22/06/2009
às 18:16 \ Direto ao PontoQuem não falar agora nunca mais será ouvido pelo Brasil que presta
O suspeitíssimo silêncio dos oposicionistas, sublinhado pelo sumiço dos éticos, foi quebrado no domingo pelo pernambucano Sérgio Guerra. ”No cargo de diretor-geral, Agaciel Maia foi o operador de um grupo de senadores”, disse o presidente nacional do PSDB. ”O que o grupo queria, ele resolvia, e por isso ficou tanto tempo. Agora continua intimidando todo mundo, com a mesma cara e a mesma autoridade”. Parecia um bom começo. Mas era tudo o que Guerra tinha a dizer.
Os brasileiros decentes exigem que Guerra complete e traduza com clareza e coragem o falatório cifrado. Quem faz parte do grupo que teve Agaciel como operador? O que é que o grupo quis e o diretor-geral resolveu? Quantos e quais senadores compõem esse “todo mundo” que o delinquente federal anda intimidando? De quais segredos Agaciel se apoderou para virar extorsionário? Sérgio Guerra é senador faz tempo. Conhece suficientemente o clube dos pais da pátria para saber quem é quem. Se não contar o que cada sócio fez ou deixou de fazer, será apenas outro cúmplice por omissão.
Nesta segunda-feira, também renunciou à mudez o senador Artur Virgílio. As declarações e o discurso na tribuna melhoraram o ânimo dos homens honestos, mas imploram por mais capítulos. O tucano amazonense passou ao largo do coração das trevas que Sérgio Guerra apenas tangenciou. Só confirmou a desconfiança nacional: entre os chantageados por Agaciel Maia figuram remanescentes da diminuta bancada dos aparentemente honrados . Mas nenhum deles, presume-se, está no “grupo” a quem Agaciel serviu como operador.
”Ele acoelhou o Pedro Simon, o Eduardo Suplicy, o Cristovam Buarque”, exemplificou o tucano amazonense. Cristovam entrou em recesso por achar que deve ao superfuncionário do Senado o emprego da mulher no Congresso. Simon e Suplicy, para não terem de penitenciar-se de viagens ao Exterior ─ um com a mulher, outro com a namorada. ”É por isso que, quando a gente fala do Agaciel, eles fogem do plenário”, disse Virgilio. “Nenhum deles fez nada de grave, mas, infelizmente, a imprensa criminalizou esses episódios”.
Se os contrange o envolvimento em episódios menores, o que esperam todos para se curarem de vez da afasia oportunista e vocalizarem a indignação aprisionada na garganta dos eleitores honestos? Se estão fora do bando mencionado por Sérgio Guerra, por que não desmascaram os senadores homiziados nas catacumbas atulhadas de atos secretos e espertezas ultrajantes?
E onde andam os outros? Por que Jarbas Vasconcelos deixou de incomodar-se com o mau cheiro que até recentemente o nauseava? O que impede Álvaro Dias de tratar José Sarney como um pecador comum? Por que o próprio Artur Virgílio não escancara com a habitual veemência o que fizeram, fazem e farão os renans, jucás, idelis e outras abjeções vizinhas?
É bom que os senadores sem vínculos com a quadrilha recuperem a voz de imediato. Que falem agora ou se calem para sempre, o mais silenciosamente possível. Porque nunca mais conseguirão ser ouvidos pelo Brasil que presta.
Tags: Agaciel Maia, Artur Virgilio, atos secretos, Cristovam Buarque, Eduardo Suplicy, Jarbas Vasconcelos, José Sarney, Pedro Simon, Sérgio Guerra






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