Blogs e Colunistas

CPI

06/10/2011

às 20:07 \ Sanatório Geral

É plágio

“Toda a base está orientada para não se abrir CPI para nada. Isso é um costume, um método.”

Ênio Tatto, líder do PT na Assembleia Legislativa, sobre o caso do balcão de venda de emendas parlamentares, acusando a bancada governista de São Paulo de plagiar a base alugada do Congresso.

02/09/2011

às 23:39 \ Sanatório Geral

Pelego consciente

“A gente fez faxina no Banco Central por entender que lá residem os interesses estranhos ao país. O Brasil tem a maior taxa real de juros do mundo, um mecanismo perverso para a economia. Mais importante do que uma CPI, precisamos de uma reforma política democrática e que ataque a corrupção estruturalmente”.

Daniel Iliescu, presidente da União Nacional dos Estudantes Amestrados (UNEA, antiga UNE), ensinando que manifestações contra juros altos são mais importantes que atos de protesto contra a corrupção porque um pelego que se preze não arranja confusão com quem paga a mesada.

27/08/2011

às 14:13 \ Feira Livre

‘O país cansou da roubalheira’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

PUBLICADO NO SITE OBSERVADOR POLÍTICO

Fernando Henrique Cardoso

Vira e mexe a questão da corrupção volta à baila. Agora mesmo não se fala de outra coisa. Desde o “mensalão”, com a permissividade do próprio Presidente da época, a onda de desmandos e as teias de cumplicidade se avolumaram. Menos interessa, a esta altura dos acontecimentos, saber se houve corrupção em outros governos. Malfeitorias sempre houve. A diferença é que, de uns anos para cá, ela mudou de patamar com o sinal de perdão diante de cada caso denunciado.

“Não é tão grave assim” ou então, “foi coisa de aloprados” ou ainda de que se trataria “apenas” de dinheiro para pagar contas de campanha eleitoral. Com esta leniência compreende-se que pessoas ou setores dos partidos que apóiam o governo se sintam mais à vontade para entoar o cântico do dá-cá-toma-lá. Agora, quando a Presidente reagiu a alguns desses desmandos (e, de novo, importa pouco insistir em que a reação veio tarde, pois antes tarde do que nunca) as pessoas sérias, inclusive no Parlamento, procuram dissociar-se das teias de corrupção. O país cansou da roubalheira.

É preciso buscar os meios para corrigir os desmandos. Não basta a Polícia Federal investigar, se disso não derivarem ações nos Tribunais. Onde estão os procuradores –tão ativos no passado – para levar adiante as denúncias? Por que temer a coleta de assinaturas para uma CPI? Claro, se esta CPI for para valer não deverá nascer arimbada de anti-governo, mas de pró-Brasil, mesmo porque com maioria avassaladora o governo pode controlar as CPI’s, tornando-as carimbadoras de atestados de boa conduta dos acusados.

Mas não basta denunciar, demitir, prender. É preciso buscar convergências em favor da decência nas coisas públicas. Deve-se ir fechando os canais que facilitam a corrupção. Pode-se reduzir drasticamente, por exemplo, o número de pessoas nomeadas para o exercício de funções públicas sem pertencer ao quadro de funcionários da União, os famosos DAS. Por que não propor no Congresso algo nesta direção? Isso não acabaria com a corrupção, que pode ser feita por funcionários, empresários ou dirigentes desonestos. Mas, pelo menos, resguardaria os partidos e o Congresso do cheiro de podridão que a sociedade não agüenta mais e atribui só a eles e seus apadrinhados os malefícios do Executivo.

19/08/2011

às 0:02 \ Sanatório Geral

Olho de lince

“Não acho que tenhamos necessidade de uma CPI para verificar e punir quem quer que seja, no Ministério dos Transportes ou em outro. Hoje, temos meios institucionais e legais para isso, e confio neles”.

Paulo Passos, ministro dos Transportes, que durante seis anos e meio ocupando cargos de chefia na pasta não conseguiu enxergar um único integrante da quadrilha  em ação nas salas ao lado.

16/08/2011

às 20:15 \ Sanatório Geral

Até ele

“Acho que não é preciso formar um grupo. Todos no Senado são contra a corrupção. Só discordo desse movimento porque muito desses senadores querem a CPI. Esse não é o melhor instrumento para combater a corrupção”.

Romeró Jucá, líder do governo no Senado, revelando que, diante do que andam fazendo os assaltantes de cofres públicos, até os senadores corruptos são contra a corrupção.

03/08/2011

às 19:57 \ Sanatório Geral

Perdido no Planalto

“É um troço inexplicável. Estou atrás deles e dos líderes”.

Romero Jucá, líder do governo no Senado, ao ser cobrado pelo apoio de integrantes de partidos da base governista à CPI dos Transportes, mostrando que, depois da entrevista concedida a VEJA pelo irmão Oscar, o medo de perder o direito de entrar sem bater no Planalto fez com que perdesse a calma, o sono e o rumo.

31/07/2011

às 12:43 \ Sanatório Geral

Saudade da turma

“A única coisa que eu acho importante é termos, de vez, a CPI do Dnit”.

Luiz Antonio Pagot, ex-diretor do Dnit, ansioso por reencontrar-se numa cadeia com os antigos colegas de trabalho.

24/05/2011

às 14:38 \ Feira Livre

‘Traduzindo Palocci’, de Ricardo Noblat

COLUNA DE RICARDO NOBLAT PUBLICADA NO JORNAL O GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Ricardo Noblat

O que há em comum entre Antonio Palocci, chefe da Casa Civil da presidência da República, dono de um patrimônio que se multiplicou por 20 no curto período de quatro anos como deputado federal, e Dominique Strauss-Kahn, ex-diretor do Fundo Monetário Internacional, preso em Nova Iorque por ter agredido sexualmente uma arrumadeira de hotel?

Em comum: Palocci e Dominique não podem contar exatamente o que fizeram – nem por que fizeram. Palocci alega que uma cláusula de confidencialidade o impede de tornar pública a lista de clientes de sua empresa de consultoria. Somente no ano passado ela faturou R$ 20 milhões – metade entre o dia da eleição e o dia da posse de Dilma.

Dominique insiste em repetir por meio de seus advogados que é inocente. Não, não se trancou com a arrumadeira em uma suíte do Hotel Sofitel, no coração de Nova Iorque. Não, não a jogou sobre a cama para estuprá-la. Muito menos a obrigou a fazer sexo oral nele. A Justiça aceitou as sete acusações que pesam sobre Dominique.

Por ora, nenhuma acusação pesa sobre Palocci. Pesa a robusta suspeita de que enriqueceu rapidamente fazendo lobby para empresas empenhadas em fechar negócios com o governo. Ou municiando-as com informações privilegiadas às quais tinha acesso como ex-ministro da Fazenda do governo Lula e influente deputado do PT. Ou, ou, ou…

Palocci perdeu a voz desde que a “Folha de S. Paulo”, há uma semana, publicou que ele comprara no final do ano passado dois luxuosos imóveis em São Paulo pela bagatela de R$ 7,4 milhões. Isso depois de ter declarado à Justiça Eleitoral que o valor do seu patrimônio em 2006 não chegava a R$ 380 mil. Agora, Palocci só fala por escrito.

Sem lhe cobrar tostão ou favor, ofereço-me para traduzir o que tem dito. Palocci disse que pôde comprar os dois imóveis graças ao salário de deputado e mais o que lucrou como consultor. Se apenas no ano passado a consultoria lhe rendeu R$ 20 milhões, imagine-se a preciosidade dos conselhos dados por ele a seus clientes…

Compare: quanto o mensalão do PT movimentou para pagar despesas de campanha do partido e comprar o apoio de dezenas de deputados? Algo como R$ 55 milhões. A empresa de Palocci se resumia a ele mesmo. O que faturou, contudo, iguala ou supera os ganhos das maiores empresas do ramo – algumas delas com cerca de 100 funcionários.

No ano em que mais embolsou dinheiro, justamente o das eleições gerais, Palocci dividiu-se entre as tarefas de consultor e de fiador da candidatura de Dilma junto ao mundo econômico. Digamos que de manhã ele vendia o projeto que Dilma tinha para o país. E que à tarde, e para as mesmas pessoas, vendia a Projeto, a consultoria dele.

Disse Palocci que os cofres da Projeto se entupiram de dinheiro nos últimos meses do ano passado só porque estava para fechar. Curioso! Justo na contramão de outras empresas que às vésperas de fechar costumam arrecadar pouco. Palocci repudia qualquer insinuação de que possa ter traficado influência. Não. Jamais!

Donde se conclui que os clientes da Projeto, sem nenhuma outra intenção a não ser a de honrar compromissos assumidos no passado, pagaram a Palocci de boa fé a fortuna de R$ 10 milhões quando já estava certo que ele seria o mais poderoso ministro do novo governo. Nada esperavam dele em troca. Por que essa história soa como inverossímil?

Encerro a tarefa de traduzir Palocci lembrando o que aprendi em 29 anos de Brasília: quanto mais grave pareça um episódio envolvendo cabeças coroadas da República, maiores são as chances de que dê em nada. A CPI que investigou o Caixa dois da campanha de Fernando Collor deixou em paz empresários e banqueiros.

A força de Palocci reside na ligação com os “donos do poder”. Foram eles que financiaram sua eleição em 2006, a Projeto e o projeto de Dilma. Com acerto, aplica-se a Palocci a distinção conferida por Lula a Sarney: trata-se de um homem incomum.

23/05/2011

às 15:03 \ Sanatório Geral

Inimigo em casa

“Não vemos sentido na criação de uma CPI. É uma tentativa da oposição de atacar o governo, mas não há clima para rebelião na base. Os partidos da base têm que se alinhar com o governo”.

Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara, alertando a base alugada para a necessidade de respeitar o contrato de aluguel e livrar Antonio Palocci da CPI proposta pela oposição para apurar o milagre da multiplicação do patrimônio, descoberto e divulgado por companheiros do PT que integram o bando de José Dirceu e Ricardo Berzoini.

14/04/2011

às 20:48 \ Sanatório Geral

O resto é por fora

“Receba, ilustre deputado, os meus agradecimentos pela hospitalidade com que fui recebido, quando da minha estada em Brasília, no dia 29 de março”.

Ricardo Teixeira, presidente da CBF, no bilhete entregue a todos os deputados que retiraram a assinatura do requerimento que solicitava a criação de uma CPI destinada a investigar as bandalheiras na alta cartolagem futebolística, que chegou aos destinatários acompanhado de uma camisa oficial da Seleção Brasileira, fingindo que a retribuição da gentileza ficou só nisso.


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados