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Amapá

02/12/2011

às 5:55 \ Sanatório Geral

Amapá em perigo

“Confesso que, independente das divergências políticas que possamos ter, vamos trabalhar pelo Amapá acima de tudo.”

João Capiberibe, senador do PSB do Amapá, ao tomar posse nesta terça-feira depois de alguns meses de espera impostos pela lei da Ficha Limpa, ameaçando a população do Estado com a promessa de trabalhar em parceria com o senador José Sarney, vulgo Madre Superiora.

01/12/2011

às 17:37 \ Feira Livre

A face do poder: um retrato de Sarney

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Marco Antonio Villa

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é a mais perfeita tradução do oligarca brasileiro. Começou jovem na política, conduzido pelo pai. Aos 35 anos resolveu mudar de nome. Tinha acabado de ser eleito governador do seu estado. Foi rebatizado por desejo próprio. Alterou tudo: até o sobrenome. Virou, da noite para o dia, José Sarnei Costa. O Costa logo foi esquecido e o Sarnei, já nos anos 80, ganhou um “y” no lugar do “i”. Dava um ar de certa nobreza.

Na história republicana, não há personagem que se aproxime do seu perfil. Muitos tiveram poder. Pinheiro Machado, na I República, durante uma década, foi considerado o fazedor de presidentes. Contudo, tinha restrita influência na política do seu estado, o Rio Grande do Sul. E não teve na administração federal ministros da sua cota pessoal. Durante o populismo, as grandes lideranças lutavam para deter o Poder Executivo. Os mais conhecidos (Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Leonel Brizola, entre outros), mesmo quando eleitos para o Congresso Nacional, pouco se interessavam pela rotina legislativa. Assim como não exigiram ministérios, nem a nomeação de parentes e apaniguados.

Mas com José Ribamar Costa, hoje conhecido como José Sarney, tudo foi – e é – muito diferente. Usou o poder central para apresar o “seu” Maranhão. E o fez desde os anos 1960. Apoiou o golpe de 1964, mesmo tendo apoiado até a última hora o presidente deposto. Em 1965, foi eleito governador e, em 1970, escolhido senador. Durante o regime militar priorizou seus interesses paroquiais. Nunca se manifestou contra as graves violações aos direitos humanos, assim como sobre a implacável censura. Foi um senador “do sim”. Obediente, servil. Presidiu o PDS e lutou contra as diretas já. No dia seguinte à derrota da Emenda Dante de Oliveira – basta consultar os jornais da época – enviou um telegrama de felicitações ao deputado Paulo Maluf – que articulava sua candidatura à sucessão do general Figueiredo – saudando o fracasso do restabelecimento das eleições diretas para presidente. Meses depois, foi imposto pela Frente Liberal como o candidato a vice-presidente na chapa da Aliança Democrática. Tancredo Neves recebeu com desagrado a indicação. Lembrava que, em 1983, em fevereiro, quando se despediu do Senado para assumir o governo de Minas Gerais, no pronunciamento que fez naquela Casa, o único senador que o criticou foi justamente Ribamar Costa. Mas teve de engolir a imposição, pois sem os votos dos dissidentes não teria condições de vencer no Colégio Eleitoral.

Em abril de 1985, o destino pregou mais uma das suas peças: Tancredo morreu. A Presidência caiu no colo de Ribamar Costa. Foram cinco longos anos. Conduziu pessimamente a transição. Teve medo de enfrentar as mazelas do regime militar – também pudera: era parte daquele passado. Rompeu o acordo de permanecer 4 anos na Presidência. Coagiu – com a entrega de centenas de concessões de emissoras de rádio e televisão – os constituintes para obter mais um ano de mandato. Implantou três planos de estabilização: todos fracassados. Desorganizou a economia do país. Entregou o governo com uma inflação mensal (é mensal mesmo, leitor), em março de 1990, de 84%. Em 1989, a inflação anual foi de 1.782%. Isso mesmo: 1.782%!

A impopularidade do presidente tinha alcançado tal patamar que nenhum dos candidatos na eleição de 1989 – e foram 22 – quis ter o seu apoio. O esporte nacional era atacar Ribamar Costa. Temendo eventuais processos, buscou a imunidade parlamentar. Candidatou-se ao Senado. Mas tinha um problema: pelo Maranhão dificilmente seria eleito. Acabou escolhendo um estado recém-criado: o Amapá. Lá, eram 3 vagas em jogo – no Maranhão, era somente uma. Não tinha qualquer ligação com o novo estado. Era puro oportunismo. Rasgou a lei que determina que o representante estadual no Senado tenha residência no estado. Todo mundo sabe que ele mora em São Luís e não em Macapá. E dá para contar nos dedos de uma das mãos suas visitas ao estado que “representa”. O endereço do registro da candidatura é fictício? É um caso de falsidade ideológica? Por que será que o TRE do Amapá não abre uma sindicância (um processo ou algo que o valha) sobre o “domicílio eleitoral” do senador?

