Blogs e Colunistas

Celso Arnaldo

08/02/2012

às 21:08 \ Sanatório Geral

Delírio fluvial

“O ministro [Fernando Bezerra] negociou contratos, reequilibrou esses contratos e agora nós temos uma clara perspectiva de fazer com que essa obra entre em regime de cruzeiro e não tenha nenhum problema de continuidade”.

Dilma Rousseff, capturada por Celso Arnaldo nesta quarta-feira em Juazeiro, “após inspecionar os desoladores canais que integrariam a transposição do Rio São Francisco e que esfarelam sem obras há quase um ano, prometendo finalmente colocar em regime de Costa Concordia, depois da providencial correção de rota executada pelo capitão Francesco Bezerra, o projeto que segundo Lula nem Dom Predo (sic) conseguiu tirar do papel.”

06/02/2012

às 16:29 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura locutor

“Isso aqui é rádio de ministro, rapaz”

Apresentador da rádio paraibana Cariri AM, registrada em nome de dois laranjas, já se sentindo locutor da BBC de Londres para comemorar ao vivo a indicação do verdadeiro patrão, Aguinaldo Ribeiro, mais conhecido no estado por Aguinaldinho, como novo guardião do bilionário Ministério das Cidades.

01/02/2012

às 11:12 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura Marta

“Não sobram áreas para a dupla PSDB-Kassab atentarem contra os menos favorecidos de São Paulo.”

Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo, capturada por Celso Arnaldo na abertura de sua coluna na Folha de sábado, “atentando contra a gramática para enfatizar, sem a menor sombra de dúvida, sua completa falta de concordância com o prefeito e o governador de São Paulo”.

26/01/2012

às 21:11 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura Dilma

“Eu tenho certeza que a população gaúcha se une a mim para se solidarizar com a população carioca. Eu acompanhei no dia de hoje com o prefeito Eduardo Paes e o governador Sérgio Cabral todo o esforço que o município e o estado estão fazendo e transmiti a eles meus sentimentos e a esperança de que as pessoas sejam encontradas com vida.”

Dilma Rousseff, capturada por Celso Arnaldo ao divulgar, em Porto Alegre, “nota oficial provavelmente soprada e escrita por assessores que aprenderam a simular sua sintaxe inconfundível, usando um acidente no centro do Rio e até os gaúchos, que não têm nada com isso, para elogiar o heroico esforço de companheiros peemedebistas pela preservação da vida humana e demonstrar até que ponto pode chegar o oportunismo político mais rasteiro”.

10/12/2011

às 10:59 \ Direto ao Ponto

Fernando Pimentel, o consultor tubaína: pequenas empresas, grandes negócios

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Quando se escrever “Todos os Homens da Presidenta”, o livro noir sobre a degradante equipe ministerial do governo mais malfeito da história republicana, o capítulo dedicado a Fernando Pimentel talvez seja o mais recheado de espantos, apêndices e rodapés. O prólogo desse capítulo, ainda à espera de um epílogo decente, está sendo divulgado, a conta-gotas: entre sua saída da prefeitura de Belo Horizonte, em 2009, e sua oficialização como um dos homens da confiança da amigona Dilma, em 2010, Pimentel montou uma plataforma intermediária de prospecção de ouro negro, a “empresa de consultoria” P-21 — que faturou cerca de dois milhões de reais nos poucos meses que separam o ex-prefeito e conspícuo papagaio de pirata da candidata na campanha presidencial do futuro o poderoso ministro do “desenvolvimento” do governo mais “desenvolvimentista” dos últimos 510 anos.

Como observou Elio Gaspari, em sua coluna de quarta-feira, não é nada, não é nada, dois milhões de reais é quatro vezes o que o general da Força Aérea Americana Brent Scowcroft, ex-assessor militar dos presidentes Bush pai e Gerald Ford, ganhava por ano do escritório de ninguém menos que Henry Kissinger como chefe de sua consultoria para assuntos de segurança nacional. Uma análise de Brent sobre negócios americanos em áreas de conflito pode valer bilhões de dólares. Quanto vale um palpite infeliz de Fernando Pimentel sobre o que quer que seja? Como formalizava sua consultoria? Por telefone? Pasta de plástico? Em planilha Excel? E-mail?

Não importa. A Federação e o Centro de Indústrias de Minas Gerais achou uma pechincha pagar R$ 1 milhão por nove meses de consultoria do ex-prefeito e futuro ministro ─ embora pudesse ter comprado os dados fornecidos por Pimentel por R$ 2,50 ao dia, o preço de um exemplar de O Estado de Minas.

Até aí, tudo bem: é preciso ganhar a vida. Alguns PIGs mal intencionados insinuam que consultoria de ex-ministro ou de alguém em vias de sê-lo é um nome chique para tráfico de influência — mas temo que seja apenas dor de cotovelo: quem não gostaria de vender por uma fortuna, sem nunca ter sido consultor de coisa alguma, informações econômicas triviais, sem nenhuma expertise, a megaempresas e poderosas federações, que já gastam milhões com consultorias próprias muito mais abalizadas? Palocci adorou a experiência – e só fechou a torneira de ouro porque ser chefe da Casa Civil era ainda melhor. Mas –- mérito dele — Palocci nunca vazou ou deixou vazar os destinatários de sua consultoria secreta. Quem quiser, que especule até hoje sobre a natureza de seus serviços e a identidade dos contratantes. Pimentel deu azar: não conseguiu o mesmo grau de clandestinidade para sua pródiga clientela.

E eis que emerge, da lista de fregueses da P-21, um case que deve passar a integrar os manuais de consultoria empresarial como a mais extraordinária demonstração de incompetência simbiótica entre contratante e contratado. A ETA Bebidas do Nordeste, microempresa com sede em Paulista, Pernambuco, pagou a Fernando Pimentel 130 mil reais, ou 10 meses do que viria a ser seu salário líquido de ministro, por “prestação de serviços de análise econômico-financeira e mercadológica de seu plano de investimentos”. O pomposo nome do serviço parece justificar a polpuda remuneração, não fosse um detalhe: a ETA tem como único produto um refresco de guaraná chamado Guaraeta, vendido em copo de plástico, cujo lema é “naturalmente porreta”. Repetindo: o Guaraeta não chega nem a ter o status de um prosaico guaraná — é um refresco vendido em copo de papel, com menos extrato, mais água, mais açúcar. É bebida barata, consumida nas classes C e D de parte do nordeste, a menos de um real por unidade. Menos que uma tubaína. A ETA, por certo, é uma empresa modestíssima, paroquial – o que poderia querer de Pimentel em troca de 130 mil reais, como informa a nota fiscal em poder do ministro? Por que diabos uma empresinha da Região Metropolitana do Recife investiria uma vez e meia seu melhor faturamento mensal na “análise econômico-financeira e mercadológica” do segmento regional de refrescos feita por um ex-prefeito de Belo Horizonte?

Pois é, nem a ETA sabe a resposta. No começo desta semana, quando o escândalo veio à tona, Roberto Ribeiro Dias, um dos sócios da empresa na época em que o serviço teria sido contratado, tomou uma dose reforçada de legítimo extrato de guaraná com ginseng e nem assim lembrou-se de ter contratado o fabuloso consultor, por essa fabulosa quantia, para aprender o que quer que seja. No dia seguinte, já dentro do natural processo de blindagem do ministro, o atual administrador da empresa, Ricardo Pontes, desmentiu Dias – confirmando a consultoria e o valor pago por ela. Mas não disse uma palavra sobre o que realmente importa: a ETA ficou mais “porreta” depois de contratar Pimentel? Os 130 mil reais, dinheiro suado da empresa, foram devidamente multiplicados depois que Pimentel fez o serviço?

Não, um duplo não. O plano de negócios vendido pelo ministro não foi um refresco para a empresa em dificuldades: como por encanto, desde então as atividades da empresa foram sendo reduzidas, até a ETA ser vendida a Ricardo Pontes, no início deste ano. Hoje a ETA está instalada num galpão numa rua discreta e sem saída de Paulista, negativa e inoperante – ao contrário de Fernando Pimentel, positivo e operante.

O lulopetismo, que já demonstrou enorme expertise em todas as modalidades conhecidas de negócios suspeitos, descobriu novo filão, substituindo como itens à venda as obras que não faz pelo saber que não tem. O segmento mais promissor desse mercado é o superfaturamento de bens imateriais, como “consultoria” e “capacitação”. Cem por cento de lucro. Nenhuma despesa.

Fernando Pimentel, com sua sonda P-21, é o homem certo no lugar certo: a pasta do Desenvolvimento tem muito a ganhar com alguém que vende tubaína pelo preço de champagne, graças a uma fórmula ainda mais secreta que a da Coca-Cola.

09/12/2011

às 0:11 \ Sanatório Geral

Fina estampa

“Eu vi também aquela que tinha um motorista, e que o dinheiro voava pela janela…”.

Dilma Rousseff, em conversa com a atriz Lilia Cabral durante a entrega do Prêmio IstoÉ, capturada por Celso Arnaldo quando tentava lembrar suas novelas favoritas, como “Pecado Capital”, com a mesma precisão factual, a limpidez de raciocínio e a riqueza de linguagem com que discorre sobre os pecados capitais de seu governo ─ que é muito mais competente que Hans Donner na arte de fazer o dinheiro voar pela janela.

15/11/2011

às 13:51 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: Soterrado por provas de desonestidade, Lupi encavala argumentos que nem Nem teria coragem de utilizar

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Os patéticos corruptos de Lula/Dilma são tão bandidos que seus “malfeitos” corrompem até velhas e consagradas piadas. Aquela que contrapunha a absurda existência de um Ministério da Marinha na Bolívia, país sem litoral, à de um Ministério da Justiça no Brasil, durante a ditadura militar, acaba de perder a graça. Pois o ex-jornaleiro maragato que vive suas últimas horas como ministro de Estado teve a ousadia de surrupiar à Bolívia a glória sem precedentes de sua Marinha sem mar.

Como revela a Folha de hoje, tem a assinatura de Carlos Lupi, após o protocolar, e nesse caso cínico, “certifico e dou fé”, documento do Ministério do Trabalho e Emprego concedendo registro ao Sindicato das Indústrias da Construção e Reparação Naval do estado do Amapá. Sim, o mesmo Amapá, transformado por Sarney em apêndice do Maranhão.

Quanto vale um sindicato registrado na república sindicalista instituída por Lula, na qual não existe um único sindicalista desempregado? Alguns milhões, por mais insignificante que seja a representação sindical ─ é dinheiro sugado de contribuição tungada mensalmente das empresas e, uma vez por ano, de todos os trabalhadores deste país, e que tem feito a fortuna de dirigentes de entidades como a Força Sindical. Em Florianópolis, por exemplo, existe um certo Sindicato de Trabalhadores nas…Entidades Sindicais de Florianópolis. Ou seja: um sindicato de sindicalistas. Sim, quem tem um sindicato tem a força. Paulinho, amigão e defensor de Lupi, tem a força da força.

Voltemos à indústria naval do Amapá. O estado de estimação de Sarney e do miniministro Pedro Novais – que ali instalou centenas de cursos-fantasma de capacitação de serviços turísticos antes que a CVC tivesse montado seu primeiro pacote para Macapá ─ tem litoral, ao contrário da Bolívia. São 700 quilômetros de costa – e apenas três praias. Mas nunca fez um navio. Uma lancha, um barco que seja. Um caiaque. Uma piroga. O estado não tem estaleiros, não tem indústria de construção nem, evidentemente, de reparação naval. Mas tem um sindicato para representar os trabalhadores do setor.

Repare no nome: Sindicato das Indústrias da Construção… Indústrias: mais de uma. Faz sentido? Para Carlos Lupi fez todo o $entido do mundo. Tanto que certificou e deu fé. Sua boa fé. Graças ao bom ministro Lupi, o trabalhista e empreguista juramentado Lupi, o SICRN – o acróstico é por minha conta, porque o sindicato nem site tem, quanto mais sigla e sede ─ credenciou-se a receber seu quinhão no butim sindical.

As provas da ladroagem encheriam um Titanic, antes do naufrágio: tudo é fantasma nesse sindicato, da ata à pata que a assina. Seu “presidente” não é um capitão de navio, mas o motorista de uma cooperativa de veículos controlada por um aliado do deputado pedetista Bala Rocha. Bala? José Simão, onde está você? Ah! Lupi coonestou também outros sindicatos amapaenses que só existem no papel e no extrato bancário onde cai o repasse da contribuição sindical ─ como o de indústrias e papel de celulose. O Amapá não produz sequer guardanapos ─ embora oferecesse cursos de capacitação para ensinar a dobrá-los.

Confrontado com mais uma prova cabal de sua acachapante desonestidade, o ministro Lupi saiu-se com uma nota oficial que encavala argumentos que nem Nem seria capaz de utilizar, quando pego em flagrante. Entre eles: “a organização sindical é livre” e “não cabe ao ministro apurar se os integrantes da entidade possuem indústria no ramo ao qual pretendem representar”. Não? A quem cabe, então? Se fosse um homem decente, precisaria fazer algum esforço mental para desconfiar da poderosa “indústria naval” do Amapá e, por conseguinte, glosar a formação de um sindicato que represente seus inexistentes trabalhadores?

Lupi está em estado de putrefação, mas ainda agarrado à tábua dos náufragos. Se não cair hoje, em homenagem ao Dia da República, a presidente Dilma será conivente.

E, nesse caso, deverá mandar hastear a meio pau a bandeira brasileira no mastro do Palácio do Planalto.

13/11/2011

às 19:11 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura Dilma

“Nunca interrompa a presidente no meio de um raciocínio. Ela será ríspida e vai mandá-lo se calar”

Um dos sete mandamentos da tábua rasa “Como os ministros podem evitar problemas”, revelados na espantosa matéria da Folha de hoje intitulada “Presidente pavio curto” e o único que não pode ser cumprido: é impossível interromper o que não existe.

13/11/2011

às 17:11 \ Sanatório Geral

Celso Arnaldo captura Marta

“Estou fascinada por estar vivendo neste momento privilegiado por que passa o mundo: uma mudança de ciclo histórico”.

Marta Suplicy, na frase de abertura de sua coluna na Folha deste sábado, intitulada “Paradigmas em trânsito”, que não aborda as novas medidas da CET para disciplinar o tráfego de caminhões em São Paulo, como o título possa sugerir, mas a fascinante descoberta da senadora de que, pela primeira vez na jornada do homem na face da Terra – e na de Marta, representando as mulheres – vivemos um novo ciclo histórico, aliás bastante promissor, segundo a pior colunista do mundo: “Instalou-se uma mudança radical com enorme potencial para transformações, que espero que sejam positivas para a humanidade”.

13/11/2011

às 13:33 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo e o estilo da capataz do pior ministério da história: ‘Drogado, são 18 horas. Tchau, drogado, volta amanhã’

Na edição deste domingo, a Folha dedicou duas páginas ao que seria o modo Dilma Rousseff de administrar a nação. Acabou revelando o estilo da capataz que desgoverna o Brasil à frente do pior ministério de todos os tempos. Sempre atento, o jornalista Celso Arnaldo Araújo capturou oito manifestações do neurônio solitário que Lula legou à nação, anexou um curto parecer e devolveu a freguesa ao quarto presidencial do Sanatório Geral. Depois de acuradas análises, o corpo clínico do mais eficaz nosocômio do país (o segundo deve ser o Sírio-Libanês) achou que era outro caso para um atendimento de emergência na UTI do Direto ao Ponto. E é. (AN)

– Tchau, dinheiro.

– Drogado, são 18 horas. Tchau, drogado, volta amanhã.

– Pô, general!

– Pode tocar!

– Não tô preocupada com repercussão de imprensa.

– Vocês estão me entendendo?

– De jeito nenhum!

– Eu quero que o embaixador…

Comentário do implacável caçador de cretinices:

Como pretende a Folha deste domingo, em duas páginas assombrosas que a esta altura já devem estar sendo emolduradas por um dos 218 funcionários do setor de clipping do Palácio do Planalto, sete explosões de candura pessoal, sabedoria republicana e supereficiência administrativa da presidente que conhece tudo, controla tudo, enquadra todos – mas só é capaz de perceber quando as drogas de seus ministros dão um tchau ao dinheiro público com a repercussão da imprensa.


 

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