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apagão

09/04/2011

às 22:34 \ Sanatório Geral

Igual mas diferente

“A interrupção temporária de energia é uma coisa que acontece no mundo inteiro. O que foi grave, no Brasil, foi o racionamento de energia que aconteceu por quase um ano entre 2001 e 2002. Hoje nós não temos esse problema”.

Edison Lobão, vulgo Magro Velho, no programa de rádio “Bom dia, ministro”, ensinando que o Brasil vai muito bem porque aqui só ocorre “interrupção temporária de energia” e não apagão, palavra que significa interrupção temporária de energia.

16/03/2011

às 19:04 \ Direto ao Ponto

O presunçoso gerente de apagão veste a fantasia de comandante de programa nuclear

Os Estados Unidos, a Alemanha, a França e o próprio Japão já começaram a rever seus programas nucleares, para aperfeiçoá-los com as lições da tragédia ainda em curso. Nos próximos dias, o exemplo será certamente seguido por todos os países que lidam com energia atômica. Ou quase todos: segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, aqui não há revisões a fazer. “Nós não temos razão nenhuma para preocupação maior”, gabou-se de novo nesta quarta-feira. “As dificuldades que as usinas do Japão tiveram as nossas não terão. As nossas têm uma proteção maior. Vamos prosseguir com o nosso programa”.

É assim o Brasil Maravilha em que vive Lobão. Em novembro de 2009, confrontado com o apagão que deixou no escuro 18 Estados e 60 milhões de brasileiros, o alquimista maranhense conseguiu enxergar no naufrágio administrativo um milagre da tecnologia ultramoderna. “Foi a excelência do sistema que se autoprotegeu, desligando-se”, recitou a frase soprada por algum vigarista. Neste fevereiro, reprisou o palavrório para festejar o triunfo da potência emergente sobre o blecaute que atormentou 53 milhões de habitantes de oito Estados nordestinos: “O sistema entendeu que havia alguma coisa de anormalidade, como sobrecarga, e ele se autoprotegeu, desligando-se”.

Dois apagões bastaram para deixar claro que Lobão entende tanto de sistema elétrico quanto pode um bebê de colo entender de física quântica. As bravatas irresponsáveis sobre o desastre nuclear no Japão informam que o presunçoso gerente de apagões decidiu fantasiar-se de comandante de programa nuclear. Quem acha o que o País do Carnaval está mais preparado que os países mais preparados do mundo no campo da prevenção de acidentes naturais é uma bomba administrativa de efeito retardado ─ instalada num gabinete que só deveria abrigar especialistas no assunto.

A biografia oficial de Dilma Rousseff faz o possível para incluí-la nessa categoria. Outra fraude. Nomeado por vontade de José Sarney, a quem chama de “Madre Superiora” quando o chefe não está ouvindo, Lobão (que mesmo quando está ouvindo é chamado de “Magro Velho” pelo chefe) é uma prova contundente de que a pose de mestra em minas e energia merece tanta credibilidade quanto o doutorado em economia pela Unicamp.

Se fosse do ramo, Dilma teria discordado da escolha engolida pelo antecessor. Em vez disso, não só avalizou a indicação como manteve no posto um monumento à inépcia. Transformou-se em cúmplice por ação e omissão. Enquanto os países sérios pensam na salvação de vidas, os governantes brasileiros tratam de salvar o próprio emprego, com a solidariedade militante dos subordinados. Previsivelmente, os responsáveis pelas usinas de Angra 1 e Angra 2 endossaram as gabolices do chefe.

No Globo desta quarta-feira, a coluna do jornalista Zuenir Ventura ecoou três vozes que desafinam do coro dos contentes: O professor José Goldemberg resume: “A energia nuclear é um eterno perigo, ela não vale o risco”. O secretário de Ambiente do Rio, Carlos Minc, depois de lembrar que já houve 16 acidentes leves e médios em Angra 1, adverte: “Não existe risco zero. O Brasil não tem cultura de prevenção”.  Também o físico Luiz Pinguelli Rosa aconselha a se ter “muito cuidado”.

Edison Lobão não é o único político de quinta a instalar-se num cargo que deveria ser preenchido com base em critérios exclusivamente técnicos. Mas é neste momento o mais inquietante. E talvez seja, em qualquer circunstância, o mais repulsivo.

