Blogs e Colunistas

deputado

27/03/2011

às 21:22 \ Direto ao Ponto

Se fosse eleito deputado, o assassino confesso continuaria a serviço da nação

Faz mais de 10 anos que o jornalista Antonio Pimenta Neves matou a ex-namorada Sandra Gomide com uma bala nas costas e outra na cabeça. Horas depois do crime, contou tudo à polícia e se tornou réu confesso. Em 2006, foi condenado em primeira instância a 18 anos de prisão, reduzidos a 15 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Não cumpriu nenhum.

No momento, espera em liberdade o julgamento de um recurso encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. O caso está com o ministro Celso de Mello, que não sabe quando terá tempo de examiná-lo. Tecnicamente, Pimenta Neves não é culpado de nada: graças às alquimias da legislação e às acrobacias da jurisprudência, tornou-se inconstitucional tratar um matador assumido como assassino antes que a sentença transite em julgado.

O cidadão brasileiro Antonio Marcos Pimenta Neves poderia, se quisesse, ter disputado uma vaga na Câmara dos Deputados em 2010. Não lhe faltariam simpatizantes, sobretudo entre colegas de ofício. O  público alvo seria alcançado sem muita despesa, já que a Justiça Eleitoral concentrou o público alvo de delinquentes candidatos em poucos lugares: agora, a população carcerária se vale de urnas instaladas nos presídios para cumprir o dever cívico do voto.

Com alguma lábia e um pouco de sorte, Pimenta Neves hoje estaria festejando, entre uma conversa no cafezinho da Câmara e uma reunião para tratar da reforma política, a vitória da turma do prontuário no STF ─ e os nítidos sinais de que a lei da ficha suja será pulverizada de vez até 2012. A inovação legal torna inelegível gente condenada em duas instâncias. Isso é inconstitucional, já avisaram alguns ministros. É preciso aguardar o julgamento doo último recurso na última instância.

Sandra Gomide agonizava de costas quando levou o tiro de misericórdia. Nunca mereceu uma lágrima do seu executor. Para pelo menos seis doutores do STF, detalhes do gênero são pieguices irrelevantes, coisa de leigos que nem imaginam as altitudes jurídicas alcançadas por uma toga. A lei só retroage em benefício do réu, declamariam em coro. O princípio da anterioridade é sagrado, alertariam aos berros ─ mais de 10 anos depois do assassinato. E todos fingiriam ignorar que o processo dorme numa gaveta do Supremo.

Nada como um caso exemplar para encerrar a conversa fiada: caso virasse deputado, Pimenta Neves continuaria servindo à nação com as bênção do STF e sob as asas da Constituição. Os pimentas neves que agem fantasiados de pais-da-pátria são cada vez mais numeros. Há algo de muito errado com um país que torna possível tamanha afronta à justiça.

03/03/2011

às 18:58 \ Sanatório Geral

A ameaça do ministro

“Sou deputado e estou ministro. Não abro mão de valorizar sempre o parlamento. Aqui é uma faculdade. Saímos daqui com conhecimento geral”.

Mário Negromonte, ministro das Cidades, durante a discurseira na Comissão de Minas e Energia da Câmara, ameaçando o Brasil com a notícia de que vai fazer no Executivo tudo o que aprendeu no Congresso.

05/02/2011

às 23:13 \ Sanatório Geral

Deputado consciente

“Em primeiro lugar, não deixei de trabalhar. Ontem, para aqueles que não sabem, não teve plenário e a apresentação não era obrigatória. Mesmo assim, como eu já havia dito, marquei minha presença e me reuni com mesmo assessores. Sei que tenho meus defeitos, cometerei alguns equívocos, até porque estamos longe da perfeição. Amo futebol e futevôlei e vou continuar praticando”.

Romário, deputado federal pelo PSB do Rio de Janeiro, explicando no twitter que estava jogando futevôlei na Barra da Tijuca enquanto ocorria na Câmara a primeira sessão ordinária do ano por ter certeza de que causará menos problemas ao país vestindo um calção nas praias cariocas do que usando terno em Brasília.

03/02/2011

às 19:02 \ O País quer Saber

O deputado que se lixa para a opinião pública virou suplente do clube que preside

Em maio de 2009, incumbido pelo Conselho de Ética da Câmara de redigir o parecer sobre o  “Caso do Castelo”, o deputado gaúcho Sérgio Moraes foi logo avisando que absolveria o colega mineiro Edmar Moreira, acusado de quebra do decoro parlamentar por ter esquecido de incluir na declaração de bens a maluquice arquitetônica avaliada em mais de R$ 20 milhões. Fora um pecado venial, decidiu. Pecado mortal, e portanto irremissível, era a chuva de críticas que desabou sobre a cabeça do relator. Ofendido, Moraes foi à luta. E pousou espetacularmente no Sanatório Geral a bordo de duas frases que fundiam em doses exatas cinismo e sinceridade:  “Estou me lixando para a opinião pública. Vocês batem, batem, e nós nos reelegemos mesmo assim”.

A coluna entendeu que quem diz uma coisa dessas merece mais que um estágio no Sanatório. E resolveu promover uma enquete para que os leitores decidissem, entre quatro opções, o que deveria ser feito com o deputado do PTB. Do total de 1.382 votantes, 147 sugeriarm que assumisse o Ministério de Relações com o Congresso, 217 o lançaram candidato ao Senado e 229 preferiram confiná-lo em Santa Cruz do Sul, cidade de que foi prefeito mais de uma vez. Venceu a quarta oposição: por decisão de 789 eleitores (57.0%), Sérgio Moraes foi eleito presidente vitalício do Clube dos Cafajestes.

Em outubro, a reeleição do deputado que se lixa para a opinião pública mostrou que ele conhece o próprio eleitorado. Nesta semana, na quermesse de abertura dos trabalhos legislativos, a eleição de Moraes para a 4ª suplência da Mesa da Câmara demonstrou que a declaração que o celebrizou apenas traduziu o que a turma toda pensa, mas não diz em público. Conseguiu 395 votos, 20 a mais que o novo presidente Marco Maia. O que importa, no caso, não é o cargo. É o ocupante. O apoio de quase 400 deputados a uma flor da abjeção reduz de vez o Congresso a uma extensão parlamentar do Clube dos Cafajestes.

O Brasil não é para amadores, ensinou Tom Jobim. Não é mesmo, confirma o paradoxo produzido por Sérgio Moraes: por misteriosos motivos, ele virou suplente de um anexo do clube que vai presidir até morrer.

19/12/2010

às 2:34 \ Sanatório Geral

Depoente valioso

“Não teve até deputado que ganhou loteria para ganhar dinheiro? E a loteria não foi proibida. Tem que fazer o controle”.

Sérgio Cabral, governador do Rio, no meio da discurseira a favor da liberação do bingo, insinuando em dilmês vulgar que sabe coisas que merecem ser detalhadas num demorado interrogatório na Polícia Federal.

17/10/2010

às 18:21 \ Frases

Tapa válido

“Todo mundo já teve vontade de dar um tapa em um deputado safado”.

Wagner Moura, ator.

04/10/2010

às 12:24 \ Frases

Nível questionável

“De concreto, só cimento”.

Tiririca, deputado federal eleito pelo PR de São Paulo, questionado sobre o que fará de concreto no Congresso Nacional.

08/10/2009

às 19:02 \ Sanatório Geral

Gente como a gente

“Muitas vezes, a gente vê uma denúncia qualquer e a gente já passa a julgar todo deputado e senador como bandido, quando no fundo, no fundo, na hora que a gente precisa e a gente se organiza, a gente percebe que as coisas acontecem”.

Lula, ao sancionar a nova Lei Orgânica da Defensoria Pública, explicando aos advogados do Estado que alguns parlamentares, por incrível que pareça e contra todas as evidências, não são bandidos como os que a gente vê no cinema, e que mesmo os bandidos demais, em momentos difíceis, colocam-se a serviço da pátria desde que o pagamento seja justo.

20/09/2009

às 14:26 \ Sanatório Geral

Negócio é negócio

“Não temos nenhum compromisso com a candidatura Dilma. O compromisso do partido é com o presidente Lula e ponto final”.

Dagoberto Nogueira (base alugada, guichê de Mato Grosso do Sul), líder do PDT na Câmara dos Deputados, lembrando ao contratante que os contratados fazem questão de negociar por fora quaquer serviço não incluído no contrato original.

20/07/2009

às 16:07 \ Sanatório Geral

Enigma mineiro

“O deputado Ciro Gomes tem todas as condições para ser governador de São Paulo”.

Aécio Neves, ou querendo embarcar o PT paulista numa canoa furada ou querendo vingar-se do Estado governado pelo concorrente José Serra.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados