Blogs e Colunistas

creches

08/02/2012

às 16:52 \ Sanatório Geral

Herói da Rendição

“Estamos sentindo que o tempo de construção está lento”.

Aloizio Mercadante, Herói da Rendição disfarçado de ministro da Educação, em entrevista ao Globo, sobre as 6 mil creches que ainda não desceram do palanque da candidata Dilma Rousseff, confessando que só ficarão prontas quando as crianças que ouviram a promessa já tiverem netos.

16/09/2011

às 16:58 \ Sanatório Geral

Duelo de subdialetos

“Vou parafrasear o nosso ex-presidente Lula: nunca dantes na história deste país se fizeram tantas creches e se colocaram como prioritárias as creches. E, também, nunca dantes nós fizemos tantas quadras esportivas e cobertura de quadras esportivas.”

Dilma Rousseff, capturada pelo Guilherme Macalossi na “cerimônia de abertura de nova seleção para unidades de educação infantil e quadras poliesportivas escolares do PAC 2″, demonstrando que somente o dilmês erudito é capaz de piorar o lulês rústico.

10/04/2011

às 15:02 \ O País quer Saber

100 dias de Dilma Rousseff: a difícil transição das promessas para a vida real

TEXTO PUBLICADO NESTE DOMINGO NO SITE DE VEJA

Branca Nunes, Bruno Abbud, Felipe Moraes

Ela já recebeu Barack Obama, preencheu a vaga aberta há 6 meses no Supremo Tribunal Federal, enfrentou uma tragédia que deixou quase mil mortos e uma multidão de flagelados na Região Serrana do Rio de Janeiro, conseguiu uma vitória de peso no Congresso ao aprovar o salário mínimo de 545 reais, participou de programas matinais de culinária na televisão e chegou aos 100 primeiros dias no comando do Palácio do Planalto com 56% de aprovação nas pesquisas. Mas o balanço de pouco mais de três meses do governo Dilma Rousseff confirma que cumprir promessas de campanha é bem mais complicado do que discorrer sobre elas num palanque. Das promessas cumpridas integralmente, destaca-se a distribuição de remédios gratuitos para diabéticos e hipertensos. Outras começaram, lentamente, a sair do papel. O déficit, entretanto, supera o saldo.

Ao longo da temporada eleitoral, Dilma prometeu reiteradamente construir 6 mil creches e pré-escolas até o fim do mandato. Em 100 dias, inaugurou 54 unidades. Faltam 5.946. Se quiser materializar a promessa, terá de construir uma creche a cada 5 horas e 27 minutos (ver infográfico). Os projetos inviáveis não param por aí. Dilma garantiu que entregaria seis mil quadras poliesportivas, ou uma a cada 5 horas e meia – descontados os 100 primeiros dias, já que nenhuma quadra foi entregue até agora –, 2.883 postos de polícia comunitária (um a cada 12 horas), 500 Unidades de Pronto Atendimento (uma a cada dois dias) e 8.600 unidades básicas de saúde (uma a cada 3 horas e meia).

Na área da saúde, Dilma lançou no fim de março, em Belo Horizonte, a Rede Cegonha, que dá prioridade ao atendimento de gestantes e bebês na rede pública de saúde, e anunciou, num discurso em Manaus, que 4,5 bilhões de seriam destinados ao diagnóstico, prevenção, tratamento dos cânceres de mama e colo de útero reais – 1,15 bilhão de reais já neste primeiro ano. Foram duas promessas de campanha.

Embora Dilma tenha garantido que não faria ajuste fiscal – “Não vou fazer reajuste fiscal em hipótese alguma”, disse em 23 de agosto de 2010 – o governo cortou 50 bilhões de reais do Orçamento. Desse total, 5,1 bilhões contemplariam a segunda etapa do programa Minha Casa, Minha Vida. Ignorou-se, assim, a promessa de que as obras do Programa de Aceleração do Crescimento não seriam afetadas. A candidata prometeu 2 milhões de moradias equipadas com eletrodomésticos e móveis. Como nada foi feito, a presidente terá de contratar 1.470 casas por dia até o fim do mandato. O corte no Orçamento também adiou a compra dos 36 caças negociados por Lula desde 2007, o que deixará a ideia de reequipar as Forças Armadas para os próximos 1.360 dias de governo.

Outro sonho revogado foi a completa erradicação da miséria, prometida durante toda a campanha e reafirmada no discurso de posse. “Posso não conseguir acabar com a miséria nos meus quatro anos, mas eu vou insistir tanto nisso, que esse objetivo vai ficar selado nas nossas consciências”, voltou atrás em 28 de março. Outras ousadias incluídas no programa eleitoral são a de acabar com o analfabetismo – o que significa alfabetizar 9.008 pessoas por dia – e levar internet de banda larga a 49.046.490 domicílios (36.063 a cada 24 horas).

Clique aqui para ler o texto na íntegra.


04/02/2011

às 21:57 \ Direto ao Ponto

O 1º mês do 9º ano da Era da Mediocridade

Durante a campanha, a candidata Dilma Rousseff reiterou a promessa em todos os comícios, entrevistas, debates e programas no horário eleitoral: em quatro anos de governo, construiria 6 mil creches e 2 milhões de casas populares. Incluindo sábados, domingos e feriados, são quatro creches e 1.370 casas por dia. Como seria operado tamanho milagre?, intrigaram-se os que sabem fazer contas. Dilma sugeriu aos incrédulos que esperassem para ver. Melhor que esperem sentados, sugere o balanço de janeiro. Como não inaugurou sequer um pedra fundamental em 31 dias, Dilma já ficou devendo 124 creches e 41.100 casas.

Fora as 6 mil que prometeu aos brasileiros cujas moradias foram engolidas pelas enchentes na Região Serrana. A julgar pelo ritmo das obras do Programa Minha Casa, Minha Vida, os mais de 20 mil flagelados vão continuar por muito tempo amontoados em acampamentos improvisados. Terão de aguardar a entrega das chaves com a mesma paciência exibida pelos baianos de Feira de Santana contemplados pelo primeiro empreendimento do programa ─ o Residencial Nova Conceição.

Os 440 apartamentos distribuídos por 22 blocos demoraram 18 meses para ficar prontos. As 6 mil casas em Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis correspondem a quase 14 condomínios como o Residencial Nova Conceição. Se todos os 14 forem construídos simultaneamente, ainda assim os flagelados só terão onde morar daqui a um ano e meio.

Como o governo decidiu que a culpa foi da natureza, e que mais de mil brasileiros morreram de tempestade, a tragédia no Rio não impediu que Dilma ficasse satisfeita com a largada. “Foi um bom começo de governo”, cumprimentou-se nesta sexta-feira. Depende da posição de quem olha. Os governantes não têm do que se queixar. A oposição oficial continua de férias. Para os governados, só melhorou o som: o sumiço da voz de Lula é tão agradável quanto uma sinfonia de Beethoven. Mas a contemplação da paisagem informa que tão cedo não há nenhum perigo de melhorar.

Em janeiro, enquanto a oposição oficial continuava de férias, Dilma matou a saudade de Erenice Guerra na festa da posse, apresentou ao país o mais bisonho ministério da história, renovou o contrato de aluguel com o PMDB, providenciou a chuva de verbas do Orçamento que garantiu a submissão do Congresso ao Planalto, avisou que a pobreza que Lula erradicou vai acabar em 2014, aperfeiçoou o sorriso de aeromoça de Tupolev e lançou em Buenos Aires, durante uma simbiose com Cristina Kirchner, o besteirol em conta-gotas. Janeiro de 2011 foi apenas o 1° mês do 9° ano da Era da Mediocridade.

No Brasil que Lula inventou e Dilma só precisa enfeitar, como sabemos, o que está péssimo sempre pode piorar. E fevereiro começou com um tremendo apagão no Nordeste.

31/01/2011

às 12:36 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: ‘O mandato de Dilma completa um mês sem que o primeiro tijolo das 5 mil creches tenha saído da olaria’

Pressionado por milhares de leitores, o jornalista Celso Arnaldo Araújo voltou das férias pronto para mostrar que manteve Dilma Rousseff sob estreita e permanente vigilância, e está em esplêndida forma. Ele, não ela. O balanço do primeiro mês de mandato confirma o alerta emitido pela discurseira sem pé nem cabeça da candidata:

“Nóooooos….”

O inconfundível plural nada majestático reverberando de novo na TV, com todos aqueles “óooos” antecipando o espanto da afirmação, avisa que a presidente Dilma Rousseff enfim saiu da clandestinidade.

