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bordel

06/12/2011

às 20:33 \ Direto ao Ponto

O loteamento do ministério é um mensalão que mudou de cara e ficou mais gordo

O despejo de seis ministros em seis meses, todos por envolvimento em bandalheiras, a descoberta de que Fernando Pimentel é uma reedição de Antonio Palocci e as maracutaias protagonizadas por Mário Negromonte não se limitaram a confirmar que Dilma Rousseff, tutelada por Lula, montou o primeiro escalão mais corrupto da história. A procissão dos pecadores redimidos pela chefe de governo também escancarou três constatações perturbadoras. Primeira: os chefões do PT trocaram programas de governo por projetos de enriquecimento pessoal e o monopólio da ética por parcerias cafajestes. Segunda: aos olhos dos inquilinos do Planalto, a corrupção deixou de ser crime para transformar-se num instrumento político a serviço de quem sonha com a perpetuação no poder. Terceira: o loteamento dos ministérios é a versão moderna e ampliada do mensalão.

Há exatamente um mês, num artigo reproduzido na seção Feira Livre, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso diagnosticou com precisão a metamorfose inquietante. Três parágrafos são suficientes para resumir a ópera dos malandros:

“A corrupção e, mais do que ela, o ‘fisiologismo’, o clientelismo tradicional, sempre existiram. Há, entretanto, uma diferença essencial. Além da forma tradicional ─ que continua a existir ─, há uma nova maneira ‘legitimada’ de garantir apoios: a doação quase explícita de ministérios com as ‘porteiras fechadas’ aos partidos sócios do poder. Antes o desvio de recursos roçava o poder, mas não era condição para o seu exercício. Agora os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obterem recursos que permitam sua expansão, atraindo militantes e apoios com as benesses que extraem do Estado”.

“No mensalão desviavam-se recursos públicos e de empresas para pagar gastos eleitorais e para obter apoio de alguns políticos. Agora são os partidos que se aninham em ministérios e, mesmo fora das eleições, constroem redes de arrecadação por onde passam recursos públicos que abastecem suas caixas e os bolsos de alguns dirigentes, militantes e cúmplices. Tanto faz que o partido se diga ‘de esquerda’, como o PC do B, ou centrista, como o PMDB, ou de centro-direita, como o PR, ou que epíteto tenham, todos são condôminos do Estado. Há apenas dois lados, o dos condôminos e o dos que estão fora da partilha do saque”.

Estamos diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais do que simplesmente diante de pessoas corruptas. E o sistema reage a essa argumentação dizendo tratar-se de ‘moralismo udenista’, referência às críticas que a UDN fazia aos governos do passado, como se ao povo não interessasse a moral republicana. Fora do partido e do governo nada é ético; já o que se faz dentro do governo para beneficiar o partido encontra justificativa e se torna ético por definição”.

Dias depois, boa parte do diagnóstico de Fernando Henrique foi confirmada pela discurseira de  José Dirceu numa reunião da Juventude do PT. “Precisamos reagir a essa luta moralista contra a corrupção”, berrou o guerrilheiro de festim. “Nesse momento, o que nossos inimigos pretendem, a pretexto de combater a corrupção, é destruir o governo”. O delírio persecutório ganhou o imediato endosso de Valdemar Pascoal, secretário da entidade, que entregou ao velho companheiro uma camiseta enfeitada por palavras de solidariedade ao chefe da quadrilha do mensalão: “Contra o golpe das elites: inocente”. Nas semanas seguintes, o restante do diagnóstico foi avalizado pelo bolerão composto em parceria por Carlos Lupi e Dilma Rousseff.

Nesta terça-feira, mais um fora-da-lei entrou em cena para lembrar que as antigas vestais que há nove anos enriquecem no bordel perderam a vergonha de vez. “Vou falar em alto e bom som”, preveniu Delúbio Soares. “Não me arrependo de nada. Parei de passear, de fazer as coisas, mas valeu muito e está valendo”. Sorrindo, o meliante à espera de julgamento no Supremo informou que está muito feliz “com o avanço do partido nos Estados e municípios”. Deve estar mais feliz ainda com o prosseguimento do avanço sobre os cofres públicos, promovido por delúbios que continuaram em ação durante o descanso do original.

Dilma promete para janeiro uma “reforma ministerial”. Outro embuste. O que vem aí é a revisão do loteamento ministerial. O velho mensalão não morreu. Só mudou de cara e ficou mais gordo. Se o Brasil decente não abrir o olho, Delúbio Soares ainda vira ministro.

03/02/2011

às 19:03 \ Direto ao Ponto

O que deu na cabeça do presidente vitalício do Clube dos Cafajestes?

O Brasil soube nesta terça-feira que o deputado federal Sérgio Moraes fez mais que uma provocação debochada ao avisar que se lixava para a opinião pública e continuaria ganhando eleições. Fez uma profecia. Em outubro, foi reconduzido ao Congresso por quase 100 mil gaúchos. Nesta semana, com 395 votos, elegeu-se suplente da mesa diretora da Câmara. A vitória do ex-prefeito de Santa Cruz do Sul, que acumulava a chefia do executivo municipal com a gerência do mais animado bordel da cidade, confirma que a Câmara se transformou numa extensão do Clube dos Cafajestes.

Em 2009, por decisão dos leitores-eleitores que participaram da enquete, Moraes foi promovido a presidente perpétuo do Clube dos Cafajestes. O que o país quer saber é o que teria levado o pai-da-pátria a disputar um cargo bem menos importante do que vai exercer até morrer. Confira o post na seção e tente entender.

12/06/2010

às 23:00 \ Sanatório Geral

Botequim bolivariano

“Forças Armadas: qualquer caminhão que ande pelos bairros vendendo cerveja deve ser pego. E não só eles. Há lojas que vendem bebida até altas horas. O que é isso? Um bordel ou algo parecido? A Venezuela não é um bordel!”

Hugo Chávez, Homem sem Visão da Década, ao avisar que ditadura não é bordel, aproveitando o embalo para lembrar ao vizinho que não se deve beber fora de hora.

28/02/2010

às 19:42 \ Sanatório Geral

Conta tudo, Zé!

“Se o PT acredita que vai sair desta história sem ser chamuscado, está muito enganado”.

José Roberto Arruda, animando o Brasil que presta com a emissão de mais um sinal de que vai arrastar no naufrágio a companheirada que enriquece no bordel fantasiada de normalista.

31/01/2010

às 13:56 \ Direto ao Ponto

São Jorge desceu do retrato para animar outra farra no bordel

A data escolhida para a consumação do golpe ─ 28 de janeiro de 2010 ─ pareceu mais que perfeita aos planejadores. Primeiro, porque nesse dia as salas de cinema do país inteiro continuariam atulhadas de adoradores do Filho do Brasil, todos com o coração em descompasso e uma catarata de lágrimas jorrando de cada canto de olho, prontos para liquidar a pauladas os traidores da pátria. Ai de quem ousasse discordar da canetada do presidente Lula, desferida naquela quinta-feira para livrar quatro obras da Petrobras da interdição determinada pelo Tribunal de Contas da União.

Multidões de devotos dispostos a matar ou morrer pelo chefe são um trunfo e tanto. Mas outro ainda mais poderoso viria horas depois do drible no TCU. Para desespero da elite golpista, dos pessimistas profissionais, dos louros de olhos azuis e de Fernando Henrique Cardoso, em 29 de janeiro o Cara receberia na Suiça, no encerramento do Fórum Econômico Mundial, o título de Estadista Global. Já canonizado pelas plateias do Brasil, o maior dos governantes desde Tomé de Sousa voltaria da viagem reverenciado como santo universal por chefes de governo grávidos de gratidão pelo acesso ao segredo do milagre brasileiro: enquanto eles fazem tudo errado, revelaria o discurso de agradecimento, o presidente Lula acerta todas.

Esses feitos históricos forçariam a imprensa reacionária a confinar a agressão ao  TCU numa nota de pé de página. Se os jornalistas insistissem, o herói de cinema, estadista global  e modelo do mundo contaria que batera de frente com o tribunal para evitar que a consolidação do Brasil Potência fosse ameaçada pela paralisação das obras da Refinaria Abreu e Lima (PE), da Refinaria Presidente Vargas (PR), do terminal de Barra do Riacho (ES) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro.

Dois ou três improvisos depois do almoço bastariam para abafar a choradeira dos técnicos do TCU, que sustaram as obras quando confrontados com copiosas evidências de “irregularidades graves” ─ preços superiores aos de mercado, despesas superfaturadas, gastanças sem justificativas convincentes, projetos que um estagiário se recusaria a assinar e outros sintomas de corrupção epidêmica.

Os cérebros delinquentes só esqueceram de combinar com os outros ─ e de prever o imprevisível. Como faltou o acerto com os brasileiros, o dramalhão hagiográfico já figura na galeria dos grandes fiascos da história do cinema. Como faltou o acordo com o destino, uma crise de hipertensão mostrou que Lula é apenas um homem e cancelou a viagem à Suiça.

Escalado para a leitura do discurso de agradecimento, foi o chanceler Celso Amorim quem ensinou o que deve fazer um país para ser Brasil quando crescer: “Precisamos de um novo papel para os governos. e digo que, paradoxalmente, esse novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar”. No momento em que a plateia multinacional foi apresentada à frase, corretamente  definida pelo jornalista Clóvis Rossi como “a quintessência do vácuo”, Lula estava de pijamas numa cama de hospital. Era apenas um homem doente.

A implosão do calendário criminoso obrigou o presidente a improvisar explicações para a audácia. Alegou que a retomada das obras permitirá a recriação de 25 mil empregos. (Se a preservação de postos de trabalho é mais importante que o respeito à lei, o governo deve estimular e subsidiar a utilização da mão de obra dos morros pelos bandos do narcotráfico). Alegou que o governo perde muito dinheiro com a interrupção das obras. (Quem perde são os pagadores de impostos, vítimas de administradores ineptos e venais). Fez de conta que não agiu fora da lei sobretudo para melhorar a agenda eleitoral que divide com Dilma Rousseff, até aqui dominada por inaugurações de creches e pedras fundamentais. E para melhorar a vida de empreiteiros que saberão retribuir a gentileza com o custeio de despesas de campanha.

Agora se sabe por que Lula atravessou o ano tentando desmoralizar o TCU e achincalhando todos os organismos que ousaram apontar os incontáveis canteiros do PAC infectados pela ladroagem. Agora se sabe porque afirmou que o PAC da Copa só chegará a bom porto se percorrer a rota que passa ao largo da lei e da moralidade administrativa. Agora se sabe que, no 28° Dia do Ano da Graça de 2010, o Padroeiro dos Pecadores Companheiros achou pouco absolver, abençoar ou proteger os corruptos festejando no salão.

Depois de sete anos pendurado na parede, nosso São Jorge do Agreste desceu do retrato para confraternizar com os farristas ─ e patrocinar outra festança no bordel.


 

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