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comerciantes de porcentagens

29/05/2012

às 16:24 \ Direto ao Ponto

Para reanimar o chefe em apuros, nada melhor que encomendar mais um recorde aos comerciantes de porcentagens

Podem apostar: a seita lulopetista já encomendou a alguma loja de estatísticas outra “pesquisa” concebida para comunicar ao país, ainda na primeira semana de junho, que a popularidade do Supremo Pastor subiu mais um pouco e já se aproxima dos 100% (ou 103%, se computada a margem de erro para cima). Imediatamente, jornalistas amestrados verão nos resultados a confirmação de que brasileiro não dá maior importância a miudezas políticas. Estupros do Estado  Democrático de Direito, por exemplo.

Como até devotos delirantes desconfiam que o chefe foi longe demais na conversa com o ministro Gilmar Mendes, o comerciante de porcentagens encarregado do serviço terá de premiar o freguês com algum brinde espetacular. Desta vez, não basta jurar que o índice de aprovação do governo Dilma Rousseff ultrapassou a fronteira dos 90%.

Para que o rebanho volte a acreditar que Deus, que é brasileiro, resolveu voltar ao país natal disfarçado de Lula, chegou a hora de resgatar Fernando Haddad do buraco dos 3% e instalar o poste de topete na faixa dos dois dígitos. Os analistas estatizados saberão enxergar no fenômeno mais uma prova de que Gilmar Mendes mentiu.

 

09/10/2010

às 13:15 \ Direto ao Ponto

Os comerciantes de porcentagens estão prontos para o segundo ato da farsa

Um dia antes da eleição, a última pesquisa do Vox Populi liquidou a fatura em favor de Dilma Rousseff: com 57% das intenções de voto, a candidata de Lula e do instituto foi dispensada da disputa do segundo turno —por uma diferença de muitos milhões de cabeças. “Fomos os primeiros a identificar o crescimento de Dilma”, gabou-se Marcos Coimbra, presidente da loja de porcentagens. Esqueceu-se de combinar com as urnas: terminada a contagem dos votos, os 57% foram reduzidos a 46%.

Entre a profecia de Coimbra e o encerramento da apuração, quase 14 milhões de brasileiros sumiram misteriosamente no buraco negro escavado por 11 pontos percentuais. É uma demasia de gente, mas comerciantes de índices não se abalam por tão pouco. Já na terça-feira, lá estava Coimbra no Correio Braziliense. Nem se deu ao trabalho de explicar o desaparecimento da imensidão de eleitores. Preferiu ensinar que até um caso de polícia tem seu lado positivo.

“O bom é que tudo isso mostra que o efeito da divulgação de pesquisas na opinião pública é muito menor do que temem alguns”, recitou. “Se dependesse delas, Marina teria tido metade da votação que obteve”. Quer dizer: o Voz Populi imaginava que a manipulação dos números elegeria a candidata do instituto já no dia 3. Infelizmente, a influência dos truques e acrobacias não abreviou a canseira.

Em paragens civilizadas, os coimbras da vida passariam a semana sentados no meio fio, chorando lágrimas de esguicho e examinando as opções possíveis: sair em desabalada carreira ou apresentar-se à delegacia mais próxima, escoltado por um advogado que cobra por minuto. Mas o País do Carnaval ainda não aprendeu a tratar como criminosos os especialistas em estelionato estatístico. Sem medo de cadeia, os ilusionistas preparam outro lote de pesquisas forjadas para que se dissemine a certeza da vitória governista.

Sem terem sequer balbuciado desculpas pelo fiasco no primeiro turno, estão prontos para o segundo ato da farsa. Tomara que os pesquisadores de araque reprisem a fraude. Depois de surpreendidos pela gargalhada coletiva dos brasileiros decentes, serão desmoralizados de vez pelas urnas.

 

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