Voltou a ser ouvido o pronome pessoal completamente oblíquo que, na campanha, iniciava todas as suas tentativas de demonstrar que “nós” – ela e Lula — tinham transformado o Brasil num principado de Mônaco com oito mil quilômetros de praia. Lula fora de cena, “nóoos” agora são Dilma e o turista Paulo Novais; Dilma e o cientista Aloizio Mercadante; Dilma e o atuarista Garibaldi Alves, entre 37 dobradinhas possíveis.

Desde a cerimônia de posse – quando a esdrúxula saudação aos “queridos brasileiros e queridas brasileiras” levou a companheirada ao orgasmo – a presidente homiziara-se em seu gabinete, com um interregno de poucas horas à luz do dia: o sobrevoo da devastada região serrana do Rio, findo o qual, a face compungida, diagnosticou o que nem as vítimas nem o resto Brasil, pela TV, tinham percebido:

“É de fato um momento muito dramático. As cenas são muito fortes, é visível o sofrimento das pessoas e o sofrimento é muito grande”

Horas depois, de volta ao sol carioca, a gremista Dilma posava com a camisa do Fluminense, ao lado do governador Sergio Cabral, com um sorriso de cigano da bola prestes a beijar o escudo de seu 22º time.

E, logo em seguida, Dilma voltaria à toca, em Brasília. Mas, pelo menos de relance, revimos na tragédia a Dilma que conhecíamos da campanha — incapaz de construir um único pensamento que remotamente se conecte a conhecimento e eficiência, as duas qualidades lendárias que justificaram sua sagração como sucessora de Lula. E a Dilma que, ao se expor como candidata, foi deixando pelo Brasil um rastro de impropriedades e inconveniências, desinformação e malformação, e rigorosamente nenhum compromisso com a verdade e a verossimilhança.

As promessas depois do dilúvio foram de candidata, não de presidente. Sua providência mais vistosa para o day after do tsunami brasileiro, a instalação daqui a quatro anos do tal “Sistema Nacional de Prevenção e Alerta de Desastres Naturais”, na prática é menos impactante para as vítimas e as futuras vítimas que um par de galochas ou uma capa de chuva (aliás, se esse sistema estivesse implantado no ano passado, Dilma não seria eleita, porque o alerta contra sua candidatura teria sido dado com grande estardalhaço).

Mas nem a chuva estragou a lua de mel de parte da mídia com Dilma. Seu silêncio de catacumba, contraposto à fanfarronice boquirrota do antecessor, já vinha sendo cantado em prosa, verso e até literatura de cordel. Calada, ela é uma poeta — apud Romário. E o estilo “pé na lama” da presidente — que saiu de seu bunker para prestar solidariedade pessoal às vítimas da serra — provocou mais suspiros.

“O discreto e eficaz estilo Dilma Rousseff” – catequizava uma das chamadas de capa de Carta Capital da semana passada

“Escrevam: Dilma será a grande musa deste verão”, borbulhava, dias atrás, a colunista Hildegard Angel em seu blog.

Ok, Carta Capital e Hildegard são dilmistas juramentadas de primeira hora. Mas a insuspeita Folha também delirou. Jânio de Freitas, domingo passado, a certa altura escreve, também destacando a virtude do silêncio: “O quase nenhum falar externo de Dilma Rousseff surpreendeu”. Jânio, queira Deus, produzirá suas crônicas por mais 20 anos e não conseguirá superar o gongorismo desse “o quase nenhum falar externo”, mas vale o que está escrito: Dilma surpreende. (Mesmo antes da posse, colaborando para a gestação do mito, a Folha publicou matéria intitulada “Dilmoteca básica”, sobre os hábitos de leitura da então presidente eleita, que é uma antológica, embora involuntária, página de humor – ainda merecendo um post, tardio mas oportuno).

Mas, espere: essa Dilma “discreta e eficaz”, que pouco fala e muito faz, não era a vestal impoluta da Casa Civil, a gerentona de poucas palavras e cobranças estremecedoras que, por conta de sua impressionante competência, era implacável com impontualidades e tergiversações, queria soluções concretas a todo custo e, ao longo de quase oito anos, foi o mindinho esquerdo e o braço direito de Lula na autoproclamada refundação do Brasil?

Sim, ela mesma. E caíram nessa, de novo. Nesta terça-feira, seu mandato completará um mês sem que o primeiro tijolo da primeira das cinco mil creches prometidas tenha sequer saído da olaria. Não se ouve falar mais nisso.

