Blogs e Colunistas

O País quer Saber

25/02/2012

às 1:20 \ O País quer Saber

Pequeno Dicionário da Novilíngua Lulista (Edição Consolidada ─ 105 verbetes)

A
aliança governista.
Maior ajuntamento de partidos de aluguel do planeta. 

aloprado. 1. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras concebidas para favorecer candidatos do PT ao governo de São Paulo. 2. Vigarista engajado em alguma campanha eleitoral de Aloízio Mercadante.

analfabetismo. 1. Deficiência que foi promovida a virtude no começo do século para apressar a chegada de um enviado da Divina Providência ao Palácio do Planalto. 2. Qualidade depreciada por reacionários preconceituosos, integrantes da elite golpista e louros de olhos azuis. 3. Marca de nascença da Primeira Mãe.

anistiado político. Companheiro que só divergiu do regime militar para investir na carreira de perseguido e garantir uma velhice confortável como pensionista do Bolsa Ditadura.

apagão. Blecaute ocorrido em lugares governados por adversários do PT. (Ver blecaute)

asilo político. Instrumento jurídico que beneficia todo terrorista condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.

B
base aliada.
1.Base alugada. 2. Bando formado por parlamentares de diferentes partidos que arrendam a fidelidade ao governo, por prazo determinado,  em troca de ministérios com porteira fechada (cofres incluídos), verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 3. Quadrilha composta por deputados e senadores.

blecaute. Apagão ocorrido em lugares governados pelo PT. (Ver apagão)

blogueiro progressista. 1. Jornalista que jamais conseguiu emprego ou fracassou nos principais órgãos de comunicação e hoje sobrevive na internet alugado ao governo. 2. Gente que vive de escrever mas seria reprovada na prova de português do ENEM mesmo que soubesse antecipadamente as questões escolhidas pelos organizadores. 3. Ex-jornalistas que enriquecem em campanhas difamatórias patrocinadas por corruptos.

Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.

bolivariano. Comunista que finge que não é comunista.

Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.

BNDES. Banco que usa dinheiro dos pagadores de impostos para financiar obras encomendadas pelo governo a empresas privadas que têm patrimônio suficiente para distribuir mesadas de bom tamanho a todos os pagadores de impostos.

C
camarada de armas.
  Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)

cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou parceiros da base alugada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um tremendo salário sem trabalhar. 2. Boquinha (pop.).

cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite tungar o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém e sem risco de cadeia.

Casa Civil. 1. Conjunto de salas no 4° andar do Palácio do Planalto que, entre 2003 e 2011, foi controlado por casos de polícia que entram sem bater no gabinete presidencial. 2. Esconderijo; tugúrio; catacumba. 3. Sede de quadrilhas formadas por amigos ou parentes do ministro-chefe. 4. Antigo nome da atual Casa Covil, rebatizada em homenagem aos ex-inquilinos José Dirceu, Dilma Russeff, Erenice Guerra e Antonio Palocci.

Comissão da Verdade. 1. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento. 2. Entidade concebida para apurar  crimes cometidos pelos outros.

companheiro. Qualquer ser vivo ou morto que ajude Lula a ganhar a eleição.

concessão. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos do PT. (Ver privatização)

conselho de ética. Grupo formado por pessoas que não acham antiético roubar o cofrinho de moedas da filha, tungar a aposentadoria da avó ou vender a mãe.

consultor. 1. Companheiro traficante de influência. (Ex: Antonio Palocci é consultor). 2. Companheiro que facilita negócios escusos envolvendo o governo e capitalistas selvagens. (Ex: José Dirceu é consultor). 3. Companheiro que, enquanto espera um cargo no governo federal, recebe mesadas e indenizações de empresas que favoreceu no emprego antigo ou vai favorecer no emprego novo. (Ex: Fernando Pimentel é consultor)

contrato sem licitação. Assalto aos cofres públicos sem risco de cadeia.

controle social da mídia. Censura exercida por videntes treinados pelo PT para adivinhar o que o povo quer ver, ler ou ouvir. (Ver democratização da mídia)

convênio. Negociata feita em parceria por um ministério ou estatal e uma ONG de araque ou empresas controladas pelo ministro ou por amigos e parentes do ministro.

Copa do Mundo. Negócio da China.

corrupção. 1. Forma de ladroagem praticada por adversários do governo. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio justificado pelos fins. 3. Hobby preferido dos parceiros da base alugada.

crime comum. Assassinato de um prefeito do PT por motivos político-financeiros, associados a divergências entre integrantes de um esquema de arrecadação de dinheiro sujo. (Ex.: A morte de Celso Daniel foi um crime comum)

Cuba. 1. Ditadura que só obriga o povo a ser feliz de qualquer jeito. 2. Forma de democracia que prende apenas quem discorda do governo.

cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.

D
democratização da mídia.
1. Erradicação da imprensa independente. 2. Entrega do controle dos meios de comunicação a jornalistas companheiros, estatizados ou arrendados. (Ver controle social da mídia)

direita. Categoria em que devem ser enquadrados todos os partidos e indivíduos que não obedecem às ordens de Lula. (Exs: O PSOL é de direita; Hélio Bicudo é de direita)

ditador. Tirano a serviço do imperialismo estadunidense. (Ver líder)

ditadura do proletariado. Forma de democracia tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.

doutor honoris causa. Diploma conferido a ex-presidentes que nunca leram um livro, não sabem escrever e acham que “honoris” é um Honório com erro de revisão.

E
elite golpista.
Balaio socioeconômico que junta todos os bilionários, os ricos, os integrantes da classe média velha ou nova, os pobres e  os miseráveis que não votam no PT.

erro. 1. Crime cometido por companheiros. 2. Caso comprovado de corrupção envolvendo ministros ou altos funcionários do segundo escalão ou de empresas estatais.

espetacularização do nada. Expressão decorada pela Primeira Companheira para ensinar que o que parece um tremendo escândalo é só uma distorção visual decorrente de um tipo de miopia causado por efeitos especiais produzidos pela imprensa.

esquerda. 1. Categoria que abrange todos os que apoiam Lula. 2. Conglomerado que junta em torno do mesmo chefe militantes do PT, antigos servidores da ditadura militar, coronéis de grotão, senhores feudais, capitalistas selvagens, socialistas que só pensam em dinheiro e  órfãos do Muro de Berlim. (Exs: José Dirceu é de esquerdaJosé Sarney é de esquerda)

F
factoide.
Fato relevante que, para não deixar o PT ainda pior no retrato, deve ser exibido em tamanho 3 por 4 e em matizes de rosa.

faxina ética. 1. Limpeza simulada para aumentar a sujeira.  2. Truque concebido para convencer o eleitorado de que Dilma Rousseff não conheceu nem de vista gatunos com os quais conviveu durante oito anos. 3. Serviço executado por faxineiras que não conseguem viver sem lixo por perto.

faxineira. Fantasia usada por Dilma Rousseff para fingir que varreu o lixo empurrado para baixo do tapete ou guardado no bolso do avental.

Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.

FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique a ganhar o Nobel da Paz. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita verde.

financiamento de campanha. Expressão usada por integrantes da quadrilha chefiada por José Dirceu e por testemunhas de defesa em depoimentos na polícia ou na Justiça sobre o escândalo do mensalão.

Foro de São Paulo. 1. Feira internacional que agrupa remanescentes de espécies ideológicas extintas na Europa e em expansão na América Latina. 2. Quermesse destinada a arrecadar fundos para a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim.

G
governabilidade.
1. Graça concedida a governantes que são justos na divisão dos lucros. 2. Palavrão que justifica todas as barganhas bandidas entre o Planalto e a base alugada.

greve: 1. Forma de luta a serviço dos oprimidos (quando a paralisação prejudica  governos contrários ao PT). 2. Forma de chantagem a serviço dos opressores do povo (quando a paralisação prejudica governos controlados pelo PT)

grupo insurgente. Organização terrorista que se opõe ao imperialismo ianque. (Ex: As Farc são um grupo insurgente)

H
herança maldita.
Conjunto de mudanças ocorridas durante o governo FHC que incluem o Plano Real, a estabilização da moeda, a privatização de estatais em frangalhos, a modernização da telefonia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a consolidação da democracia e a fixação das diretrizes da política econômica que Lula manteve.

I
imprensa popular
: 1. Ajuntamento de meios de comunicação patrocinados por estatais ou empresas beneficiadas por obras públicas, que publicam textos escritos por quem presta vassalagem ao governo e ao PT por vassalagem, idiotia ou dinheiro.

inclusão social. Transferência de pobres para a classe-média sem aumento salarial.

inundação. Desastre natural provocado por chuvas fortes que, embora se repitam em todos os verões desde o século passado, continuam surpreendendo o governo.

IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). 1. Fábrica de brasileiros da nova classe média.  2. Clube de alquimistas especializados na transformação de pobre em ex-pobre sem aumento de salário.

J
justiça social
. Expressão que, repetida cinco vezes por dia durante dois anos, induz um catador de lixo a acreditar que a única diferença que o separa de um banqueiro é que um deles dá gorjeta e o outro recebe.

L
líder.
Ditador inimigo do imperialismo estadunidense. (Ver ditador)

livro didático do MEC. Inovação educacional que ensina a recitar sem constrangimentos frases como “nós pega os peixe” ou jurar sem hesitação que 10 menos 7 é igual a 4.

M
malfeito.
Crime praticado por bandidos de estimação do governo federal ou do PT.

maracutaia. 1. Expressão popularizada por Lula no século passado na discurseira que denunciava o que todos os outros partidos faziam. 2. Expressão abolida por Lula desde que o PT passou a fazer mais e melhor que todos os outros partidos.

marco regulatório. 1. Conjunto de normas, leis e diretrizes que, se não fossem atropeladas pelo governo de meia em meia hora, garantiriam o bom funcionamento de setores nos quais agentes privados prestam serviços de utilidade pública. 2. Balaio de leis que não pegaram.

Mensalão. Maior escândalo que não existiu entre todos os outros ocorridos no Brasil desde o Descobrimento.

mercadante. Gente que revoga até o que considera irrevogável.

meu querido/minha querida. Expressões usadas por Dilma Rousseff quando está conversando em público com jornalistas ou ministros e não pode soltar o palavrão entalado na garganta.

mídia golpista: Imprensa independente.

militância. Rebanho formado por ovelhas tão obedientes que, se o Grande Pastor ordenar, tentará atravessar o despenhadeiro sem ponte.

ministério. 1. Equipe formada por 38 nulidades sob o comando de um neurônio solitários. 2. Prova definitiva de que o Brasil aprendeu a funcionar sem governo.

moralismo udenista. Doença que induz o portador a acreditar que todos são iguais perante a lei, que corrupção é crime e que lugar de ladrão é na cadeia.

MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária e levar à falência a agricultura. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.

N
né?.
Corruptela de “não é?” usada pela Primeira Companheira para permitir que o neurônio solitário repouse alguns segundos depois de uma frase sem pé nem cabeça e antes de outra que não tem começo, meio ou fim.

neoliberalismo. Doutrina pessoalmente concebida pelo demônio para disfarçar de novidade o capitalismo selvagem do século 19.

no que se refere. Expressão usada pela Primeira Companheira para avisar que lá vem besteira.

nuncaantesnestepaís. 1. Expressão decorada pelo Primeiro Companheiro para ensinar ao rebanho que o Brasil começou em 1° de janeiro de 2003 e que foi ele quem fez tudo, menos Fernando Henrique Cardoso.

O
Olimpíada de 2016.
1. Versão em escala cósmica dos Jogos Pan-Americanos mais bandalhos da história. 2. Competição esportiva que começa com a conquista da medalha de ouro pela equipe que representa o Brasil na modalidade assaltos orçamentais. 3. Negociata do século. 

ONG. Organização não-governamental sustentada por negociatas governamentais.

ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, como também não entendeu o que acabou de dizer, vai recitar o mesmo mistério com outras palavras.

Orçamento. 1. Montanha de reais extorquidos dos pagadores de impostos que financia a gastança em Brasília. 2. Bolo de dinheiro dividida em fatias desiguais que o governo reparte entre os partidos da base alugada para garantir a governabilidade. (Ver governabilidade)

P
PAC
. Maior concentração de canteiros de obras abandonados do planeta.

palestrante. Disfarce adotado por Lula para ganhar 200 mil dólares de empresários amigos para dizer, em 50 minutos, o que passou oito anos dizendo de graça a cada meia hora.

PIG. Partido da Imprensa Golpista, segundo os blogueiros estatizados agrupados no Partido da Imprensa Governista (PIG).

passaporte diplomático. Documento usado por filhos, netos e agregados do ex-presidente Lula para furar a fila da alfândega e entrar em outros países sem mostrar o que levam na bagagem.

pedra fundamental. Obra do PAC que não será construída mas já foi inaugurada.

PT: Seita que tem uma estrela vermelha como símbolo e Lula como único deus.

petista: 1. Devoto de Lula. 2. Indivíduo convencido de que foi Lula quem criou o Brasil. 

Petrobrás. 1.Estatal fundada para cuidar dos interesses do Brasil na OPEP depois da Descoberta do Petróleo, uma das mais notáveis façanhas de Lula. 2. Empresa que, quanto mais produz, mais dinheiro perde. 3. Buraco negro.

política externa independente. 1. Conjunto de diretrizes concebidas para garantir que o Brasil esteja sempre contra os Estados Unidos e a favor do Irã, de Cuba, da Coreia do Norte e da Venezuela. 2. Escola diplomática onde se aprende a, diante de uma encruzilhada, escolher invariavelmente o caminho errado.

Predo II. Dom Pedro II segundo Lula. (Ver Transposição do São Francisco)

pré-sal. Presente que Lula ganhou de Deus por ter dispensado o Pai de continuar cuidando do Brasil.  

presidenta. Forma de tratamento usada por candidatos a Sabujo do Ano ou companheiros com medo daquele pito que fez José Sérgio Gabrielli cair na choradeira.

presunção de inocência. Figura jurídica usada no Brasil Maravilha para ensinar que todo lulista culpado é inocente.

privatização.  Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos inimigos do PT. (Ver concessão)

R
recursos não-contabilizados.
1. Caixa dois. 2. Dinheiro extorquido sem recibo de donos de empresas que enriquecem com a ajuda do governo, empreiteiros de obras públicas ou publicitários presenteados com contratos sem licitação.

reforma ministerial.  1. Substituição de ministros pilhados em flagrante pela imprensa independente. 2. Substituição de ministros obrigados a deixar o cargo para disputar a próxima eleição. 3. Troca de seis por meia dúzia.

Regime Diferenciado de Contratação (RDC). Malandragem que dispensa de licitações e limitação de gastos todos os contratos envolvendo obras ou serviços supostamente vinculados à Copa da Roubalheira e à Olimpíada da Ladroagem.

revisão de contrato. Reajuste de sobrepreços e propinas.

S
segundo escalão:
Cabide de empregos que o governo usa para estimular, saciar ou diminuir a fome e a sede do PMDB.

sindicalista. Companheiro que abandonou o emprego regular no século passado para exercer o lucrativo ofício de pelego.

sindicância interna. Investigação feita por companheiros especializados em absolver por falta de provas.

Sírio-Libanês. Hospital a que recorrem Altos Companheiros com problemas de saúde para que o SUS, que está perto da perfeição, tenha mais vagas para os miseráveis, os pobres e a nova classe média inventada pelo IPEA. (Ver SUS)

SUS. Filial em tamanho gigante do Sírio-Libanês reservada a quem não tem dinheiro para internar-se na matriz. (Ver Sírio-Libanês)

T
taxa de sucesso.
Propina embolsada por filhos, parentes e agregados de Erenice Guerra que usavam a influência da chefe da quadrilha e da Casa Covil para permitir que algum empresário malandro continuasse a fechar contratos com o governo sem ter cumprido o combinado em contratos anteriores. (Ex: Israel Guerra subiu na vida não porque é gatuno, mas por colecionar taxas de sucesso)

Transposição do São Francisco. Tapeação multibilionária inventada pelo ex-presidente Lula para ser promovido a Dom Pedro III. (Ver Predo II)

trem-bala. Trem fantasma que partiu da cabeça de Lula e estacionou na cabeça de Dilma Rousseff, onde vai atravessar o século em companhia do neurônio solitário.

U
União Nacional dos Estudantes (UNE).
1. Entidade que representou os universitários brasileiros até ser estatizada em 2003 e transformar-se na União Nacional dos Estudantes Amestrados (UNEA), premiada pela vassalagem ao governo com uma sede nova projetada por Oscar Niemeyer. 2. Balcão de compra e venda de carteirinhas que garantem meia-entrada. 3. Curso de doutorado em maracutaias reservado a futuros ministros do Esporte. 4. Clube recreativo  dirigido por estudantes que demoram 15 anos para concluir um curso que dura cinco.  (Ver UNEA)

V
veja bem.
Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que vai descrever uma paisagem do Brasil Maravilha que só ele  enxerga.





 

17/02/2012

às 16:51 \ O País quer Saber

Reportagem da Record confirma que, dez anos depois da morte, Celso Daniel continua assombrando Gilberto Carvalho

Nesta quinta-feira, o Jornal da Record apresentou uma reportagem de bom tamanho, para os padrões da TV, sobre o assassinato de Celso Daniel. Veja o vídeo de 4 minutos. Dez anos depois da morte, o prefeito de Santo André continua assombrando o bando, chefiado por Gilberto Carvalho, que tentou impedir o esclarecimento do caso. A emissora só recuperou a memória depois dos ataques aos evangélicos feitos pelo secretário-geral da Presidência da República. É outra história sem heróis.

16/02/2012

às 19:10 \ O País quer Saber

Conheça o hino em ritmo de frevo e os destaques da comissão de frente da Escola de Samba Acadêmicos da Roubalheira

Ilustração: Luiz Roberto

Por decisão da maioria dos leitores, a escola de samba formada pela turma da Esplanada dos Ministérios foi batizada de Acadêmicos da Roubalheira. Entusiasmados com a fundação da Ala das Graciosas, os diretores da entidade carnavalesca festejaram, nesta quinta-feira, outras duas notícias igualmente auspiciosas. Primeira: os integrantes da escola aprovaram por unanimidade o hino em ritmo de frevo sugerido pela coluna (confira no áudio abaixo). Segunda: o triângulo composto por Gilberto Carvalho, Christiane de Araújo e José Antonio Dias Toffoli (que posaram juntos para o comentarista Luiz Roberto) aceitaram o convite para desfilar como destaque da comissão de frente.

 

09/02/2012

às 14:49 \ O País quer Saber

O desterro atrás das grades

Branca Nunes

João Paulo Escudeiro de Mauro, 20 anos, é piloto de corridas. Ricardo Costa, 39, é modelo. Rodrigo Moreto Cubek, 30, é advogado. Rodrigo Gulart, 37, é surfista. Marco Archer Cardoso Moreira, 48, é instrutor de voo livre. Luiz Antonio Scavone Neto, 20, é estudante. Esses seis brasileiros têm algo em comum. Todos estão ou estiveram presos em países estrangeiros. Segundo o Itamaraty, no fim de 2010, existiam 2.659 brasileiros encarcerados em alguma parte do globo. Entre os sentenciados, dois foram condenados à morte.

Enquanto Ricardo Costa prepara a volta ao Brasil depois de mais de 1.100 dias preso sem julgamento nos Estados Unidos, dois novos casos ganharam as manchetes dos jornais em janeiro deste ano. Durante um cruzeiro do Allure of the Seas, o maior transatlântico do mundo, Luiz Antonio Scavone Neto foi detido em território americano sob suspeita de ter estuprado uma garota de 15 anos. A adolescente, nascida nos Estados Unidos, relatou à polícia ter sido forçada a manter relações sexuais com Scavone e com outro brasileiro menor de idade numa das cabines do navio. No último dia 19, João Paulo Escudero Mauro acabou preso em Miami acusado de dirigir sob a influência de entorpecentes, homicídio culposo e posse de cocaína. Todos juram inocência.

De acordo com o Itamaraty, o número de brasileiros presos, cumprindo pena ou aguardando julgamento no exterior tem flutuado nos últimos anos entre 2.500 e 3.000 pessoas. Entre os países com maior quantidade de brasileiros detidos estão a Espanha (465), Portugal (256) e Estados Unidos (243). Nos EUA e na Europa, um dos crimes mais comuns é “situação imigratória irregular”. Nos países vizinhos da fronteira norte do Brasil, principalmente na Guiana Francesa “atividade ilegal de garimpagem”. Só em Caiena, capital da Guiana Francesa, existem 114 brasileiros detidos.

Garimpo ilegal - Na Guiana e no Suriname, embora não sejam presos por garimpo ilegal, a maior parte dos detentos cometeu crimes vinculados a essa prática, como contrabando de combusível, tráfico de mercúrio e homicídios. “O garimpo é uma atividade extremamente violenta e normalmente envolve dezenas de outros crimes”, explica Luiza Lopes da Silva, diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Itamaraty. Na primeira vez em que são flagrados pela Justiça, essas pessoas são deportados para o Brasil. Da segunda em diante, ficam alguns meses detidas, o que faz com que muitas usem identidades falsas, dificultando o trabalho dos diplomatas brasileiros.

“A detenção máxima na Guiana Francesa é de três anos”, revela Luiza. “A intenção deles não é manter essas pessoas na prisão e aumentar o contingente carcerário, mas mandá-las o mais rápido possível de volta para o país de origem”. De acordo com Luiza, esse crime tem se mantido estável nos últimos anos. Na Venezuela, entretanto, onde era bastante comum, praticamente desapareceu. “A polícia venezuelana militarizou as regiões de garimpo, coibindo a prática”, diz Luiza. Moradores dos estados do Amapá, Pará ou Amazonas, os garimpeiros são homens, de uma classe social baixa.

Acima dessas particularidades regionais, a acusação que lidera o ranking é a de tráfico de substâncias ilícitas, normalmente cometido por homens, com idade entre 18 e 35 anos, sem antecedentes criminais. São os chamados mulas. Os países onde os brasileiros mais cometem esse delito estão na Europa e na América do Sul. As cidades capeães em número de detentos são Ciudade del Este (75) e Pedro Juan Caballero (79), no Paraguai, Buenos Aires (128), na Argentina, Lisboa (250), em Portugal, Roma (65) e Milão (94), na Itália, e Madri (300) e Barcelona (141), na Espanha – muitos brasileiros também estão presos na Espanha por falsificação de documentos e violência doméstica (a legislação local sobre o tema é bastante rígida).

“As mulheres também cometem esses crimes, mas os homens ainda são maioria”, afirma Luiza. “Esses chamados mulas são atraídos por promessas de dinheiro fácil e enxergam nisso uma possibilidade de conseguir recursos para começar uma nova vida num país estrangeiro. De 10 mulas, só um é pego. Já que normamente não têm antecedentes criminais, eles costumam alegar que não sabiam que estavam portando drogas”. Esses presos raramente ganham notoriedade. Os casos que conseguem visibilidade envolvem algumas particularidades (veja alguns exemplos abaixo).

Pena capital - Na categoria “narcotráfico” se enquadram Marco Archer Cardoso Moreira, hoje com 48 anos, e Rodrigo Gularte, 37, condenados à morte na Indonésia por tráfico de drogas. Moreira foi preso em 2003 e, Gularte, em 2005. O primeiro transportava 13,4 quilos de cocaína numa asa delta. O segundo, 6 quilos da droga em pranchas de surfe. Pedidos de clemência do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados não comoveram o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono.

Também condenado por tráfico de drogas, Rogério Paez, 54, ficou encarcerado na Indonésia por oito anos, antes de ser solto em 2011. Parado numa blitz em Bali, onde morava fazia 10 anos, foi preso por causa de um cigarro de 3,8 gramas de haxixe. Engenheiro civil, fluente em oito idiomas, Rogerinho Rock’n’roll – como era conhecido nas areias de Niterói, sua terra natal – afirmou em entrevistas que conseguiu suportar a prisão graças ao budismo, religião a qual se converteu quando já estava atrás das grades.

Ricardo Costa, preso em Sedona, no estado do Arizona, em 19 de dezembro de 2008, foi acusado pela ex-mulher de abusar sexualmente dos próprios filhos. Ele ficou mais de 1.100 dias atrás das grades, sem julgamento. A fiança, que só poderia ser paga em dinheiro, foi estipulada em 75 milhões de dólares – uma das maiores da história dos EUA. Michael Jackson, por exemplo, acusado do mesmo crime, pagou 3 milhões de dólares para recuperar a liberdade.

O reencontro - Embora ignore o dia, a hora e o local, Cristina Costa, mãe de Ricardo, espera abraçar o filho antes do Carnaval. “Eles dizem que não podem revelar os detalhes por uma questão de segurança”, diz ela. “Sei apenas que ele será deixado em solo brasileiro. Pode ser em Porto Alegre, ou em Manaus, de manhã, ou à noite”. O Itamaraty só admite que Ricardo estará no Brasil “nos próximos meses” (o Ministério das Relações Exteriores evita aprofundar-se em casos específicos “para preservar a privacidade dos cidadãos envolvidos”).

O pesadelo de Ricardo começou durante uma audiência do processo de divórcio com a ex-mulher Angela Denise Martin. Cristina e o pai de Ricardo, Sérgio de Souza Costa, testemunharam a chegada dos policiais incumbidos de capturá-lo. A denúncia se baseou na palavra da psicóloga Linda Bennardo, que na época atendia os três filhos do casal. Segundo Linda, as crianças descreveram os crimes durante as sessões de psicoterapia. Meses depois, a terapeuta foi acusada pela entidade que regulamenta a profissão no estado de induzir pacientes menores de idade a mentir, declarando-se vítimas de abuso sexual. Ela renunciou à profissão antes que fosse formalmente proibida de exercê-la. Mesmo alegando inocência, Ricardo continuou preso.

O imbróglio jurídico se estende desde então. A família de Ricardo acredita que a demora excessiva do julgamento do caso pela Justiça americana resulta da ausência de provas e dos equívocos processuais. “Conceder a liberdade era o mesmo que confessar que mantiveram um inocente preso por anos”, afirma Cristina. “As irregularidades começaram no momento em que detiveram meu filho e se estenderam durante todo o processo, que passou pelas mãos de cinco juízes e cinco promotores. Ninguém queria assumir essa culpa”. Ricardo recusou dezenas de acordos que, em troca da confissão e do completo afastamento dos filhos, garantiriam a liberdade e a deportação para o Brasil.

A campanha pela soltura de Ricardo mobilizou o Itamaraty, a Secretaria de Direitos Humanos, embaixadores, senadores e deputados. “Recebemos toda a ajuda possível”, agradece Cristina. “Não somos de família influente, não temos pistolão e mesmo assim a solidariedade e o apoio foram totais”.

Relações exteriores - Conforme explica o Ministério das Relações Exteriores, as autoridades consulares começam a agir assim que são comunicadas oficialmente das detenções. O primeiro passo é entrar em contato com a Divisão de Assistência Consular do Itamaraty e visitar o preso para verificar sua condição física e psicológica. Caso seja autorizado pelo detento, o Itamaraty entra em contato com os familiares. “Alguns presos pedem que a detenção não seja informada, ou que alguns dados relativos à acusação não sejam divulgados, o que é respeitado”, afirmou o ministério, em nota. “A partir daí, a atuação da autoridade consular depende dos dados concretos de cada ocorrência. No entanto, a assistência consular tem como diretriz acompanhar os casos de que o consulado toma conhecimento, sempre buscando se certificar de que os direitos dos brasileiros estão sendo respeitados”. Os parentes podem apelar para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

Segundo Luiza Lopes, o Itamaraty sempre procura transferir o preso de volta para o Brasil. Dependendo do país onde estão detidos, entretanto, alguns preferem não retornar. “Na Escandinávia, na Austrália e na Nova Zelândia, por exemplo, eles têm estudo e trabalho de qualidade na prisão”, conta. “No Paraguai a situação é diferente. Muitos querem continuar por lá porque já respondem a crimes, as vezes mais graves, no Brasil”.

Apesar da atuação ser condicionada às leis de cada país, bons advogados podem ter papel determinante para que o caso chegue com mais rapidez a um final feliz. O empenho das autoridades brasileiras também pode ajudar bastante, como atesta o exemplo de Ricardo Costa. Nem sempre dá certo, como comprovam os casos de Cardoso Moreira e Gularte. As muitas tentativas fracassadas não diminuíram as esperanças. Eles ainda acreditam que podem converter em prisão perpétua a condenação à morte.

Conheça a história de alguns brasileiros que vivem ou viveram o desterro atrás das grades:

João Paulo Escudero Mauro, 20 anos, piloto de corridas

Preso em janeiro de 2012, JP Mauro (como é conhecido no circuito automobilístico), é acusado de dirigir sob a influência de entorpecentes, homicídio culposo e posse de cocaína. Ele foi detido em Miami, nos Estados Unidos, depois de perder o controle de seu carro, um Mercedez Benz SUV, e atropelar o americano Russell Knudson, de 45 anos, que guardava a bicicleta na traseira de um Toyota Camry. JP Mauro pagou fiança de 250.000 dólares e aguarda a audiência preliminar em prisão domiciliar, sendo monitorado por um GPS em uma tornozeleira. A audiência está marcada para o dia 17 de fevereiro. O piloto pode ser condenado a até 15 anos de prisão, pena máxima para casos de direção sob influência de bebidas ou drogas (DUI, na sigla em inglês). Ele é filho da socialite Lucinha Mauro, uma das donas do salão 1838, localizado no bairro dos Jardins, em São Paulo.

Luiz Antonio Scavone Neto, 20 anos, estudante

Durante um cruzeiro do Allure of the Seas, o maior transatlântico do mundo, Luiz Antonio Scavone Neto foi detido em território americano sob suspeita de ter estuprado uma garota de 15 anos. A adolescente, nascida nos Estados Unidos, relatou à polícia ter sido forçada a manter relações sexuais com Scavone e com outro brasileiro menor de idade numa das cabines do navio. A garota relatou o caso a funcionários do transatlântico na mesma madrugada em que teria ocorrido o crime, dia 3 de janeiro deste ano. A polícia local e o FBI foram acionados e os dois acusados foram presos. A defesa afirma que a relação sexual foi consensual. Scavone é filho do advogado Luiz Antonio Scavone Filho, que preferiu não dar declarações.

Ricardo Costa, 39 anos, modelo

Acusado de abusar sexualmente dos próprios filhos, Ricardo Costa está há mais de 1.100 dias preso sem julgamento nos Estados Unidos. A denúncia surgiu durante o processo de divórcio de Ricardo com a ex-mulher, Angela Denise Martin. A autora das acusações foi a psicóloga Linda Bennardo, que na época atendia os três filhos do casal. Segundo Linda, as crianças teriam descrito os crimes durante as sessões de psicoterapia. Embora a terapeuta tenha perdido a credencial médica por suspeita de induzir pacientes menores de idade a mentir, levando-os a afirmar que foram vítimas de abuso sexual, Ricardo continuou preso. O governo americano não divulga o dia, a hora nem o local da libertação, mas o Itamaraty confirma que o brasileiro será solto nas próximas semanas.

Rodrigo Gularte, 37 anos, surfista

Rodrigo Gularte é um dos dois brasileiros condenados à pena de morte. Ele foi detido em julho de 2004 no aeroporto de Jacarta, capital da Indonésia, com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Todos os pedidos de clemência feitos para o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, foram negados.

Marco Archer Cardoso Moreira, 48 anos, instrutor de voo livre

Preso em 2004 por tentar entrar na Indonésia com 13,4 quilos de cocaína escondidos em sua asa delta, Marco Archer Cardoso Moreira foi condenado à morte um ano depois. Pedidos de clemência do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados não comoveram o presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono. Nascido no Rio de Janeiro, Moreira ainda tem esperança de converter a pena em prisão perpétua.

Rogério Paez, 54 anos, surfista

Solto em 2011, Rogério Paez ficou encarcerado na Indonésia por oito anos. Parado numa blitz em Bali, onde morava fazia 10 anos, foi preso por causa de um cigarro de 3,8 gramas de haxixe. “Os policiais foram à minha casa e não acharam nada”, contou Paez numa entrevista em novembro de 2010. “Aí, foram num hotel onde fui antes da blitz, revistaram o lugar e encontraram haxixe, cocaína e ecstasy. Só que nada era meu! Mas os policiais queriam que eu assinasse a culpa. Tomei chute, tapa. Nunca briguei na vida, mas, de tanto apanhar, reagi. Puxei para cima o braço do policial que batia mais e quebrei-o. Ele gritou e disse que me arrependeria daquilo”. Engenheiro civil, fluente em oito idiomas, Rogerinho Rock’n’roll – como era conhecido nas areias de Niterói, sua terra natal – afirmou que conseguiu suportar a prisão graças ao budismo, religião a qual se converteu quando já estava atrás das grades.

Rodrigo Moreto Cubek, 30 anos, advogado

No dia 13 de maio de 2011, Rodrigo Moreto Cubek foi preso no Paquistão acusado de tumultuar uma cerimônia religiosa na principal mesquita do País, a Faisal. Ele tentou entrar na área reservada a muçulmanos gritando palavras sobre a Virgem Maria. Cubek foi solto poucos dias depois e deportado para o Brasil. “Apesar de minha disposição por suportar os dissabores que me sobrevieram como conseqüência de minha atitude missionária, agradeço também às pessoas que Deus comoveu para atuar na minoração do meu sofrimento na prisão”, escreveu Cubek na carta em que afirmou que sua atitude foi motivada pela vontade de ter uma discussão religiosa.

25/01/2012

às 16:22 \ O País quer Saber

O áspero colosso

TEXTO PUBLICADO NA EDIÇÃO DE VEJA DESTA SEMANA

Augusto Nunes e Branca Nunes

A visão da cordilheira de arranha-céus intimida os que acabam de chegar, e quem chega pensando em ficar descobre logo na entrada que o aviso do baiano Caetano Veloso num verso de Sampa vale para qualquer forasteiro: será um difícil começo. O áspero colosso provoca temores que a beleza hipnótica do Rio de Janeiro revoga, sugere perigos que o jeito oferecido de Salvador exorciza. A sexta maior metrópole do planeta jamais sorri no primeiro encontro com desconhecidos (às vezes não sorri nunca) e não consegue ser efusiva com ninguém. Mas tem vagas (e algum tipo de emprego à espera dos aprovados) para todos os que topam submeter-se ao teste de sobrevivência na cidade que completa 458 anos neste 25 de janeiro.

A insegurança dos primeiros meses é acentuada pela sensação de que o perigo mora em cada esquina. Não é bem assim. Em 2000, a taxa de homicídios na cidade era de 64,8 para cada 100 000 habitantes. Em 2010, caiu para treze — uma redução de 80%. Nesse mesmo período, esse índice acusou um crescimento de 113% na aparentemente inofensiva Curitiba. Proporcionalmente, São Paulo é a capital com menos homicídios do país. A campeã é Maceió, com 110 assassinatos para cada grupo de 100.000 habitantes. Mas quem migra para a capital alagoana imagina estar a caminho de um lugar bem menos inquietante e muito mais hospitaleiro que a terra dos bandeirantes.

Essa iniciação invariavelmente sofrida deixa cicatrizes, e mesmo quem se entrega a São Paulo prefere namorar em segredo a cidade que os brasileiros amam odiar em público. Nelson Rodrigues repetiu em várias crônicas que a pior forma de solidão é a companhia de um paulista, Vinicius de Moraes enxergou o túmulo do samba no lugar repleto de bons sambistas. Entre os grandes compositores de outras paragens, só Caetano, o também baiano Tom Zé e o carioca Martinho da Vila cantaram — com ressalvas — os encantos ocultos da metrópole.

Mas São Paulo continua atraindo gente disposta a enfrentar a muralha de concreto e abrir espaço nos 1.522,986 quilômetros quadrados do perímetro urbano. Nesse território se movem mais de 11,2 milhões de habitantes (11.253.503, no censo de 2010), entre os quais 1,3 milhão de moradores acotovelados nos 55.756 barracos de 1.020 favelas e 21 magnatas cujas fortunas somam 85 bilhões de dólares. Segundo a revista Forbes, apenas cinco cidades abrigam mais bilionários. Também circulam pelo perîmetro urbano 2,5 milhões de cães e 562 000 gatos com endereço fixo, outros milhares sem teto e mais de 7 milhões de veículos. Diariamente, são emplacados outros 1.160, cifra que reforça a suspeita de que, algum dia, os 17.000 quilômetros de ruas e avenidas se transformarão num gigantesco beco congestionado — e sem saída.

NÁUFRAGO FELIZ
Os nativos não atingem 60% da população. Os paulistanos adotivos que não param de chegar seguem ampliando o portentoso mosaico etnorracial forjado por estrangeiros e brasileiros procedentes do país inteiro. Abstraído o quase 1 milhão de paulistas nascidos nos outros 644 municípios, mais de 900.000 baianos compõem a maior colônia regional. São Paulo fala português com todos os sotaques e acentos conhecidos e figura entre as cinco cidades mais poliglotas do mundo. O recenseamento anual da Polícia Federal informa que 306.077 imigrantes com domicílio permanente e 1.579 refugiados representam, somados aos nativos, 152 nacionalidades — quarenta abaixo das 192 agrupadas na Organização das Nações Unidas.

Baseado na documentação apresentada na chegada ao Brasil, o levantamento da Polícia Federal preserva espécies que a ONU considera desaparecidas ou perto da extinção. Sobrevivem em São Paulo, por exemplo, sessenta soviéticos e 136 alemães-orientais. A lista reúne um punhado de pungentes solidões: 25 nacionalidades têm só um representante na cidade. Enquanto católicos pertencentes a comunidades mais populosas frequentam igrejas que celebram missas em chinês ou esloveno, o único nepalês da metrópole só poderá matar a saudade da língua natal se falar sozinho.

Como só entra nas contas da PF quem não nasceu na cidade, em São Paulo o ranking das comunidades estrangeiras é liderado pelos 78.073 portugueses. Se fossem computados os descendentes, a maior coleção de sobrenomes italianos do mundo jamais cairia do primeiro lugar que ocupou por quase 100 anos. A longa supremacia contribuiu para transformar o paulistano num devorador de pizzas. Consome-se na cidade 1 milhão delas por dia, o que equivale a 732 por minuto. Colocadas lado a lado, as pizzas engolidas anualmente formariam uma linha reta cujo comprimento equivale a sete viagens de ida e volta a Roma.

Em São Paulo desde 1978, Lin Chung Long, o Mister Lin, é a metade da colônia formada por dois nativos de Taiwan e também o dono da mais requisitada relojoaria de São Paulo. Aos 58 anos, conserta qualquer tipo de relógio, mas só garante a pontualidade dos outros. Não tem hora certa para abrir a loja nem para encerrar o expediente. Quando baixa a porta de ferro, a inscrição numa placa — “Mister Lin dá um tempo” — identifica um náufrago feliz no oceano de gente aparentemente apressada.“As pessoas querem tudo muito rápido”, lamenta. Essa pressa é enganosa. “Se eu ficar batendo lata no Viaduto do Chá, junto 5.000 pessoas em dez minutos”, garantia Jânio Quadros.

É provável que sim. Os habitantes da cidade que não pode parar vivem parando por qualquer motivo, ou sem motivo algum. Parariam para saber o que fazia aquele homem batendo lata os que param para não comprar o remédio que garante prodígios de virilidade oferecido por um camelô, para comprar uma caixa de Dorflex (o remédio favorito da capital da automedicação) ou para tomar cafezinho e comer pastel de feira. São Paulo bebe 30 milhões de xícaras por dia, 20.833 por minuto. E as barracas das 882 feiras, somadas, vendem 202.000 pastéis por dia, 140 por minuto.

TEMPLO GASTRONÔMICO
Os turistas preferem parar diante das vitrines das 240.000 lojas da cidade. Gastam o que têm nas ruas comerciais do centro, gastam o que não deviam no templo consumista da Oscar Freire ou em alguma das 10.000 lojas entrincheiradas nos shoppings. A cada segundo, dez cartões de crédito e débito são utilizados. A cada dia, são consumadas 864 000 transações. Fazer compras é um item obrigatório na agenda dos 11,7 milhões de turistas — 10,1 milhões de brasileiros e 1,6 milhão de estrangeiros — que desembarcam anualmente em São Paulo.

Segundo o Observatório do Turismo de São Paulo, 43,7% viajam a negócio, 27,5% são participantes de feiras ou congressos e só 12,5% procuram atividades culturais ou outras formas de lazer. A maioria fica de três a quatro dias num dos 42.000 quartos disponíveis nos 410 hotéis. Seja qual for a razão da visita, todos os turistas se enredam alegremente na teia culinária formada por 12.500 restaurantes, que oferecem pratos de 52 tipos de cozinha. No campo da gastronomia, Nova York é a única cidade capaz de rivalizar com São Paulo.

Em 2011, a Virada Cultural juntou 4 milhões de cabeças, a Parada LGBT atraiu 3 milhões e nem a chuva dispersou os 2,5 milhões de participantes do réveillon da Paulista, o principal cartão postal da cidade e a avenida favorita de todos os manifestantes. Em dias normais, 1,5 milhão de pedestres e 90.000 carros circulam pelo antigo reduto dos palacetes dos barões do café que hoje, coerentemente, hospeda o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A entidade representa as 34.000 indústrias baseadas na capital. Essa cifra ajuda a entender por que um município ocupado por 6% da população brasileira concentra 15% do PIB nacional.

A revolução industrial que pariu a metrópole foi inclemente com a paisagem da cidade provinciana. O local escolhido para a construção do Colégio dos Jesuítas garantiu a São Paulo um berço bordado por três rios e mais de 100 córregos. O azul desse deslumbramento fluvial desbotou ou sumiu. O verde resiste como pode. O Parque Estadual da Cantareira disputa o título de maior floresta urbana do mundo. São Paulo tem 2 milhões de árvores. Colhe-se fruta no pé numa jabuticabeira da Avenida Brasil ou nas pitangueiras da Praça Panamericana. Esses pequenos milagres seriam menos raros se o metrô tivesse nascido antes de 1970, se as linhas subterrâneas não resumissem a 70 quilômetros de extensão e se São Paulo aprendesse que não precisa de tanto asfalto.

Os paulistanos ignoram que é possível deslocar-se sem automóvel nem ônibus, e com mais rapidez. Sabem disso os donos dos 400 helicópteros que compõem uma frota inferior apenas à de Nova York. Muitos voam orientados pelo Edifício Itália (165 metros), que deixou de ser o mais alto da metrópole com a inauguração do Mirante do Vale (175 metros), e costumam passar rente à janela do restaurante de onde um homem saltou de paraquedas. Os clientes sempre acrescentam à sobremesa a contemplação da cidade que em 2011 registrou 62.989 casamentos, 8.904 divórcios, 2.063 separações judiciais, 186.119 nascimentos e 77.286 mortes.

Nasceram 510 por dia, morreram 211. No áspero colosso que ameaça matar de susto quem chega, ninguém morre de tédio.

Com reportagem de Fernanda Nascimento e Júlia Rodrigues

13/01/2012

às 15:04 \ O País quer Saber

Autor do livro de cabeceira do PT também escreveu a letra de ‘Marli Meu Travesti’

PUBLICADO NO PORTAL IMPLICANTE

Exclusivo: trazemos a todos vocês a obra de Amaury Ribeiro Jr. que foi censurada pela grande, pequena e até pela média mídia.

Não é nenhum documento secreto escondido no armário, mas sim uma bela canção que consta do álbum “Precoce” (e “precoce” nesse sentido mesmo que você pensou…) de Amaury Ribeiro Jr. Infelizmente, a mídia não deu o destaque necessário a esse talento. Vale dizer que todas as músicas são muito bem escritas e executadas; então escolhemos a esmo a bela cantiga “MARLI, MINHA TRAVESTI”.

Ouçam clicando em “play” (conseguimos localizar a música na web, em mais uma prova de que a arte e a cultura devem ser compartilhadas), a letra está abaixo (foto do encarte, pois obviamente compramos disco tão belo). Depois disso tudo, nossa análise desse clássico.

Melodia muito parecida com “São Paulo, São Paulo”, do Premê. Com uma letra tão genial dessas, sejamos justos, não é lícito cobrar uma melodia 100% original. Vejam só que epopéia:

Alguns trechos PRECISAM ser comentados, pois são simplesmente excepcionais e mostram o talento inequívoco do compositor além da interpretação simplesmente perfeita e crível:

E a meio outros pares
Marli, meu travesti
Cruzamos as pernas
Grudamos as pintas
Cresceu a sua mão

Cresceu a mão! Essa metáfora já mostra que o autor pertence às mais sofisticadas escolas da poesia moderna. O que poderia crescer? Ora, muita coisa! Ou apenas uma, enfim… Mas ele escolheu as mãos, logo após unir as “pintas”. A pinta de cada um? O autor e Marli tem cada qual sua pinta, e as uniram. Uma paulada lírica, definitivamente.

Em vez de “em meio a” sai um “a meio”. Ele está certo, ora! Poetas, vocês sabem, têm licença para cometer um ou outro pecadilho, mesmo se for pecado capital para a gramática. Mas o que gramáticos normativos entendem de amor? E de Marli? Pois é… O importante é prevalecer o lirismo. Assim, o leitor/ouvinte recebe uma verdadeira paulada poética.

Fazemos façanhas, inventamos mil transas
Nos damos sem pudor
Somos românticos, apaixonados
O maior dos casais
Adotamos uns filhos
Deixamos os tiros
Em nome do nosso amor

É preciso parabenizar o autor por não estar filiado a escolas e sistemas retrógrados. Suas rimas não são como aquelas conservadoras, que possuem a tal “identidade fonética”. Ele prefere rimar “façanhas” com “transas”, “roupas” com “bocas”, “guardas” e “quebrava”, e a praticamente parnasiana “eróticos” com “simbiótico”.

Também fascina a parte do “deixamos os tiros” cuja motivação (de tê-los deixado) seria “em nome do amor”. Mas o que significam esses “tiros”? Que tipo de “tiro” alguém abandona em nome do amor? Pode ser bangue-bangue ou alguma outra carreira – as dúvidas ensejadas pela canção só a enriquecem.

Trocamos as roupas
Juntamos as bocas
Pra não se separar (…)
Que sonhos eróticos
Que amor simbiótico
Marli, não vivo sem ti

A parte “trocamos as roupas” pode levar a várias interpretações, afinal, quais as de Marli e quais da personagem da composição (que ninguém faz a menor idéia de quem seja)? E é trocar entre si ou cada qual substitui o que veste por outra peça de roupa, talvez mais confortável? Mais uma vez, portanto, o poeta apresenta questões existenciais intrigantes.

O trecho “pra não se separar” é simplesmente uma poesia dentro do poema, pois, se são as pessoas, seria “separarmo-nos”, mas provavelmente diz respeito às bocas e o autor – sabiamente – optou por não flexionar o infinitivo. Ao mesmo tempo, transgrediu ao usar a próclise em vez da ênclise obrigatória. Cumpre uma regra da norma culta e transgride uma mais basilar. Isso é raro e só há uma explicação para isso: talento poético.

Por fim, o nome: “Meu Travesti”.

Os linguistas ainda debatem de forma árdua para consolidar uma determinação gramatical do gênero do substantivo. Por enquanto, vale tanto “a” quanto “o” travesti. Mas como usar uma ou outra forma? O que difere “a” de “o” travesti? O autor optou por “o”, deixando no título, de maneira talentosíssima, a principal dúvida acerca de Marli.

Conclusão
A música só não perdeu esse gênio para a literatura porque, como sabem os que têm polegares opositores e já se puseram a ler de fato o quanto escrito, ele não é exatamente um literato. Mas, no campo da canção popular, é imbatível.

Merece um TRIVIAL, seguramente.

De mais a mais, pedimos ENCARECIDAMENTE que NINGUÉM seja preconceituoso ou agressivo nos comentários. Mesmo os leitores “da antiga” acabarão levando cortes (se bem que, nossos queridos leitores sabem fazer a coisa direito sem ensejar a facada censória).

Ah, sim! Já ia esquecendo… Amaury trabalha na RECORD, emissora do…

Pedimos clemência episcopal (sem cacófato) de Edir Macedo. A poesia acima de tudo, Edir! Contamos contigo: não exorcize a beleza dessa canção.

05/12/2011

às 19:37 \ O País quer Saber

Francisco Fernandes da Silva, marcado para morrer: ‘Vivo exilado em meu próprio país’

Francisco Fernandes da Silva, presidente da Mopaan

Francisco: perseguido por denunciar um esquema de corrupção

Júlia Rodrigues

Presidente de uma organização não-governamental que fiscaliza gastos públicos, Francisco Fernandes da Silva é um homem marcado para morrer. Depois de denunciar um esquema de corrupção montado em Antonina do Norte, cidade cearense de 7 mil habitantes a 473 quilômetros de Fortaleza, passou a receber ameaças e foi espancado no Carnaval deste ano. Incluído em julho no Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH), Francisco não deveria, em tese, se preocupar com a própria integridade física ou de sua família. Na prática, existem motivos de sobra para continuar amedrontado.

Se o programa funcionasse conforme o prometido, ele teria direito a uma espécie de kit segurança: telefone, bina, ronda policial nos locais onde mora e trabalha, colete à prova de bala e transporte seguro – seja lá o que for isso – para circular pela cidade. Tudo por conta do governo. A assistência recebida se limitou a 1.800 reais divididos em três parcelas de 600 reais. “Estou completamente abandonado pelo programa”, resume. “O governo alega ter um dos melhores programas de proteção do mundo, mas tudo não passa de uma farsa”.

A luta contra o prefeito e os vereadores de Antonina do Norte começou em 2008, quando Francisco criou um perfil no Orkut para denunciar os abusos que havia testemunhado. A página utilizada para difundir as revelações demorou menos de um mês para atingir a marca máxima da rede social: mil amigos. O sucesso na internet o incentivou a alçar voos mais ousados. Amparado por ONGs especializadas no combate à corrupção, Francisco resolveu fundar em 22 de dezembro de 2009 sua própria organização: o Movimento Popular Alerta Antonina do Norte (Mopaan), que fecharia as portas em 2011 em decorrência das represálias sofridas.

Edison Afonso(PSB), ex-prefeito de Antonina do Norte

Edison Afonso(PSB), ex-prefeito de Antonina do Norte

Desde o nascimento, a Mopaan manteve sob estreita vigilância a movimentação financeira da prefeitura de Antonina. Nos primeiros 11 meses, os 26 integrantes denunciaram irregularidades encontradas na gestão do então prefeito Edison Afonso (PSB) – cassado em outubro deste ano por compra de votos nas eleições de 2008. Entre as descobertas, destacam-se irregularidades envolvendo desvio de verbas destinadas à saúde e educação, contratação de empresas de fachada e, sobretudo, falcatruas no transporte escolar.

TELEFONEMAS ANÔNIMOS
Em 2009, o município repassou para uma empresa chamada A.P.B.J. Construções, Indústria, Comércio e Serviços de Mão-de-Obra LTDA 250 mil reais, referentes à locação de veículos para transporte escolar e prestação de serviços junto à Secretaria de Educação. A empresa, cujo leque de atividades é tão amplo quanto o nome, não tem um veículo sequer. O que se vê em Antonina são crianças transportadas em caminhões pau-de-arara – os caminhões estão registrados em nomes de parentes de vereadores.

No mesmo ano, a A.P.B.J. foi contratada para reformar escolas públicas. Apesar de ter recebido da prefeitura 14 mil reais por escola reformada, só mudou a cor das paredes. Durante as investigações, Francisco descobriu que a sede da empresa fica em uma pequena sala nos fundos de um posto de combustível de Juazeiro do Norte, a 130 quilômetros de Antonina.

Na tentativa de sanar o problema – lê-se jogar a sujeira para baixo do tapete –, o ex-prefeito concedeu a uma construtora a responsabilidade de levar as crianças para a escola. Em 2010, a prefeitura de Antonina do Norte gastou 475 mil reais no aluguel de veículos da empresa Construtora Cruz & Tenório Ltda. A situação, todavia, continuou a mesma. Um relatório do Tribunal de Contas do Município entregue à Polícia Civil constatou que um dos caminhões utilizados para transportar as crianças pertence ao vereador Silvio Sampaio Neto (PSB).

As descobertas da Mopaan desencadearam o pesadelo vivido por Francisco, que em novembro de 2010, passou a sofrer ameaças de morte em telefonemas anônimos. Vereadores de Antonina endossaram as ameaças durante sessão na Câmara. Desde então, o alvo permanece escondido. Foram meses trocando de cidade até se estabelecer no local que está hoje. “Vivo exilado em meu próprio país”, desabafa. “Nem minha mãe sabe onde moro”.

Em 4 de março, sexta-feira de Carnaval, Francisco foi espancado e ameaçado de morte em público por um grupo chefiado por Severino Afonso de Carvalho (irmão do ex-prefeito Edison Afonso). Como o posto policial de Antonina do Norte se recusou a atendê-lo, Francisco teve de recorrer a delegacias de cidades vizinhas para registrar queixa.

No mês seguinte, o promotor de Juazeiro do Norte conseguiu incluir o presidente da Mopaan no Programa de Proteção a Testemunhas (Provita) do governo federal. Insatisfeito com as exigências, ele recusou a ajuda. “Queriam que eu me isolasse completamente do mundo e não dariam garantias de que minhas acusações contra o prefeito seguiriam adiante”, exemplificou. “Eu recusei. Não vou abandonar a luta contra a corrupção”.

TURBULÊNCIAS SUCESSIVAS
Outro fator que contribuiu para que Francisco recusasse a ajuda foi a incerteza quanto à continuidade do estudo dos filhos. Pai de três garotos de 11, 15 e 20 anos, ele queria garantir que o primogênito, estudante de direito e bolsista do Prouni, terminasse a faculdade. “O Provita disse que não poderia afirmar que meu filho seria transferido para outra universidade”.

Em julho, o Ministério Público convenceu também o Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos (PPDDH) a atender Francisco. Mas não chegou nenhum tipo de proteção ou ajuda – financeira, médica ou psicológica. Francisco diz que os dirigentes do programa garantiram que reembolsariam os gastos que ele teve para refugiar-se com a família para outro canto do país além dos demais benefícios oferecidos pela secretaria. De julho a agosto, ele recebeu da ONG Centro Popular de Formação da Juventude 600 reais por mês. Os recibos informam que o valor se prestaria a custear “quatro diárias para a hospedagem”.

Transporte escolar em Antonina do Norte

Transporte escolar em Antonina do Norte

Aos 48 anos e aposentado por invalidez em consequência de uma artrose no fêmur, Francisco garante que nunca se hospedou em hotel algum e que as três parcelas de 600 reais estão muito aquém do que desembolsou. Com a mesma ênfase, afirma que nunca recebeu qualquer assistência por parte do PPDDH. “O governo não sabe nem meu endereço”, registra. “Não confio no programa. Além de nunca terem se interessado pelo meu caso, pertencem ao governo. Justamente quem quer me matar”.

Uma nota enviada ao site de VEJA pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República sustenta que o Centro Popular de Formação da Juventude é a única ONG que mantém convênio com o programa de proteção. A instituição é responsável pelo acolhimento provisório emergencial e pela contratação de equipe técnica federal que atende os ameaçados de morte nos estados que o programa não abrange, como é o caso do Ceará.

A parceria entre a Secretaria de Direitos Humanos e o Centro Popular de Formação da Juventude começou antes mesmo da criação do Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, em 2006. Em seis anos, o governo federal firmou convênios com a ONG que superam 6 milhões de reais.

A ajuda financeira dada ao presidente da Mopaan aliviou a situação, mas está distante de resolvê-la. Além dos riscos a que se expõe todos os dias, Francisco ainda opera milagres para sustentar a família com os 1.200 reais da aposentadoria. “Em Antonina, eu não pagava aluguel e todos meus familiares criam animais ou têm algum tipo de plantação, não precisava me preocupar com alimentação”, lembra. “O dinheiro até sobrava”. Hoje, não é mais assim. Ele e a família se desdobram para conseguir pagar as contas básicas. “Estou passando necessidade”, revela. “É principalmente por conta disso que gostaria de contar com o programa do governo”.

Apesar de o presidente da Mopaan ter relatado o descaso com que se deparou à Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará e à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o órgão responsável pelo programa de proteção explicou, de maneira sucinta, que ignora a situação alegada por Francisco: “O auxílio é prestado diretamente a ele e até a presente data, o programa não recebeu qualquer reclamação do protegido”, afirma. “Qualquer ausência ou lacuna do programa deve ser informada à coordenação estadual do programa e, uma vez constatada, será resolvida”.

Apesar das sucessivas turbulências, Francisco segue no combate à corrupção. “Às vezes eu me arrependo de ter entrado nessa história”, diz contendo as lágrimas. “Mas se tivesse que fazer tudo de novo, sem dúvida faria”. Ele reitera que todos têm a obrigação de agir. “As pessoas gostam de falar mal, mas ninguém faz nada”, lamenta. “A luta contra a corrupção é dura. Se multiplicarmos por mil o número de ativistas que estão nessa batalha, ainda estaremos na metade do caminho”. E aproveita para dar um puxão de orelhas nos manifestantes que se mobilizam só em feriados: “Passeata não basta. Tem que fiscalizar o governo”.  Palavra de quem entende do assunto.

24/11/2011

às 22:29 \ O País quer Saber

Cid Gomes faz em menos de dois minutos o que ninguém fez em menos de dois anos

Obras públicas de bom tamanho exigem estudos preliminares profundos e extensos, orçamentos, cronogramas, editais, licitações, exames de propostas, fiscalização e outras providências que, somadas, escavam um espaço de tempo necessariamente dilatado entre a concepção da ideia e os trabalhos de parto. Não é coisa que se faça da noite para o dia, certo? Depende. No Ceará, por exemplo, o governador Cid Gomes é capaz de fazer em menos de dois minutos o que, até hoje, ninguém fez em menos de dois anos.

No vídeo que registra a conversa entre o governador e um empresário, por exemplo, Cid tangencia, desapropria, verticaliza, constrói, financia, patrocina ─ faz o que ele chama de “rolo” em exatamente 1min47. O país quer saber o que o craque da objetividade está dizendo ao construtor. Convém chamar um tradutor independente.

httpv://www.youtube.com/watch?v=CuNLLuPu8WU&feature=player_embedded

18/11/2011

às 21:39 \ O País quer Saber

Os artistas que contestam a usina não têm nada a dizer sobre a corrupção impune?

Decidido a paralisar as obras da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o Movimento Gota D’Água recorreu a uma fórmula tão singela quanto infalível: um recado conciso e direto, um elenco de celebridades globais e um vídeo de 5 minutos distribuído pela internet. Quem assiste ao filme é convidado por rostos e vozes familiares a assinar uma petição que reinvindica a interrupção do projeto ─ e conseguir a adesão de mais dez amigos. Milhares de assinaturas colhidas em 24 horas confirmaram o sucesso da ideia. Sempre funciona.

Também por isso, o país quer saber: o que esperam as mesmas celebridades para juntar-se num vídeo que estimule os brasileiros a mobilizar-se contra a corrupção impune?

15/11/2011

às 20:56 \ O País quer Saber

Dirceu funda o movimento pró-corrupção e Sarney é enviado para o lugar de sempre

Em homenagem às centenas de brasileiros que, nesta terça-feira, decidiram protestar contra a roubalheira institucionalizada mesmo debaixo de chuva, a coluna publica duas notícias alentadoras:

1. O companheiro José Dirceu aproveitou a festa de aniversário de Agnelo Queiroz para reunir no dia 9, numa churrascaria em Brasília, simpatizantes do Movimento Pró-Corrupção. Nem a comida a preço de custo nem a presença do presidente do PT, Rui Falcão, evitaram o fracasso do evento. O número de participantes é insuficiente para eleger um vereador em Passa Quatro, cidade natal de Dirceu.

2. No sábado anterior, dia 5, o show do Jota Quest na Lagoa da Jansen, em São Luiz, oficializou a chegada ao Maranhão do refrão que tem homenageado o senador José Sarney desde a apresentação do Capital Inicial no Rock in Rio. A multidão mandou Madre Superiora para o lugar de sempre. Mas foi a primeira decolagem registrada em território maranhense. Confira no vídeo abaixo.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados