encafifada com a ofensa da “casinha”:

–Eu acho que ela não pode ser desmerecida, porque eu tenho certeza de que para qualquer pessoa que obtenha a sua casa própria, ter um teto onde criar seus filhos é algo muito importante.

Mas o repórter – longe de ser chapa branca – insiste: dos 3 milhões de casonas dos PACs 1 e 2, quantas já foram entregues?

– Aqui foram 1.500… Esse é um processo que não é automático, porque você leva, em média… você leva em média… antes você levava, em média, 33 meses. Hoje nós reduzimos isso.

Que tal mudar de assunto? Além de casa, a população nordestina precisa de água – não no papel, mas nos canos.

- Bom, se for água para a população rural, ela terá acesso pelo nosso projeto de 750 mil cisternas, privilegiando aqui a região do semiárido, ela vai ter acesso a esse programa, que nós queremos fazer em dois anos – 350 mil este ano e 350 mil…. em torno de 350 mil este ano e o restante no ano que vem. Agora, eu acho…

Mais um número a ser anotado: 750 mil cisternas, líquidas e certas, em dois anos. Eu acho… No mínimo, vai ter água doce suficiente para enxaguar as barbas de Antonio Conselheiro, de molho desde Canudos:

– Aquela música que a gente escutava ou aquela… uma espécie de tema muito recorrente, que “o sertão vai virar mar”. Eu não digo que vai virar mar porque a água não é salgada, mas que o sertão vai ter acesso à água que não tinha, vai ter.

E a transposição do velho Chico, presidenta, sai ou não sai? Sai aos pedaços:

– Aí você conclui mais outro, porque a conclusão, não vão ser todas num momento só. Uns vão concluir primeiro, outros vão concluir num segundo momento e outros num terceiro momento.

Não deu para entender?

– O que nós vamos garantir sempre é que a cada fase que nós façamos, nós concluamos e coloquemos água à disposição. O que é muito importante…

Resolvido para sempre o problema da água doméstica no nordeste, só uma palavrinha sobre a nova política de irrigação:

– Essa política, eu pretendo que nós tenhamos condições de lançá-la no final de agosto ou no início de setembro, até metade de setembro nós lançaremos – pode ser um pouco antes, mas não vai ser um pouco depois.

Desconfio que, longe do papel, será muito depois.

08/06/2011

às 9:13 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura Gleisi

“Quero aqui fazer uma deferência, uma menção especial ao ministro Palocci. Para nós, é um momento triste. Sabemos do relatório da procuradoria, que colocou de forma muito clara a situação do ministro, falando que não há nenhum problema. É uma pena perder o ministro Palocci nesse governo, pela qualidade que ele tem”.

Gleisi Hoffmann, nova ministra chefe da Casa Civil, capturada por Celso Arnaldo “ao lamentar a perda do ministro ‘nesse’ governo, não em outro, comprovando que um dos critérios para sua escolha foi o domínio perfeito do dilmês – idioma no qual relatório de procuradoria coloca e fala.”

20/05/2011

às 11:39 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo interna Sarney

“O dever do Ministério da Educação é defender a língua portuguesa, pois está na Constituição (art.13) que o idioma oficial do Brasil é a língua portuguesa”

José Sarney, capturado pelo Celso Arnaldo nesta sexta-feira na Folha e internado no Sanatório com o seguinte parecer do grande caçador de cretinices: “Ele está desmentindo a insinuação de que o dilmês se tornou a língua oficial do país, com a autoridade de ser o único usuário brasileiro da norma inculta acadêmica.”

14/04/2011

às 0:03 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo captura a presidente com uma trinca de quinta em Pequim e confirma: o dilmês é mais complicado que o chinês

“Essa resposta eu não respondo”, diz Dilma Rousseff no fim do vídeo que registra os principais momentos da entrevista coletiva concedida em Pequim. “Responder respostas” nem o padrinho Lula consegue. O problema é que a afilhada não consegue responder também a perguntas, como constata o jornalista Celso Arnaldo Araújo em mais uma análise antológica do palavrório presidencial.

Em grande forma, o implacável caçador de cretinices capturou, além de Dilma, a escolta formada por uma trinca de quinta categoria: Aloízio Mercadante, Fernando Pimentel e Edison Lobão. Sozinha, a entrevistada é capaz de deixar pálido de espanto qualquer jornalista. Consultando uma papelada e ouvindo cochichos, ela consegue piorar espetacularmente. O vídeo de 5 minutos adverte: o dilmês é mais complicado que o chinês.

POR CELSO ARNALDO ARAÚJO
O maior tesouro arqueológico da China são os Guerreiros de X´ian, o lendário Exército de Terracota — sete mil figuras de soldados e cavalos descobertas e desenterradas em 1974 ao lado do mausoléu do imperador Qin.

Numa mostra de sua força, a imperatriz Dilma compareceu à entrevista coletiva na China com um exército composto pelas três estranhas figuras, misto de guerreiros e cavalgaduras, que lhe fazem guarda, sombra e ponto neste vídeo – o do meio, Magro Velho, parece ser também de terracota, e, pela aparência mumificada, talvez ancestral em relação aos colegas de X´ian. As rachaduras profundas do rosto, porém, sugerem terra de má origem – ou mal cotada pelos empreiteiros da época. Deve ter faltado laca no acabamento. Na entrevista, não diria uma sílaba, não mexeria um músculo. Os outros dois são de materiais mais flexíveis, moldados à semelhança do soberano da ocasião – mas igualmente ordinários no feitio e na importância histórico-arqueológica.

Impassíveis, como obedientes guerreiros de barro tosco, sem vida e sem alma, obrigados pelo destino a permanecer na mesma posição por milhares de anos, percebe-se seu incômodo quase humano ao ouvir a imperatriz se esforçando para descobrir e desenterrar de sua tumba neuronal as palavras com que procura descrever os achados da expedição brasileira à China.

Na vã tentativa de verbalizar raciocínios próprios do crânio pequeno do primeiro hominídeo, o Australopithecus Afarensis, ela busca ajuda na maçaroca de pergaminhos que manipula nervosamente. Nada encontra, nas mãos e na mente. Diante do apuro da imperatriz, os três guerreiros parecem querer vir à vida – como no filme “Uma noite no Museu” – em socorro da soberana. Só um deles – o de óculos, com dentição pré-histórica – materializa o auxílio, na forma de sussurros auriculares, para corrigir, por exemplo, o cargo do presidente Hu Jintao, que a imperatriz chamou de primeiro-ministro. Cavaco Silva e José Sócrates, na viagem a Portugal, não conseguiram lhe explicar a diferença entre um pastel de nata e outro.

Quando a soberana fala da “importância que para nossa parceria têm mecanismos mais amplos dessa parceria”, o guerreiro de bigode de morcego – único de sua dinastia – lança um olhar ao longe, vazio, pura desesperança e desespero. Nada pode fazer. O mesmo ocorre quando vem à tona o “no que se refere a valor agregado”. O trauma do debate da Band, com um saldo de 32 “no que se refere”, ainda estava bem fresco para o Irrevogável de X´ian.

Em seguida, o guerreiro de óculos, situado estrategicamente atrás do ouvido bom da imperatriz, se torna humanoide pelo átimo de tempo necessário para cochichar a palavra “missão” e socorrer a imperatriz com o nome do grupo chinês que vai ao Brasil — e que ela tenta, sem sucesso, por uns bons segundos, cavoucar com as próprias mãos, no próprio cérebro. Missão impossível. Ponto para o guerreiro de óculos. A imperatriz se empolga com a missão, que então ganha significado mais lato, e de lavra própria: “É o que eles chamam de missão de compra e nós também, aquelas missões que você manda aos países para avaliar quais são as oportunidades de importação em setores manufatureiros”.

Seria “exportação”, mas não vem ao caso. Os guerreiros ficam mais aliviados com esse “setores manufatureiros”, que tem toda pinta de tema de palestra na Fiesp. Mas voltam a se angustiar, incontinenti, com o tropeço seguinte da imperatriz técnica: o “relacionalmento” quase faz os três saltarem sobre o corpo da Protegida para resgatá-la, encoberta e muda, de mais um constrangimento internacional. Contêm-se.

E a imperatriz continua compulsando os pergaminhos, obsessivamente. Mal ouve a pergunta de um dos súditos da mídia sobre o câmbio irreal e perigoso ora em vigência. Se ouviu, sua resposta não é deste mundo: “Sabemos perfeitamente o porquê que nós estamos, todos nós sabemos”. Nem todos, imperatriz: “Nós vamos buscar uma taxa de câmbio, ao longo de meu governo, compatível com as taxas de câmbio, aliás as taxas de juro internacionais. Vamos buscar uma taxa de juro compatível com as taxas de juro internacionais. Eu falei câmbio aí, mas é juros, porque depois cês vão lá e…”

O humor envergonhado da imperatriz faz os três bonecos, ainda perfilados, arriscar um sorriso maroto e devoto, um sorriso de terracota rachada, misturada com pau e lama. Não tinham alternativa – a não ser chorar em silêncio, recolhidos à sua insignificância. Como os guerreiros de X´ian, um dia eles serão recolhidos ao lado da triste imperatriz, no mausoléu da história do Brasil.

05/03/2011

às 15:08 \ Sanatório Geral

Dilmês rústico

“Acho estranho como é que, em alguns momentos, ficam ou saem de acordo não comigo. Sou, nesta história, a última a saber”.

Dilma Rousseff, irritada com o noticiário sobre possíveis baixas no ministério, não dizendo coisa com coisa em dilmês rústico.

26/02/2011

às 18:56 \ Sanatório Geral

Clareza & concisão

“Não há inovação ou invasão de competência, por parte do Executivo em matéria ordinariamente reservada ao Legislativo. Este último fixa os valores, por lei, e aquele primeiro dá continuidade à aludida fixação, mediante cálculo de reajustes e aumentos. O regulamento apenas cuida do fiel cumprimento da lei. Trata-se de mera recomposição de referências e de expressão”.

Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, consultor-geral da União, explicando com clareza e concisão, em dilmês castiço, por que o governo pode fixar até 2015 o valor do salário mínimo por meio de decreto presidencial.

29/11/2010

às 0:51 \ Sanatório Geral

Na selva das redundâncias

“Sou contra preso político por crime de opinião, sou contra alguém ser preso político”.

Dilma Rousseff, perdida na selva das redundâncias, aparentemente tentando dizer, em dilmês de catedrático da USP, que é a favor da liberdade de expressão.


 

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