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11 de setembro

14/01/2012

às 10:20 \ Feira Livre

Meu pesadelo em Guantánamo

TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA SEXTA-FEIRA

Prisão de Guantánamo permanece aberta um ano apos Obama prometer fechá-la

Prisão de Guantánamo permanece aberta um ano depois de Barack Obama prometer fechá-la (Foto: John Moore/Getty Images)

Lakhdar Boumediene

Há dez anos foi aberto o campo de detenção na base naval americana da Baía de Guantánamo. Durante sete anos ali estive preso, sem explicação ou acusação. Minhas filhas cresceram sem mim.

Elas mal começavam a andar quando fui detido e jamais tiveram permissão para me visitar ou falar comigo ao telefone. Muitas de suas cartas foram devolvidas com o carimbo “não entregar”. As poucas que recebi foram censuradas, a ponto de suas mensagens de amor e apoio se perderem.

Para alguns políticos americanos, as pessoas detidas em Guantánamo são terroristas, mas nunca fui um terrorista. Se tivesse sido levado a um tribunal quando fui preso, as vidas das minhas filhas não teriam sido destroçadas e minha família não teria sido lançada na pobreza. Somente depois de a Suprema Corte dos EUA ordenar que o governo justificasse suas ações perante um juiz federal consegui limpar meu nome e reunir-me com minha família.

Deixei a Argélia em 1990 para trabalhar no exterior. Em 1997, mudei-me com minha mulher e filhas para a Bósnia-Herzegovina a pedido do meu empregador, a Sociedade do Crescente Vermelho dos Emirados Árabes Unidos, na qual trabalhei em Sarajevo como diretor de ajuda humanitária para crianças que perderam os pais durante o conflito. Em 1998 tornei-me cidadão bósnio. Tínhamos uma vida tranquila, mas tudo mudou depois do 11 de Setembro.

Quando cheguei ao trabalho na manhã de 19 de outubro de 2001, um agente do serviço de inteligência me aguardava. Pediu para que o acompanhasse para ser interrogado. Obedeci de bom grado, mas posteriormente fui informado de que não poderia voltar para casa. Os EUA solicitaram às autoridades locais minha prisão e a de cinco indivíduos. De acordo com notícias veiculadas na imprensa na época, os EUA acreditavam que eu armava um complô para explodir sua embaixada em Sarajevo. Jamais pensei nisso.

O fato de que os EUA cometeram um erro ficou claro desde o início. A Suprema Corte da Bósnia analisou as alegações apresentadas pelos americanos e concluiu que não havia provas contra mim, ordenando minha liberação. Em vez disso, no momento em que fui libertado, agentes americanos detiveram a mim e a outros cinco. Fomos amarrados como animais e enviados de avião para Guantánamo, a base naval americana em Cuba. Chegamos lá em 20 de janeiro de 2002.

Eu ainda tinha fé na Justiça americana. Acreditava que meus captores rapidamente verificariam o erro. Mas quando não dei a meus inquiridores as respostas que desejavam – como poderia, se não tinha feito nada? -, seu comportamento foi se tornando mais brutal. Fui mantido acordado durante vários dias sucessivos. Obrigado a permanecer em posições dolorosas durante horas. São coisas sobre as quais não gosto de escrever.

Empreendi uma greve de fome por dois anos, pois ninguém me informava a razão de estar preso. Duas vezes por dia, meus carrascos me enfiavam pelo nariz um tubo que passava pela minha garganta e chegava ao meu estômago para conseguirem me alimentar. Era atroz, mas eu era inocente e assim mantive o meu protesto.

Em 2008, minha demanda por um processo legal justo chegou à Suprema Corte americana. Na sua sentença, a corte declarou que “as leis e a Constituição são projetadas de modo a sobreviverem, e vigorarem, em períodos de exceção”. E decidiu que prisioneiros como eu, não importa o quão graves sejam as acusações, têm direito de defender-se perante os tribunais. Reconheceu uma verdade básica: o governo comete erros.

Cinco meses depois, o juiz Richard J. Leon reexaminou as alegações oferecidas para justificar minha prisão, incluindo informações secretas sobre as quais jamais tive conhecimento. O governo abandonou a acusação de complô para explodir sua embaixada antes mesmo de ser ouvido pelo juiz, que após a audiência ordenou minha libertação e a de quatro outras pessoas também presas na Bósnia.

Jamais esquecerei a cena em que eu, sentado ao lado dos outros quatro detentos numa esquálida sala em Guantánamo, ouvi por um alto-falante indistinto o juiz ler sua sentença na sala de um tribunal em Washington. Ele implorou ao governo que não recorresse da decisão, pois “sete anos esperando que o nosso sistema legal lhes desse uma resposta a uma pergunta tão importante, no meu julgamento, foi demasiado”. Fui libertado em 15 de maio de 2009.

Vivo na Provença, com minha mulher e filhos. A França propiciou-nos um lar e um novo começo. Tive a felicidade de retomar os laços com minhas filhas e, em agosto de 2010, recebi um novo filho, Yousef. Estou aprendendo a dirigir, fazendo uma reciclagem profissional e reconstruindo minha vida. Espero voltar a trabalhar ajudando as pessoas, mas, até agora, como resultado de ter passado sete anos e meio detido em Guantánamo, apenas algumas organizações de direitos humanos pensaram em me contratar.

Não gosto de pensar em Guantánamo. As lembranças são muito sofridas. Mas compartilho aqui a minha história, pois 171 homens permanecem lá. Entre eles está Belkacem Bensayah, preso na Bósnia e enviado para Guantánamo comigo.

Cerca de 90 prisioneiros foram inocentados e autorizados a ser transferidos de Guantánamo. Alguns são de países como Síria ou China – onde serão torturados se retornarem a casa – ou do Iêmen, que os EUA consideram um país instável. De modo que eles continuam cativos, sem um fim em vista. Não porque são perigosos ou porque atacaram os Estados Unidos, mas porque o estigma de Guantánamo significa que não têm um lugar para onde ir e os EUA não darão abrigo a nenhum deles.

Fui informado que meu processo perante a Suprema Corte hoje é estudado nas escolas de Direito. Talvez um dia isso me proporcione alguma satisfação, mas enquanto a prisão de Guantánamo permanecer aberta e homens inocentes continuarem lá, meus pensamentos estarão com eles, esquecidos naquele lugar de sofrimento e injustiça.

21/09/2011

às 13:09 \ Feira Livre

‘Márcia Honorato não deve morrer’, um artigo de Daniel Aarão Reis

TEXTO PUBLICADO NO GLOBO DESTA TERÇA-FEIRA

Márcia Honorato

Daniel Aarão Reis

Nas comemorações realizadas em Nova York, em 11 de setembro passado, foi emocionante o momento em que se leram os nomes e os sobrenomes dos mortos no atentado às torres gêmeas do World Trade Center. Gravados na pedra, entoados em voz alta, era como se os presentes quisessem dizer: vocês desapareceram, mas estão conosco, em nossa memória, e nela e na pedra permanecerão enquanto os humanos tiverem capacidade de evocar.

Quando tem nome e sobrenome, a morte de uma pessoa adquire uma espécie de espessura. Na identificação, uma tentativa de lutar contra o pó e as cinzas, o anonimato, o esquecimento.

A bonita cerimônia fez-me recordar um livro de Yves Courrière, publicado há algumas décadas, bem escrito e documentado, sobre a guerra que os argelinos travaram pela independência, contra a pretensão colonialista da sofisticada e civilizada França. Referindo-se aos colonos franceses, mortos pela guerrilha argelina, o autor, sempre que possível, cuidava de identificá-los, com nome e sobrenome, proporcionando ao leitor uma sensação de mal-estar, como se conhecesse as pessoas que estavam morrendo. Uma experiência penosa, capaz de suscitar interesse e compaixão. No entanto, quando falava dos mortos argelinos – cerca de um milhão em 8 anos de guerra, muitos enterrados vivos, outros, queimados por bombas incendiárias -, talvez por desconhecimento, ou distração, ou simplesmente porque eram muito mais numerosos, os nomes eram quase sempre substituídos por números. Frios. Os números, frios. Em vez dos nomes, quentes. De sorte que a sensação que se tinha era que os argelinos passavam melhor e mais levemente para a eternidade do que os franceses. A chave da diferença era que uns tornavam-se anônimos, sem nome, nem sobrenome. Que os outros, os franceses, tinham.

De fato, os nomes e os sobrenomes podem salvar um morto do esquecimento. Mas podem igualmente salvar uma vida.

A vida, por exemplo, de uma pessoa que tem nome e sobrenome: Márcia Honorato. Felizmente, está viva. E esperamos que viva continue. Mas ela está ameaçada de morrer. Não de morte natural, mas assassinada.

Quem é Márcia Honorato?

