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Aécio Neves

06/02/2012

às 16:03 \ Feira Livre

‘Crer e perseverar’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

Fernando Henrique Cardoso

Nas duas últimas semanas apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia. É inegável que está havendo uma “despolitização” da sociedade não só no Brasil, mas em geral. O “triunfo do mercado” levou às cordas as colorações políticas. Parece que tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de “malfeitos”, não há voz que ressoe contra os governos. Nos que caem em desgraça sem terem feito a “lição de casa” ─ sem terem gerado um “superávit primário” ─, aí sim, os governos em exercício pagam o preço. Caem porque são vistos como incapazes de assegurar o bom pagamento aos mercados. Não importa ser de coloração mais progressista ou mais conservadora. Caem sem que tenha havido um debate político-ideológico que mostre suas fraquezas eventuais, mas porque o rancor das massas gerado pelo mal-estar econômico-financeiro se abate sobre os líderes do momento.

O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões. Pior ainda quando essas vozes estão roucas ou preferem sussurrar. Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior como pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição tornou-se um ato de contrição.

Mas que importa? Também era assim no período do milagre dos anos 1970, durante o regime militar. A oposição nada podia esperar, a não ser censura, cadeia ou tortura. Não obstante, não calou. Colheu derrotas eleitorais e políticas, resistiu até que, noutra conjuntura, venceu. Hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável. Só que falta, o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê?

Eis o enigma. Não faltam candidatos. Ainda recentemente, em conversa analítica que fiz com uma jornalista da The Economist, ressaltei que há vários, e não só no PSDB. Neste o mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar clara em 2010 sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos. O isolamento em que sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória. Se o candidato tivesse expressado com mais força as suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas.

Quem sabe por este caminho se decifre o enigma: falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco, faz propaganda do que não concretizou inteiramente e coloca no altar os “vencedores”, mesmo quando estes ganham à custa do dinheiro do povo, que paga impostos cada vez mais regressivos.

Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral dominante em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas? Encarnará a mudança com a energia necessária e o desprendimento que é o motor da ousadia, arriscando-se a dizer verdades inconvenientes, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe “outro lado” e confie nele para abrir perspectivas melhores?

Refiro-me aos dois por serem os mais cogitados no momento. Não são os nomes que importam agora, mas a disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública e ─ façamos a distinção ─ da opinião popular. É evidente que o governo, qualquer governo, leva vantagens, principalmente desde que o lulopetismo instalou a regra de que tudo vale para manter o poder: clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública, etc. Entretanto, também no regime militar o governo levava vantagens. Mas nós lutávamos não para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas.

A elucidação do enigma requer perseverança e coragem. Eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula porque tinha uma mensagem: a da estabilização da economia com o Real e o início da distribuição de rendas. Mesmo sem propagandear, a pobreza deixou de atingir mais de 15 milhões de pessoas com a estabilização dos preços e a política de aumentos reais do salário mínimo, que começou em 1994. Não foi fácil ganhar os apoios para pôr em ação o Plano Real, precisei brigar muito. Lula ganhou porque pregou, no início no deserto, ser ele o portador da mensagem que levaria a um mundo melhor. Perseverou, rodou o Brasil, abandonou a tribuna parlamentar e, no começo, desprezou a mídia. Mostrou-se audacioso, desprendido e generoso. Se sinceramente ou não, é outra questão: a Carta aos Brasileiros está à disposição dos historiadores para que julguem. Mas o povo acreditou.

É esta a verdadeira questão da oposição, e deveria ser a preocupação dos pré-candidatos: mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau. Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem ─ o discurso ─ para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional.

Quem o fizer terá chances de ser o candidato da oposição e, eventualmente, ganhar as eleições. Isso independe de manobras de cúpula, simpatias e interesses menores.

Não se pense que nossa realidade será sempre o que hoje parece ser: uma sociedade conformada, legendas eleitorais disputando mordomias no dá-cá-toma-lá entre governo e congressistas e a voz do governo a tonitruar como um trovão divino, a que todos se curvam prestimosos. É só mudar a conjuntura e a cena muda, se a oposição apresentar alternativas. Mesmo que não mude, nada deve alterar nossos valores e convicções. Continuemos com eles, pois “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.

03/02/2012

às 8:52 \ Frases

Está decidido

“O Fernando Henrique falou o que o partido pensa. O nosso candidato é o Aécio Neves.”

Sérgio Guerra, presidente do PSDB.

25/01/2012

às 13:53 \ Frases

Ponto final

“Aécio Neves”.

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, ao ser questionado por jornalistas da revista inglesa The Economist sobre quem seria o candidato natural do PSDB à sucessão de Dilma Rousseff.

 

10/01/2012

às 9:48 \ Frases

Inimigo íntimo

“Eu não confundo adversário com inimigo”.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG), ao rebater as críticas de aliados da oposição que se declararam decepcionados com seu desempenho político.

21/12/2011

às 5:31 \ Sanatório Geral

Oposição a favor

“Somos, de certa forma, reféns do dia a dia. Nem sempre nos sobram tempo e disposição para romper com o cotidiano e vislumbrar o que se descortina à nossa frente. Encastelados no território confortável do presente, nos assalta, muitas vezes, a perplexidade do futuro.”

Aécio Neves, senador do PSDB de Minas Gerais, em sua crônica semanal na Folha, aproveitando a homenagem aos 104 anos do arquiteto Oscar Niemeyer para explicar por que a oposição não se opõe.

09/11/2011

às 20:49 \ Sanatório Geral

Sem fantasia

“Hoje estou fantasiado de homem invisível”.

Aécio Neves, senador pelo PSDB de Minas Gerais, durante festa no dia das bruxas.

27/10/2011

às 21:04 \ Frases

Projeto e destino

“Presidência é destino muito mais do que projeto. O que vier para mim, estarei pronto”.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG).

13/10/2011

às 22:04 \ Sanatório Geral

Filme antigo

“Estarei pronto, seja Lula ou Dilma.”

Aécio Neves, senador do PSDB de Minas Gerais, avisando em entrevista ao Estadão que topa disputar a Presidência da República em 2014 contra qualquer candidato do PT.

“2014 está longe. Antes vem 2012. Querer colocar o carro adiante dos bois só atrapalha e desorganiza.”

José Serra, ex-governador de São Paulo, usando o  Twitter para avisar que faz questão de perder pela terceira vez uma eleição presidencial.

10/10/2011

às 15:53 \ Sanatório Geral

Leilão permanente

“Eles estão passando por uma disputa interna e Aécio, um dos políticos mais talentosos do país, busca marcar sua posição.”

Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara, sobre a entrevista em que o senador Aécio Neves confirmou que vai disputar a sucessão presidencial, deixando claro que, se os tucanos não forem sovinas e as pesquisas apresentarem resultados favoráveis, o que Ciro Gomes chamou de “ajuntamento de assaltantes” está pronto para fechar um acordo com o PSDB e indicar o candidato a vice em 2014.

07/09/2011

às 9:07 \ Frases

Dentro da média

“Dilma vai ficar com um cinco. Não me soa crível nem sincero que ela seja avessa a qualquer tipo de deslize na administração pública”.

Aécio Neves, senador (PSDB-MG).


 

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