Coluna Augusto Nunes

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

sobre

Colunista de VEJA.com, colaborador da edição impressa e apresentador do Roda Viva. Foi redator-chefe de VEJA e diretor de redação das revistas Época e Forbes e dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Autor do livro 'Minha Razão de Viver - Memórias de Samuel Wainer'.

Roberto Pompeu de Toledo: Perdendo feio

Por: Augusto Nunes

Publicado na versão impressa de VEJA

A crise do vírus zika, com epicentro no Brasil, internacionalizou-se na semana passada. O presidente Barack Obama reuniu funcionários da área da saúde e pediu urgência nas pesquisas sobre as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. O governo dos Estados Unidos, do Reino Unido e de outros países europeus alertaram seus cidadãos contra os riscos de viagens ao Brasil. Em reunião de emergência convocada pela Organização Mundial de Saúde, em Genebra, o representante da Organização Pan-Americana de Saúde, Marcos Espinal, previu uma expansão explosiva de pessoas infectadas nas Américas, chegando a 3 ou 4 milhões, 1,5 milhão das quais no Brasil. Nos meios políticos brasileiros, enquanto isso, crucificava-se o ministro da Saúde, Marcelo Castro, por ter declarado que estamos “perdendo feio” a guerra contra o Aedes aegypti. A máquina de moer ministros, com motor instalado no interior do Palácio do Planalto, entreviu aí uma oportunidade e pôs-se a espalhar que a presença de Castro no governo estava com os dias contados.

Não há razão para crer que Marcelo Castro seja um bom ministro. Pelo contrário, ele e todos os demais ministros do governo Dilma Rousseff são por definição ruins, dadas as motivações e circunstâncias de sua nomeação. Ocorre que, no caso, ele estava certo. “O vírus zika, por causa da microcefalia e da síndrome de Guillain-Barré, provocou esse alvoroço e o desespero para a implantação de medidas que já deveriam ter sido tomadas há mais de vinte anos”, disse ao colunista o infectologista José Luís Baldy, professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina. Nesse tempo todo, lembra o doutor Baldy, nunca se falou de medidas simples de prevenção, como repelentes ou mosquiteiros. Só se começa a falar nelas agora. “Depois dos 7 a 1, resolvemos mudar a estratégia.”

Curioso é que o Brasil já teve êxito em campanhas passadas contra o Aedes aegypti, no tempo em que o problema era a febre amarela, também transmitida pelo mosquito. Em 1955, ao final de um esforço articulado pela Organização Mundial de Saúde e pela Organização Pan-Americana de Saúde, cobrindo toda a América Latina, o mosquito foi declarado erradicado no país. No fim da década de 60 houve uma ressurgência. Desencadeou-se nova campanha e, em 1973, de novo o Aedes aegypti foi declarado erradicado. Nos anos 1980 ele ressurgiu ainda uma vez, em toda a sua glória, agora trazendo de presente a dengue, que desde então assola o país. Nota-se nesse vaivém um padrão característico da nacionalidade: esforço/vitória/relaxamento. Assim como no caso das obras públicas, manutenção não é o nosso forte.

A Organização Mundial de Saúde programou para segunda-feira nova reunião, para decidir se é o caso de declarar uma “emergência internacional de saúde”, tal qual se fez no caso do vírus ebola, em 2014. A medida facultará à organização recomendar restrições de viagens e mobilizar mais recursos no combate ao problema. A internacionalização da crise tem o lado bom, para o Brasil, de abrir a perspectiva de ajuda vinda de fora. Não se espera nada de parecido com o que ocorreu nos anos 1920-1930, quando o governo brasileiro entregou à Fundação Rockefeller a exclusividade do combate ao Aedes aegypti nas regiões Norte e Nordeste, mas a colaboração em pesquisas e o compartilhamento de experiências podem nos ser benéficos. O lado mau é que a internacionalização joga mais pressão sobre o Brasil. Nossa seriedade e nossa competência estarão à prova, num jogo em que até agora, como bem assinalou o ministro, o placar nos é amplamente desfavorável.

Merece reprise, em benefício de quem não leu no Globo, o exercício do colunista Jorge Bastos Moreno para pôr na ordem correta a declaração de honestidade da alma viva Luiz Inácio Lula da Silva. Moreno inspirou-se no que fez Millôr Fernandes com uma frase de José Sarney, ao assumir a Presidência. “O destino não me trouxe de tão longe para ser o síndico da catástrofe”, dissera Sarney. Millôr reorganizou-a para: “A catástrofe não me trouxe de tão longe para ter o destino de síndico”. Lula agora disse: “Não há uma alma viva que seja mais honesta do que eu”. Moreno revirou-a para: “Não há alma honesta que seja mais viva do que eu”.

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Comentários

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  1. norma

    Corrigindo o Rubão 16:51. o Brasil AINDA não é de terceiro mundo , é “de quinta” mesmo!

  2. olga

    Só para concluir.. Estão recomendando abortos, inclusive a ONU, por conta da microcefalia e, até abstinência sexual para os casais que não querem usar preservativo…
    Em primeiro lugar quase não ouvir falar em abstinência sexual em campanhas de preservação a AIDS… Era um palavrão! Outra coisa… Quem lê a “cartilha” acima dá a impressão que estamos falando apenas com famílias bem resolvidas que discutem a relação e o momento da gravidez! Nada mais distante da nossa realidade!
    Grande parte das mulheres hoje nem sabem quem são os pais dos seus filhos… E, eu não estou falando isto porque sou preconceituosa não! É só vê as estatisticas nas cracolandias e bailes funks da vida… Entre adolescentes…
    Infelizmente, a coisa é pior do que parece!
    Não adianta culpar ministro A ou B…
    Estes são os frutos de tudo que temos plantado nos últimos anos.
    É algo bom de ouvir ou falar? Não!
    Estamos felizes, não é? Em pleno carnaval… Mas, é exatamente no velório que temos consciência da nossa finitude, pequenez… Esta que ninguém quer ver!
    Então, segue o bloco…

  3. olga

    Talvez, eu seja apenas ignorante… Mas, to achando tudo isto muito estranho… Principalmente este contato imediato do primeiro grau com o Sr Obama… Não confio em mais nada neste mundinho, seja primeiro, seja oitavo… Já que as grandes potencias só falam em Agenda do Clima, muito precocupadas com o clima e os animais e, como já devastaram suas belíssimas nações, talvez, já que não puderam ainda imigrar para Marte, se contentem em ficar com o Continente Africano ou América do Sul…
    Nossa apática imprensa não questiona nada, apenas acata… Ninguém questiona… Até mesmo o HIV, por exemplo, parece não mais existir…
    Se o mundo é um laboratório nós somos as cobaias!

  4. FM

    Não sei se o ministro de corre perigo de perder o cargo. Mas creio que para ele pouco importa. Esse é um governo que tem que cumprir exigências partidárias e dane-se o povo que sofre as consequências. Seja como for, o ministro continuará dormindo tranquilo todos os santos dias. Dilma também, pois nunca desconfiou que é uma péssima presidente e na sua brutal inoperância pode se aproveitar desse momento de sinceridade do ministro, coisa que naturalmente não cai no seu agrado, para faturar a pecha de enérgica. Se ainda não o trocou é porque está procurando outro na altura do seu governo. Dias atrás ela ia conclamar os países da AL para combater o mosquito, simplesmente ridícula no seu discursório com sua costumeira empulhação. Como sempre inoperante com os problemas daqui, mostrando querer resolver os problemas dos outros lá fora. Até a imaginei de rede em punho atrás do maduro e do morales caçando os mosquitos, enquanto o Macri se mijava de tanto rir. Infelizmente o povo brasileiro está à mercê da Dilma e do Aedes aegypti com todos os males que possam causar. Não estranhem se Dilma aproveitar esse infortúnio que aos poucos vai se espalhando ao som das batucadas, e veja a solução lá na ilha dos irmãos Castro que estão ávidos para colher mais alguns milhões enviados pela grande irmã camarada.

  5. Ivan, o Terrível

    A Proclamação da República foi o evento mais catastrófico da História do Brasil. Vejam a quantidade impressionante de DESGRAÇAS que aconteceram nestes 127 anos…

  6. DIZ

    E tudo ao mesmo tempo ZICA e a mão leve do Lula. É de lascar

  7. Anonyma

    Ok, Anonyma. Abraços

  8. maria-maria

    Seria muito interessante que a olim-piada do cocô fracassasse rotundamente. Se os países participantes atentarem para o risco, não mandarão seus atletas para uma cidade conflagrada pela doença e pelo crime. Nesse caso, virão os dos países em que as doenças prosperam pela incapacidade e corrupção dos desgovernantes e, então, o que está ruim ficará péssimo.

  9. Rubão Matos

    É chato admitir: o Brasil ainda é de terceiro mundo.

  10. G Carvalho

    Vocês notaram os pedalinhos do sítio sem-dono-certo, usado por Madre Teresa do Guarujá? O local, filmado pela Folha, inclui o Redentor em miniatura — o Cristo que redime o ladrão disposto a devolver aos contribuintes o que deles tomou com a mediação de comparsas piedosos.
    Segundo os devotos, é salutar recorrer a São Dimas, relegando o Santo Daime ou Santa Calibrina. Mas casos há, como também reconhecem, que exigem a robusta intervenção de São Judas Tadeu, patrono dos negócios sem remédio.
    Desconfio que tem sido esse São Judas quem tem encaminhado à minha tia Artemísia os seus pacientes mais empedernidos. Sou pela canonização da minha tia, portanto. Ainda em vida, à semelhança do ocorrido com a Madre Teresa do Guarujá.

  11. Reynaldo Rocha

    Um off records.
    ____________
    Apartamento em bairro popular em BH. Bairro Heliópolis. @ quartos, sala com teto rebaixado em gesso, dependência de empregada, 1 vaga de garagem e armários na cozinha e nos quartos.
    Valor R$ 180.000,00.
    Será que Lula troca pela cozinha da Kitchens do sítio que não é dele mesmo sendo?
    Custou a mesma coisa…
    PS: Aceita-se presente da OAS.

  12. rosemary

    “…padrão carcterístico da nacionalidade: esforço/vitória/relaxamento.Assim como no caso das obras públicas, manutenção não é o nosso forte.”
    Isso ainda é o Brasil em 2016.
    Alguém tem esperança de alguma mudança?
    Enquanto a política prevalecer sobre o mérito, continuaremos a perecer.

  13. Leonardo X

    Bons tempos em que um cortinado sobre a cama, estrume de vaca seca queimando ao lado do pescador e outras dessas providências simples davam conta de manter o mosquito longe de nossas veias. Mau mesmo era o barbeiro, também
    conhecido como chupão, transmissor da doença de chagas.Aí era preciso chamar a Sucam para matar o mosquito dentro das frestas da parede de adobe das casas de pau a pique.
    Hoje, a coisa piorou muito. Com o aedes de um lado e o PT do outro, não há sangue que dê conta de sustentar tanto parasita.

  14. Cidadão

    O Japão fez uma barreira poderosa contra a malária na África usando telas protetoras e com inseticidas(5 anos de duração) na malha de fibra sintética. Consultei pela internet o preço do material em loja do Japão e aqui nestepaiz, sendo o preço no Brasil 20 vezes maior para uma tela de rede de dormir, desse material. A usura dos mensaleiros e outros insetos ptralhas impedem qualquer melhoria na saúde pública, aliás um ministério sem importância para a ptralhada, basta ver os nomes sempre escolhidos sem considerar a capacidade técnica( no mínimo um doutoramento nas principais funções públicas estratégicas dentro do ministério). A situação no mundo, sob todos os aspectos inclusive econômico, demanda medidas mais responsáveis dos políticos no controle da imigração. O Brasil poderia assinar tratados internacionais com regras bilaterais, reciprocidade no trato das pessoas tanto na obtenção de vistos, como no trabalho e paridade na aposentadoria. O ranço do Brasil colônia ainda existe, europeus mandaram milhares de refugiados para o Brasil nas últimas 5 décadas, livrando-se do passivo social deles, economizado em muitos casos, na construção de cadeias e presídios, vultosos gastos com presos e condenados, estes, previsivelmente, anistiados das suas penas condenatórias no país de origem desde que venham para o BRASIL e nunca mais voltem: assim é fácil ser primeiro mundo. Basta ver na prática a resistência dos estrangeiros em pagar impostos no BRASIL, pois seria uma punição em dobro. Exemplos simples no RIO2016, você entra num estabelecimento comercial, como: restaurante, bar , uso de serviços de taxi, padaria, barberaria ,botecos de cachaça, pastelarias, entre tantos outros, e o estrangeiro dono do negócio quase sempre não fornece a nota fiscal legítima.Li há poucos dias que a civilizadíssima Suécia está devolvendo imigrantes radicados naquele país para seus países de origem, por absoluta incapacidade financeira do país de sustentar as demandas sociais dos refugiados estrangeiros.A consagrada colônia Brasil recebe gente do mundo todo sem qualquer critério, apenas o populismo ptralha mais interessado em intermediar verbas públicas para atendimento desses refugiados sociais. Notícias de jornais davam na época dos primeiros casos da zika que haitianos que, entraram sem passaporte no Acre, trouxeram a zika sem uma barreira epidemiológica, ptralhas sairam distribuindo imigrantes sabe-se lá para quantas cidades. Daqui a pouco a presidenta vai nomear seus ministros alguns mosquitos da dengue (Exmo Aedes aegypti) para melhorar a saúde nestepaiz e, grande economia nos gastos pessoais , como nos cartões corporativos e passagens aéreas para passearem no primeiro mundo.

  15. olavo

    Zika 10 Brasil 0; resultado da incompetencia do PT, que jogou dinheiro pela janela e agora vai pedir ajuda ao Barack Obama, desprezado pelo Lula.

  16. Welington

    .
    Somente pra botar a cachola pra funcionar:
    .
    O então candidato José Serra, em 2002, foi massacrado pela Dengue que os impostores debitaram ao mesmo.
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    A Canalha ganhou a eleição e assumiu o poder.

    Temos mais Dengue agora. A do mosquito e de corruptos.
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    No primeiro caso cabe às autoridades de saúde.
    No segundo, a Justiça, com seus Institutos, que está sendo aplicada e feita com maestria pela PF, MPF, etc. e que tem como ícone o Doutor Sérgio Moro.
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    Precisamos nos livrar das duas epidemias.
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    Merecemos isso. Precisamos voltar a ter esperança, do verbo ESPERANÇAR.
    ..

  17. Maria Monteiro

    O país do governo que sempre quis ser o maior, o melhor, o primeiro, agora conseguiu, com o zika.

  18. paulo roberto

    Roberto, achei excelente o seu artigo bastante esclarecedor, mostrando que esse problema vem de longe e que mais uma vez a maneira de se fazer politica no Brasil impediu que se mantivesse a erradicação do mosquito de maneira definitiva.
    Eu só não concordo quando você escreveu:”o lado mau é que a internacionalização joga mais pressão sobre o Brasil”Eu acho que isso é o lado bom porque nossos governantes tem de parar de esconder a sujeira e toda incompetência.As redes sociais foram uma das melhores coisas que aconteceu nos últimos anos, pois possibilita informações em tempo real(on line) daqui pra fora e vice versa.Nós temos que colocar toda essa sujeira pra fora , abrir nossas entranhas, tirar todos esse esqueletos dos armários.
    Enquanto nós aqui estamos de ferias preocupado com escolas de samba(patrocinadas com dinheiro publico), realização de olimpíadas(também com dinheiro publico) a OMS se reúne em plena segunda feira de carnaval, para tomar uma decisão muitíssimo importante,principalmente para o Brasil que é o epicentro.
    Temos que tomar cuidado que se vier dinheiro de fora,,para ajudar no combate à doença, o mesmo não será desviado pela corrupção.
    Portanto é muito bom que os demais países , saibam tudo o que acontece aqui dentro.
    As investigações no futebol só foram pra frente porque o FBI(USA) entrou em campo

  19. Anonyma

    Resumindo: Não somos um país SÉRIO. Já fomos melhor, mas o curioso também, é, que justamente com a redemocratização do país é que TUDO piorou. É o país do carnaval, futebol, e bagunça…