Assim como o Índice Big Mac é usado como parâmetro de comparação entre o poder aquisitivo e o custo de vida em diferentes países, o Índice Creche deveria ser o padrão de cobrança do governo Dilma, pela insistência marota com que a lorota desse número cabalístico foi repetida durante toda a campanha, junto com os dois milhões de “moradias” do Minha Casa, Minha Vida.

Mas a conversa ficou séria demais. Vejamos o lado bom da coisa – pelo menos para nós. Dilma voltou a falar esta semana – como sempre dando a impressão de que não tem a menor ideia do que está dizendo. Percebe-se, pelas declarações presidenciais abaixo, que será mais fácil ela emplacar o “presidenta” do que acertar a sintaxe e a concordância:

“Jamais damos a indexação inflacionária, por isso não concordamos com o que saiu nos jornais que o reajuste, se houvesse, da tabela do Imposto de Renda, fosse feita pela inflação passada”

“Tivemos uma boa experiência nos últimos anos [com os EUA] e também tivemos diferenças de opinião. Mas, o que importa é perceber que esta é uma sociedade que tem um horizonte de desenvolvimento muito grande”

“No governo anterior ao que participei, nós tínhamos contratos com os quais discordávamos, mas os temos mantido porque isso implica em respeitar a institucionalidade do país”.

Dilma — ponto para o Brasil — é única presidente do mundo que discorda com.

Dizem que João Santana, ainda assessorando Dilma em termos de imagem, planejava com essa ausência estratégica, rompida parcialmente esta semana, levá-la a ocupar o “espaço imaginário de uma rainha”. Sendo isso veraz, Santana deveria solicitar à distribuidora, e tem prestígio para isso, uma cópia privativa do magnífico “O Discurso do Rei”, que só estreia dia 11 de fevereiro no Brasil.

Aprenderá que George VI, pai da Rainha Elizabeth II, que assumiu o trono por uma armadilha do destino, passou à história como um rei tíbio e inseguro porque falar em público era sua ruína – apesar de gestos de grandeza pessoal que os ingleses só reconheceriam muito mais tarde.

Visto o filme, e como nem o fonoaudiólogo do rei funcionaria com Dilma, Santana trancaria a presidente de novo no gabinete – a tática já se mostrou muito eficaz no início do mandato.

Mas, no fundo, torcemos para que Santana não veja o filme: estávamos sentindo falta da “nossa” Dilma.

29/08/2010

às 17:04 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo completa a radiografia da mais estarrecedora entrevista de Dilma

A segunda parte do texto de Celso Arnaldo completa a radiografia da entrevista assustadora. Embarquem novamente no trem-bala do horror, amigos. Volto no fim:

Ok, a criança chegou a um hospital de alta complexidade criado por Dilma -– sim, porque ninguém tinha pensado antes num hospital para atender doenças mais graves. O InCor, por exemplo, é uma miragem. O que vai acontecer ali? Agora, sim, Dilma revela o que viu na Bahia que a impressionou tanto:

“Uma proposta que conjuga não só tecnologia de ponta, tecnologia sofisticada pro tratamento da criança, mas também um grande nível de humanização, porque eles usam todo aquela questão do envolvimento da criança, mostrano que a boneca vai, tamém, cuidá da cabeça ou quando a criança é submetida a algum nivel de tratamento mais estressante, tomá os cuidados para garanti que psicologicamente ela se…enfim, ela tenha uma chegada maior a um processo que inclusive é de dor”.

Nos hospitais de Dilma, os doutores serão de uma alegria só — até o dia da “chegada maior” de Dilma pra cuidá da cabeça com a boneca.

Nos longos minutos que se seguem, Dilma se dedica a tentar provar, de novo, que as creches são a diferença entre Bill Gates e Nem do tráfico. Ela repete, no mesmo palavreado vão e leviano, a promessa das 6 mil creches em quatro anos -– mas de novo não explica, nem lhe foi perguntado pela mídia adestrada, porque não convenceu Lula a fazer uma só como protótipo ao longo de oito anos.