Espertamente, desde 2002, estabeleceu estreita aliança com Lula. Nunca teve tanto poder. Passou a mandar mais do que na época que foi presidente. Chegou até a anular a eleição do seu adversário (Jackson Lago) para o governo do Maranhão. Indicou ministros, pressionou funcionários, fez o que quis. Recentemente, elegeu-se duas vezes para a presidência do Senado. Suas gestões foram marcadas por acusações de corrupção, filhotismo e empreguismo desenfreado. Ficaram famosos os atos secretos, repletos de imoralidade administrativa.

O mais fantástico é que em meio século de vida pública não é possível identificar uma realização, uma importante ação, nada, absolutamente nada. O seu grande “feito” foi ter transformado o Maranhão no estado mais pobre do país. Os indicadores sociais são péssimos. Os municípios lideram a lista dos piores IDHs do Brasil. Esta é a verdadeira face do poder de Ribamar Costa. Como em uma ópera-bufa, agora resolveu maquiar a sua imagem. Patrocinou, com dinheiro público, uma pesquisa para saber como anda seu prestígio político. Não, senador. Faça outra pesquisa, muito mais barata. Caminhe sozinho, sem os seus truculentos guarda-costas, por uma rua central do Rio de Janeiro, São Paulo ou Brasília. E verá como anda sua popularidade. Tem coragem?

15/11/2011

às 13:51 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: Soterrado por provas de desonestidade, Lupi encavala argumentos que nem Nem teria coragem de utilizar

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Os patéticos corruptos de Lula/Dilma são tão bandidos que seus “malfeitos” corrompem até velhas e consagradas piadas. Aquela que contrapunha a absurda existência de um Ministério da Marinha na Bolívia, país sem litoral, à de um Ministério da Justiça no Brasil, durante a ditadura militar, acaba de perder a graça. Pois o ex-jornaleiro maragato que vive suas últimas horas como ministro de Estado teve a ousadia de surrupiar à Bolívia a glória sem precedentes de sua Marinha sem mar.

Como revela a Folha de hoje, tem a assinatura de Carlos Lupi, após o protocolar, e nesse caso cínico, “certifico e dou fé”, documento do Ministério do Trabalho e Emprego concedendo registro ao Sindicato das Indústrias da Construção e Reparação Naval do estado do Amapá. Sim, o mesmo Amapá, transformado por Sarney em apêndice do Maranhão.

Quanto vale um sindicato registrado na república sindicalista instituída por Lula, na qual não existe um único sindicalista desempregado? Alguns milhões, por mais insignificante que seja a representação sindical ─ é dinheiro sugado de contribuição tungada mensalmente das empresas e, uma vez por ano, de todos os trabalhadores deste país, e que tem feito a fortuna de dirigentes de entidades como a Força Sindical. Em Florianópolis, por exemplo, existe um certo Sindicato de Trabalhadores nas…Entidades Sindicais de Florianópolis. Ou seja: um sindicato de sindicalistas. Sim, quem tem um sindicato tem a força. Paulinho, amigão e defensor de Lupi, tem a força da força.

Voltemos à indústria naval do Amapá. O estado de estimação de Sarney e do miniministro Pedro Novais – que ali instalou centenas de cursos-fantasma de capacitação de serviços turísticos antes que a CVC tivesse montado seu primeiro pacote para Macapá ─ tem litoral, ao contrário da Bolívia. São 700 quilômetros de costa – e apenas três praias. Mas nunca fez um navio. Uma lancha, um barco que seja. Um caiaque. Uma piroga. O estado não tem estaleiros, não tem indústria de construção nem, evidentemente, de reparação naval. Mas tem um sindicato para representar os trabalhadores do setor.

Repare no nome: Sindicato das Indústrias da Construção… Indústrias: mais de uma. Faz sentido? Para Carlos Lupi fez todo o $entido do mundo. Tanto que certificou e deu fé. Sua boa fé. Graças ao bom ministro Lupi, o trabalhista e empreguista juramentado Lupi, o SICRN – o acróstico é por minha conta, porque o sindicato nem site tem, quanto mais sigla e sede ─ credenciou-se a receber seu quinhão no butim sindical.

As provas da ladroagem encheriam um Titanic, antes do naufrágio: tudo é fantasma nesse sindicato, da ata à pata que a assina. Seu “presidente” não é um capitão de navio, mas o motorista de uma cooperativa de veículos controlada por um aliado do deputado pedetista Bala Rocha. Bala? José Simão, onde está você? Ah! Lupi coonestou também outros sindicatos amapaenses que só existem no papel e no extrato bancário onde cai o repasse da contribuição sindical ─ como o de indústrias e papel de celulose. O Amapá não produz sequer guardanapos ─ embora oferecesse cursos de capacitação para ensinar a dobrá-los.

Confrontado com mais uma prova cabal de sua acachapante desonestidade, o ministro Lupi saiu-se com uma nota oficial que encavala argumentos que nem Nem seria capaz de utilizar, quando pego em flagrante. Entre eles: “a organização sindical é livre” e “não cabe ao ministro apurar se os integrantes da entidade possuem indústria no ramo ao qual pretendem representar”. Não? A quem cabe, então? Se fosse um homem decente, precisaria fazer algum esforço mental para desconfiar da poderosa “indústria naval” do Amapá e, por conseguinte, glosar a formação de um sindicato que represente seus inexistentes trabalhadores?

Lupi está em estado de putrefação, mas ainda agarrado à tábua dos náufragos. Se não cair hoje, em homenagem ao Dia da República, a presidente Dilma será conivente.

E, nesse caso, deverá mandar hastear a meio pau a bandeira brasileira no mastro do Palácio do Planalto.

12/10/2011

às 16:55 \ Sanatório Geral

Saunas superfaturadas

“O pior é que as outras três escolas ainda não concluídas foram feitas com projetos iguais”.

Ubiracildo Macedo, empreiteiro no Amapá, dono da Elos Engenharia, premiada com um contrato para a construção de escolas em Macapá que, além de custarem o dobro do preço normal, torturam os alunos em salas de aula com temperatura ambiente de 45 graus, avisando que a fabricação de saunas superfaturadas vai continuar.

13/08/2011

às 7:04 \ Sanatório Geral

Pecadora inocente

“Se alguém fica sabendo de algo tão grave assim e não faz nada, no mínimo é conivente”.

Fátima Pelaes, deputada da base alugada, setor PMDB, guichê do Amapá, especialista em convênios bandidos com o Ministério do Turismo, explicando que não sabia que tungar dinheiro público é pecado.

13/05/2011

às 13:02 \ Sanatório Geral

Madre sincera

“Se antigamente o homem emigrava por comida e espaço, hoje ele o faz por motivos políticos ou pelo desejo de melhores condições de vida”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, na coluna desta sexta-feira na Folha, sobre o fenômeno das migrações, confessando que baixou no Amapá para ampliar os domínios da capitania hereditária e melhorar ainda mais o vidaço da Famiglia.

22/09/2010

às 3:28 \ Sanatório Geral

Tantas emoções

“Não vou falar mais nada porque estou emocionado”.

Pedro Paulo Dias, governador do Amapá, depois de deixar a prisão em Brasília, emocionado demais para dar explicações sobre as acusações de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, tráfico de influência, fraude em licitações públicas e formação de quadrilha.

22/09/2010

às 1:05 \ Sanatório Geral

Faltou o raio

“É São Pedro me saudando e saudando o povo do Amapá”.

Pedro Paulo Dias, governador do Amapá, depois da curta temporada na gaiola por acusações de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, ocultação de bens, tráfico de influência, fraude em licitações públicas e formação de quadrilha, quando a chuva começou a estragar o comício em homenagem aos gatunos libertados, mostrando que também não teme a Justiça divina, que em outros tempos puniria o autor da blasfêmia com um raio bíblico no meio da cabeça.

21/09/2010

às 14:06 \ Sanatório Geral

Interlocutor de Deus

“E ali, sozinho naquela sala – em minhas conversas diárias com Ele – eu perguntava: por que? A quem interessa a minha derrocada? A quem interessou esse tumulto, toda essa confusão?”

Pedro Paulo Dias, governador do Amapá, ao comentar sem ficar ruborizado a curta temporada na gaiola, fingindo ignorar que, se quiser encontrar o culpado, é só olhar no espelho.

20/09/2010

às 21:10 \ Sanatório Geral

Vai piorar

“O povo espera explicações. Muitas situações estão sendo colocadas. Mas ele não tem essa culpa toda”.

Luciano Dias, candidato a deputado federal pelo PP e sobrinho do governador do Amapá Pedro Paulo Dias, sobre o desvio de dinheiro público cometido pelo tio, avisando que a coisa é muito mais feia do que a polícia imagina.


 

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