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crime hediondo

08/02/2010

às 18:00 \ Sanatório Geral

Mais um no elenco

“A ministra Dilma Rousseff é o crânio deste Brasil. O tempo em que um candidato, para vencer as eleições, precisava ser bonito já passou. Isso é coisa do passado. Hoje, não é preciso ser bonito nem simpático, é preciso ser inteligente. Por isso, o povo de Maceió elegeu este prefeito feio aqui”.

Cícero Almeida, prefeito de Maceió, incorporado ao elenco do filme de terror depois de informar que Dilma Rousseff seria lanterninha em qualquer concurso de miss, mas merece ser presidente porque tem o neurônio mais inteligente do Brasil.

27/05/2009

às 21:20 \ Direto ao Ponto

Convide Pedrinho Matador para jantar, ministro Marco Aurélio

Como sabem os bedéis das faculdades de Direito, a pena não se presta exclusivamente à possível recuperação do criminoso condenado. Serve também para excluir de vez do convívio social os definitivamente irrecuperáveis, os sociopatas sem remédio. E é um castigo exemplar, instrumento de dissuasão utilizado com freqüência para punir pecadores que dificilmente voltarão a violar a lei. Raríssimos assassinos passionais reincidem, por exemplo. Nem por isso um Antonio Pimenta Neves, ainda em liberdade quase 10 anos depois de executar a ex-namorada com um tiro nas costas e outro na cabeça, pode ser poupado da prisão. Pouco importa se banca o arrependido. Precisa pagar pelo que fez.

O ministro Marco Aurélio Mello revoga essa verdade elementar quando incorpora no Supremo Tribunal Federal o juiz misericordioso, informa um trecho do palavrório que o transformou em paraninfo de todas as turmas de doutores em crime hediondo diplomadas a partir de fevereiro de 2006: ‘’… entendeu-se que a vedação de progressão de regime prevista na norma impugnada afronta o direito à individualização da pena (CF, art. 5º, LXVI), já que, ao não permitir que se considerem as particularidades de cada pessoa, a sua capacidade de reintegração social e os esforços aplicados com vistas à ressocialização acaba tornando inócua a garantia constitucional”. Resumo da ópera em língua de gente: todo mundo é recuperável.

O ministro nunca viu uma cadeia ao vivo. O promotor público Flávio Nunes da Silva lida há muito tempo com a multidão engaiolada no presídio de Araraquara. Há poucos anos, conheceu no tribunal do júri o réu que lhe caberia acusar: Pedrinho Matador, uma celebridade do universo carcerário. Negro, menos de 1,70, magro, braços extraordinariamente dilatados por centenas de flexões diárias, o autor comprovado de 18 homicídios acabara de engrossar o prontuário ao liquidar um vizinho de cela. Condenado outra vez, despediu-se amistosamente do promotor: “Até a próxima, doutor”. A próxima não demorou. Flávio não se surpreendeu: “Mato por prazer”, avisa a frase tatuada num dos braços do bandido. É um recordista. Mas não é  tão diferente dos delinqüentes beneficiados pela clemência de Marco Aurélio.

Convide Pedrinho Matador para jantar, ministro. Alguns conselhos sensatos poderão ser o começo da ressocialização. E também o começo de uma bonita amizade.


 

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