Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Delúbio Soares’

SEÇÃO » Direto ao Ponto

Que venha a eleição plebiscitária

6 de março de 2010

A divulgação do Programa Nacional de Direitos Humanos confirmou que a eleição de 2010 será mesmo plebiscitária. O Brasil que pensa entendeu que terá de escolher entre a democracia representativa e o stalinismo farofeiro, entre a liberdade e o autoritarismo , entre o mundo civilizado e as cavernas onde conspiram os pastores do atraso.

A reportagem de capa da edição de VEJA, outra reafirmação do mergulho sem volta do PT no pântano, é a prova definitiva de que o desejo de Lula (”Gostaria que fosse nós contra eles, olho no olho”) será atendido. O governador José Serra é um homem sem prontuário. Basta que vire ostensivamente as costas aos pecadores do PSDB e do DEM ─ uma tribo diminuta se confrontada com a imensidão de companheiros fora-da-lei ─ para que os eleitores entendam que estarão escolhendo entre a honestidade e a roubalheira, entre a honradez e a corrupção.

Serra vencerá se compreender que a oposição brasileira é muito maior, mais tenaz, mais corajosa e mais combativa que a oposição formal. Ele precisa ser mais que o candidato de uma aliança partidária assustadiça, excessivamente cautelosa. Tem de transformar-se no porta-voz do Brasil decente, que não teme porque não deve, que respeita a lei e exige que todos sejam obrigados a respeitá-la, que lutou pela restauração do regime democrático e dele não admite abrir mão.

“A oposição não tem programa, a Dilma tem”, vangloriou-se em Cuba o ministro Franklin Martins, ainda com o olhar de quem viu o homem que quer ser quando crescer. “Qual é programa do Serra?” O candidato do PSDB acha que ainda é cedo para apresentar um plano de governo. Mas já passou da hora de apanhar a luva atirada por Lula, aceitar o repto lançado por Franklin e desfraldar o quanto antes as duas bandeiras que o PT jogou no lixo. O partido que reivindicava o monopólio da ética caiu na vida. O partido que se fingia de libertário ama Fidel Castro e flerta com Hugo Chávez.

Serra, ex-militante da Ação Popular, converteu-se num genuíno democrata. Dilma jamais renegou o script de coadjuvante da Polop e Var-Palmares, organizações comunistas que recorreram à luta armada para substituir a ditadura militar pela ditadura do proletariado. Serra não tem contas a acertar com a Justiça. Dilma foi escolhida por um presidente que acoberta todos os delinquentes de estimação, é candidata pelo partido do mensalão e entregou a coordenação da campanha a José Dirceu.

Só faltava Delúbio Soares. A reportagem de VEJA mostrou que não falta mais nada: João Vaccari, o novo tesoureiro da direção nacional do PT, é um Delúbio piorado. A sucessão presidencial de 2010 não passará ao largo de critérios políticos e morais. Eleger Dilma Rousseff é entregar o poder aos carrascos da liberdade. É entregar a chave do cofre à bandidagem que, por ter perdido de vez o medo do xerife, já nem usa lenço para esconder o rosto.

O rebolado indecente que elegeu a eterna Musa do Mensalão

11 de janeiro de 2010

A deputada Ângela Guadagnin precisou de uma única apresentação de 29 segundos para eternizar-se no posto de Musa do Mensalão. Em 23 de março de 2006, excitada com a votação que afastou da guilhotina o mandato do colega mineiro João Magno, a parlamentar do PT paulista improvisou a Dança da Pizza ─ e começou a sair do Congresso para entrar na história nacional da infâmia.

“Naquele momento, manifestei um sentimento de alegria de uma pessoa que conhece a trajetória de João Magno, não só o compromisso e seriedade que ele tem com a coisa pública, mas também seu mandato como prefeito da cidade de Ipatinga e o mandato dele em defesa da população”, tentou justificar-se a deputada horas depois da performance obscena. ”De jeito nenhum quis agredir ninguém, tripudiar com o cidadão ou comemorar a impunidade, como algumas pessoas disseram”.

A explicação foi tão convincente quanto o rebolado. Envolvido no grande escândalo até o pescoço, o próprio Magno admitiu ter embolsado mais de R$ 400 mil para jogar no time de corruptos escalado por Delúbio Soares e patrocinado por Marcos Valério. Na sessão abrilhantada pelo numerito de Ângela Guadagnin, 207 parlamentares aprovaram a cassação do mandato. Faltaram 50 votos para que o castigo se consumasse.

A dançarina não escapou da punição: em outubro de 2006, não conseguiu reeleger-se. Hoje, a ex-prefeita de São José dos Campos é só vereadora. Em contrapartida, tornou-se para sempre a Musa do Mensalão.

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Milionário vocacional

21 de setembro de 2009

“Em verdade, o Brasil é terra vocacionada para o progresso e o destino de sua gente é a riqueza e a felicidade”.

Delúbio Soares, ainda fora da cadeia, num trecho da palestra sobre o presente e o futuro do pré-sal, insinuando que, como todo companheiro tem vocação para milionário, os que não conseguirem dinheiro honestamente podem roubar à vontade.

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Professor de pré-sal

21 de setembro de 2009

“O professor Delúbio Soares aceita convites para ministrar palestras sobre O Presente e o Futuro do Pré-Sal”.

Delúbio Soares, aquele mesmo, ainda em liberdade, no site “Companheiro Delúbio”, avisando que já descobriu como chegar ao bolso dos incautos pela trilha do nacionalismo petroleiro.

