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atos secretos

02/08/2011

às 21:48 \ Sanatório Geral

O parecer do doutor

“Parente no governo sempre cria problema. Quando não cria para o governo, cria para o parente”.

José Sarney, presidente do Senado, sobre a praga do nepotismo, discorrendo sobre o tema com a autoridade de quem usou até atos secretos para infiltrar no cabideiro de empregos federais irmãos, filhos, sobrinhos, parentes próximos ou distantes e até o namorado de uma neta.

17/02/2011

às 22:33 \ Sanatório Geral

Esse entende

“Não pleiteei o cargo. Os colegas me escolheram livremente pelo meu perfil de economista e especialista em orçamento”.

Agaciel Maia, ex-gerente da fábrica de atos secretos que funcionou nas catacumbas do Senado, deputado distrital pelo PTC, eleito por unanimidade para presidir a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças da Câmara Legislativa, fingindo que a escolha não tem nada a ver com a habilidade no manuseio de gazuas nem com o número de vezes que o artigo 171 do Código Penal é citado no seu bonito prontuário.

06/08/2010

às 7:00 \ Sanatório Geral

Estreante promissor (2)

“Vi-me envolvido em denúncias infundadas”.

Agaciel Maia, ex-gerente-geral das catacumbas do Senado e candidato a deputado distrital, tentando justificar a fama de melhor aluno do padrinho e mestre José Sarney.

05/08/2010

às 22:32 \ Sanatório Geral

Estreante promissor

“Fazem parte do meu banco de dados. Tenho os endereços desde antes de perder o cargo de diretor-geral”.

Agaciel Maia, candidato a deputado distrital  pelo PTC, afastado da direção-geral do Senado depois de contracenar com o padrinho José Sarney no novelão dos atos secretos, flagrado ao distribuir material eleitoral por e-mails obtidos ilegalmente, mostrando que pretende assumir a liderança do campeonato dos ficha-suja já na campanha de estreia.

11/03/2010

às 16:43 \ Sanatório Geral

Patrão generoso

“Não posso cometer uma irresponsabilidade. Se houver condenação judicial, nós consumaremos a demissão”.

Heráclito Fortes, responsável pelas investigações sobre o escândalo dos atos secretos no Senado, explicando que o ex-diretor geral Agaciel Maia e seus comparsas só serão demitidos se forem trancafiados numa cela e, por isso mesmo, ficarem impedidos de comparecer ao trabalho.

23/12/2009

às 14:03 \ O País quer Saber

O País do Carnaval está sem tempo para pensar em escândalos

castelo

Em fevereiro deste ano, logo depois de encerrado o recesso parlamentar, o país foi surpreendido com a descoberta, no interior de Minas Gerais, de um castelo de deixar rubro de inveja qualquer duque da Inglaterra: 36 suítes – uma delas ocupando três andares de uma torre estilo Rapunzel -, banheiros forrados com mármore, piscinas, lagos, saunas, elevadores, adega para 8.000 garrafas de vinho e incontáveis requintes adicionais. O dono da aberração histórica e arquitetônica era Edmar Moreira, corregedor da Câmara dos Deputados.

Aturdido com o monumento ao absurdo de R$ 25 milhões que o Barão da Roça esquecera de incluir na declaração de imposto de renda, o Brasil ficou ainda mais espantado ao saber, em março, que Edmar Moreira detinha o recorde parlamentar da gastança com segurança particular. O serviço, encomendado a empresas pertencentes ao próprio congressista, era pago com o dinheiro da verba indenizatória – afago mensal de R$ 15 mil a que cada um dos 513 deputados têm direito para despesas feitas nos Estados de origem.

O caso foi empurrado para fora das primeiras páginas pela farra das passagens aéreas. Com voos de sobra e passageiros de menos, descobriu-se que os bilhetes privativos dos parlamentares eram usados por parentes e amigos, ou engordavam suas contas bancárias com a comercialização no mercado negro de pousos e decolagens.

Em junho, o Estadão fez a fila andar com a localização, nos labirintos do Congresso, de 300 atos secretos produzidos no Senado para a criação de cargos de confiança ─ vários deles reservados a familiares e aliados do presidente José Sarney. Um dos beneficiados foi o namorado da neta do senador maranhense. Ao escândalo somou-se o desvio de R$ 500 mil do empréstimo de R$ 1,3 milhão feito pela Petrobra à Fundação Sarney. O dinheiro acabou nas contas bancárias de  empresas fantasmas a serviço da Famiglia.

A série de reportagens foi interrompida pela censura imposta ao jornal pelo desembargador Dácio Vieira a pedido de Fernando Sarney, filho de José. Dias depois, foi divulgada a fotografia do doutor em censura ao lado do patriarca do clã maranhense na festa de casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel Maia. O país também ficou sabendo a extensão dos poderes do diretor-geral do Senado,  acusado de chefiar o esquema de corrupção no Senado. A mordaça, aprovada pelo Supremo Tribunal Federal, foi dispensada há dias pelo próprio Fernando Sarney, em respeito à liberdade de imprensa. Mas a censura só vai acabar depois do recesso do Judiciário.

Ainda perplexo com os vídeos estrelados pela Turma do Panetone, sob a direção de José Roberto Arruda, o país que presta acompanha a esperta caminhada do ultraje para longe dos holofotes da imprensa. É preciso arrumar espaço para a negociata da Sapucaí, tramada por deputados brasilienses, bicheiros do samba e Ongs carnavalescas.

2009 foi um ano de escândalos. Para sorte dos delinquentes, nesta época o Brasil esquece más notícias ainda mais rapidamente.  É hora de concentrar-se nos preparativos para o Carnaval.

19/09/2009

às 19:45 \ Sanatório Geral

Profissões diferentes

“Nós não temos obrigação de fazer anúncio. O anúncio não nos compete”.

Heráclito Forte, primeiro-ministro do presidente José Sarney, esclarecendo que a ata da reunião que validou 36 atos secretos demorou 29 dias para ser publicada, 24 horas depois da denúncia feita pela Folha, porque senador é uma coisa, publicitário é outra.

13/08/2009

às 17:37 \ Direto ao Ponto

Os sherloques que não investigam continuam zombando do país

Milhares de atos secretos continuam ocultos nas catacumbas do Senado, avisou a coluna no título de um post de 23 de julho.  A informação foi transmitida por um funcionário graduado da Casa do Espanto, atônito com o cinismo dos pais-da-pátria: nas contas oficiais, os delitos do gênero não passavam de 663 (depois reduzidos a 511 pelo presidente José Sarney). Nesta quinta-feira, o primeiro-secretário Heráclito Fortes prometeu instalar uma comissão de inquérito ─ mais uma ─ para analisar os 468 atos secretos que apareceram ontem.

Nesse ritmo, nenhum pecador estará vivo quando as investigações terminarem. Mas eles preferem que acabem enquanto estão muito vivos. Instado a explicar como conseguiu o novo lote driblar o arrastão que deveria capturar todos os atos secretos, o detetive aprendiz tratou de colocá-los sob suspeita com a mensagem cifrada:  ”Considero sabotagem, ou até mesmo molecagem, por parte de servidores que se acham fundamentalistas e acreditam que ainda vão voltar ao poder”.

Teria sido mais uma do Agaciel?, quis saber um jornalista. Heráclito ficou excitado com a chance de atribuir ao onipresente Agaciel Maia, ex-diretor-geral do Senado, crimes praticados por uma quadrilha de bom tamanho ─ liderada por senadores. ”Não gosto de fulanizar, confirmou fingindo não confirmar.  “Mas, com certeza, foram pessoas de gestões passadas tentando desestabilizar a atual gestão”. Não existem “gestões passadas”. Nomeado por José Sarney, Agaciel ocupou o cargo por 15 anos.

O funcionário do Senado que revelou a imensidão de delinquências camufladas detalhou o modo de agir do bando. Vale replay: “Desde 2000, os atos administrativos de pessoal não são impressos, mas apenas disponibilizados em formato PDF na intranet do Senado. Todo dia é disponibilizado um Boletim Administrativo de Pessoal. Os chamados atos secretos são atos assinados pelas autoridades e disponibilizados muito posteriormente, depois de ficarem meses ou anos sem a devida inserção na intranet”. Essa é a primeira etapa da pilantragem. O golpe é concluído com a mágica da data retroativa.

“Quando finalmente inseridos”, informa o funcionário, “não aparecem no boletim do dia em que ocorre a inserção, sempre muito mais tarde, mas num ‘boletim suplementar’ com a data em que deveriam ter sido disponibilizados, como a lei exige. Quem acessa a intranet é confrontado com centenas de datas em que são exibidos tanto o boletim de rotina quanto um suplementar. Se alguém acessar a data de 11 de maio de 2004, por exemplo, encontrará os dois boletins, mas não terá como saber se o suplementar foi inserido em 11 de maio de 2004, em dezembro de 2006 ou ontem”. 

