Blogs e Colunistas

Atrasos

05/03/2014

às 13:28 \ Opinião

‘De papo pro ar’, por Carlos Brickmann

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Um músico notável, Joubert de Carvalho, um poeta de primeira, Olegário Mariano, compuseram há mais de 80 anos o hino das Excelências brasileiras: De Papo pro Ar, um belo cateretê. O ritmo cateretê quase desapareceu; mas como tem gente de papo pro ar!

Como estão quase todos de papo pro ar, o calendário legislativo para o segundo semestre prevê que julho, como de hábito, terá o recesso. Em junho, agosto e setembro, o Congresso prevê uma semana de trabalho por mês (não se iluda: é a semana parlamentar, que vai de quarta à tardezinha de quinta). Em outubro, há eleições; eventualmente, virá um segundo turno; há as discussões sobre os resultados e as articulações para montar os novos governos. Novembro é para descansar dessa trabalheira toda, e dezembro é o mês de festas, que ninguém é de ferro.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

25/01/2014

às 20:25 \ Sanatório Geral

Tudo explicado (325)

“Não é possível continuar com esse nível de desempenho das empreiteiras que ganham as licitações e não cumprem o cronograma”.

Moreira Franco, ministro da Aviação Civil, explicando que o governo não tem nada a ver com os atrasos das obras nos aeroportos, já que a culpa é das empresas que o governo enriquece com contratos bilionários anabolizados por aditivos obscenos.

24/01/2014

às 16:47 \ Sanatório Geral

Camisa 10

“Não haverá nenhum atraso nas obras para a Copa do Mundo de 2014. O governo brasileiro está com todo seu empenho. Os estádios são obras relativamente simples. O governo fará todo seu empenho para fazer a Copa das Copas, isso inclui estádios, aeroportos, portos, tudo o que for necessário para que o país receba bem todos que vão nos visitar”.

Dilma Rousseff, nesta quinta-feira, em Zurique, no encontro com Joseph Blatter, explicando ao presidente da Fifa que, embora as obras para a Copa estejam atrasados, não haverá atrasos.

10/04/2013

às 4:46 \ Sanatório Geral

Lamparina para todos

“Quero dizer, definitivamente, que atrasos em nossas obras não comprometem a segurança do abastecimento nacional”.

Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, explicando que, quando os apagões se tornarem diários, ninguém ficará no escuro graças ao Programa Lamparina para Todos, outra ideia luminosa do governo Dilma Rousseff.

18/04/2012

às 2:11 \ Sanatório Geral

Tudo em ordem

“As obras dos estádios estão dentro do cronograma. Há um pequeno atraso, estatisticamente desprezível”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, em entrevista ao Estadão, sobre a situação dos estádios incluídos no roteiro da Copa de 2014, ensinando que, se não estiver cumprindo os prazos combinados, as obras do Beira-Rio, que nem começaram, merecem o desprezo estatístico de todos os torcedores, principalmente os gremistas.

11/04/2012

às 23:22 \ Sanatório Geral

Comunista religioso

“O Brasil já fez coisas muito mais difíceis. Vamos agora nos atrapalhar com a Copa do Mundo? Não, pelo amor de Deus”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte e figurão do PCdoB, durante audiência na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, confirmando que as coisas estão tão complicadas que, embora comunista, passou a acreditar que Deus não só existe como é brasileiro e faz questão de ver seu país natal fazer bonito na Copa de 2014.

05/04/2012

às 19:27 \ O País quer Saber

Dois anos antes da Copa, o governo já ganhou o troféu do atraso e da gastança

Arena das Dunas, em Natal. As obras não chegam aos 21% de conclusão

JÚLIA RODRIGUES

“Estejam certos de que o Brasil, orgulhosamente, cumprirá o seu dever de casa”, comunicou ao mundo o presidente Lula em outubro de 2007, quando a Fifa anunciou oficialmente que o país seria a sede da Copa de 2014. Passados quatro anos e meio, sobram motivos para incluir a promessa solene na coleção de bravatas do criador do Brasil Maravilha.

Um relatório apresentado no início do mês pelo Ministério Público identificou atrasos em 100% das obras de mobilidade urbana. Ou seja: nenhuma obedeceu aos prazos fixados pelos cronogramas originais. Da extensa lista de projetos que, segundo o governo, melhorariam o trânsito e eliminariam os gargalos no transporte público, pouca coisa saiu do papel ─ e nada foi concluído. Apenas 2,14% dos investimentos são visíveis a olho nu.

Em Brasília, por exemplo, as obras na rodovia DF-047 e do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) estacionaram na licitação. Em Porto Alegre, os canteiros de obras começaram a movimentar-se na semana passada ─ 54 meses depois da promessa de Lula. Até o metrô paulistano, o maior e mais moderno do país, enfrenta problemas. Neste quarta-feira, entre uma pane e outra, o presidente da empresa que administra os trens subterrâneos deixou o cargo que começou a perder com o aparecimento das suspeitas de fraude na licitação da Linha 5-Lilás.

