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base alugada

10/11/2011

às 3:11 \ Sanatório Geral

Clareza & concisão

“Era independência ou morte. Entre morrer, a gente achou melhor voltar.”

Luciano Castro, deputado do PR de Roraima, ao anunciar a volta do partido à aliança governista, explicando que, entre a independência e a morte, a turma resolveu renovar o contrato de aluguel.

09/11/2011

às 1:11 \ Sanatório Geral

Mágico alugado

“Somos independentes, mas amigos.”

Lincoln Portela, líder do PR na Câmara, avisando que o partido está, simultaneamente, fora e dentro da base alugada.

24/10/2011

às 22:48 \ Sanatório Geral

Partido de programa

“O partido é independente. O governo federal sabe que poderá contar conosco em todos os projetos, em todas as ações que tenham vinculação com o nosso programa partidário”.

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo e presidente do PSD, avisando que o partido, por ter um programa que não é direita, nem de esquerda e nem de centro, está à vontade para apoiar qualquer governo de direita, de esquerda ou de centro.

24/10/2011

às 11:33 \ Feira Livre

‘Salto-mortal’, um artigo de J. R. Guzzo

PUBLICADO NA VEJA DESTA SEMANA

J.R.Guzzo

É muito difícil para qualquer governo, por mais esforço que faça, ter uma equipe de ministros tão horrorosa quanto a que foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff. De onde saiu essa gente toda? O acaso, apenas, não é suficiente para explicar uma calamidade desse tamanho. É preciso fazer força, e muita, para chegar lá – afinal, a dificuldade para armar um ministério nota 10 é a mesma que se tem para armar um ministério nota zero, ou quase isso, como é o caso da turma que está aí. A comprovação de sua ruindade está no desempenho que vem tendo, conforme mostram os fatos. Em nove meses de mandato da presidente, cinco ministros foram para a rua, um sexto, o do Esporte, acabou de virar assombração e ninguém, nem a própria presidente, é capaz de garantir quantos conseguirão completar seu primeiro aniversário no cargo. Se uma equipe dessas não está entre as piores de todos os tempos, o que seria preciso, então, para que estivesse?

Não houve azar nas escolhas; nessas coisas não existe azar. É de supor, também, que a presidente não nomeou gente ruim de propósito, só pelo gosto de conviver com indivíduos de baixo nível em volta de si – ou que sua presença no governo faça parte de um plano secreto, cuja utilidade só seja conhecida pela própria Dilma. Dizer que ela não sabia que estava escolhendo pessoas de alta periculosidade seria um disparate. É possível, até, ter ocorrido algum engano em relação a um ou dois nomes – mas seis? É pouco provável, enfim, que a presidente acreditasse que esse pessoal todo, depois de assumir o cargo, iria se arrepender da vida que levava até então e se transformar em cidadãos exemplares. A verdade é bem mais simples. O ministério de Dilma Rousseff é o resultado que ela colheu ao aceitar nomes impostos pelo seu antecessor, ceder às exigências da banda mais venenosa da política brasileira e deixar que continuasse funcionando, quase intacto, o processo de entrega da máquina pública aos interesses particulares de caciques da “base aliada” e do seu próprio partido. Não podia dar certo. Não deu.

Esse ministério do Esporte, por exemplo: não era preciso dispor de nenhuma informação exclusiva, ou contar com a ajuda dos serviços de espionagem oficiais, para saber que o homem, desde sua passagem pelo governo anterior, era uma bomba-relógio. O que aparecia sobre ele no noticiário comum já era suficiente para Dilma riscar seu nome de qualquer lista de possíveis ministros; imagine-se, então, o que não aparecia. Colocar o personagem sob a observação do mundo inteiro, com o papel que ele iria exercer na organização da Copa de 2014? Bom, aí já era arriscar um salto-mortal triplo. Mas a procissão foi em frente e hoje o ministro se tornou um caso clássico para os melhores manuais de mau governo que se podem encontrar na praça. Chega a ser monótono. Como a maioria dos colegas postos para fora nos últimos meses, ele vive a mesma história de empresas-laranja, ONGs flagradas em desvio de verbas, dinheiro público entregue para a prestação de serviços jamais executados e daí por diante. Há, como em outros episódios, negócios imobiliários difíceis de entender e mais difíceis ainda de explicar. Repete-se com ele a desgraça que é a privatização do estado brasileiro – no caso, o Ministério do Esporte, terceirizado em benefício do PCdoB, o seu partido, e utilizado como propriedade pessoas dos amigos, aliados e vizinhança. São parecidas com as outras histórias de demissões até mesmo as declarações de “confiança” que recebe por parte de companheiros de governo, os incentivos para que responda “à altura”, o tiroteio contra os autores das denúncias etc. De novo, é mais do mesmo.

