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PUBLICADO EM 13 DE MAIO DE 2011 A frase reproduzida no título do post parece ter sido pinçada de alguma discurseira de Lula. Não foi. Mas os autores do livro didático “Por uma vida melhor”, chancelado pelo MEC, decerto se inspiraram na oratória indigente do Exterminador do Plural para a escolha de exemplos que ensinem […]

PUBLICADO EM 13 DE MAIO DE 2011

A frase reproduzida no título do post parece ter sido pinçada de alguma discurseira de Lula. Não foi. Mas os autores do livro didático “Por uma vida melhor”, chancelado pelo MEC, decerto se inspiraram na oratória indigente do Exterminador do Plural para a escolha de exemplos que ensinem aos alunos do curso fundamental que  o s no fim de qualquer palavra é tão dispensável quanto um apêndice supurado. O certo é falar errado, sustenta o papelório inverossímil.

A lição que convida ao extermínio da sinuosa consoante é um dos muitos momentos cafajestes dessa abjeta louvação da “norma popular da língua portuguesa”. Não é preciso obedecer à norma culta em concordâncias, aprendem os estudantes. Isso porque “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro“. Assim, continuam os exemplos, merece nota 10 quem disser ou escrever “nós pega o peixe”. E só elitistas incorrigíveis conseguem espantar-se com a medonha variação: “Os menino pega os peixe”.

“Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever tomando as regras estabelecidas para norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas”, lamenta um trecho da obra. Por isso, o estudante que fala errado com bastante fluência “corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico”. No Brasil Maravilha que Lula inventou e Dilma Rousseff vai aperfeiçoando, professores que efetivamente educam não passam de “preconceituosos linguísticos”. Haja idiotia.

“Não queremos ensinar errado, mas deixar claro que cada linguagem é adequada para uma situação”, alega Heloísa Ramos, uma das autoras da afronta à inteligência e à sensatez. Em nota oficial, o MEC assumiu sem ficar ruborizado a condição de cúmplice. “O papel da escola”, argumentam os acólitos de Fernando Haddad, ” não é só o de ensinar a forma culta da língua, mas também o de combater o preconceito contra os alunos que falam linguagem popular”.

A professora Heloísa sentiu-se insultada com a perplexidade provocada pelo assassinato a sangue frio da gramática, da ortografia e da lucidez.  “Não há irresponsabilidade de nossa parte”, ofendeu-se. Há muito mais que isso. Há um crime hediondo contra a educação que merece tal nome, consumado com requintes de cinismo e arrogância. O Brasil vem afundando desde janeiro de 2003 num oceano de estupidez. Mas é a primeira vez que o governo se atreve a usar uma obra supostamente didática para difundi-la.

Poucas manifestações de elitismo são tão perversas quanto conceder aos brasileiros desvalidos o direito de nada aprender até a morte, advertiu o post reproduzido na seção Vale Reprise. As lições de idiotia endossadas pelo MEC prorrogaram o prazo de validade do título: a celebração da ignorância é um insulto aos pobres que estudam.

A Era da Mediocridade já foi longe demais.

Clique na imagem e confira um dos trechos do livro “Por uma vida melhor”:

Comentários
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  1. Comentado por:

    Iberê Paiva

    Que abundância de comentários! Não dá pra competir com tantos. Mas sinceramente, aparte qualquer motivação política, e sem ter acesso à integra da cartilha, não posso negar que ali se está falando algo óbvio. Sou um homem culto, mas convivi e convivo ainda com pessoas da roça. Sei perfeitamente como essas pessoas se comunicam verbalmente. Elas falam “pegamos os peixe” mesmo. E eu falo assim com elas. Aliás, os franceses falam assim também, e escrevem com todos os esses e plurais. É muito mais prático. Acho que, deixando-se bem claro que é proibido e ridículo escrever da citada maneira, e que em ambientes mais cultos é errado… bem, não se pode dizer a uma criança que ela está proibida de falar desse jeito como todos falam em sua comunidade. É necessário esclarecer a ela que, como ela obviamente observa em sua realidade, é perfeitamente possível se comunicar economizando alguns plurais. Evidentemente, se o aluno já aprende em sua comunidade como se comunicar no linguajar daquela comunidade, não cabe à escola ensinar essa forma. Cabe ensinar a norma culta. Mas pense bem, não é crime nenhum lembrar ao aluno que o muno é cheio de facetas, e que existem comunidades com formas linguisticas mais econômicas no plural. Mais uma vez, não conheço o conteúdo completo da cartilha, nem o tom geral usado ali, mas por favor, o alarde feito pelo artigo faz parecer um crime, quando se trata apenas da constatação do óbvio.

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  2. Comentado por:

    Patrícia de Sampa

    Típico do PT: igualar por baixo. Mas é também como se dissessem aos alunos para quem esse livro é dirigido: “Vocês não vão mesmo aprender, então isso é suficiente.” É como os que acham que ensinar essa meninada a bater lata, em lugar de tocar um instrumento de verdade, já estão fazendo um grande favor. Isso, na minha opinião, é falta de confiança na capacidade desses meninos de aprender, e uma grande falta de respeito: para filhos de pobre, já está de bom tamanho!!

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  3. Comentado por:

    Walmir Graciliano

    Estão se nivelando por baixo e bota baixo nisso. Viva o Lula!!! Ele deve ter ajudado na elaboração do livro. “Salvem as criança do nosso Brasil”. Se digo as fica subentendido crianças. Ok?

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  4. Comentado por:

    Vera

    Não posso deixar esta herança maldita para os meus netos ( com todos os esses). Pobre do meu Brasil! Ter que carregar um analfabeto nas costas e com muita $$$$.

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  5. Comentado por:

    geroldo zanon

    Hoje é dia26/05/20124 querem ver como o PT deixou o BRASIL em termos de violência é só ligar o SBT a BANG a RECORD é de chorar

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  6. Comentado por:

    geroldo zanon

    Errei é 2014

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  7. Comentado por:

    Filipe Leal

    Pow Augusto qto precomceito limguisto! Issu são coisa de reassionarios!
    Parece que o governo quer iniciar um processo de involução no país…

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  8. Comentado por:

    campineira

    Caro Augusto
    Argumentos do MEC:
    – valorização da linguagem do aluno
    – descriminação e preconceito linguístico
    – uso da língua com flexibilidade
    – “abordagem de uma situação de interlocução socialmente contextualizada” (seja lá o que isso significa!)
    No IG, Prof. Bechara “…o aluno não vai para a escola aprender – nós pega o peixe -, isso ele já diz em casa .O aluno vai para a escola para se ascender numa posição melhor… O papel da educação é justamente tirar a pessoa do ambiente estreito em que vive, para alcançar uma situação melhor na sociedade… essa ascenção social, não vai exigir só um novo padrão de língua, mas vai exigir também um novo padrão de comportamento…”
    Vale perguntar: Qual é mesmo a função da nossa Escola Pública ?
    Estaremos produzindo gerações de jovens fadados a uma vida miserável e medíocre, enquanto prevalecer essa filosofia perversa que considera o aluno pobre, um “coitadinho”, sofredor de preconceitos linguísticos e outros tantos…,e que precisa de “afago e ajuda”. Chega de salvadores da pátria!
    Ele precisa sim, de uma escola eficiente, de uma educação de qualidade, que lhe de condicões de andar com suas próprias pernas, de ter uma vida decente! E de liberta-lo dos Lulas e das Dilmas da vida!

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  9. Comentado por:

    Leonardo X, na Resistência

    Esta não é uma questão de ortografia ou gramática da língua. Insere-se na ideologia ensinada pelos marxistas embebidos da “colère du peuple” exaltada por Marat, terrorista da revolução francesa que elevou a guilhotina à honra dos altares da infâmia. Insufla-se o arrivismo e o ressentimento contra toda a cultura estabelecida pelo regime vigente, na visão doentia dessa gente esquerdopata. Tem precedentes famosos na queima de livros pelos nazistas, na humilhação a professores pela guarda vermelha maoista, na execução sumária dos mestres de escolas rurais pelos bolcheviques e outros que tais. A “revolução bolivariana” avança em nosso país diante da nossa cara de assombro, mas nenhuma reação política das instituições ditas democráticas e da imprensa. Onde estão o parlamento e a igreja católica, que é a mais tradional educadora do Brasil? Dormem?

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  10. Comentado por:

    Pedro

    As Organizações Tabajara “ganhou as licitação” para fornecer “os material para as criança”, composto do conjunto Gramaticator e o Escrevinhator, para os estrudio das língua. É o Brasil no século XXI.

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