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chuva

21/01/2011

às 23:24 \ Direto ao Ponto

Os idiotas estão por toda parte

Nelson Rodrigues acordou especialmente inspirado em 20 de maio de 1969. “Nada mais XIX que o século XX”, descobriu já na primeira linha da coluna que O Globo publicaria no dia seguinte. Abstraídas “a praia e as medidas masculinas dos quadris femininos”, não havia nada que permitisse distinguir uma época de outra. As semelhanças escancaradas começavam pela consolidação do fenômeno que, segundo o cronista genial, configurou a marca mais notável do século XIX: “a ascensão espantosa e fulminante do idiota”.

Até então, uma nulidade do gênero se limitava a babar na gravata. “O idiota era apenas o idiota e como tal se comportava”, explicou Nelson Rodrigues. “O primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar uma cadeira do lugar. Nunca um idiota tentou questionar os valores da vida”. Como ocorrera desde o começo dos tempos, decidiam pelos idiotas os que tinham cabeça para pensar e sabiam o que faziam. Os rumos eram ditados pelos melhores e mais brilhantes.

As coisas mudaram dramaticamente quando a tribo dos cretinos fundamentais  se descobriu majoritária. “Houve, por toda parte, a explosão de idiotas”, avisou a crônica que, escrita há quase 42 anos, parece descrever o Brasil deste começo de milênio. Nos trêfegos trópicos, a praga que afligiu o século XIX e consolidou-se no século XX assumiu dimensões siderais. Em suas infinitas versões ─ o espertalhão, o otário, o vigarista, o fanático, o farsante, o bobo alegre, o cafajeste, o prepotente, o gatuno ─, os idiotas elegem e são eleitos, escolhem e são escolhidos, nomeiam e são nomeados. Estão por toda parte.

No nono ano da Era da Mediocridade, a espécie em acelerada expansão é representada no governo e na oposição, no Ministério e no segundo escalão, no Congresso, nos tribunais e na imprensa, na plateia que assiste à passagem do cortejo ou nos andores da procissão de espantos que começou há oito anos, não foi interrompida sequer pelas festas de fim de ano e seguiu seu curso no primeiro mês do governo de Dilma Rousseff. O imenso viveiro de cérebros baldios não se assusta com nada.

De partida, Lula foi premiado com caminhões de presentes, passaportes diplomáticos expedidos ilegalmente para alegrar a filharada e um salvo-conduto para bronzear-se no forte do Exército reduzido a pensão de governantes ociosos. De chegada, Dilma montou o ministério mais bisonho de todos os tempos, escalou para gerenciá-lo um estuprador de contas bancárias e recolheu-se ao silêncio de quem não tem nada de proveitoso a dizer nem dispõe de alguma ideia para trocar. Só recuperou a voz depois de surpreendida por uma tragédia anunciada.

Ao fim do passeio pela Região Serrana do Rio, Dilma prometeu fazer amanhã o que Lula jurou ter feito em 2005, solidarizou-se com as famílias assassinadas pela incompetência dos governos federal, estadual e municipal e elogiou o comparsa Sérgio Cabral. O governador devolveu o elogio, agradeceu a Lula por oito anos de providências imaginárias e debitou o massacre premeditado na conta dos antrecessores, de São Pedro, do imponderável e dos mortos.

Nesta quinta-feira, em depoimento no Congresso, Luiz Antonio Barreto de Castro, demissionário do cargo de secretário de Políticas e Programas do Ministério de Ciência e Tecnologia, implodiu com seis palavras a conversa fiada sobre a catástrofe que até então contabilizava 762 mortos e 400 desaparecidos. Depois de revelar que não conseguiu incluir no PAC a implantação de um sistema de alerta com radares, orçado em R$ 115 milhões, que ajudaria a prever desastres em áreas de risco, Barreto resumiu o espetáculo do cinismo homicida: “Falamos muito e não fizemos nada”. Embora saiba disso há oito anos, a oposição oficial nada fala e nada faz.  A idiotia é suprapartidária.

Mas também há mais de 40 milhões de brasileiros que enxergam as coisas como as coisas são e contam o caso como o caso foi. Não é pouca gente. E a munição é farta, como mostrarão os posts que pretendem retratar em preto e branco o verão brasileiro de 2011.

14/01/2011

às 13:39 \ Feira Livre

Não é a chuva que deve ir para a cadeia

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Marcos Sá Corrêa

Das surpresas do clima, quem pode falar por todos os políticos com conhecimento de causa são os faraós egípcios. Eles, como o ex-presidente Lula, agiam como enviados do céu à Terra. E, ao contrário do ex-presidente Lula, não falam desde que saíram de cena, a não ser por intermédio de escribas e hieróglifos.

Mas, como encarnações do Sol, se o Sol fracassava lá em cima, eram arrancados do trono cá embaixo, surrados e cuspidos no fundo do Nilo. Tudo porque o rio deixava de inundar o delta que nutria seu reino agrícola. Lá, o regime político mudava conforme o regime do rio. Tornava-se violento e insurreto até o Nilo voltar à normalidade, irrigando uma nova dinastia.

As vítimas dessas tragédias políticas e climáticas não tinham, na época, como saber que as cheias do Nilo eram regidas pelas chuvas de monção do Sudeste Asiático, que por sua vez dependiam de ventos conjurados pela temperatura das águas no Oceano Pacífico, do outro lado da terra, na costa da América do Sul, um lugar mais distante que o Sol do cotidiano egípcio.

O culpado da desordem era um fenômeno natural que só entrou há duas décadas no noticiário internacional, com o nome de El Niño. Mas deixar o clima fazer seus estragos à solta, em Tebas ou Mênfis, tinha custo político, porque da regularidade do rio dependiam vidas humanas. O preço era injusto, cruel e exorbitante. Como é injusto, e talvez seja também cruel e exorbitante, que hoje não se processe no Brasil, por homicídio culposo, o político que patrocina baixas evitáveis e supérfluas em encostas carcomidas e vales entulhados por ocupações criminosas.

No dia em que um prefeito, olhando as nuvens no horizonte, enxergar a mais remota possibilidade de ir para a cadeia pelas mortes que poderia impedir e incentivou, as cidades brasileiras deixariam aos poucos de ser quase todas, como são, feias, vulneráveis e decrépitas. De graça ou com o dinheiro virtual do PAC, os políticos não consertarão nunca a desordem que os elege.

Não adianta ameaçá-los com ações contra o Estado ou a administração pública, porque o Estado e a administração pública, na hora de pagar a conta, somos nós, os contribuintes. O remédio é responsabilizar homens públicos como pessoas físicas pelos crimes que cometem contra a vida. Às vezes em série, como acaba de acontecer na região serrana do Rio de Janeiro.

O resto é conversa fiada. Ou, pior, papo de verão em voo de helicóptero, que nessas ocasiões poupa às autoridades até o incômodo de sujar os sapatos na lama. Pobres faraós. O longo e virtuoso o caminho civilizatório que nos separa de seu linchamento está nos levando de volta à impunidade anárquica das entressafras dinásticas, quando a favelização lambia até as suntuosas muralhas de Luxor.

Linchar um político não é a mesma coisa que malhar seus projetos. E os brasileiros estão perdendo mais uma chance de bater com força no projeto de lei número 1876/99, que o deputado Aldo Rabelo transfigurou, para enquadrar o Código Florestal nos princípios do fato consumado. Ele reduz à metade as áreas de preservação em margens de rio, dispensa da reserva legal propriedades pequenas ou médias e consolida os desmatamentos ilegais. Nunca foi tão fácil saber aonde ele quer chegar, folheando as fotografias aéreas das avalanches em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo. Dá para ver nas imagens o que havia antes nos pontos mais atingidos. É o que o novo Código Florestal vai produzir no campo. Mais disso.

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“Brasil não é Bangladesh. Não tem desculpa”

ENTREVISTA PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

“O Brasil não é Bangladesh e não tem nenhuma desculpa para permitir, no século 21, que pessoas morram em deslizamentos de terras causados por chuva.” O alerta foi feito pela consultora externa da ONU e diretora do Centro para a Pesquisa da Epidemiologia de Desastres, Debarati Guha-Sapir. Conhecida como uma das maiores especialistas no mundo em desastres naturais e estratégias para dar respostas a crises, Debarati falou ao Estado e lançou duras críticas ao Brasil. Para ela, só um fator mata depois da chuva: “descaso político.”

Como a senhora avalia o drama vivido no Brasil?

Não sei se os brasileiros já fizeram a conta, mas o País já viveu 37 enchentes, em apenas dez anos. É um número enorme e mostra que os problemas das chuvas estão se tornando cada vez mais frequentes no País.

O que vemos com o alto número de mortos é um resultado direto de fenômenos naturais?

Não, de forma alguma. As chuvas são fenômenos naturais. Mas essas pessoas morreram, porque não têm peso político algum e não há vontade política para resolver seus dramas, que se repetem ano após ano.

Custa caro se preparar?

Não. O Brasil é um país que já sabe que tem esse problema de forma recorrente. Portanto, não há desculpa para não se preparar ou se dizer surpreendido pela chuva. Além disso, o Brasil é um país que tem dinheiro, pelo menos para o que quer.

E como se preparar então?

Enchentes ocorrem sempre nos mesmo lugares, portanto, não são surpresas. O problema é que, se nada é feito, elas aparentemente só ficam mais violentas. A segunda grande vantagem de um país que apenas enfrenta enchentes é que a tecnologia para lidar com isso e para preparar áreas é barata e está disponível. O Brasil praticamente só tem um problema natural e não consegue lidar com ele. Imagine se tivesse terremoto, vulcão, furacões…

26/11/2010

às 22:28 \ Frases

Chove chuva

“Chove, Chuva!”

Paul McCartney, vendo a água caindo sobre a platéia.

29/07/2010

às 8:58 \ Sanatório Geral

Fecho de ouro

“O presidente Lula me deu um legado. Me deu uma missão. O legado que o presidente Lula entregou em minhas mãos é um legado daquilo que ele mais ama, que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou honrar esse legado, eu vou cuidá como uma mãe do povo brasileiro. Um abraço e um beijo a cada um de vocês e bendita chuva porque a água é a vida”.

Dilma Rousseff, capturada nesta quarta-feira pelo Celso Arnaldo em Natal e remetida ao Sanatório com o seguinte recado: Fecho de ouro do molhado e emocionante comício onde ela, recém-apaixonada pela palavra legado, agradece ao finado Lula pelo que ele deixou em suas mãos, antes de passar desta para a melhor. Mas Dilma, a mãe do povo, correria o risco de se encontrar com o De Cujus, por afogamento ou linchamento, caso tivesse dito que “a agua é a vida” logo depois do dia 17 de junho nas áreas do interior de Alagoas e Pernambuco onde choveu morte.

16/07/2010

às 18:26 \ Sanatório Geral

Marmanjo interrompido

“O Indio pediu chuva agora agente sabe para que serve o Indio como vice de Serra sera que serv …”

José Eduardo Dutra, capturado há poucos minutos por Celso Arnaldo no Rio, onde chove a cântaros, e remetido ao Sanatório com o seguinte bilhete: O pensamento foi interrompido no twitter do Zé Dutra por um destes dois motivos: 1)Controle social da mídia; 2)Ao contrário de Índio do Brasil, o “agente” Zé Dutra ainda não está aculturado.

16/07/2010

às 2:04 \ Sanatório Geral

Vuvuzela ensolarada

“Aqui faz muito sol”.

Lula, irritado com o pito que levou da FIFA, ao explicar que pode recuperar o atraso com o sistema de três turnos, ensinando que, no Brasil, só chove de vez em quando em São Paulo, por culpa de José Serra, no Rio, por culpa da natureza, e no Nordeste, por culpa dos flagelados que construíram casas de praia à beira dos rios.

24/06/2010

às 23:30 \ Sanatório Geral

Culpa das vítimas

“Nós ficamos culpando a chuva, ficamos procurando culpado, mas a verdade é que 50, 60, 70 anos atrás essas pessoas construíram suas casas em lugares inadequados. Construíram casa na beira do rio que todo mundo sabe que, mais dia ou menos dia, pode dar enchente”.

Lula, ensinando que o governo não pode ser responsabilizado pelas mortes causadas por essa mania que tem todo brasileiro pobre de, em vez de morar em casas confortáveis nas cidades, ficar sem fazer nada em residências de verão construídas à beira dos rios entre 1940 a 1960.

16/04/2010

às 22:51 \ Homem sem Visão

Dirceu aposta em outro fiasco e Eduardo Paes quer aprender a dança da chuva com pataxós

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“É a hora da vingança!”, animou-se um amigo de José Dirceu durante o lançamento da candidatura do guerrilheiro de festim ao título de Homem sem Visão de Abril. “Ele ainda não engoliu o despejo da Casa Civil nem o troféu de HSV do Ano que a Dilma ganhou”. Dirceu não recorreu a nenhuma frase, nem mesmo ao currículo, para sair em campanha. “O chefe fez questão de mostrar seu potencial como coordenador da campanha da Tia do Pré-Sal”, revelou um assessor.

Promovido pela Procuradoria Geral da República a chefe da “organização criminosa sofisticada” do mensalão, famoso pelo extraordinário acervo de fiascos acumulados desde a juventude, Dirceu dispensou-se desses trunfos para deixar claro que chegou para vencer. Foi-lhe suficiente organizar as primeiras viagens de Dilma Rousseff.

“Depois da confusão que armou com o Hélio Costa, com os irmãos cearenses e com a gauchada, ele quer agir na Bahia”, confidenciou o assessor. Para piorar as relações com os aliados Geddel Vieira Lima e Jacques Wagner, Dirceu sugeriu a Dilma que proponha uma aliança informal com Paulo Souto, candidato ao governo estadual pela coligação DEM-PSDB. Numa entrevista coletiva, a autora do Dircurso sobre o Nada vai sugerir que os baianos votem na chapa Soudil. “Foi ela quem escolheu”, contou o assessor. “O chefe prefere Pauleff.

Abalado pelo lançamento do colega Jorge Roberto da Silveira, o prefeito Eduardo Paes pediu a bênção de Sérgio Cabral para entrar na disputa. O governador aprovou a ideia depois de obter a bênção de Lula. Revigorado, Paes ligou para a Fundação Cacique Cobra Coral, querendo saber se poderá contar com a ajuda de tempestades. “Ele já marcou uma viagem para Porto Seguro, porque disseram que os pataxós de lá sabem uma dança da chuva infalível”, confidenciou um assessor do prefeito.

Mais dois campeões entram em campo! Quem levará o troféu de Abril? A campanha está pegando fogo! Que vença o pior!

08/04/2010

às 9:17 \ Sanatório Geral

Surfando na enchente

“Quando o homem lá em cima está nervoso, só temos de pedir a Ele para parar a chuva”.

Lula, no Rio, ensinando que só Deus pode resolver o problema que, quando se manifesta em São Paulo, pode ser resolvido com um PAC da Enchente.

10/03/2010

às 19:20 \ Sanatório Geral

Berço contestado

“Os esquálidos (opositores) estão torcendo para que não chova. Mas vai chover mais, compadre, verás, porque Deus é bolivariano… A natureza está conosco”.

Hugo Chávez, Homem sem Visão da Década, tão desorientado com a crise de energia que, sem pedir licença ao companheiro Lula, transferiu do Brasil para a Venezuela o berço de Deus.


 

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