Depois da creche, o processo de “atendimento integral” das crianças da presidente Dilma passa evidentemente pela escola. Está em marcha uma revolução que faria o companheiro Paulo Freire parecer uma professorinha de quermesse:

“Já existe 10 mil, em torno de 10 mil escolas no Brasil, é, de ensino, de ensino fundamental, de ensino mé…., de ensino fundamental e médio, de ensino básico, portanto…”

Interrompida pelo Controle Social da Mídia. Se a presidente Dilma passou com louvor na prova de saúde, nessa questão da escola ela precisa estudar um pouquinho mais. Vamos deixar para a próxima?

Uma jornalista então quer saber: por que esse interesse tão súbito da presidente pela “criança integral”?

Atenção para a resposta, professor Sirio Possenti:

– Eu vô sê vó!!

E isso desperta em vovó Dilma não só instintos avoengos como essa dedicação integral à criança, que ela justifica com uma máxima inédita:

– As crianças são o futuro deste país.

Até aqui, Dilma falara sem ser questionada. Timidamente, uma repórter parece perguntar se essa tal Rede Cegonha já não existe em algum lugar. A presidente se irrita, pela primeira vez:

“O Rede Cegonha é uma criação do Rio de Janeiro. Não é nossa. É uma parte também do Mãe Coruja, de Pernambuco. Essa mania das pessoas se adonarem de projetos que estão em curso no Brasil é errado.”

Taí: gostei do “se adonarem” -– em 11 meses de caçada, é a primeira expressão original, e correta, que ouço de Dilma. Mas quem está se adonando dos projetos alheios é a presidente Dilma, não é não?

O SAMU Cegonha, que “nós criamos”, também já não existe, presidente?

“O SAMU Cegonha inclusive ele existe, tem até uma cegonha pintada naquela parte branca da….do…..”

A presidente parece ter até desistido da conclusão do pensamento quando vem o sopro redentor:

– Da ambulância.

– Da ambulância, né?

Seria cômico, se não fosse trágico: nos próximos quatro anos, é isso aí.

Brilhante como sempre, o texto de Celso Arnaldo colide estrondosamente com a indigência mental da sucessora que Lula inventou. Também por isso, não dou por liquidada a disputa pela Presidência da República. Falta um mês para a votação. No calendário político isso é uma eternidade. É mais que suficiente para que a oposição mostre ao Brasil o que vem por aí com a mesma nitidez e objetividade que marcam todos os posts sobre a candidata aqui publicados. Tempo para desconstruir a farsa existe de sobra. O que tem faltado à campanha de José Serra é lucidez, coragem, valentia e, sobretudo, vontade de vencer.

Acompanho confrontos eleitorais desde que nasci. Dois anos depois de derrotado na estreia como candidato a prefeito, e dois anos antes de conquistar o cargo que exerceria quatro vezes, meu pai vivia como sempre viveu: em campanha. Primeiro em Taquaritinga, na região e no Estado de São Paulo, depois como jornalista, testemunhei incontáveis duelos do gênero em todos os níveis — sempre na fila do gargarejo. Sei o que estou dizendo ao afirmar que Dilma Rousseff é a adversária que todo candidato pede a Deus. O problema é que, até agora, José Serra também tem sido.

13/07/2010

às 20:46 \ Direto ao Ponto

O governo das quatro creches por dia

Os eleitores seriam duplamente beneficiados se os jornalistas parassem de reescrever as declarações de Dilma Rousseff e usassem esse tempo para examinar com mais atenção o que a candidata promete. Caso a imprensa lhes faça tal gentileza, milhões de brasileiros saberão que a sucessora que Lula inventou, além de expressar-se de modo ininteligível, não sabe o que diz. Se soubesse, não estaria prometendo construir 6 mil creches em quatro anos.

Uma creche para 100 crianças tem em média 600 metros quadrados, demora seis meses para ficar pronta e custa, no mínimo, R$ 300 mil. Tudo bem, Dilma talvez esteja convencida de que governar é construir creches. Faz de conta que decidiu concentrar na semeadura de unidades do gênero todas as verbas destinadas a investimentos públicos. Ainda assim, restariam problemas de bom tamanho.

Para cumprir a promessa, Dilma teria de inaugurar 1.500 creches por ano. São 135 por mês. Mais de quatro por dia. Qual será o segredo do milagre? Os repórteres que acompanham a candidata precisam convidá-la com urgência a desvendar o enigma. Não vale dizer que, do mesmo modo que rubricou o que mandaram rubricar, só está repetindo um número fixado por outros. Dilma jura que é economista. Deve saber que dois mais dois não somam cinco nem no Brasil do faz-de-conta que Lula criou.

20/05/2010

às 4:00 \ Sanatório Geral

Coisa de estadista

“Se queremos ser um país desenvolvido, temos que fazer creches”.

Dilma Rousseff, revelando durante o encontro com prefeitos em Brasília o maior problema do Brasil.

04/02/2010

às 17:48 \ Direto ao Ponto

O caçador de cretinices relata a incursão pela mente inquietante

O jornalista Celso Arnaldo acabou de chegar de mais uma incursão pela mente inquietante de Dilma Rousseff. Segue-se o relato do implacável caçador de cretinices:

Metida num charmoso macacão da Petrobras, suando pouco menos do que Lula, que reclamou estar se sentindo como um “pintinho que caiu na poça”, a palanqueira é instada a falar na inauguração do Gasduc III, em Duque de Caxias.

O que está sendo inaugurado é simplesmente o maior gasoduto da América Latina, com um potencial de escoamento de 40 milhões de metros cúbicos/dia. Mas o discurso parecerá igual ao da abertura de uma creche para 12 crianças, na semana passada. A esta altura, já pegamos a fórmula: cada discurso de Dilma começa por um tatibitate sobre os benefícios da obra em si e logo se encaminha, aos trancos e barrancos, para o segmento “nosso Brasil é melhor do que o deles”, onde ela embaralha e magnifica os feitos do governo Lula e suas próprias promessas de continuidade. Aliás, no fim deste texto, você verá que, para Dilma, creche e gasoduto são a mesma coisa.

“No PAC, esse segmento do gasodutos ele é muito importante (..) permite que hoje, com a temperatura que nós temos aqui, está previsto que mais ou menos se atinja algo como 36, 37, 38 graus, isso implica consumo de ar-condicionado, implica também o fato de que nós sabemos que houve, porque o presidente diminuiu a isenção do IPI, uma compra, né, de eletrodomésticos, a chamada linha branca, né, geladeira e outros eletrodomésticos, permitindo então que as pessoas também tivessem um nível melhor”.

Talvez entorpecidas pelo calor de Duque de Caxias que fazia na Refinaria Duque de Caxias, algumas pessoas presentes ao evento entenderam, nessa fala da Dilma, que o presidente Lula aumentou o IPI dos eletrodomésticos, antes de inaugurar o gasoduto, porque está quente demais ─ mas que assim mesmo houve uma corrida à linha branca e que ninguém deve se preocupar com o calor, porque o Gasduc III também levará ar-condicionado para todos e, portanto, um nível melhor.

Eleita Dilma, teríamos na presidência o mais baixo padrão de oratória da história da República. Pior do que Costa e Silva e Dutra ─ este não apenas pelo discurso chocho e descolorido, como pela má “dicchão” e fragilidade intelectual, motivo de inúmeras piadas. Como sua apresentação ao presidente Truman, que o cumprimentou protocolarmente:
─ How do you do, Dutra.

E Dutra:
─ How tru you tru, Truman.

Com Dilma, não dá vontade nem de fazer piada ─ embora sua desarticulação seja sempre risível. Porque por trás de sua rara incapacidade de costurar uma frase sem graves problemas de concordância, redundância, repetição, concatenação e raciocínio, esconde-se a mais primária e nociva forma de populismo, que vê o Estado como o provedor impossível de todas as necessidades humanas, embaralhando metas e limites de todo e qualquer projeto. Para isso, contribui, no caso de Dilma, a linguagem tosca e geralmente ininteligível.

“No nosso país, é muito importante essa questão de oportunidade. E o PAC eu acho que ele trouxe um grande impulso, um impulso enorme no Brasil, que é o impulso de construir aquilo que estava faltando no Brasil”.

O discurso feito no Gasduc III foi, para variar, um conjunto pastoso de platitudes, ideias desconexas e clichês tão mal formulados que se tornam pastiche do clichê. Para isso, Dilma usa meia-dúzia de imagens e metáforas pífias que ela decorou ou colaram na agenda dela ─ como a do soluço, a do povo de quinta potência, a da creche como berço das oportunidades.

“Nós só seremos quinta potência (lá vem…) se o povo brasileiro for quinta potência nossa, a nossa quinta potência”.