“Posso decretar um feriado em São Paulo no dia do jogo e garantir que não tenha trânsito”, descobriu em novembro de 2011 a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Embora tenha subestimado o problema de mobilidade nas grandes cidades, o governo federal se recusa a assumir qualquer parcela de culpa pelos atrasos, que trata de transferir para os governos estaduais e municipais.

O discurso do governo é desmentido por fatos e cifras. Dos R$ 119 milhões previstos no programa “Apoio à Realização da Copa do Mundo Fifa 2014″, por exemplo, o Ministério do Esporte desembolsou no ano passado apenas R$ 30 milhões.  Segundo o site oficial da Copa de 2014, só cinco dos 12 estádios que compõem o roteiro dos jogos  alcançaram 50% do cronograma. O quadro mais preocupante é desenhado pelo Beira-Rio, em Porto Alegre. Só 20% do estádio do Internacional foi reformado.

Engenheiros especializados nesse tipo de obra afirmam que o atraso é proposital. Já serviu de pretexto para a aprovação pelo Congresso do Regime Diferenciado de Contratações, que dribla a legislação e abre brechas para a infiltração, nos contratos, de espertos aditivos que favorecem o superfaturamento. Empreiteiros premiados com encomendas para a Copa de 2014 e para a Olimpíada de 2016 ficaram muito felizes. Os pagadores de impostos ficaram com a conta.

Em 2007, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, garantiu que o governo não gastaria um único centavo em reformas ou construção de estádios. A falácia foi atropelada pela gastança com dinheiro público. O BNDES e os governos estaduais são responsáveis por R$ 4,8 bilhões dos R$ 7,8 bilhões enterrados em estádios.

Desde o dia da posse de Dilma Rousseff, os R$ 5,3 bilhões orçados inicialmente subiram 47%. Um levantamento feito pelo deputado federal Chico Alencar, do PSOL fluminense, constatou que os R$ 2,5 bilhões do reajuste equivalem a 37% do que o governo da Alemanha investiu na Copa de 2006. Segundo Alencar, essa quantia é suficiente para bancar 806 mil bolsas para atletas olímpicos, ou  3.125 quadras poliesportivas ou, ainda, 2,9 mil creches das 6 mil creches que Dilma não conseguiu transferir do palanque para a vida real.

Em cinco meses, de acordo com o Tribunal de Contas da União, o custo total da Copa do Mundo subiu de R$23,3 bilhões para R$ 25 bilhões. Até 2014, a bolada colossal pode chegar a R$ 33 bilhões, dois terços dos quais serão financiados pelos cofres oficiais. Boa parte da despesa exorbitante será engolida por elefantes brancos. Segundo o TCU, figuram nessa categoria os estádios de Natal, Manaus Cuiabá e Brasília, que praticamente não terão serventia depois da Copa.

Nessa lista de problemas, nenhum tópico é mais preocupante que o sistema aeroportuário. Segundo a Fifa, 20% dos espectadores presentes ao estádio virão de outros pontos do país a bordo de aviões. Isso significa que os aeroportos terão de ampliar consideravelmente o volume de pousos e decolagens. No Maracanã, por exemplo, os terminais do Galeão e Santos Dumont deverão suportar 152 voos extras. Como os aeroportos já estão congestionados, esses números são um prenúncio do colapso.

Em fevereiro, o Planalto finalmente admitiu a impossibilidade de resolver sozinho o problema e privatizou os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília. Cumpre às empresas que venceram o leilão fazer em dois anos o que o governo não fez em cinco. Se os novos responsáveis pelo transporte aéreo forem confrontados com obstáculos instransponíveis, poderão valer-se da cláusula do contrato que permite a devolução dos terminais ao antigo dono. Nessa hipótese, os organizadores da Copa terão de encontrar uma forma muito mais complexa que as mais complicadas táticas adotadas pelos melhores times do mundo.

24/03/2012

às 9:11 \ Sanatório Geral

Traseiro traumatizado

“Se dissermos que não vamos ter problema nenhum, nós estaremos faltando com a verdade. Um pequeno problema ou outro teremos”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, falando fino sobre a Copa do Mundo porque, com a confirmação de Jérôme Walcke na organização do evento, falar em voz alta aumenta o risco do chute no traseiro.

23/03/2012

às 0:05 \ Sanatório Geral

Coisas da cultura

“Isso é uma coisa da nossa cultura, mas tudo funciona. Até reunião ministerial também atrasa no Brasil”.

Aldo Rebelo, ministro do Esporte, explicando por que o governo Dilma Rousseff anda atrasando até o pagamento das prestações dos contratos de aluguel.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados