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Correios

22/08/2011

às 19:23 \ História em Imagens

Lembranças do mensalão

Aiuri Rebello e Fernanda Nascimento

Em maio de 2005, o chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, foi filmado embolsando 3 mil reais de um empresário. O que parecia ser apenas um flagrante de propina transformou-se na origem do pai de todos os escândalos quando Marinho revelou que o dinheiro iria para o PTB, dirigido pelo deputado Roberto Jefferson. Ao perceber que o governo não se esforçaria para impedir a instauração de uma CPI para investigar o assunto, Jefferson afundou atirando. A memória curta dos eleitores não consegue guardar todas as cenas de um dos maiores shows de horrores que tiveram como palco o Congresso Nacional e o Palácio do Planalto. Veja alguns dos melhores momentos do caso que monopolizou a atenção do Brasil durante três meses.

Acusados nominalmente por Roberto Jefferson, os integrantes da cúpula do PT, com o endosso do presidente Lula, dispararam negativas. “Nunca ouvi, nunca conversei, nunca tratei com nenhum parlamentar de troca de apoio por dinheiro”, rebateu José Genoíno, então presidente do Partido dos Trabalhadores. “Nunca tinha ouvido falar”, emendou o ex-secretário-geral do partido Silvio Pereira.

O dinheiro utilizado para pagar os parlamentares vinha de “recursos não contabilizados” doados por empresas para o financiamento de campanhas políticas e de verbas desviadas de estatais. No dia 12 de agosto, o publicitário Duda Mendonça, que organizou a campanha vitoriosa de Lula, contou que recebeu milhões de dólares em contas no exterior, orientado pelo empresário Marcos Valério.

O deputado Valdemar Costa Neto, acusado de receber dinheiro do PT em nome da sigla que presidia, o Partido Liberal (atual PR), ensaiou o mesmo discurso. Mas o depoimento de sua ex-mulher Maria Christina Mendes Caldeira esmagou a argumentação do deputado. Em menos de duas semanas, Valdemar renunciou ao mandato para não ser cassado.

As repercussões do mensalão atrapalharam por algum tempo os projetos políticos dos envolvidos no escândalo, mas não encerraram a carreira dos réus. José Genoíno, que não conseguiu se eleger deputado federal em 2010, hoje despacha numa sala no Ministério da Defesa, contratado como assessor especial. Valdemar Costa Neto aproveitou-se da sobra de votos do palhaço Tiririca para ganhar uma cadeira na Câmara dos Deputados, de onde continuou comandando o PR. Aos indignados, resta aguardar o destino dos 38 acusados no Superior Tribunal Federal (STF), que aceitou a denúncia em 2007, no processo relatado pelo ministro Joaquim Barbosa.

14/10/2010

às 4:23 \ Sanatório Geral

Estatal privada

“Enquanto o presidente Lula demonstrar confiança em mim, vou ficar, porque acho que tenho ainda a ajudar os Correios”.

David José de Matos, presidente dos Correios, estatal privatizada sem licitação por Erenice Guerra e explorada pelo bando da Casa Civil, colocando-se à disposição do governo para ajudar a destruir a empresa antes que Lula caia fora do Planalto.

07/10/2010

às 19:46 \ Direto ao Ponto

O milagre da multiplicação dos descontentes deixou grogue o recordista de pesquisa

Ainda atônito com o milagre da multiplicação dos descontentes, que transformou os 4% das pesquisas fabricadas em 54% dos votos válidos, o presidente Lula decidiu que, para avançar no segundo turno, o palanque de Dilma Rousseff precisa voltar a 2006. “Temos que tirar o foco do aborto e discutir a questão das privatizações”, ordenou o Mestre a seus devotos. A ideia só confirmou que um campeão nocauteado não deve tomar a iniciativa quando ainda está grogue. Antes que alvejasse José Serra com as invencionices forjadas há quatro anos para confundir o eleitorado e derrotar Geraldo Alckmin, foi devolvido à lona pela ofensiva da oposição.