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Vigarista emocionado

16 de agosto de 2009

“O Brasil está seguindo rumo ao seu destino de grandeza. Nossas riquezas naturais, a beleza de nossa terra, a grandeza de nosso povo, a história feita a golpes de bravura e patriotismo, nada disso valeu ou valerá se não investirmos até o último centavo numa educação sólida” .

Delúbio Soares, em seu artigo semanal no Diário da Manhã, de Goiânia, esforçando-se para provar que no peito de um vigarista também bate um coração.

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Professor de bandidagem

9 de julho de 2009

“Quando me chamam de “professor”, ainda hoje, sinto um misto de orgulho e de emoção”.

Delúbio Soares (prontuário em exame pela Interpol), que em países sérios já teria trocado o pátio de um colégio pelo pátio da cadeia e só seria chamado de “Professor” por colegas de gaiola matriculados no cursinho intensivo de roubalheira federal.

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O caixote e a mala

9 de julho de 2009

“Naquele período, eu dividia o quarto com amigos no Bairro Popular, Setor Universitário, Vila Nova e tirava o meu sustento dando aulas de reforço em Matemática. Além do colchão, os únicos móveis eram dois caixotes de frutas, que fazíamos como guarda-roupa e estante de livros”.

Delúbio Soares (currículo detalhado em alguma gaveta da Polícia Federal), contando no Diário de Goiânia como era dura a vida antes de trocar os amigos da mocidade pela turma de Marcos Valério, o quarto no Bairro Popular pelo quarto de hóspedes da casa de Marta Suplicy no litoral paulista e os caixotes de frutas por malas de dinheiro.    

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A enxada e a gazua

8 de julho de 2009

“Numa transformação brusca, troquei a enxada pelos livros. E devo confessar que sinto o mesmo respeito e o mesmo carinho tanto por um quanto por outro desses instrumentos sagrados de vida e de trabalho”.

Delúbio Soares, fora-da-lei ainda à solta em Goiás, no mesmo artigo de estréia, narrando a sequência de metamorfoses que prosseguiria com a troca da enxada pela gazua e dos livros por malas de dinheiro.

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O galo e o despertador

8 de julho de 2009

“A vida em Buriti Alegre era singela. Acordava cedo para ir à escola e de tarde trabalhava na lavoura. Despertador é uma chateação para quem sabia da hora certa pelo galo que cantava, infalível e afinado, lá no fundo de nosso sítio”.

Delúbio Soares (identificação na delegacia mais próxima), no artigo de estréia no Diário da Manhã, de Goiânia, ensinando que mesmo alguém nascido e criado na simplicidade do velho Brasil rural pode perfeitamente tornar-se um grande ladrão.

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A Petrobras patrocinou até uma ONG fundada pelo companheiro Delúbio

25 de maio de 2009

De maneira que a Petrobras perdeu dinheiro com uma ONG fundada por Delúbio Soares, prefiro começar como se o texto estivesse no meio porque parágrafos de abertura devem dizer algo surpreendente, e pilantragens financeiras envolvendo o tesoureiro do mensalão são tão previsíveis quanto a alternância das marés, a mudança das estações ou mais um assassinato do plural pelo presidente Lula. Considerada até recentemente uma empresa moderna para os padrões brasileiros, a estatal sucumbiu à Era da Mediocridade depois de tomada de assalto pela companheirada. Pode ter caído na vida, sugere a reportagem publicada pelo Estadão na edição de domingo.

Entre outros negócios ─ como direi? ─ obscuros, o jornal resumiu a história de um convênio celebrado em 2007 entre a Petrobras e o Instituto Nacional de Formação e Assessoria Sindical da Agricultura Familiar, o Ifas, organização não-governamental fundada em 1985 por um grupo de petistas chefiado por Delúbio. Homiziada numa casa modesta no centro de Goiânia, desprovida até da placa na fachada, a ONG já se metera num caso de desvio de verbas do INCRA quando a Petrobras topou contemplá-la com R$ 4 milhões.

No texto do acordo, ficou combinado que, em troca da verba, o Ifas ensinaria trabalhadores rurais de Minas, Bahia e Ceará a plantar mamona, dendê e girassol. Entusiasmados com os cifrões, os discípulos de Delúbio prometeram diplomar 3 mil famílias de pequenos agricultores, garantir-lhes assistência técnica e construir armazéns para hospedar a produção de bom tamanho: 5,5 mil toneladas de grãos. Entusiasmada com as cifras que jamais sairiam do papel, a direção da Petrobras acelerou a liberação de R$ 1,6 milhão. Ninguém sabe que fim levou a bolada.

O formidável berreiro causado pela gestação da CPI da Petrobras informou que algo de errado ocorrera. Querem prejudicar a nação com estragos na imagem de uma empresa que é a cara do Brasil, decolou o presidente Lula. Querem privatizar a Petrobras, viajaram sindicalistas neopelegos e subalternos vocacionais como o ministro Edison Lobão. O petróleo é nosso, ecoaram petistas de carteirinha e parlamentares da base alugada. É nosso e ninguém tira, preveniram no centro do Rio os puxadores de cantoria de uma passeata em miniatura. Aí tem, desconfiaram até os frentistas dos postos de gasolina.

Tem até um convênio com Delúbio,  já se sabe. É só o começo. De maneira que a coisa vai ficar feia.