Na primeira baixa sofrida pelo atual governo, a do ministro Antonio Palocci, os brasileiros tiveram direito a um espetáculo de arrogância capaz de fazer inveja a seu predecessor. Levantou-se todo um coro oficial para classificar as acusações como absurdas. O caso não deveria merecer, segundo nossas mais altas autoridades, sequer um minuto de atenção. “Isso não tem como prosperar”, garantiu a própria Dilma Rousseff. “É político.” Foi dito que era tudo invenção da imprensa; ela teria decidido “derrubar pelo menos um ministro” antes de se completares seis meses de governo, e faria tudo para conseguir isso. Pois é. O tempo passa, o mundo fira e já estamos a caminho da sexta demissão. A imprensa não demitiu, nem nomeou, ninguém. A única assinatura que aparece, nos dois casos, é a da presidente da República.

01/10/2011

às 9:47 \ Sanatório Geral

A serviço da nação (378)

“Estou consciente da responsabilidade de ajudar na condução do país para a solução dos grandes desafios que temos pela frente”.

Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo e fundador do PSD, comunicando que vai assinar o contrato de aluguel não para desfrutar dos prazeres de governista, mas para enfrentar os grandes problemas que já foram resolvidos na capital paulista mas ainda afligem a nação.

12/09/2011

às 16:54 \ Feira Livre

‘O mundo se curva’, um artigo de J. R. Guzzo

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA VEJA DESTA SEMANA

J. R. Guzzo

Se há uma coisa que o Brasil tem de sobra hoje em dia são os títulos de mais, melhor ou maior do mundo. Temos, segundo o governo não nos deixa esquecer nem por um minuto, o maior programa de distribuição de renda do mundo — ou, pelo menos, é assim que a máquina de propaganda oficial descreve o Bolsa Família. Ela nos garante, também, que nenhum país do mundo é melhor que o Brasil no combate à fome. Os poços de petróleo brasileiros no mar são os mais fundos do mundo, e o Brasil é o país que mais ganhou Copas no futebol mundial. O Amazonas, segundo medições recentemente concluídas, é o maior rio do mundo. Somos os maiores produtores mundiais de uma porção de coisas úteis, e temos, na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo. O Brasil tem mais água doce, à vista e debaixo do chão, do que qualquer outro país do planeta. A isso tudo se pode acrescentar, depois dos bem-sucedidos esforços feitos de 2003 para cá, outro primeiro lugar, não muito lembrado: o Brasil é hoje o país mais governável do mundo.

Desde que o PT e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiram o governo da República, criou-se por aqui algo chamado “governabilidade”, um sistema de administração da vida pública pelo qual quem está no governo fica 100% a favor dos políticos — ou, mais exatamente, fica a favor de tudo o que interessa ao governo, mesmo quando teriam de ficar contra. O resultado é um país fácil de governar, sem nehum dos inconvenientes que tanto atrapalham a vida das duas partes, políticos e governo, em outros países menos afortunados: oposição que se opõe, obrigação de prestar contas à oponião pública, perda de mandatos, dificuldades para fazer negócios, problemas com o Código Penal e outras chateações desse tipo. Ser “governável” é isso — e nisso o mundo todo, mais uma vez, se curva ante o Brasil.

A governabilidade brasileira, na sua encarnação atual, é um legado direto do ex-presidente da República. Ele descobriu bem depressa que a maneira mais eficaz de governar o Brasil sem ser incomodado era juntar-se à massa de políticos que, com uma cara ou outra, se elegem, se reelegem e mandam há décadas na vida pública do país — e que não iriam mudar de conduta só porque Lula foi eleito presidente. Essa gente, até então, sempre foi descrita por ele como uma desgraça nacional, pior que as dez pragas do Egito — ficará registrada para sempre, por exemplo, sua definição do Congresso como um amontoado de “300 picaretas”. Mas, antes mesmo de completar seu primeiro dia na Presidência, Lula já tinha aderido de corpo e alma à massa de escroques que tantas vezes denunciara: melhor viver em paz com eles do que passar seu governo todo trombando com o sistema “que está aí”. Formou-se então a “base aliada”, que até hoje não se desfez mais, e nem parece perto de se desfazer. Do governo ela recebe apoio completo para tudo aquilo que realmente lhe interessa: furtar, receber propinas e comissões, ocupar cargos rentáveis, entre os 25 000 que o governo tem a oferecer na máquina pública, ajudar a vida de empresas de amigos, familiares e financiadores, empregar parentes, canalizar dinheiro público para suas “ONGs” e por aí afora. Em compensação, a “base” dá ao governo as mesmas coisas que recebe dele. Até hoje, salvo um ou outro contratempo, tem funcionado muito bem — quer dizer, muito bem para os interessados. Lula e o PT têm demonstrado uma lealdade impecável aos aliados, principalmente quando são pegos roubando, mesmo nos casos que o crime é filmado; até hoje não falharam nem uma vez. Os aliados retribuem exatamente na mesma moeda.

Houve algum ruído, mais recentemente, no bom andando das operações feitas nos dois lados do esquema. Ministros e altos funcionários foram demitidos ou precisaram pedir as contas por envolvimento em episódios de corrupção e, por causa disso, a “base aliada” estaria “insatisfeita”, segundo deram a entender em público diversos dos seus integrantes. Ficou esquisito. Não deveriam eles, na condição de aliados do governo, aplaudir a “faxina” que a presidente Dilma Rousseff estaria fazendo? Ou teriam ficado aborrecidos por serem a favor da roubalheira, mais do que a favor do governo? Aparentemente, tudo não passou de um mal-entendido temporário — pararam as demissões e parou a choradeira. A mola que chia primeiro, como bem se sabe, é sempre a primeira a receber graxa.

Foi mais uma importante vitória da governabilidade.

30/08/2011

às 14:45 \ Sanatório Geral

Esqueçam o que eu disse

“Assumo o compromisso de lutar pela emenda 29. Houve perda de R$ 40 bilhões quando a CPMF foi extinta”.

Dilma Rousseff, em maio de 2010, durante a campanha eleitoral, sobre a regulamentação da emenda 29, que estabelece o porcentual do orçamento reservado à área da saúde no âmbito federal, estadual e municipal.

“Todos nós precisamos reconhecer que se trata de questão complexa. Essa discussão não se completou na esfera da União, dos Estados e municípios”.

Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, tentando convencer a base alugada a deixar a aprovação da emenda para quando Deus mandar.

26/08/2011

às 17:07 \ Sanatório Geral

Vivendo e aprendendo (57)

“Agora temos que ter um pouco mais de paciência. Vão ser mais alguns litros de saliva”.

Ideli Salvatti, ministra das Relações Institucionais, um berreiro à procura de uma ideia, sobre as negociações com o PR, ensinando que, na novilíngua companheira, “litro de saliva” quer dizer emprego federal; gabinete em ministério;dinheiro; verba; grana.

23/08/2011

às 2:02 \ Sanatório Geral

Tradução necessária

“A política é feita de gestos, gestos que o governo faz em relação aos parlamentares que acabam levando os parlamentares a fazerem os gestos que fizeram. Na realidade quem está obstruindo é o governo. Os parlamentares entendem que não têm mandato parlamentar e sim um mandado”.

Lincoln Portela, líder do PR na Câmara, caprichando numa discurseira em dilmês erudito que, em linguagem de gente, quer dizer o seguinte: “Ou o governo garante grana, emprego e impunidade ou a turma não vota a favor do governo”.

19/08/2011

às 19:27 \ Sanatório Geral

Filósofo de botequim

“A base aliada continua aliada”.

Michel Temer, vice-presidente da República, depois de receber o título de doutor honoris causa da Academia Brasileira de Filosofia, ao filosofar sobre a queda de Wagner Rossi, explicando que um casamento baseado num contrato de aluguel é suficientemente sólido para resistir a ações de despejo movidas por um dos cônjuges contra o afilhado do outro.


 

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