Os apagões advertem: Dilma pode presidir a escuridão que Lula fingiu ter revogado

Nomeado ministro de Minas e Energia em janeiro de 2008, Edison Lobão mostrou já no primeiro apagão que o padrinho José Sarney indicara o homem errado para o cargo errado: em vez de anunciar o que faria para tirar da UTI o sistema de distribuição de energia, o agregado da Famiglia rebaixou o que ocorrera […]

Nomeado ministro de Minas e Energia em janeiro de 2008, Edison Lobão mostrou já no primeiro apagão que o padrinho José Sarney indicara o homem errado para o cargo errado: em vez de anunciar o que faria para tirar da UTI o sistema de distribuição de energia, o agregado da Famiglia rebaixou o que ocorrera a “interrupção no abastecimento de eletricidade”. Há um mês e meio, quando mais uma pane escureceu as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, foi a vez de Hermes Chipp, diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, recorrer a malandragens semânticas para desdenhar do perigo.

“O que aconteceu foi um ‘apaguinho’ e não um apagão, como o de 2001″, fantasiou Chipp. “Esse durou pouco tempo”. Por tal critério, tampouco fora apenas um “apaguinho” o blecaute que, dois meses antes, afetara a região Nordeste. Por ordem de Lula, não existe apagão no Brasil Maravilha que o chefe pariu e Dilma Rousseff amamenta. Esse tipo de escuridão foi inventado por Fernando Henrique Cardoso e revogado em 2003 pelo maior dos governantes desde Tomé de Souza.

Alguém esqueceu de avisar o ministro interino Márcio Zimmermann, surpreendido na madrugada desta sexta-feira pelo sumiço da energia elétrica em todos os nove Estados do Nordeste e parte da região Norte. O substituto de Lobão, convém ressalvar, evitou disciplinadamente a palavra proibida: nas entrevistas que concedeu, apagão virou “evento”. Mas pelo menos não fez de conta que a situação é tão boa que, se melhorar, estraga. Já é alguma coisa.

“Há uma diminuição de confiabilidade no sistema elétrico brasileiro”, reconheceu Zimmermann. “O quadro não é normal”. O que o interino qualifica de anormal pode ser a antessala do colapso. Ministra de Minas e Energia entre 2003 e 2007, Dilma Rousseff nunca foi além de remendos. A troca de Dilma por Edison Lobão serviu apenas para reafirmar que, no Brasil, o que está péssimo sempre pode piorar.

Em 2001, Fernando Henrique Cardoso admitiu a existência de carências graves e enfrentou a crise sem malandragens de palanqueiro. Lula e Dilma preferiram varrer o problema para baixo do tapete. Junto com milhões de brasileiros que seguem dormindo o sono dos crédulos profissionais. Dilma pode acordar no meio da escuridão que, embora revogada por Lula, não terá prazo para terminar.

“Um apagão é um problemaço”, escreveu em sua coluna o jornalista Carlos Brickmann. “Três apagões em 34 dias são mais do que três problemaços: são uma indicação de que o sistema brasileiro de energia enfrenta problemas. Pior: o  governo sabe dos problemas, tanto que teme falta de luz quando acaba uma novela; e continua brincando de explicar. A última: “não é apagão, é apaguinho”.

Brickmann endossa o alerta do especialista Ildo Sauer, professor da USP: “Uma parte do sistema é cinquentão e deveria ter passado por um processo de manutenção e substituição. A indicação mais óbvia de que isso não ocorreu são os apagões”. E encerra a nota com a localização do paradeiro de Edison Lobão: “O ministro das Minas e Energia está hospitalizado em São Paulo. Ele sabe o que faz: no Hospital Albert Einstein, há ótimos geradores”.

É isso.

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  1. Comentado por:

    Cil

    Os apagões da era FHC, se não estou enganada, ocorreram por falta de água. Não dá pra brigar com a natureza. Já nos desgovernos petralhas, eles aconteceram por falta de investimento. É incêndio pra lá, é queda programada para cá, é desligamento preventivo ali.
    É só a incompetência petrallha no auge da faísca. O bom é que agora que SP elegeu um Poste, não vai faltar energia por lá. Não por falta de Poste… eheheheheeh

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  2. Comentado por:

    miguel

    se fossemos um pais a turma da energia já tinha sido enviada para casa. a presidente Dilma só não faz isso por que o projeto atual foi elaborado por ela

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  3. Comentado por:

    Murilo Dias

    Caro Augusto,
    Mas eh obvio que com a quantidade de conchavos politicos, operacoes de resgate a mensaleiros, providencia de celas especiais para os mesmos, etc, etc, etc, etcssss. Administrar um pais e a necessidade de um povo nao eh prioridade. Energia? Infraestrutura? Saude? Esgoto? Nada….desde que Lula seja reeleito, esta tudo na paz…………

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  4. Comentado por:

    Valentina de Botas

    Natural que seja político o critério de preenchimento dos postos, especialmente os do primeiro escalão, no governo. Até desejável, mas não precisa ser imoral e imoral passa a ser quando se exclui o critério técnico a ponto de, confrontadfo com o quinto apagão do ano, o ministro interino admitir a falta de credibiliade do sistema. Meio ponto para ele por suspender, brevemente que seja, o discurso de indiferença cínica do governo com as aflições do país. Perde meio ponto porque o sistema não é um ente autônomo, sequer é um ente, mas uma estrutura concebida, desenvolvida e gerida por pessoas e a responsável é Edison Lobão e, acima dele, Sarney, do lado dele, Dilma e, acima dela, Lula, e acima dele, só o céu escuro a cada 2 ou 3 meses pelo país. Um mínimo de responsabilidade e sobriedade exige a substituição de Lobão e a moralização da escolha. Ao contrário do sistema, sabemos que o ministro não corre risco algum além de ser promovido ou elogiado por confirmar a mediocridade do governo. Aposto que troco uma lâmpada mais rápida e eficientemente do que ele, sem que ninguém gire a escada pra mim. Não sou candidata a cargo que não está vago e nem topo fazer o que está além da minha competência, ilustro apenas a odienta predominância do caráter político na nomeação de um ministro para uma pasta chave. Se não por algum apreço ao país, ao menos pela própria biografia, Dilma deveria buscar alguém com algum conhecimento técnico, de caráter e com relevo político na base alugada. O último quesito pulveriza os outros. Além do mais, a premissa impossibilita tudo: se Dilma se importasse com a própria biografia, teria recusado o convite imposto por Lula para concorrer à presidência, mas tudo o que a presidente quer é servir ao padrinho, a nação que espere. País de enorme potencial no setor, o Brasil tem uma das taxas mais altas de energia elétrica do mundo. O que também onera a indústria, aumentando o custo Brasil e o custo de ser brasileiro. A súcia teve 10 anos para minorar esta situação e o que temos é uma presidente que anuncia com pomposa desonestidade um desconto ridículo na conta de luz que nada mais é do que a devolução de cobrança indevida acumulada em anos. É o país girando a escada pra trocar a mesma lâmpada – a da criminosa leviandade da administração lulopetista. Um beijo

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  5. Comentado por:

    Silva

    Caro Augusto, por incrível que pareça todas as tardes aqui em Brasília falta energia elétrica, e sempre a mesma desculpa, foi um incêndio… O próprio poste, a Dilma! sabe e não toma providências….

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  6. Comentado por:

    Renato

    Lula disse no começo do seu governo que o Brasil nunca mais teria apagões. Mentiu. Assim como mentiu que eramos auto suficientes em petróleo. O Brasil maravilha de Lula não existe. É uma falácia que está sendo desmontada dia após dia. E o pior a oposição continua mansa. Quase que inexistente.

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  7. Comentado por:

    CarmemK

    Deve ser ainda a herança maldita de FHC…dez anos depois. Haja coisa bem feita!!!

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  8. Comentado por:

    Paulo Terenzi

    O nome do programa para levar energia elétrica para todos os cantos do Brasil, engedrado pela equipe do 9 dedos, era “Luz Para Todos”. Percebe-se agora que era, na verdade, “Luz Pára Todos”. O Lula não gostava do nome. Ele acreditava que, por direito, deveria se chamar “Haja Luz”. Mas o psiquiatra dele não deixou.

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  9. Comentado por:

    Rosana Hermes Alencar

    Se Dilma se ocupasse de fiscalizar os serviços ao invés de ficar em palanques políticos fazendo campanhas para prefeituráveis talvez ela soubesse dizer o que está p´rovocando os apagões e quais são as alternativas. Técnica? Falácia pura. É Política!

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  10. Comentado por:

    Rosana Hermes Alencar

    Querido Paulo,
    O Programa Luz para todos já está inclusive adequado´`as novas regras ortográficas. Logo, está perfeitamente, na ortografia, em consonância com o o objetivo do programa: parar a todos, inclusive o Brasil

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