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campanha

27/06/2011

às 19:13 \ Feira Livre

‘Diga aí, Cabral!’, de Ricardo Noblat

COLUNA DE RICARDO NOBLAT PUBLICADA NO JORNAL O GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Ricardo Noblat

Governador Sérgio Cabral: minha solidariedade. Fora a perda de um filho, nada dói mais do que ver um filho sofrer. Tenho um que perdeu a namorada em acidente de carro. E foi ele quem encontrou o corpo.

O senhor fez bem em licenciar-se do cargo para ficar ao lado do seu filho. Pezão, o vice, dá conta do recado. É eficiente. Está acostumado.

Só não escale Pezão para responder perguntas que apenas ao senhor cabe responder. Não são poucas. E estão na boca das pessoas que ainda se preocupam com as parcerias público-privadas entre políticos, seus amigos e benfeitores. Sou do tempo em que os políticos escondiam amantes, tesoureiros de campanha e empresários do peito.

Amantes ainda são mantidas à sombra – embora algumas delas, de um tempo para cá, tenham protagonizado barulhentos escândalos. Outras morrem sem abrir o bico. Tesoureiros? Esses se expõem ao sol sem o menor pudor. São reconhecidos em toda parte. E fingem que abdicaram de cometer antigos pecados. Quanto a empresários do peito… Liberou geral.

Por que o senhor viajou a Porto Seguro, acompanhado de parentes, em jatinho cedido por Eike Batista, dono de muitos negócios que dependem do interesse ou da boa vontade do governo do Rio de Janeiro? Foi o senhor que pediu o jatinho emprestado? Foi Eike quem ofereceu? Se ele ofereceu como soube que o senhor precisava de um?

Há vôos comerciais diários para Porto Seguro. Por que não embarcou em um deles pagando do próprio bolso a sua passagem e as de seus familiares? O jato de Eike decolou com o senhor do aeroporto Santos Dumont às 17h da última sexta-feira, dia 17. O vôo 3917 da TAM decolou antes – às 10h15m. Nele, o senhor teria chegado ao seu destino às 14h16m.

Não considera indecoroso viajar a custa de um empresário que em 2010 doou para sua campanha R$ 750 mil? Um empresário beneficiado por isenções concedidas por seu governo? Foi por isso que sua assessoria, no primeiro momento, negou que o senhor tivesse voado para Porto Seguro? Foi por isso que o senhor voltou em jatinho alugado por seu governo?

Se a autoridade máxima de um Estado pede ou aceita favores de empresários não será compreensível que seus secretários também aceitem, igualmente os subsecretários, chefes de gabinetes, chefes de repartições – e assim por diante? Que diferença existe entre um agrado feito com dinheiro e outro com gasolina e conforto?

O que o levou a Porto Seguro foi a comemoração de mais um aniversário do empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta Construções, cujos contratos abocanhados para obras durante seu governo valem em torno de R$ 1 bilhão. Somente no ano passado a Delta ganhou 18 contratos – 13 deles sem licitação.

Em momento algum o senhor imaginou que não pegaria bem comparecer a um evento promovido por quem tanto lhe deve? Um homem público não deveria saber distinguir entre prestadores de serviços ao Estado e amigos pessoais? A mistura do público com o privado não acabaria por causar sérios danos à sua imagem?

Quem acreditará que Cabral, amigo de Cavendish, nada tem a ver com Cabral, governador do Rio e cliente de Cavendish? E onde mesmo seria a festa de aniversário do empresário? No Jacumã Ocean Resort, de propriedade do piloto Marcelo Mattoso de Almeida – um ex-doleiro acusado de fraude cambial há 15 anos.

Marcelo foi dono da empresa First Class, acusada de ter cometido crime ambiental na praia do Iguaçu, na Ilha Grande, em Angra dos Reis. Sinto muito, governador, mas é com esse tipo de gente que o senhor anda? É a esse tipo de gente que o senhor não se constrange em ficar devendo favores?

Eike Batista disse que cedeu seu jatinho ao senhor com “satisfação” e “orgulho”. E que é livre para selecionar suas amizades. Lembrou-me a rainha francesa Maria Antonieta, no Palácio de Versalhes, mandando o povo comer brioches às vésperas da revolução que a guilhotinou. Se quiser ser levado a sério, o homem público que deve seu mandato ao povo está proibido de desfrutar do mesmo grau de liberdade. Reflita com calma a respeito, Cabral. E não deixe uma só dessas perguntas sem resposta.

24/06/2011

às 21:40 \ Sanatório Geral

Namoro ou amizade?

“Sou corintiano de pai e mãe, convicto! Mas hoje o Santos é Brasil, vamos torcer para os meninos da Vila!”

Gabriel Chalita, deputado da base alugada, setor PMDB, guichê de São Paulo, pré-candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo, enganando os seguidores no twitter minutos antes do início do jogo em que o Santos conquistou a Libertadores pela terceira vez.

“Chalita, pare de fazer campanha! Essa de que é corintiano mas está torcendo pelo Santos não cola!”

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense, mostrando que segue de perto os passos e as confidências do parceiro de twitter e de base alugada.

24/06/2011

às 20:10 \ Sanatório Geral

Modelo de vida (2)

“Em 2004, fui para o segundo turno com metade dos votos do primeiro colocado. Mesmo assim, o Zé, que era ministro da Casa Civil, veio ajudar na minha campanha. Agora ele foi solidário mais uma vez”.

Dr. Hélio, marido e parceiro da chefe de quadrilha que tungou alguns milhões da empresa municipal de saneamento básico, mostrando que o mestre e seu discípulo sempre agiram juntos.

11/06/2011

às 18:23 \ Sanatório Geral

Cabeça em combustão

“Um abraço e até a vitória, se Deus quiser!”

Lula, no fim da discurseira para catadoras de papel em Curitiba, ou achando que a campanha presidencial de 2010 não terminou ou achando que a de 2014 já começou.

24/05/2011

às 18:33 \ Homem sem Visão

PSDB se une pela primeira vez desde 2002 para disputar o HSV com Serra e Aécio

Pela primeira vez desde 2002, o PSDB estará unido numa campanha eleitoral. O milagre consumou-se na convenção realizada no fim de semana, quando os tucanos resolveram lançar as candidaturas do ex-governador José Serra e do senador Aécio Neves ao título de Homem sem Visão de Maio. Como a campanha começou dois dias antes do fim do primeiro turno, Serra e Aécio sabem que têm poucas chances de chegar à enquete. Mas já se preparam para a disputa de junho. “Eles estão mais amigos do que nunca”, confidenciou um alto dirigente do partido. “E já combinaram que quem tiver menos votos neste mês vai apoiar o outro”.

A candidatura de Serra tornou-se inevitável quando enxergou uma “evolução patrimonial” no milagre da multiplicação do patrimônio de Antonio Palocci. “O chefe vai dizer agora que também não vê nada demais na evolução patrimonial do José Dirceu”, contou um assessor. Aécio ganhou força por ter enxergado uma ameaça à governabilidade na investigação do escândalo. “Ele acha que acertou na mosca ao declarar que tem muito respeito pelo Palocci”, contou uma ex-namorada do candidato.”E vai aproveitar a campanha para informar que sempre teve muito respeito pelo Lula e pela Dilma”.

Agora a disputa esquentou de vez, leitores-eleitores! Chegou quem faltava! Mas novos candidatos ainda podem surgir! Quem será o vencedor? Ou vencedora? Que vença o pior!

15/04/2011

às 3:07 \ Sanatório Geral

O sumiço da vergonha (2)

“Todo mundo tem que ter ajuda de campanha”.

Elcione Barbalho, deputada da base alugada, setor PMDB, guichê do Pará, ao defender a absolvição de Jaqueline Roriz, afirmando que todos os deputados devem ser tratados como inocentes porque todos são culpados.

14/04/2011

às 13:40 \ Sanatório Geral

Falta tempo

“Na conversa que mantive com a Dilma durante a campanha, disse que o governo Lula nos últimos cinco anos fez um grande esforço de aumento do financiamento para educação. E nós aumentamos 0,2% ao ano. Então, em dez anos é factível chegar a meta de 7%”.

Fernando Haddad, ministro da Educação, explicando que a educação no Brasil seria uma beleza se o mandato presidencial durasse dez anos em vez de quatro.

13/04/2011

às 12:33 \ História em Imagens

Balanço dos 100 dias: a presidente não tem nada a ver com as promessas da candidata

Convidado a entrar num dos balanços dos 100 primeiros dias do governo Dilma Rousseff, o cientista político Francisco Weffort não precisou de mais que três frases. “O fim da verborragia do Lula já foi uma grande coisa”, ressalvou. “Mas ainda não vi nada. Ela bate ponto”. Foi um resumo da ópera quase perfeito.

Teria chegado à perfeição se acrescentasse que Dilma não precisou de mais que três meses para mostrar que não tem compromisso com o que disse ao longo da campanha. Os dois vídeos divulgados pelo Implicante e reproduzidos abaixo comprovam em três minutos que a presidente já revogou várias promessas da candidata. Não é pouca coisa. E só se passaram 100 dias.

04/04/2011

às 7:21 \ Sanatório Geral

Tropeçou no roteiro

“A empresa que fez a minha campanha era do Marcos Valério mesmo. Mas isso foi em 2004, antes do mensalão. A minha pergunta é: o que eu tenho a ver com isso?”

Vicentinho, deputado federal (PT-SP), um dos nomes citados no relatório da Polícia Federal sobre o mensalão, que até a semana passada jurava que Marcos Valério foi o mentor do “mensalão mineiro”, que envolveu o tucano Eduardo Azeredo, e que a grande roubalheira produzida pela companheirada em 2005 nunca existiu.

04/04/2011

às 5:34 \ Sanatório Geral

A volta do pesadelo

“Não conheço, nem sei desse pagamento. Na campanha trabalha muita gente. Se esse Nélio era funcionário e a empresa pagou por isso, não vejo onde está o problema”.

Vicentinho, deputado federal (PT-SP), candidato derrotado à prefeitura de São Bernardo, fingindo que nem conhece o ex-colaborador Nélio José Batista Costa, acusado pela Polícia Federal de receber dinheiro da  Estratégia Marketing, empresa de Marcos Valério, com a cara assustada de quem nem imaginava que o pesadelo do mensalão iria recomeçar.


 

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