Com o ânimo combatente que faltou no primeiro turno, Serra elogiou Fernando Henrique Cardoso, defendeu enfaticamente a abertura das telecomunicações e registrou que Lula, que teve oito anos para estatizar o que não deveria ter sido privatizado, leiloou dois bancos. Ao lado de Serra, o senador Aécio Neves deu o tom do segundo turno, como registra com o brilho habitual o colunista Ricardo Setti. Numa frase, resumiu o que Dilma ouvirá nos debates do segundo turno caso obedeça à ordem do chefe: “Se eles condenam as privatizações, estão dizendo a cada cidadão brasileiro que pegue o celular e jogue na lata de lixo mais próxima”, avisou Aécio.

“Temos que mostrar que existem dois projetos, e que um deles representa o passado”, disse Lula para justificar a retomada da lengalenga de 2006. As mudanças ocorridas no governo de Fernando Henrique Cardoso, como atestam os números reproduzidos na seção Feira Livre, tornaram o Brasil bem mais moderno. O que lembra o tempo das cavernas é o país das estatais corrompidas, ineptas e aparelhadas que Lula preside.

Nos últimos oito anos, foi instituída oficiosamente a política do arrendamento e da privatização bandida. Os Correios, por exemplo, estão arrendados ao PMDB. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal passaram ao controle do PT. A Eletrobrás foi anexada à capitania hereditária explorada pela Famiglia  Sarney. E a Casa Civil foi privatizada pela família de Erenice Guerra, braço-direito e melhor amiga de Dilma Rousseff. Virou covil particular.

As declarações de Serra e Aécio confirmam que os líderes do PSDB finalmente ajustaram o discurso à partitura composta por milhões de oposicionistas que enfrentam sem hesitações a Era da Mediocridade. Nos duelos com Dilma, Serra tem o dever de atacar primeiro. Em vez de esperar que a adversária lhe atribua a ideia de privatizar a Petrobras, por exemplo, o candidato tucano deve exigir que ela explique o arrendamento da empresa petroleira a um condomínio liderado pelo PT.

Em seguida, é só perguntar a Dilma se é verdade que pretende estatizar a telefonia. Se a Doutora em Nada disser que não, estará endossando as mudanças implantadas no governo de FHC. Se disser que sim, será condenada ao naufrágio nas urnas.

22/09/2010

às 16:53 \ Sanatório Geral

A Casa Vil

“Erenice sempre foi amiga do meu pai, conheço ela desde que era criança. Ela me perguntou se eu tinha interesse em trabalhar na Casa Civil por um período curto”.

Paula Damas de Matos, filha de David José de Matos, presidente dos Correios, exonerada do cargo nesta terça-feira, explicando que na Casa Vil o currículo foi substituído pelo sobrenome.

20/09/2010

às 13:28 \ Sanatório Geral

Ócio sem dignidade

“Peço demissão porque não aguento mais tanta pressão, tanta mentira. Tudo isso está destruindo minha vida e minha família”.

Eduardo Artur Rodrigues, o “coronel Artur”, diretor de Operações dos Correios nomeado por Erenice Guerra, um dos representantes da MTA Linhas Aéreas no escândalo na Casa Civil, informando que já embolsou o suficiente para aproveitar a vida ao lado da família.

18/09/2009

às 21:36 \ Sanatório Geral

Operário patrão

“O governo quer fechar um acordo com as estatais pelos próximos dois anos porque quer afastar a possibilidade de greves e protestos por melhores salários em ano de eleição e, assim, evitar desgastar o candidato do presidente”.

Nilson Rodrigues, um dos líderes da greve dos funcionários dos Correios, explicando por que Lula resolveu esquecer o que dizia em São Bernardo para defender a socos e pontapés a proposta patronal.

18/09/2009

às 21:24 \ Sanatório Geral

A voz do patrão

“A proposta dos Correios é razoável e eu acho que a vanguarda deveria se curvar diante da vontade da maioria”.

Lula, ao saber que a continuação da greve nos Correios fora aprovada numa assembléia idêntica às que organizava em São Bernardo, repassando aos sindicalistas o mesmo conselho que o deixava muito bravo quando formulado pelos donos das metalúrgicas.


 

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