28/02/2011

às 18:30 \ Feira Livre

Grandes apagões viram rotina no Brasil

REPORTAGEM PUBLICADA NO ESTADÃO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Renée Pereira

Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico. Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente – ainda sem explicações precisas – garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias. Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. “Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões”, afirma o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.

Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. “Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão”, afirma o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes.

O problema está nos equipamentos antigos, que nem sempre recebem a manutenção adequada, especialmente diante do forte aumento do consumo. De 2000 pra cá, o uso de energia pelo brasileiro subiu 36%, apesar do racionamento, que derrubou em 8% o consumo em 2001.

“Se uma empresa não está investindo o suficiente agora, o problema só vai ocorrer anos mais tarde”, afirma o presidente da PSR Mário Veiga. Ou seja, os apagões de hoje podem ser resultado de anos sem investimentos adequados.

07/02/2011

às 20:18 \ História em Imagens

O sistema elétrico vai acabar eletrocutado por um curto-circuito na cabeça de Lobão

Em novembro de 2009, o ministro Edison Lobão garantiu que o apagão que escureceu metade do país não merecia tirar o sono de ninguém. Enquanto consultava  anotações rabiscadas num papel, acionou a usina de maluquices. Num dos momentos mais assustadores, explicou que “descargas atmosféricas, ventos e chuvas muito fortes” se haviam conjugado para produzir “um curto-circuito que provocou três circuitos que levam a Itaberá”. Coisa de louco. Confira:

O segundo vídeo, ainda mais assustador, reúne os trechos mais delirantes do  pronunciamento de Edison Lobão sobre o apagão de sexta-feira. Entre outros espantos, o ministro explica o que é um relé da cartela, informa que o sistema elétrico brasileiro ganhou vida própria e hoje toma decisões irrevogáveis sem consultar os humanos. As duas apresentações do artista, somadas, avisam que o sistema elétrico brasileiro vai acabar eletrocutado por um curto-circuito na cabeça de Lobão.

07/02/2011

às 14:46 \ Direto ao Ponto

O apagão do Nordeste iluminou a face enrugada do governo que já nasceu velho

O Dicionário da Língua Portuguesa/Acordo Ortográfico informa que apagão quer dizer “interrupção provisória do fornecimento de eletricidade a uma dada região”. Na madrugada de sexta-feira, oito  Estados do Nordeste atravessaram a madrugada na escuridão. Houve um apagão, certo? Errado, repetiu nesta segunda-feira o ministro Edison Lobão. Cabelos e sapatos engraxados com igual capricho, voz de apresentador de circo, o canastrão maranhense recitou a fala que lhe coube no ato mais recente da ópera dos farsantes: “Não houve apagão. Houve interrupção provisória de energia elétrica”. Quer dizer: embora tenha ocorrido seu significado, o substantivo não aconteceu.

O que ainda esperam os jornalistas para atirar pilhas de dicionários sobre a figura bizarra?, estaria perguntando Nelson Rodrigues. O que há com a imprensa que finge enxergar um ministro de Minas e Energia onde só existe o capataz do latifúndio mais produtivo da capitania explorada pela Famiglia Sarney? Num país sério, um Lobão seria despejado do gabinete no meio da primeira frase cretina. No Brasil da Era da Mediocridade, é outro reincidente sem medo ─ e cada vez mais atrevido. Já não gagueja quando conta que, entre tantos assombros, o apagão foi expulso do país por Lula e proibido definitivamente por Dilma de dar as caras por aqui.

Submisso a todos os governos desde que se apaixonou pela ditadura militar, Lobão estreou no papel de doutor em eletricidade em novembro de 2009, escalado por Lula para justificar o blecaute que afetou metade do Brasil. Numa entrevista coletiva inverossímil, surpreendeu a nação com a versão espantosa: ocorrera apenas a paralisação da usina de Itaipu, provocada por trovões que ninguém ouviu e raios que não caíram. Até então preocupada só com a própria imagem, a candidata que foi ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2005 enfim se animou a entrar no picadeiro. “Nós também temos uma outra certeza de que não vai ter apagão”, declamou. E o apagão da véspera?, intrigou-se uma jornalista. “Não confunda apagão com blecaute, minha filha”, irritou-se Dilma Rousseff. Outra que merece uma tempestade de dicionários. Não sabe que apagão e blecaute são sinônimos. Ou finge não saber, o que é a mesma coisa.

“Apagão foi o do Fernando Henrique”, ensinou. Errou de novo. Em 2001, o que houve foi racionamento de energia, decretado para evitar um grande e demorado apagão. Ao compreender que a insuficiência de água nos reservatórios, a falta de chuvas e a escassez de investimentos se haviam conjugado para levar o sistema à beira do colapso, FHC fez um corajoso pronunciamento em rede nacional de TV. Reconheceu os erros cometidos, não se intimidou com o desgaste político resultante do racionamento, transformou a questão em prioridade absoluta e encarregou uma força-tarefa da busca de soluções. Entregou a Lula um país iluminado. O sucessor repassou-o na penumbra.

A escuridão que castigou 46 milhões de nordestinos iluminou a face enrugada de um governo que já nasceu velho. Tem tanto apreço pela verdade quanto Lula, e está ficando ainda mais parecido com Sarney. A exemplo do registrado em 2009, o apagão deste fevereiro avisou, aos berros, que o sistema elétrico está em decomposição. Os equipamentos são obsoletos, faltam investimentos, sobram administradores ineptos. Se fosse mais que um apêndice de Lula, Dilma já teria internado o paciente na UTI. Em vez disso, ratificou a opção preferencial pela mentira feita pelo padrinho há oito anos. E reencenou o espetáculo da vigarice, protagonizado pelo mesmo ministro que Sarney nomeou.

“O sistema é robusto, é muito bom e é moderno”, fantasiou Lobão. “Não há no mundo nada mais moderno que o sistema brasileiro”. Não pode ser robusto nem muito bom um sistema que, segundo dados oficiais, registrou 91 apagões de menor calibre só em 2010 ─ um aumento de 90% em relação a 2008. Não pode ser moderno um setor controlado pela Famiglia que há 50 anos atormenta o Maranhão com o recorrente assassinato do futuro.

Em 2009, ao celebrar a erradicação dos apagões, Dilma resumiu o segredo do milagre. “É que nós, hoje, voltamos a fazer planejamento”. Na sexta-feira, ela consumou o que vinha planejando faz tempo. Depois de prometer valer-se do critério do mérito para compor o primeiro e o segundo escalões, resolveu afastar do setor elétrico o que restava da turma do deputado Eduardo Cunha. E entregou ao bando de José Sarney o controle completo do Ministério de Minas e Energia.

É como afastar o Comando Vermelho para que o PCC governe sozinho um território sem lei.

06/02/2011

às 13:46 \ Frases

Nome errado

“Não houve apagão, houve uma interrupção temporária de energia”.

Edison Lobão, ministro de Minas e Energia, ao comentar o blecaute que deixou 46 milhões de brasileiros sem energia elétrica.

05/02/2011

às 15:34 \ Sanatório Geral

Ah, bom!

“Foi um evento considerado raro”.

João Henrique Franklin, superintendente de operação da Chesp, operadora responsável pelo apagão em boa parte do Nordeste, explicando que não é todo o dia que 46 milhões de brasileiros ficam sem energia elétrica.

05/02/2011

às 2:18 \ Sanatório Geral

Perto da perfeição

“O sistema entendeu que havia alguma coisa de anormalidade, como sobrecarga, e ele se autoprotegeu, desligando-se”.

Edison Lobão, sobre o mergulho na escuridão de parte do Nordeste, revelando que o agora é o apagão que decide por conta própria quando vai acontecer.

26/02/2010

às 23:44 \ Sanatório Geral

Escuridão bolivariana

“Ainda estamos aqui, não desaparecemos”.

Hugo Chávez, depois do apagão no palácio presidencial que interrompeu por 80 segundos a transmissão de uma entrevista pela TV, disfarçando com a gracinha a vontade de condenar à morte por enforcamento os técnicos enviados pelos governos do Brasil e de Cuba para resolverem a crise energética da Venezuela.

16/12/2009

às 21:30 \ Sanatório Geral

Se melhorar, estraga

“Foi a excelência do sistema que se autoprotegeu, desligando-se. Não ocorresse isso, o sistema se queimaria. Havia o desconforto de uma interrução temporária, mas se o sistema fosse prejudicado traria mais agruras”.

Edison Lobão, o Magro Velho, responsabilizando a excelência do sistema de fornecimento de energia que administra com desprendimento e espírito patriótico pelo  “desconforto temporário” decorrente do apagão imposto a 18 Estados brasileiros.


 

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