(Só faltou dizer “a potência quinta nossa” e “a potência nossa quinta”)

“Dar um passo além no sentido de que todas as crianças do Brasil (lá vem…) tenham direito a creche (…) Porque todos os estudos mostram que a diferença, a diferença, o momento importantíssimo na vida de cada um de nós seres humanos se dá entre 0 e 3, 3 e 5 anos, que é quando a gente se forma. E quando uma pessoa, quando uma criancinha não tem na família o acesso a livros, o acesso a todas as questões culturais que uma criança de classe média tem, ela não tem a mesma oportunidade do que as outras (…) Vocês vejam que é possível perfeitamente ter uma visão ampla do país, unir gasoduto com creche pra criança”.

(Essa visão ampla, essa obsessão pela creche como oportunidade de vida, essa visão tão gasosa só Dilma tem. E onde estão essas crianças já formadas com 3 anos de idade ─ ou seria com 5? Em Harvard? Ou no MIT?)

A tempestade que castiga o neurônio solitário é coisa de assustar paulistano. É tanta trovoada que o Brasil, se não perdeu de vez o juízo, vai acordar bem antes de outubro. Fala mais, Dilma.

24/01/2010

às 4:08 \ Direto ao Ponto

A pior aluna do Brasil

O jornalista Celso Arnaldo, implacável e incansável, trabalha até aos domingos no curso intensivo concebido para desasnar o neurônio solitário da pior aluna do Brasil. Não percam a aula de hoje:

Da página da Casa Civil, o mais imparcial site de notícias do país:
“A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou neste sábado (23), em Rio Claro, interior de São Paulo, que uma das prioridades do PAC 2 será o investimento em creches. “Creches para todas as crianças desse país. Porque a diferença entre as famílias com mais posse e as sem posses está justamente na creche.”

Como Dilma, ao contrário de Lula, não sabe a diferença entre desse e deste, entre aqui e ali, não tenho certeza se ela se refere ao Brasil. Mas suponhamos que sim.

Tenho uma filha de cinco anos, matriculada em pré-escola particular aqui em São Paulo. Ela é criança ─ logo, pelo que entendi da proposta da Dilma, a escola dela será fechada e ela terá de ir para uma creche do PAC. Todas as demais escolas infantis particulares deste país serão abolidas porque todas as crianças brasileiras, “com mais posse ou sem posses”, irão para creches do PAC.

E ainda há quem ache que falar mal é só uma questão de estilo, não tem efeitos na vida prática…

E por que creches para todos?

“Nós sabemos e aprendemos que temos que olhar o indicador social. Olhar para que todos os brasileiros tenham proteção. Olhar a (sic) cada uma das famílias brasileiras. Porque todas teem (sic) direito a (sic) mesma oportunidade, e oportunidade começa aí – na creche”.

(Só na fala da Dilma, as pessoas sabem antes de aprender. Mas isso não vem ao caso. Pelo que captei nas entrelinhas, nas creches de Dilma haverá recrutadores de RH para prospectar os melhores talentos no berço.)

Mas o site da casa informa também que, na mesma cerimônia em Rio Claro, Dilma se mostrou veementemente contra as chuvas:

“É inadmissível que o país continue convivendo com alagamentos, desabamentos e, com as suas consequencias (sic), que são as mortes”.

(De fato, o Brasil não pode mais conviver com as mortes – aliás, ninguém pode, a menos que já esteja morto ou seja imortal.)

Nessas horas de grande emoção, olho no olho com a população, assoma a poeta Dilma Vana:

“Temos que cuidar para que a vida urbana seja humana”.

Outra atual obsessão da musa do PAC são as UPAs – Unidades de Pronto Atendimento em Saúde:

“A ideia é concentrar em só local (sic) todos os tratamentos que não necessitam de hospital. O presidente Lula determinou que tenham (sic) UPAs em todas as aglomerações urbanas desse (sic) país. Com isso, de fato, vamos ser a quinta economia do mundo”.

Ainda não estou convencido de que o aumento do consumo de gaze, esparadrapo e analgésicos nas novas UPAs será suficiente para fazer do Brasil a quinta economia do mundo.

Mas já que essa é a ideia, dou de graça uma sugestão de slogan para a ministra mostrar ao povo que um pronto-socorro básico em cada bairro do país vai fazer o Brasil continuar subindo ─ e aproveite a oferta, porque costumo cobrar:

─ UPA Brasil!


 

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