Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘apagão’

SEÇÃO » Sanatório Geral

Se melhorar, estraga

16 de dezembro de 2009

“Foi a excelência do sistema que se autoprotegeu, desligando-se. Não ocorresse isso, o sistema se queimaria. Havia o desconforto de uma interrução temporária, mas se o sistema fosse prejudicado traria mais agruras”.

Edison Lobão, o Magro Velho, responsabilizando a excelência do sistema de fornecimento de energia que administra com desprendimento e espírito patriótico pelo  “desconforto temporário” decorrente do apagão imposto a 18 Estados brasileiros.

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Inimigo sorrateiro

15 de dezembro de 2009

“O comitê técnico chegou à conclusão de que o que realmente aconteceu foi aquilo que dissemos menos de 24 horas depois do ocorrido”.

Edison Lobão, resumindo o conteúdo das 237 páginas do Relatório de Análise de Perturbação, documento que analisa as causas do apagão que afetou 18 Estados brasileiros e concluiu, 36 dias depois do episódio, que os culpados foram mesmo as fortes chuvas e as descargas elétricas, tão sorrateiras que conseguiram não ser notadas por qualquer morador do local atingido pela maior tormenta imaginária de todos os tempos.

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Radiografia de uma fraude (3): a secretária virou ministra porque Lula aprovou a sugestão de Lula

8 de dezembro de 2009

Doutor em Física, com mestrado em Engenharia Nuclear, coordenador do grupo que fixou as metas do setor de minas e energia no programa do candidato do PT, o professor Luiz Pinguelli Rosa já escolhera o terno para a festa da posse quando soube que fora preterido. Por motivos ignorados tanto pelo quase ministro quanto pelos demais integrantes da equipe de transição acampada no Centro de Treinamento do Banco do Brasil, em Brasília, a vaga no primeiro escalão foi presenteada a Dilma Rousseff, secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul.

O que teria levado o dono do time a alterar a escalação minutos antes da entrada em campo?, intrigaram-se os Altos Companheiros. Lula se instalara havia semanas no gabinete presidencial quando se dispôs a desvendar o mistério. “Já no fim de 2002, apareceu lá uma companheira com um computadorzinho na mão”, contou com a placidez de quem está narrando uma história para crianças. era o Centro de Treinamento do BB. “Começamos a discutir e percebi que ela tinha um diferencial dos demais, porque ela vinha com a praticidade do exercício da secretaria. Aí eu fiquei pensando: acho que já encontrei a minha ministra”.

Simples assim. Se Dilma Rousseff fora secretária do governador Olívio Dutra, ponderou Lula ao presidente eleito, por que não promover a companheira do computadorzinho a ministra? Boa ideia, concordou com Lula o presidente eleito. O maior governante desde a chegada das caravelas entende de minas e energia tanto quanto entende de gramática e ortografia. Dilma Rousseff não entende do assunto muito mais que o chefe.  Do que trataram nas conversas a dois? O que teria ouvido Lula para julgar dispensáveis consultas a especialistas no ramo e pedidos de informações a quem convivera de perto com Dilma?

Ela se limitou a duas frases ao referir-se à conversa numa entrevista em 2077: “O presidente perguntou como tinha sido o apagão do Fernando Henrique no Rio Grande do Sul, e eu contei que lá não teve apagão”. Mitômanos, quando não mentem simplesmente, contam só um pedaço da verdade. Sim, os gaúchos não foram submetidos ao racionamento de energia imposto em 2001. Nem os catarinenses e os paranaenses, deixou Dilma de dizer. Como não faltaram chuvas, tampouco faltou água nos reservatórios da hidrelétricas da região sul. Os três Estados escaparam das medidas de emergência não pela competência dos secretários, mas pela clemência da natureza.

Sem chances de concorrer com quem derrotou até o apagão, Pinguelli conformou-se com  a presidência da Eletrobrás. Caiu fora em pouco tempo para não continuar exposto ao mau humor da ministra. “Essa moça formata o disquete a cada semana”, ironiza. Para permanecer no emprego, teria de engolir pitos sem engasgos, soluços nem queixumes, como aprendeu a fazer Mauricio Tolmasquim. Quando aceitou ser o secretário-executivo do ministério, ele mal conhecia a escolhida por Lula. Semanas depois da posse, Dilma já estava à vontade para trocar o tratamento cerimonioso por gritos e repreensões. “É o jeito dela, não é pessoal”, conforta-se Tolmasquim.  ”Em cinco minutos, fica tudo bem”.

“Nunca tive simpatia pela maneira como Dilma trata as pessoas”, diz o professor Ildo Sauer, demitido pela ministra da Diretoria de Gás e Energia da Petrobras. “Ela não conversa, só dá ordens. Mas é um doce com quem está acima dela”. Como a guerrilheira obediente aos comandantes dos grupos clandestinos, como a mulher dócil no trato com os maridos, como a secretária que nem piava nas reuniões do governo gaúcho, a ministra sempre sabe com quem está falando. Sabe, portanto, a hora do grito e a hora do sussurro.

Num e-mail endereçado aos amigos, Sauer confessou que foi uma das vítimas do conto da Unicamp. No fim de 2002, os integrantes do grupo de energia do Instituto Cidadania, do PT, entregaram à direção da entidade os currículos atualizados. Sauer leu o apresentado por Dilma e conferiu o ponto mais vistoso: tinha mesmo concluído o curso de doutorado?, perguntou. Diante da resposta positiva, quis saber se a doutora toparia participar da banca que examinaria a tese de um candidato a doutor. “Não tenho tempo para essas coisas”, recusou com rispidez a convidada.

“Hoje compreendo”, disse Sauer na mensagem pela internet. “O desprezo e o desdém eram ferramentas para encobrir a impostura… Há outras”. Quais seriam? Sauer não quer divulgá-las agora. “O que já se sabe é suficiente para mostrar que Dilma não é nada do que se imaginava”, explica. É só uma fraude.

Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

3 de dezembro de 2009

Nas três primeiras partes da entrevista, Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, dá uma aula sobre o pré-sal, explicando o que é a imensidão de petróleo descoberta há mais de 30 anos no litoral brasileiro. Entre outras críticas ao modelo de exploração proposto pelo atual governo, censura as pressões para que o Congresso aprove em três meses “uma das decisões mais importantes da história do país”. Sauer defende a realização de um plebiscito para que a população decida o que fazer com essa riqueza. Sugere que se vincule a produção ao dinheiro necessário para os investimentos em saúde, educação, transporte e infraestrutura. O restante deveria permanecer sob as águas. Nas duas últimas partes da conversa, o assunto é o apagão que atingiu 18 estados brasileiros e permanece sem explicação. Perplexo com as justificativas oferecidas por Edison Lobão, que culpou a chuva e os raios, Sauer afirma que a única explicação plausível está ligada a problemas de gestão e de organização, além da inexistência de monitoramento por parte da Aneel. Enquanto o mistério não é desvendado, o povo brasileiro - “que paga uma das tarifas mais caras do mundo pela energia que consome” - continuará refém de um sistema falho.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

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A Mentira e o Nada

24 de novembro de 2009

“E eu me referi à árvore de Natal também lá de Porto Alegre. Infelizmente não fui entendida, eu estava fazendo uma figura de retórica. Apagava a Petrobras e a gente trabalhava à luz de velas. Cansei de ir lá e trabalhar à luz de velas. O que disse foi que o racionamento lá não pegou integralmente o mês de dezembro. Caso se estivesse falando em racionamento não teria nem a árvore de Natal acesa. Seria escandaloso, se a casa não tivesse luz elétrica e tivesse uma baita árvore de Natal na esquina”.

Dilma Rousseff, Homem sem Visão de Agosto, cada vez mais à vontade, agora mostrando o que sai da boca de alguém quando a cabeça ordena que exercite a arte da mentira numa discurseira sobre o nada em dilmês vulgar.

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Clareza e honestidade

23 de novembro de 2009

“Tentamos evitar o show de pirotecnia em que, muitas vezes, a investigação nem começava e a pessoa já estava condenada pelos meios de comunicação”.

Lula, informando que foi um show de sensatez, clareza e honestidade o espetáculo da conversa fiada produzido pelo presidente da República e estrelado por Dilma Rousseff e Edison Lobão depois do maior apagão da história.

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Foi, mas não foi

19 de novembro de 2009

“Em um momento no qual muita gente questiona se está faltando investimento, com certeza não é falta de investimentos”.

Nelson Hubner, diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, deixando muito claro que, embora não tenham faltado investimentos, o apagão não ocorreu por falta de investimento.

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Socorro esotérico

18 de novembro de 2009

“Dizem que foi raio, que foi tempestade. Ninguém sabe. Já que ninguém sabe, vamos chamar a Fundação Cacique Cobra Coral para dar uma opinião de vidência já que a ciência a administração pública não respondem às nossas dúvidas”.

Arthur Virgílio, justificando sua proposta ─ aprovada pela Comissão de Ciência e Tecnologia  nesta quarta-feira ─ de convocar uma entidade esotérica para ajudar o Senado a decifrar o mistério do apagão.

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Linguagem de estadista

17 de novembro de 2009

“Lobão, que porra é essa? Vou pra casa dormir, mas meu celular vai ficar ligado!”

Lula, no momento do apagão, que o surpreendeu ao lado de Edison Lobão, reafirmando, conforme a notícia divulgada pelo blog do jornalista Josias de Souza, que mesmo em situações adversas mantém a serenidade e a linguagem refinada que marcam seu convívio com ministros de Estado.

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Rapinagem eufórica

16 de novembro de 2009

“Aves de rapina não se aguentam de alegria pelo blecaute”.

Ricardo Berzoini, presidente do PT, o maior viveiro de aves de rapina do planeta, aparentemente confessando que reina a euforia entre a companheirada depois da descoberta de que o Brasil ficou no escuro porque houve um blecaute, que é apagão mas fala inglês.