Ela faz parte da Rede contra a Violência do Estado do Rio de Janeiro e também da Rede Nacional de Familiares das Vítimas do Estado.

Desde 2005, há longos seis anos, quando policiais militares mataram 29 pessoas entre Nova Iguaçu e Queimados, resolveu entrar numa luta que não poucos consideram insana: levar à Justiça os responsáveis pelos desmandos. Cerca de dois anos depois, em abril de 2007, recebeu em casa a visita de dois homens. Um deles esfregou uma arma de fogo em seu rosto e perguntou: “Você é um anjo, está querendo morrer?” Ela teve então que se esconder: largou casa, filhos, família e atividade profissional. Perambulou por aí até que, um pouco mais de um ano depois, a partir de junho de 2008, inscreveu-se no Programa Nacional de Proteção aos Direitos Humanos/PNPDH, uma espécie de clandestinidade oficial, se o paradoxo é permitido, pois, em tese, clandestinos são, ou deveriam ser, os que vivem à margem da Lei, acuados pelo Estado. Mas, no caso de Márcia, enquanto os agentes da Lei, que a ameaçaram de morte, permaneciam trafegando e traficando à luz do dia, em nome do Estado, ela caiu na clandestinidade, protegida por um programa oficial.

Mas a situação, em vez de melhorar, piorou. Não a encontrando mais, os caçadores ameaçaram sua família. Entraram na linha de mira os filhos, a sogra e o ex-marido, chamados impudicamente de “vítimas colaterais”. De sedentários, com domicílio conhecido, todos viraram nômades. Pulando de galho em galho, em moradias provisórias, precárias, arriscadas. Sem teto e sem segurança. Sob proteção, mas desprotegidos, à deriva.

Em julho deste ano, Márcia tentou falar pessoalmente com a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, durante as homenagens que se fizeram às vítimas da Chacina da Candelária. Não foi possível. Disseram-lhe que o seu caso estava “resolvido”. Que não fosse inadequada. Se continuasse importunando, poderia acabar sozinha.

No último dia 12 de setembro, um dia depois das homenagens aos mortos de Nova York, ela foi novamente vítima de um duplo atentado: um automóvel – com as mesmas características – tentou atropelá-la duas vezes no Centro da cidade do Rio de Janeiro. Seus ocupantes, ostensivamente, usavam capuzes. Entre uma e outra tentativa, apareceram outros PMs com atitudes intimidativas.

Márcia está com a vida em perigo. Faz lembrar os versos amargos da poeta Dinha, do Parque Bristol, da periferia de São Paulo: “De aqui, de dentro da guerra, qualquer tropeço é motivo”. Márcia tropeçou em mãos assassinas. Mas continua firme, embora tenha a morte anunciada, prometida e jurada. Ainda segundo a Dinha: “A morte te chama, te atrai, te cobiça”.

Ela tem um único trunfo: tem nome e sobrenome. Assim como as autoridades que têm responsabilidade por protegê-la: Dilma Rousseff, Maria do Rosário, Sergio Cabral, Eduardo Paes. Que detenham as mãos assassinas dos encapuzados, anônimos e sem-lei. É demasiado exigir-lhes que retirem Márcia da clandestinidade, recriando condições para que ela possa exercer efetivamente os direitos – que são seus – de cidadã?

Veremos daqui a alguns dias a reedição do assassinato da juíza Patrícia Acioli? Márcia Honorato não deve morrer, não pode morrer e não vai morrer. Sob pena de esta cidade, apesar da Copa e das Olimpíadas, virar mesmo, como denuncia a poeta da periferia, um cemitério geral de pessoas. Mesmo que estejam vivas.

15/09/2011

às 22:04 \ Frases

Campeão solidário

“Quero me solidarizar com as pessoas que sofreram no 11 de setembro. Essas coisas são mais importantes que o esporte”.

Novac Djokovic, ao vencer o torneio Aberto de Tênis dos Estados Unidos.

27/07/2011

às 16:47 \ Feira Livre

‘O terrorista da Noruega’, um artigo de João Pereira Coutinho

ARTIGO PUBLICADO NA FOLHA DESTA TERÇA-FEIRA

João Pereira Coutinho

Há algo de podre no reino da Noruega. Ou não há? Lendo os jornais, acreditamos que não. Tudo é silêncio. Nenhum sermão sobre esse tipo de massacre.

Estranho: quando um louco entra numa escola americana e abre fogo sobre os estudantes, a mídia é inundada por sábios, dispostos a explicar tudo, exceto o óbvio.