Não é difícil implodir esse monumento ao pai-da-pátria criminoso, insistiu o post de 23 de julho. Basta uma auditoria que mereça tal nome no Prodasen, órgão do Senado responsável pela intranet. O sistema de informática registra o instante em que cada documento foi incluído na intranet. É só comparar a data verdadeira com a que aparece no boletim suplementar.

Em vez de ficar inventando conspirações de araque, o senador Heráclito Fortes deveria decorar o parágrafo anterior e cumprir seu dever. O Brasil está farto de conversa fiada.

23/07/2009

às 16:28 \ Direto ao Ponto

Milhares de atos secretos continuam ocultos nas catacumbas do Senado

São 663 os atos secretos capturados em flagrante pela comissão de sindicância.  O total é muito maior, revelou à coluna um funcionário graduado do Senado (aprovado por concurso, faz questão de ressalvar). São 663 os que deixaram rastros facilmente visíveis. O acervo de delinquências e safadezas sem pegadas nítidas, segundo o funcionário, é muito mais vasto, abrangente e assustador.  Ainda escondidos nas catacumbas da Casa do Espanto, incontáveis atos secretos, contados aos milhares, procuraram legalizar ilegalidades consumadas entre fevereiro de 2000 e o último verão, quando a volta de José Sarney à presidência do Senado anunciou a passagem da procissão de horrores.

“Os atos administrativos de pessoal não são impressos desde 2000, apenas disponibilizados em formato PDF na intranet do Senado”, explica a fonte. “Todo dia é disponibilizado um Boletim Administrativo de Pessoal. Os chamados ‘atos secretos’ são atos assinados pelas autoridades e disponibilizados muito posteriormente, depois de ficarem meses ou anos sem a devida inserção na intranet”. Essa é a primeira etapa da pilantragem. O golpe é concluído com a mágica da data retroativa. “Quando finalmente inseridos”, informa o funcionário, ”não aparecem no boletim do dia em que ocorre a inserção, sempre muito mais tarde, mas num ‘boletim suplementar’ com a data em que deveriam ter sido disponibilizados, como a lei exige”.

Quem acessa a intranet é confrontado com centenas de datas em que são exibidos tanto o boletim de rotina quanto um suplementar. ”Se alguém acessar a data de 11 de maio de 2004″, exemplifica, ”encontrará os dois boletins, mas não terá como saber se o suplementar foi inserido em 11 de maio de 2004, em dezembro de 2006 ou ontem”. A parceria entre atos secretos e datas retroativas produziu uma esperta camuflagem para nomeações, demissões, promoções, aumentos salariais coletivos ou individuais e outras patifarias.

Não é difícil implodir esse monumento ao pai-da-pátria criminoso. Basta uma auditoria que mereça tal nome no Prodasen, órgão do Senado responsável pela intranet. O sistema de informática registra o instante em que cada documento foi incluído na intranet. É só comparar a data verdadeira com a que aparece no boletim suplementar. Simples assim. É também pela simplicidade do método que deve começar de imediato a devassa dos porões  malandramente preservados. Ali estão os incontáveis crimes e seus autores. Crimes comprovados e autores com nome e sobrenome. Só faltam as fotos de frente e de perfil ─ e o merecidíssimo castigo.

Entendeu, presidente Lula? Quer que o professor Agaciel explique melhor? Prefere consultar a Dilma? Ou quer que eu desenhe? O que o Brasil que presta já não suporta é a exaltação da companheirada fora-da-lei.

22/07/2009

às 16:48 \ Direto ao Ponto

Erro de endereço

Na edição desta quarta-feira, o Estadão reserva três páginas a notícias sobre o Congresso. Uma é ocupada quase inteiramente pela transcrição das conversas obscenas entre José Sarney e o primogênito Fernando e entre Fernando e  filha Beatriz. A outra, além do artigo da ótima Dora Kramer sobre o que anda fazendo a UNE, contém mais transcrições de conversas telefônicas envolvendo a família fora-da-lei. O espaço que sobra é ocupado pela quadrilha dos atos secretos. Na terceira página, o Código Penal é atropelado pelo bando de Agaciel Maia e por um trem da alegria. Tem sido assim todo dia, em todos os jornais.

O que está esperando a imprensa brasileira para transferir as bandidagens fantasiadas de “noticiário político” para a seção de Polícia?


 

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