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Carlos Wilson

22/05/2010

às 0:04 \ Direto ao Ponto

O bando nem saiu do local do crime para voltar à roubalheira

Em ações solitárias, o Ministério do Esporte consegue produzir estragos de bom tamanho nos cofres federais. Em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro, é capaz de abrir um rombo de assustar banqueiro suiço. Embora brasileiro, nem Deus pode antecipar as dimensões da gastança agora que o governo transformou a dupla em trio: como a Copa de 2014 e os Jogos de 2016 exigem aeroportos de primeiro mundo, a tentativa de superar novamente o recorde mundial contará com a participação da Infraero.

Não é pouca coisa, confirmou em abril de 2009 o relatório da Polícia Federal sobre a Operação Caixa Preta. O documento detalha a performance do deputado Carlos Wilson na presidência da Infraero, que ocupou entre janeiro de 2003 e julho de 2005. Pilotando paralelamente a quadrilha formada por diretores da estatal e empreiteiros amigos, o companheiro do PT pernambucano transformou os canteiros de obras dos aeroportos em usinas de dinheiro sujo e instalou no gabinete uma fábrica de licitações fraudulentas, superfaturamentos estratosféricos e sobrepreços de assombrar senador maranhense.

Quando o chefe se afastou do local do crime para voltar ao gabinete no Congresso à prova de camburão, o bando havia tungado R$ 991,8 milhões. Isso mesmo: quase R$ 1 bilhão em um ano e meio de roubalheira. Desde o começo de 2005, apoiados em evidências contundentes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União denunciaram reiteradamente as delinquências na Infraero. A cada ofensiva da Justiça, o presidente Lula socorreu o suspeito com outra manifestação de apreço.

“Todo mundo sabe da relação de amizade que tenho com este companheiro”, declamou o Padroeiro dos Pecadores no dia em que Carlos Wilson escapuliu da sede da quadrilha para refugiar-se nas imunidades parlamentares. “Ele fez um trabalho extraordinário”, fantasiou em outro improviso. “Durante muito tempo, quem viajar pelos aeroportos brasileiros vai lembrar da sua atuação”.

O relatório atesta que a Polícia Federal não esqueceu. Nem a Justiça, que há um ano tenta fechar o cerco aos quadrilheiros que continuam muito vivos ─ sem deixar de lembrar o chefe morto em abril de 2009. Semanas depois do enterro, a Procuradoria da República solicitou o bloqueio dos bens deixados por Carlos Wilson, para que a União recupere uma fatia de R$ 4 milhões do bolo engolido pelo bando. É pouco. Mas já seria um começo.

O governo parece mais interessado na preservação da memória do companheiro morto que na proteção dos bolsos do Brasil que presta. Enquanto o caso se arrasta na Justiça, a Infraero foi transferida para a zona cinzenta onde se move a cartolagem esportiva federal. Quem cuida dos aeroportos é a estatal subordinada ao Ministério da Defesa. Quem tem falado por ela é o ministro Orlando Silva. Os investigados seguem impunes. Os suspeitos estão em ação.

Nos antigos romances policiais, o criminoso acaba voltando ao lugar do crime. No Brasil da Era Lula, a bandidagem continua em ação e coleciona reincidências sem sair do lugar.

02/02/2010

às 22:25 \ Direto ao Ponto

O que Lula tem a dizer sobre as gatunagens do companheiro?

O presidente Lula suspendeu a folga do domingo para comparecer ao velório do deputado Carlos Wilson Campos, presidente da Infraero de janeiro de 2003 a julho de 2005. “Fiz questão de vir aqui me despedir de um grande companheiro, um grande político e um grande administrador”, informou com voz embargada no começo da tarde de 12 de abril de 2009, ao chegar ao palácio do governo de Pernambuco.

Entrou no saguão com cara de luto, aproximou-se do caixão com cara de dor, contemplou o morto com cara de choro e iniciava a retirada com cara de pressa quando topou com o microfone empunhado por um repórter. “É triste o Carlos Wilson não estar aqui em 2010 para ver as obras do PAC”, lastimou. “Ele ficaria feliz”.

Ficaria eufórico, corrige o relatório final da Polícia Federal sobre a Operação Caixa Preta, divulgado pelo Estadão no fim de semana. Agora que até determinações do Tribunal de Contas da União são ignoradas, o que não faria quem fez o que fez Carlos Wilson nos dois anos e meio em que pilotou, simultamente, a Infraero e uma gorda quadrilha formada por diretores da estatal e empreiteiros amigos?

Valendo-se de licitações fraudulentas, superfaturamentos estratosféricos, sobrepreços de assustar senador maranhense e delinquências variadas, o bando transformou todos os canteiros de obras instalados em aeroportos no primeiro mandato de Lula em usinas de dinheiro sujo. No fim de 2005, quando Carlos Wilson afastou-se do empregão para homiziar-se na Câmara dos Deputados, a organização criminosa havia tungado dos cofres públicos R$ 991,8 milhões. Isso mesmo: quase R$ 1 bilhão. Uma gatunagem assombrosa até para os padrões destes trêfegos trópicos.

Desde o começo de 2005, apoiados em evidências contundentes, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União denunciaram repetidas vezes a quadrilha incrustada na Infraero. Todas as ofensivas dos homens da lei foram revidadas por Lula com juras de eterna amizade ao suspeito. Onde até as birutas dos aeroportos viam um meliante, o presidente continuou a enxergar um patriota.

“Todo mundo sabe da relação de amizade que tenho com este companheiro”, reiterou, por exemplo, no dia em que Carlos Wilson escapuliu da sede da quadrilha para refugiar-se nas imunidades parlamentares. “Ele fez um trabalho extraordinário. Durante muito tempo, quem viajar pelos aeroportos brasileiros vai lembrar da sua atuação”.

O relatório atesta que a Polícia Federal não esqueceu. Nem a Justiça, que vai fechando o cerco aos quadrilheiros que continuam muito vivos ─ sem deixar de lembrar o chefe morto. Nesta segunda-feira, a Procuradoria da República solicitou o bloqueio dos bens deixados por Carlos Wilson, para que a União recupere o quanto antes uma fatia de R$ 4,15 milhões do bolo engolido pelo bando. É pouco, mas já é um começo.

“O meu pai morreu, agora ele não vai poder responder!”, irritou-se Rodrigo Wilson, filho do principal responsável pelo rombo colossal, ao ser procurado por jornalistas.  “É um absurdo a falta de respeito de vocês!”. Os brasileiros honestos acham que não merece o descanso eterno gente que não dá sossego aos vivos nem depois da morte. E querem saber o que acha o Padroeiro dos Pecadores Companheiros.


 

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