A culpa é da América. A culpa é de uma história nacional de violência que sempre promoveu a violência. A culpa é das armas, vendidas em todo o lado, sem restrições.

A culpa é dos filmes. Da televisão. Da MTV. Do sr. Marilyn Manson. Do Mickey Mouse. A culpa é de todo mundo, exceto de quem premiu o gatilho.

Esse raciocínio não se aplica apenas às matanças americanas. Aplica-se também ao terrorista clássico, leia-se islamita, que o 11 de Setembro catapultou para as primeiras páginas. Uma bomba em Londres, Madri ou Tel Aviv?

A culpa não é dos terroristas. A culpa, deliciosa ironia, é novamente da América. Ou do seu irmão mais novo, Israel, que “roubou” a terra dos palestinos. A culpa é da pobreza. A culpa é da fome. A culpa é do colonialismo. A culpa é nossa, nunca dos outros.

Nada disso existe nas reações conhecidas ao massacre da Noruega. Os sábios ficaram sem roteiro e olham, pasmados, para os números: das vítimas e, já agora, da excelência do país.

Anthony Browne, no “Sunday Telegraph”, recordava alguma dessa excelência. Segundo as Nações Unidas, a Noruega está no top dos países com melhor qualidade de vida. É presença permanente nas missões de paz em zonas de conflito. É o maior doador de ajuda externa per capita do mundo.

Também não existe nenhuma sombra colonial, ou imperial, a pairar sobre os noruegueses. Em matéria econômica, a Noruega conjuga o supremo sonho dos progressistas: igualdade social com crescimento econômico.

E sobre as armas, sim, elas existem num país de caçadores; mas a legislação sobre a compra e o porte de armas é das mais rigorosas da Europa. O que resta, depois de tudo isso?

Restam três palavras: Anders Behring Breivik. Ou, como o próprio assinou no seu manifesto de 1.500 páginas, Andrew Berwick. Não é preciso procurar as causas imaginárias quando é o próprio a explicar o seu pensamento.

E o seu pensamento, já traduzido pela revista “Foreign Policy”, é indistinguível do pensamento radical jihadista que nos assalta sazonalmente.

Encontramos o mesmo desprezo pela democracia liberal e pelas sociedades pluralistas do Ocidente. A mesma náusea pela “cultura de tolerância” e pelo reles materialismo dos ocidentais.

O mesmo toque de misoginia e puritanismo em relação ao “sexo frágil” -as páginas sobre os hábitos sexuais “devassos” da mãe e da irmã arrepiam qualquer um.

E, surpresa das surpresas, uma admiração assaz heterodoxa pela Al Qaeda e pelo seu defunto líder, Osama bin Laden. Bizarro?

Nem por isso. Breivik despreza a “islamização” da Europa e deseja travá-la pela força das armas. Mas, nessa fobia demente, existem palavras de admiração sobre a disciplina, a tenacidade e até o manual de treino da turma de Bin Laden.

Aliás, os objetivos de ambos são similares: reconquistar a Europa para uma fé perdida. No caso de Bin Laden, reconquistar a Europa para o profeta.

Para Breivik, reconquistá-la para a cristandade. “Tal como os guerreiros jihadistas são as ameixoeiras da Ummah [o mundo islâmico]“, escreve Breivik no manifesto, “nós seremos as ameixoeiras da Europa e do cristianismo.”

Quem disse que os inimigos não nutriam admiração mútua? Hitler era um admirador sincero da violência e da implacabilidade de Stálin.

Regresso ao início: não vale a pena tanto silêncio perante o massacre da Noruega.

No seu inefável horror, ele ensina como as ideias erradas, na cabeça errada, continuam a ser o verdadeiro motor da história.

E o fato de nós, ocidentais, vivermos num estágio pós-ideológico onde nada é importante porque nada tem importância não significa necessariamente que os outros nos acompanham nessa doce viagem relativista.

Como o próprio Breivik confessou pela internet, “uma pessoa com convicção tem a força equivalente a 100 mil que tenham interesses apenas”.

No melhor e no pior, a história da humanidade é a confirmação desse pensamento.

11/05/2011

às 14:59 \ Sanatório Geral

A lira do delírio

“Todos passamos a odiar esse Bin Laden. Mas todos passamos a nos preocupar sobre como ocorreu a sua morte. A maior vitória do terrorismo é quando todos passamos a nos comportar como terroristas. Se Obama faz isso, imaginem os próximos presidentes dos EUA?”

Cristovam Buarque, senador do PDT do Distrito Federal, depois de elogiar o colega Eduardo Suplicy pelo bonito adeus a Bin Laden, explicando que não vê diferenças entre a Casa Branca e uma caverna da Al Qaeda, nem entre o comando americano que executou o companheiro terrorista e os extremistas islâmicos que mataram 2.995 civis inocentes em 11 de setembro de 2001.

03/05/2011

às 16:47 \ Direto ao Ponto

O farisaísmo da tropa que disfarça o choro pela perda do terrorista de estimação

As reações à morte de Osama Bin Laden fotografam com penosa nitidez a cabeça e a alma dos enlutados que disfarçam o choro pela perda do terrorista de estimação. Os soldados rasos das milícias em guerra contra o Grande Satã Americano são apenas idiotas. Acham que os atentados do 11 de Setembro foram produzidos pelas vítimas (lideradas por George Bush), que os heróis são os bandidos, que a Al Qaeda é um exército de libertação e que Bin Laden já estava morto ou não morreu. Se prevalecer a segunda alternativa, os inimigos do imperialismo estadunidense terão encontrado seu Elvis Presley.

A idiotia dos milicianos é tão repulsiva quanto o farisaísmo dos que curtem o luto no governo, no PT ou nas redações. Uns e outros torturando o idioma e a lógica, começam a costurar um samba do terrorista doido. A letra diz o seguinte: recolhido ao lar em companhia de amigos e parentes, o aposentado Osama Bin Laden foi vítima de um ataque que violou a soberania do Paquistão, impôs a pena de morte sumária a quem merecia ser julgado por um tribunal, com direito a ampla defesa e recursos a instâncias superiores, matou cinco inocentes que dormiam na residência, negou ao morto um sepultamento digno e, compreensivelmente, despertará a cólera de combatentes islâmicos postos em sossego.

É muito cinismo, sabe até um sócio-atleta do clube dos cafajestes. Não existem terroristas aposentados. Houve um contra-ataque, em resposta à ofensiva traiçoeira que transformou o 11 de Setembro no Dia da Infâmia: foram executados 2.995 civis inocentes. A Al Qaeda é uma organização criminosa que não respeita fronteiras. Violou há 10 anos a soberania americana ao explodir as Torres Gêmeas, violou a soberania do Paquistão ao instalar a fortaleza clandestina em Abbottabad.

Lá não havia paisanos, mas combatentes engajados na Jihad, a guerra santa que só terminará com a morte do último infiel. O julgamento de Bin Laden transformaria qualquer tribunal no alvo perfeito para a reprise do 11 de Setembro, e promoveria a ser humano uma obscenidade especializada em colecionar crimes contra a humanidade. O mar foi a tumba possível. Nenhum parente reclamaria o corpo. Nenhum país cederia sequer uma cova rasa a Osama Bin Laden.

Homicidas patológicos não precisam de pretextos para matar. As tropas da Al Qaeda estavam ansiosas por mais ataques com Bin Laden vivo. Melhor que tentem atacar sem o chefe que teria tornado o mundo melhor se nem tivesse existido.

25/09/2010

às 15:09 \ Sanatório Geral

Doidão na tribuna

“O governo americano orquestrou o ataque para reverter o declínio da economia e seu poder no Oriente Médio, inclusive para proteger o regime sionista. Logo depois do ataque, começou uma máquina de propaganda. Ficou implícito que o mundo todo está exposto a um enorme perigo, o terrorismo, e que a única forma de salvar o mundo seria enviar forças militares para o Afeganistão. A maioria do povo americano, assim como a maioria das nações e dos políticos de todo o mundo, concorda com essa visão”.

Mahmoud Ahmadinejad, na Assembleia Geral da ONU em Nova York, ao acusar mais uma vez os americanos de concordarem com a tese segundo a qual os Estados Unidos planejaram os ataques de 11 de Setembro de 2001, mostrando que está convencido de que os governantes do planeta são um bando de lulas, garcias e amorins.

06/03/2010

às 21:38 \ Sanatório Geral

O Cara acredita

“O incidente de 11 de setembro foi uma grande invenção como pretexto para a campanha contra o terrorismo e um prelúdio para uma invasão de teste contra o Afeganistão”.

Mahmoud Ahmadinejad, autor da tese de que o Holocausto não existiu, agora ensinando que as Torres Gêmeas foram derrubadas pelos próprios americanos, certo de que pelo menos o companheiro Lula vai acreditar no que diz.


 

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