Oliver: Estado de miséria

VLADY OLIVER Nesta terça-feira quase gorda, me pus a ouvir o “State of the Union” nas palavras sempre elegantes e polidas do Presidente Barack Obama. Fiquei me perguntando quando uma megera como a nossa teria estofo para peitar um Congresso daqueles.

VLADY OLIVER

Nesta terça-feira quase gorda, me pus a ouvir o “State of the Union” nas palavras sempre elegantes e polidas do Presidente Barack Obama. Fiquei me perguntando quando uma megera como a nossa teria estofo para peitar um Congresso daqueles. Entre olhares de sono, bocejos enfadonhos e um interminável senta-levanta, além de aplausos que mantinham o discurso em solavancos, pude ouvir a promessa da cura do câncer, da Aids, entre outras janelas para o futuro ali vislumbradas. Melhor não duvidar da capacidade daquela América de produzir o que lhes interessa, beirando quase a propaganda enganosa, se fosse anunciada por outra potência. Já pensou, no Brasil, a dona estancando a microcefalia por decreto?

É claro que vou concordar com o lado bom das considerações do grande J. R. Guzzo, ao lembrar que precisamos ganhar a guerra ainda. Se não me engano, numa democracia isso se faz com discurso, como aquele a que me refiro. Não custa perguntar, no entanto, que tipo de discurso essa nossa oposiçãozinha besta anda ensaiando para ganhar a contenda.

Barack Obama nem precisava prometer a cura do câncer para parecer verossímil. Está lá, a governar duas forças antagônicas consideráveis e cada dia mais opostas e, nem por isso, querendo aniquilar uma a outra ou o país onde vivem. Muito diferente daqui, onde a natureza rumbeira dessa gente nojenta já extrapolou em muito os limites da decência e transborda como lama rala por todos os relevos da sociedade exausta de tanta vigarice.

Não sobreviveremos sem sequelas, meus amigos. É quase um trauma de guerra. Um medo considerável de virar carne moída, vendida em açougues de procedência duvidosa, por uma gente que vende até a mãe fatiada para salvar o próprio lombo. Comemoramos aqui o nosso “State of the Misery” com providencial circunstância.

Traduzindo, eu afirmaria que oposição se faz com DISCURSO. Se é esse o limite imposto a si mesmos pelos nossos candidatos a perdedores das próximas eleições, melhor sabermos com lupa quem serão as Marinas Silvas da próxima esquerda, não é mesmo? Ou ainda haverá espaço para o discurso mentiroso e dissimulado, mal combatido por uma claque de figurantes escolhidos a dedo para não termos escolha nenhuma?

Que esse modelo faliu, já não há a menor dúvida. A quantidade de beócios que tentam salvá-lo, no entanto, é assustadora. A quantidade de cretinos dispostos a trocar de legenda só para parecerem o que não são nos próximos pleitos chega a ser indecente. É fácil entender como um Geraldo se mimetiza num Chalita. Uma Marta num Orestes. Uma Erundina numa Marina e por aí vai.

É um desfile de espantos e uma pastiche de ideias que torna claro porque o PT vence sempre por WO. O texto dos caras pode ser a coisa mais nojenta já parida pela nossa política de tanga, mas pelo menos é um texto. Tem o poder de aglutinar pessoas e dar-lhes um rumo, uma ideia, um pote de ração para jumentos e um bilhete único para a salvação da lavoura. A oposição, nem isso.

Pergunte, como eu já fiz um dia, para um desses neo-evangélicos fundamentalistas se eles gostam de ser enganados e a resposta bem pode ser “sim, gosto”. Assim como o PT, isso aí é uma natureza. Só para na cadeia. A saída? Guarulhos, hehehe.

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  1. Comentado por:

    Razumikhin

    Tudo bem, mas aquele choro foi ridículo, além de fake.

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  2. Comentado por:

    Plínio

    Com essa gente asquerosa, objeta e criminosa que hoje administra o pais e suas instituições já contaminadas – Executivo, Legislativo e Judiciário -, somando-se a uma ‘oposição’ oportunista, que em sua covardia conivente, leia-se aí de Alckmin à Aécio, não honram nem faz valer as prerrogativas que as urnas denodadamente lhes conferiram no que diz respeito à representatividade política e equidade de poder político a que foram revestidos pelo sufrágio para opor-se e resistir frente a uma política espúria de quadrilheiros que espoliam a nação miserabilizando – estado de miséria – e criminalizando o seu povo, buscando nivelar a todos os cidadãos pelo seu metro homúnculo e delinquente, em um apregoamento agoureiro de corvo maldito visionário da inexistente realidade para a prevalecência de um poder idiota agoniante onírico de microcefalia política, ontem Lula, hoje Dilma, agora Luma e seus asseclas. Finalizando aqui com a real e feliz, no sentido de apropriada, a citação acima de Vladyr Oliver: “…a natureza rumbeira dessa gente nojenta já extrapolou em muito os limites da decência e transborda como lama rala por todos os relevos da sociedade exausta de tanta vigarice.” “Não custa perguntar, no entanto, que tipo de discurso essa nossa oposiçãozinha besta anda ensaiando para ganhar a contenda.” Valeu! Aqui agora melhor que J.R.Guzzo, Gabeira, Brickman, EditorialEstadão.

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  3. Comentado por:

    Lobinho

    Neo-evangélicos ainda são a única esperança de resistência nesse Congresso chulo.

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  4. Comentado por:

    paulodf

    Enquanto lá Barack Obama promete a cura do câncer, aqui o ministro da saúde, disse, ser desejável que as meninas contraíssem o vírus zika antes da idade fértil porque, assim, ficariam imunes. “Está lá, a governar duas forças antagônicas consideráveis e cada dia mais opostas e, nem por isso, querendo aniquilar uma a outra ou o país onde vivem”. Aqui, eles não querem só aniquilarem as forças opostas não, eles querem nos aniquilar com um todo e o próprio país, este último já conseguiram, via peça orçamentária enviada ao congresso – minúsculo mesmo – porque, um parlamento borra botas, que aprova um orçamento com déficit de mais de 100 bilhões de reais, não merece o nosso respeito.

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  5. Comentado por:

    Marinho

    A Dilma conseguiu fazer com o Brasil, a mesma coisa que fez com a “famosa lojinha de 1,99″,FALIR!!!. Esta obra prima não podemos esquecer que o pudim de cana de Garanhuns merece o crédito.

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