O vídeo desmonta a vigarice protagonizada por Barroso para barrar o impeachment

Sempre caprichando na pose de quem recitava de fraldas artigos e incisos da Constituição, o ministro Luís Roberto Barroso resolveu mostrar, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal embaralhou o processo de impeachment, que usa as horas livres do recesso para decorar normas que regulamentam as atividades dos demais Poderes. Conseguiu apenas confirmar que, […]

Sempre caprichando na pose de quem recitava de fraldas artigos e incisos da Constituição, o ministro Luís Roberto Barroso resolveu mostrar, na sessão em que o Supremo Tribunal Federal embaralhou o processo de impeachment, que usa as horas livres do recesso para decorar normas que regulamentam as atividades dos demais Poderes. Conseguiu apenas confirmar que, para impedir o desmoronamento da argumentação mambembe, é capaz de sonegar informações essenciais e mentir publicamente.

─ Alguém poderia imaginar que o Regimento Interno da Câmara pudesse prever alguma hipótese de votação secreta legítima ─ concede o doutor em tudo na abertura do vídeo de 1min57. ─ Eu vou ao Regimento Interno da Câmara dos Deputados e quando vejo os dispositivos que tratam da formação de comissões, permanentes ou temporárias, nenhum deles menciona a possibilidade de votação secreta.

─ Vossa Excelência me permite? ─ ouve-se o cerimonioso aparte de Teori Zavascki.

─ Pois não ─ autoriza o professor de impeachment.

─ Salvo engano meu, há um dispositivo, sim, do Regimento Interno, artigo 188, inciso III ─ prossegue Teori. ─ Diz que a votação por escrutínio secreto far-se-á para eleição do presidente e demais membros da Mesa Diretora, do presidente e vice-presidente de comissões permanentes e temporárias, dos membros da Câmara que irão compor a comissão representativa…

Teori faz uma pausa para virar a página. Barroso, que acompanha a leitura que está terminando, tenta interrompê-la:

─ Sim, mas olha aqui…

─ … e dos cidadãos que irão integrar o Conselho… ─ continua Teori.

As sobrancelhas simetricamente arqueadas e os cílios enfileirados realçam o sobressalto de Barroso com a aproximação do perigo. Então, confisca a palavra e recomeça a leitura do inciso III, cuja íntegra aparece na no vídeo do Portal Vox que escancara a pilantragem togada: para esconder a fraude, o juiz esperto amputa as quatro palavras finais do texto: E NAS DEMAIS ELEIÇÕES.

Animado com a rendição balbuciada pelo confuso Teori, Barroso declama outra falácia:

─ Considero portanto que o voto secreto foi instituído por uma deliberação unipessoal e discricionária do presidente da Câmara no meio do jogo.

Conversa fiada. O Brasil decente é que considera uma infâmia o que Barroso fez para ganhar o jogo. O trecho do Regimento Interno foi guilhotinado por uma deliberação pessoal e discricionária de um servidor público que é pago pelo povo para defender a lei. Coisa de vigarista.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Comentado por:

    Mauricio Ferraz

    Uma pergunta que não quer calar! Por que, homens supostamente de conhecimento jurídico, se inclinam ao fanatismo ideológico de uma crença obsoleta, como é a que defende os membros desta seita maldita, a qual defendem os lulo-petistas,onde atuam como soldados fiéis em todos os setores da sociedade, em detrimento da vontade soberana do povo? Que já em sua maioria, demonstrou em movimentos de rua, a total desaprovação deste modus operandi! em que mundo estamos, onde políticos,juristas e autoridades em geral, desrespeitam a vontade soberana do povo, e mascaram leis, que vão totalmente contra o direito popular!?

    Curtir

  2. Comentado por:

    Izalda lima

    Sinto-me triste e sem coragem para lutar com tantos desmandos desse país ,estou na fase de calar e superar para ver .
    É muita sujeira junta me dá asco e vontade de ir para bem longe

    Curtir

  3. Comentado por:

    Cpereira

    Ao assistir pelos telejornais o Ministro Barroso fazendo a leitura de seu voto sobre a comissão do impeachment, me veio a certeza de que é um pau mandado do PT. Sr. ministro, seu papel no STF é ridículo. Atue como ministro independente de uma suprema corte a favor da sociedade que paga seu polpudo salário e não como advogado de defesa de um governo PTista, governo corrupto que está em estado terminal.

    Curtir

  4. Comentado por:

    francisco de paula

    para consolo geral da nação ate Adolf Hitler morreu então não e Dilma ou lula ou a corja do pt que vâo ser eternos

    Curtir

  5. Comentado por:

    Dener

    Pior do que ser vigarista no julgamento é também ser vigarista na explicação dos argumentos os quais basearam a tomada de decisão por parte do ministro. Barroso ainda se aventura em dar pito nos que, segundo ele, envolvem suas paixões em questões nas quais deve prevalecer uma tal jurisprudência da Suprema Corte a qual foi ridiculamente falseada por ele. Há muito tempo não sentia nojo em olhar na cara de uma pessoa como quando olho na de Barroso. E ainda me arrisco a dizer que não somente eu passei a ter esse sentimento em relação ao referido ministro…

    Curtir

  6. Comentado por:

    Marcelo Augusto

    Lembro do STF nomes como: Célio Borja,Bilac Pinto,Paulo Brossard ,Adauto Cardoso,Antonio Neder,Vitor Leal , hj:
    Toffoly.Carmem Lucia,Barroso,Teori,Lewandoski,Marco Aurélio,Fux, a diferença é grande .
    o STF acabou,virou partido político,com juizes capachos do governo

    Curtir

  7. Comentado por:

    Stanislaw.

    Esse STF foi uma vergonha no julgamento do Mensalão, e piorou depois que o ministro Joaquim Barbosa saiu.
    Esperemos que não seja vergonha maior que no Mensalão, cerceando o digníssimo trabalho da PF, MPF, TCU, RF e do exemplar juiz Sergio Moro!
    Como os operadores da Lava Jato entrarão para a História do Brasil com honra, esperemos que o atual STF prefira seguir o mesmo caminho, e não equiparar-se aos vergonhosos Executivo e Legislativo que, sem dúvida, serão lembrados como das maiores “vergonhas nacionais de todos os tempos”!

    Curtir

  8. Comentado por:

    Marenir Santos

    Estou envergonhada, indignada com tanta hipocrisia , como pode o STF chegar a esse ponto, de defender bandidos . Se fala tanto em lei em certo e errado mas não reconhecem que todos os vídeos gravados mostram ao povo brasileiro o que escondiam a muito tempo. Srs. sejam dignos dos seus cargos, não sejam cegos ou surdos . O povo já sabe, não se desmoralize agindo em favor de corruptos .

    Curtir

  9. Comentado por:

    Marina

    Acorda, meu povo! Os juízes do STF, assim como o Procurador-Geral da República e também os ministros de Estado são todo sujeitos a impeachment, confofrme previsto na Lei 1079/50
    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L1079.htm

    Curtir

  10. Comentado por:

    Adela Cowan

    JORNADA DE OTÁRIOS II
    Bolívar Lamounier – 31.08.2016
    Reproduzo na parte inferior desta página um texto que aqui postei em março deste ano; antes, porém, peço a atenção de todos para uma espécie de continuação, na qual comento os acontecimentos de hoje, 31.08.16.
    Refestelados em suas poltronas, Ricardo Lewandovsky e Renan Calheiros devem estar lambendo os beiços, saboreando o resultado da rasteira que aplicaram no Brasil. E pensando: é ou não é um país de otários?
    Em que pese seu sólido prestígio como canastrão, Lewandovsky representou com maestria o papel que lhe coube na “journée des dupes” (jornada de otários”) arquitetada por Renan – em especial o minuto crucial que vou relembrar em seguida. Ao se referir a diversos motivos jurídicos que supostamente permitiriam a concessão do DVS (Destaque para Votação em Separado), ele apenas balbuciou, emitiu de leve, em admirável sotto voce, a condição verdadeiramente fundamental: que destacar o trecho em discussão não mutile o restante.
    Disse, assim como quem não quer nada, que o desmembramento do trecho referente à inabilitação da presidente não quebraria a unidade de sentido do parágrafo único do artigo 52. Nesse momento crítico, todos os senadores empenhados no afastamento definitivo de Dilma Rousseff tinham de estar com as duas orelhas bem levantadas, como faria qualquer gato ou cachorro que eventualmente ocupasse uma das poltronas senatoriais. Esse hipotético gato ou cachorro imediatamente miaria ou latiria bem alto: QUESTÃO DE ORDEM, SR. PRESIDENTE!, e passaria incontinenti à contestação do que o presidente da sessão acabara de afirmar. É nos detalhes – diria-, que o demônio se esconde…
    Pois vejam se é ou não é: uma vez instaurado o processo de impeachment …“Art.52 – parágrafo único…funcionará como presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por dois terços dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício de função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis”.
    Sublinho: limitar-se-á a condenação à perda do cargo…” COM INABILITAÇÃO, POR OITO ANOS, PARA O EXERCÍCIO DE FUNÇÃO PÚBLICA, SEM PREJUÍZO…” etc etc. Ora, quem na plena posse de suas faculdades mentais defenderá que a supressão do trecho em maiúsculas não quebra a unidade de sentido da proposição?
    Lewandovsky, como relembrei acima, foi ligeirinho no enunciar sua interpretação, pegando de surpresa quase todos os senadores que deveriam tê-la imediatamente questionado. O não questionamento franqueou o terreno para a extensa discussão que se seguiu e resultou finalmente na admissão do DVS. É obviamente relevante discutir a posição dos senadores que, por ingenuidade própria ou por estarem plenamente combinados com o notório Renan Calheiros, trabalharam pelo desmembramento do referido trecho.
    É relevantíssimo frisar que a vitória da posição petista, que livrou a cara de Dilma Rousseff, produzirá numerosos e nefastos efeitos na ordem jurídica e no sistema político brasileiros. Mas antes de tudo, é essencial repisar que a manobra renano-lewandovskiana agrediu escandalosamente o citado dispositivo constitucional, redigido, diferentemente do que muitos sustentaram, com a mais absoluta clareza. A menos – admito- que o convívio com Dilma Rousseff tenha inabilitado muita gente em Brasília para a compreensão do português corrente.
    JORNADA DE OTÁRIOS I
    (ou, antevéspera de um domingo histórico)
    Bolívar Lamounier
    09.03.16
    Durante dois anos, de 1630 a 1632, a rainha-mãe Marie de Médicis e seus aliados na aristocracia pressionaram o rei Luís 13 a afastar o Cardeal Richelieu do governo . Acharam que tinham conseguido, mas o Cardeal deu a volta por cima, ganhou a confiança do rei e ficou ainda mais forte. O episódio ficou conhecido como “journée des dupes”: uma jornada de otários.
    A expressão foi usada no Brasil também, em 1840, quando da antecipação da maioridade de D. Pedro II. Aos 15 anos, o monarca começou a governar, demonstrando personalidade e independência em relação aos líderes dos partidos liberal e conservador, que ficaram a ver navios. Haviam dado uma de otários.
    Multiplique o elenco das duas situações por mais de cem milhões e observe o que se passou com todos nós, brasileiros, nas últimas três décadas. Sei que é uma avaliação um pouco dura, mas fomos ou não fomos um país de otários? Uns incensando Lula e o PT, outros sem concentração mental para tentar entendê-los, outros entendendo, mas com preguiça ou medo de enfrentá-los, fomos deixando ficar, até que eles baixaram sobre todo o país como uma praga de gafanhotos. Ocuparam-no e o levaram a esse estado de destruição que hoje temos diante de nós.
    Naquela época, nas palestras que fazia, lembro-me de ter ouvido de empresários importantes que “o PT pelo menos tem uma ideologia”, e a eles dava uma resposta-padrão: “se é para ter ‘aquela’ ideologia, melhor não ter nenhuma”. Essa foi também a época em que os petistas se orgulhavam de “não depender do dinheiro da burguesia”: o partido iria se financiar vendendo correntinhas de outro, chaveiros, coisas assim. Daí ter Ruth Cardoso, a futura primeira-dama, intitulado um de seus textos de uma forma memorável: “Nem tudo que reluz é ouro”.
    Mas não temos por que refazer todo o percurso, três décadas e meia de PT. Deixemos para outra hora os primórdios da corrupção, organizada nas prefeituras que o partido veio a governar : Santo André, São José dos Campos, Ribeirão Preto e Campinas: quem não se lembra? Pensemos só no momento atual , no catastrófico governo Dilma, no assalto à Petrobrás organizado durante o governo Lula e na manifestação marcada para domingo, 13 de março. Para aquilatar a megajornada de otários em que ainda estamos metidos, basta fazer um apanhado das categorias que – no todo ou em sua maior parte -, combatem o impeachment e se condoeram – pouco importa se com lágrimas de crocodilo- ao ver seu Chefe forçado a aprender o beabá de um país republicano, onde todos são iguais perante a lei.
    Primeiro, os sindicalistas. Defendem Dilma com unhas e dentes, mas combatem idem idem o tímido ajuste fiscal que ela se diz disposta a fazer. Quer dizer, apoiam-na como um gado amestrado que se contenta em seguir o som do berrante. Pois então, ótimo, fiquemos sem ajuste: a catástrofe econômica continuará a se aprofundar, a seguir seu curso, e adivinhem na cabeça de quem os escombros vão cair. Fiquemos sem ajuste e apoiemos o Lula, que dia sim e outro também pressiona o Nelson Barbosa a dar uma guinada de verdade no sentido do populismo. Outra catástrofe, e adivinhem quem pagará o pato.
    Em segundo temos os estudantes e os professores universitários – parece que a grande maioria deles. Esta categoria divide-se em dois segmentos. No segmento público, os que em nome da “justiça social” defendem a gratuidade para todos, os ricos inclusive, assim como o direito inalienável de todo ano passarem pelo menos um mês em greve. O Brasil não tem uma universidade entre as cem melhores do mundo, mas isso é um detalhe. Importante é o afinco com que debatem as teses “revolucionárias” dos micropartidos. No setor privado, dezenas de milhares pagam o olho da cara para estudar à noite, uma grande parte em faculdades inqualificavelmente ruins. Na faixa de idade em que se encontram, vão levar alguns anos para conseguir o primeiro emprego. Mas isso também não vem ao caso. O que importa é a fidelidade canina com que defendem, em nome de uma ideologia que sequer sabem explicar, o neo-peleguismo incrustado na UNE e as qualidades ditas “carismáticas” do messias-charlatão.
    E os empresários? Sobre os grandes, já falei lá em cima, ao lembrar quantos não perdiam chance de louvar quem achavam que devia ser louvado: o “estadista” Luís Inácio. Mas e os pequenos e médios? Quando saem à rua e dão uma olhadinha para os lados, será que percebem a quantidade cada vez maior de placas de “aluga-se” e “passa-se o ponto” ? Suponho que sim, mas devem achar que 8 anos de Lula e 5 de Dilma não são suficientes para formar um juízo justo e adequado. Mais três até 2018, e quem sabe outros 8 com Lula, aí sim, teríamos uma boa base, não é?
    Isso, meus caros amigos e amigas, é o que há séculos se tem denominado jornada de otários. Ou, se preferem, podemos lembrar Nelson Rodrigues: “Subdesenvolvimento não se improvisa, é obra de séculos”.

    Curtir