Blogs e Colunistas

Casa Branca

18/04/2012

às 18:46 \ Direto ao Ponto

Hillary Clinton conseguiu enxergar um convento na usina de corruptos impunes

size_590_Dilma_Rousseff_e_Hillary_Clinton Roberto Stuckert Filho/Presidência

Dilma Rousseff e Hillary Clinton: um novo padrão mundial no combate à corrupção (Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência)

Quem vê as coisas como as coisas são sabe que Dilma Rousseff fez o possível para evitar o despejo dos ministros que perderam o emprego por envolvimento em bandalheiras de bom tamanho. Se a presidente pudesse tudo, ainda estariam a serviço da pátria e de quadrilhas os companheiros Antonio Palocci, Alfredo Nascimento, Pedro Novais, Wagner Rossi, Orlando Silva e Carlos Lupi. Como não pode tanto, Dilma acabou sucumbindo à repercussão das ladroagens descobertas e divulgadas pela imprensa independente.

De passagem por Brasília, Hillary Clinton decidiu que o governo da protetora de Fernando Pimentel estabeleceu um novo padrão mundial no combate à corrupção. Se acredita no que disse, Hillary só confirma que a maioria dos figurões estrangeiros, embora já tenha aprendido que  não é Buenos Aires a capital do País do Futebol, continua merecendo nota 0 em realidade brasileira. Não é pouca coisa enxergar um convento na imensa usina de corruptos impunes.

Se Barack Obama fizesse nos Estados Unidos o que aqui se faz impunemente, demoraria algumas semanas para transformar-se não numa Dilma Rousseff americana, mas numa reedição piorada do antecessor Richard Nixon. Enfiado até o pescoço nas patifarias reveladas pelas investigações sobre o Caso Watergate, viu-se obrigado a renunciar à presidência em 8 de agosto de 1974. Nixon caiu fora da Casa Branca carregando um prontuário assustador para os padrões americanos.

Aos olhos da turma acampada no Planalto, o que fez o colega ianque é coisa de vigarista amador.

29/02/2012

às 11:51 \ Frases

Vencer, vencer, vencer

“Não vencemos por muito, mas vencemos e é o que importa”.

Mitt Romney, pré-candidato republicano nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

24/06/2011

às 12:46 \ Feira Livre

Diário de Dilma Rousseff: ‘Estou dodói e Lobão sofre bullying’

“DIÁRIO DA DILMA”, PUBLICADO NA EDIÇÃO 57 DA REVISTA PIAUÍ

30 DE ABRIL_Estou com uma tosse seca e uma febre que não passam. Liguei para o Palocci e pedi uma consultoria. Ele costuma indicar bons médicos. Passou o nome do Roberto Kalil e fez questão de dizer: “Presidenta, beba bastante líquido.” Achei fofo. Às vezes, tenho vontade de apertar aquelas bochechas.

Lula ligou preocupado. Disse para não comprar remédio genérico de jeito nenhum. Afetou uma voz grave: “Não podemos ressuscitar a oposição!” Caímos na gargalhada.

1º DE MAIO_Acordei com um bilhete da minha mãe no criado-mudo: “Vê se agora aprende a levar agasalho antes de sair no sereno. E nunca mais abra a geladeira descalça depois do banho. Quantas vezes tenho de repetir?” Mamãe, assim como o Lula, ainda não entendeu que já sei me virar sozinha. Mas, verdade seja dita, estou dodói mesmo. Ninguém me tira da cabeça que foi a vacina que o João Santana inventou. Estou por aqui de marqueteiros. E esses palácios do Niemeyer! Uma hora matam a gente de frio, outra quase matam de calor. Por que ele não fez um daqueles chalezinhos que a gente vê em Gramado?

2 DE MAIO_Tarde da noite, o milico da segurança veio me acordar: mataram o Bin Laden! Mas cadê o corpo? Não tem nem foto? Bem que ouvi o Obama cochichando lá na Cidade de Deus: “O mundo não acredita que o Armstrong pisou na Lua? Pois é. Quando assisti a Tropa de Elite 2 tive a ideia”. Agora entendi. Dilminha tá ligada, tá pensando o que?

3 DE MAIO_O Kalil veio dizer que os médicos de Brasília erraram o diagnóstico. Que não estou com bursite. Além de pneumonia dupla, meu pulmão está cheio de laquê. Vou pedir a dica de um fixador orgânico para a Marina Silva.

4 DE MAIO_Menino, não é que justo na hora em que o enfermeiro me auscultava o Edison Lobão entrou na sala? Veio me entregar um cartão da Hallmark, com o Garfield segurando uma lupa, acima da frase “Procurei um bom amigo por toda parte…”. Ansiosa, abri e fiquei emocionada quando li “… mas por sorte encontrei você”.

Não sei se o calafrio que senti foi sintoma da doença. Puxamos uma conversa sobre o clima de Brasília e ele chegou a mencionar o Thomas Mann. Que homem profundo.

5 DE MAIO_Marina recomendou um spray à base de mamona e saliva de guaxinim. Usei e minha cabeça quase explodiu. Mas há malas que vão para Belém: me livrei do Paraguai. Mandei o Sarney no meu lugar e ainda fiz umas encomendas.

Lembrete: avisar o Lula que não vai dar para trazer bugigangas que o filho dele pediu.

6 DE MAIO_Mandei trazer da locadora todos os filmes da Julia Roberts para ver na cama.

7 DE MAIO_Acordei ao meio-dia e passei a vista no jornal. Ainda bem que estou acamada, prostrada e com enxaqueca. Tenho direito de não me pronunciar sobre o Ecad e o Código Florestal.

Comecei a ler a Montanha Mágica. O Lobão é muito erudito. Pega mal não acompanhar.

10 DE MAIO_Me arrastei até o Planalto. Nunca vi tanto prefeito junto. Deve ser coisa do Kassab. Vieram pedir dinheiro, claro. Fazer proposta, apresentar projeto ninguém quer, né? Peguei um trocado no Cacique e distribuí.
A Fátima Bernardes passou a usar umas golas maiores, iguais às da modelete aqui. A musa fashion do Planalto está deixando a sua marca. Isso o Jabor não faz.

11 DE MAIO_A Abin veio me dizer que o Lobão está sofrendo bullying do Mercadante e do Jobim. Puseram um apelido nele que nem tenho coragem de escrever aqui. Vou ficar de olho.

Recebi um e-mail da Casa Branca: “Exclusivo: veja as fotos do Osama bin Laden.” Era vírus. Meu laptop travou todinho. Que raiva!

12 DE MAIO_A irmã do Chico Buarque entrou esbaforida no meu gabinete dizendo que estava sendo perseguida pela imprensa. Pedi para o Palocci dar uma consultoria para a menina.

Resolvi fazer uma faxina no armário, que estava uma zona. Tinha até meia-calça furada. Vou dar de presente para a Miriam Belchior as camisas velhas de seda. Trouxe umas da China que não amassam e são ótimas para viagem.

13 DE MAIO_Criei um perfil fake no Facebook. Com nome falso e tudo. Não aguento ficar muito tempo sem sentir a adrenalina da clandestinidade. Mas estou passada! As pessoas colocam fotos, informações pessoais, interesses, tudo. Nem morta eu digo que gosto das canções do Peninha.

14 DE MAIO_Sensação de paz. Não sabia a razão. Achei que era pneumonia, até que atinei: o Lula está por aí dando palestra e me deu sossego. Tem empresário que é cego e surdo!

O Jobim anda dizendo que o cabelo do Lobão “está mais preto que a asa da graúna”. Como se não bastasse, o Mercadante deixou uma imagem de Santo Antônio na portaria do Ministério de Minas e Energia. Estão passando dos limites. Vou dar uma chamada neles.

15 DE MAIO_Não vou meter a mão nessa cumbuca que não sou maluca, e ainda mais que continuo dodói. Mas não resisiti e mandei um e-mail para o Haddad: “Já recebi meus exame médico. Estão tudo bem. Quando você vem aqui discutir a norma culta?”

E não é que o danado respondeu: “Vou estar terminando um despacho e quando fechar uns relatório do Enem passo aí.”

17 DE MAIO_Minha Virgem do Coração Sagrado: que bafo essa história Schwarzenegger e do Strauss-Kahn! Fiquei besta! E o DSK com 62 está batendo aquele bolão todo? Cheguei a conhecer o homem, quem diria! Ainda bem que o Guido não saiu do meu lado. Algum uso ele tem. Pena mesmo eu tenho é da Maria. Essas mulheres da família Kennedy nasceram para sofrer com marido safado. Entrei na internet para ver onde ficam as Seicheles. Fiquei louca, vou ver se o Patriota descola uma viagem para lá. Ele cisma de visitar cada buraco!

18 DE MAIO_A reportagem da Folha me estragou o dia. Pau que nasce torto morre toro, não adianta. A consulta mais cara do planeta é de um médico de Ribeirão Preto que nem um consultório tem. O Santana recomendou fazer cara de paisagem. O mais chato é aguentar a gozação do Zé Dirceu.

Estou encafifada com A Montanha Mágica. Será que o Lobão quis dizer algo?

19 DE MAIO_Michel Temer ligou revoltado. Disse que se sentia como um marido traído. Reclamou que “não há sequer um contínuo do PMDB na consultoria do Palocci”. Não sei como a Marcela atura esse reclamão. Para contornar, tive de nomear o Mendes Ribeiro para liderar o governo no Congresso.

20 DE MAIO_O Palocci veio se explicar e não convenceu nem o garçom, que quase derrubou o café em cima dele. O que mais me irrita é que o homem está estalando de rico e não dá um trato naqueles ternos. Isso sem falar no corte de cabelo. É o fim da picada.

21 DE MAIO_Recebi a rainha Silvia da Suécia. Corri para ver se ela estava no Facebook. Quem sabe não encontro uma afinidade para puxar assunto? Acabei achando o vídeo de uma professora potiguar que fez um discurso comovente. Mandei o link para o Haddad, que respondeu: “Vou estar terminando uns despacho e já assisto.” Cruzes.

23 DE MAIO_Tive que aturar o aluguel da Shakira, do Bono e do Romero Britto. E o Paul veio duas vezes ao Brasil sem me dar bola. Meu Beatle preferido continua sendo o John, que era mais politizado. You may say I’m a dreamer / But I’m not the only one.

25 DE MAIO_Passou o novo Código Florestal. Hoje mesmo mando cortar as jabuticabeiras do Alvorada. Tem muito pólen. Me dão uma alergia que só.

* Escrito por Renato Terra, apresentado pela revista Piauí como o ghost-writer não oficial e não autorizado de Dilma Rousseff

26/02/2011

às 1:38 \ Direto ao Ponto

A turma que sonha com o extermínio dos imperialistas ianques não conseguiria viver num mundo sem os Estados Unidos

“Os Estados Unidos precisam usar sua influência para que os golpistas aceitem um acordo”, começou a miar o chanceler Celso Amorim no fim de 2009, depois de descobrir que o governo interino de Honduras não se dispunha a perder tempo com bravatas em mau português. Se o governo americano não tivesse articulado o acordo que restabeleceu a normalidade política no país caribenho, o companheiro Manuel Zelaya ainda estaria hospedado na pensão a que foi reduzida a embaixada brasileira em Tegucigalpa, jogando lenha na fogueira que Hugo Chávez acendeu e Lula alimentou.

A recente conversa entre Antonio Patriota e Hillary Clinton sobre a retirada dos brasileiros em perigo na Líbia atesta que o Planalto gostou tanto da fórmula inaugurada em Honduras que pretende induzir a Casa Branca a engolir uma exótica parceria: o Brasil sempre entra com o problema e os Estados Unidos entram sempre com a solução. Confrontado com a insurreição popular que surpreendeu Muamar Kadafi, Patriota nem sequer sugeriu a Lula que conseguisse do seu “amigo e irmão”, como recitou o então presidente no encontro da União Africana em 2009, autorização para a entrada de embarcações estrangeiras em águas líbias. Tratou de pedir socorro à secretária de Estado do governo Barack Obama.

Sem a ajuda dos Estados Unidos, mais de 600 brasileiros ainda estariam a ver navios no litoral de Tripoli e Benghazi. Mas Obama não vai ouvir de Lula, quando o mais loquaz dos governantes recuperar a voz, um único e escasso tanquiú gaguejado em surdina. Tampouco deve esperar agradecimentos formais do Itamaraty. Nessa parceria à brasileira, o País do Carnaval não só entra sempre com o problema como, entre um socorro e outro, debita na conta de quem o socorreu todos os males e pecados do mundo.

É o que fez a companheirada nos oito anos do que Ricardo Setti batizou de lulalato. É o que sempre fizeram os esquerdopatas que passam a vida sonhando com o extermínio do Grande Satã, mas não conseguiriam viver sem ele. “Nós precisamos do imperialismo norte-americano, assim como um retirante precisa de sua rapadura”, ironizou o grande Nelson Rodrigues em março de 1968. “Ele é a água da nossa sede, o pão da nossa fome, é o nosso gesto, é a nossa retórica. Quem nos justifica e quem nos absolve? O imperialismo”.

No parágrafo seguinte, o cronista previu o que aconteceria “se Deus convocasse as nossas elites, as nossas esquerdas, inclusive a católica; se chamasse os estudantes, se chamasse os escritores e lhes perguntasse: ‘Venham cá. Vocês querem que eu expulse o imperialismo americano?”". Nem pensar, concordariam prontamente os consultados, prontos para a cena descrita por Nelson Rodrigues: ‘”Cairíamos de joelhos, na calçada, soluçando o apelo: ‘Não faça isso, Excelência, não faça isso!’”.

A ÚLTIMA BÚSSOLA
Se as coisas eram assim na metade do século passado, pioraram extraordinariamente com o sumiço das demais referências que orientavam os combatentes da Guerra Fria na frente tropical. De lá para cá, desapareceram a União Soviética, o Muro de Berlim, a Cortina de Ferro, o Pacto de Varsóvia, a China maoísta, o Partidão, até a Albânia. Os guerrilheiros de festim lutam contra a calvície, a moral e os bons costumes. Os revolucionários de passeata atacam cofres públicos e facilitam negociatas de capitalistas selvagens. Fidel Castro virou garoto-propaganda da Adidas e agoniza numa Cuba em decomposição. A última bússola é o imperialismo ianque.

A hostilidade aos Estados Unidos é o derradeiro traço comum da tribo que junta stalinistas farofeiros, vigaristas cucarachas, bufões bolivarianos, terroristas islâmicos, populistas de bolerão,  genocidas patológicos e ditadores africanos de diferentes túnicas e contas bancárias na Suiça. Neste começo de milênio, caso acordassem num mundo sem os Estados Unidos, todos se sentiriam mais órfãos que um Pedro II sem pai nem mãe, sem trono e sem José Bonifácio.

“O tal ódio aos americanos não chega a ser um sentimento, não chega a ser uma paixão. É uma defesa”, diagnosticou Nelson Rodrigues. “O imperialismo é culpado de tudo e nós, de nada”. A acreditar na lengalenga dos que despertam no meio da noite berrando insultos ao Tio Sam, é por culpa da nação que garantiu em duas guerras o triunfo da liberdade sobre o totalitarismo que o Brasil ainda não acabou de vez com a fome, o analfabetismo, a seca do Nordeste, o impaludismo, os vexames do Enem, os naufrágios do PAC, a mortalidade infantil, o déficit público, a impunidade dos corruptos e dos assassinos, o desmatamento da Amazônia e a pouca vergonha epidêmica.

É também a Casa Branca que impede a paz planetária, avisa toda semana o assessor presidencial Marco Aurélio Garcia. Enquanto o ministro das Relações Exteriores pedia ajuda a Hillary, o conselheiro para complicações cucarachas, agora promovido a chanceler sem Itamaraty, tirou do armário a farda e a espingarda de veterano da Guerra Fria ─ desta vez para fuzilar a ideia, esboçada pelos EUA, de apressar o despejo de Kadafi com sanções políticas e econômicas.

Inimigo do meu inimigo é meu amigo, acredita Garcia. Se os americanos não gostam dele, então o ditador da Líbia é gente fina. Quem deve ser tratado como psicopata é o presidente da mais vigorosa e admirável democracia da História. Por coerência, o governo brasileiro tem de colocar sob suspeição qualquer figura elogiada por Barack Obama, certo? Errado, ensina o título honorífico que Lula mais aprecia.

Ao ouvir do intérprete servil que o colega americano dissera que era ele “o cara”, o alvo da lisonja deveria ter ficado tão ruborizado quanto uma virgem de antigamente: para merecer um afago da personificação do Mal, algum pecado mortal teria cometido. Que nada. Com um sorriso de candidata a Miss Simpatia, Lula amparou-se na expressão arbitrariamente atribuída a Obama para passar a enxergar no espelho o maior dos pais-da-pátria desde Tomé de Souza.

Há três anos, ele lustra o ego com a mesma gabolice: “Não fui eu quem falou que eu era o cara”. Tem razão. Foi nomeado pelo homem que a tribo acusa de chefiar o imperialismo ianque.

14/04/2010

às 19:50 \ Direto ao Ponto

A conversa do cara com Obama durou 3 minutos e 45 segundos

“O Obama já disse que eu sou o cara”, gabou-se Lula no inverossímil comício para a plateia de sindicalistas em que Dilma Rousseff rebaixou o exílio a ato de covardia e o presidente da República anunciou que se afastaria por algumas horas do palanque para ensinar um gringo inexperiente a lidar com o Irã. Decolou tão invocado quanto naquele dia em que ordenou a George Bush que proibisse a crise econômica de cruzar o Atlântico.

Viajou tão grávido de autoconfiança quanto na excursão que lhe permitiu resolver a crise do Oriente Médio. Pousou em Washington pronto para ministrar à turma presente ao debate da questão nuclear outro curso intensivo de diplomacia moderna. E avisou que queria uma conversa na Casa Branca ─ sem hora para terminar. Depois de muita insistência, conseguiu 15 minutos, divididos com o companheiro Recep Erdogan, primeiro-ministro da Turquia.

Teve de conformar-se com sete minutos e meio. Como não fala sequer boa tarde em inglês, os intérpretes engoliram metade do diálogo. Como Obama ocupou dois minutos da conversa com Lula, o mais falante dos presidentes precisou comprimir em um minuto e 45 segundos a discurseira em favor dos trapaceiros atômicos do Irã.

“Obama não vê nenhum problema em que se tente uma solução negociada”, disse o óbvio, à saída da curtíssima reunião, o chanceler Celso Amorim. O ministro que chama Lula de “Nosso Guia” nem terminara a frase quando o presidente americana informou que as sanções aplicadas ao regime dos aiatolás serão ainda mais severas do que se previa.

Lula viajou para os EUA como candidato ao cargo de secretário geral da ONU. Configurado o isolamento internacional, voltou como candidato a ex-presidente do Brasil. Ainda vai descobrir que foi o tradutor, e não Obama, quem disse que ele era o cara. Ao inquilino da Casa Branca, um minuto de falatório bastou para penitenciar-se, de novo, por ter sido gentil com o cara errado.

Pena que Obama não tenha visto a foto do ministro Miguel Jorge entregando a camisa da Seleção Brasileira ao companheiro Ahmadinejad. O País do Futebol lhe pareceria mais lógico se acreditasse que, em troca do endosso à aventura nuclear, o Itamaraty conseguiu o apoio da torcida iraniana à ofensiva dos guerreiros do Dunga nos campos da África do Sul.

E pena que a conversa tenha sido tão breve. Se durasse meia hora, tanto Obama quanto Erdogan descobririam que, para Lula, todos os árabes são turcos e pacifistas. Inclusive os persas atômicos do Irã.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados