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O tema do Roda Viva foi a atuação do Judiciário no país em crise

Entre outros assuntos, estiveram em pauta a conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud, a Operação Lava-Jato e os acordos de delação premiada

O Roda Viva temático desta segunda-feira debateu a atuação do Judiciário num país em crise, ampliada pela divulgação da conversa entre Joesley Batista e Ricardo Saud e pela apreensão da fortuna escondida por Geddel Vieira Lima num apartamento em Salvador. Entre outros assuntos, estiveram em pauta o desempenho da Operação Lava-Jato, os acordos de delação premiada e as relações entre a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal.

Participaram do debate Fábio Prieto de Souza (desembargador federal e juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo), Modesto Carvalhosa (jurista), Rodrigo Chemim (procurador do Ministério Público do Paraná e autor do livro “Mãos Limpas e Lava-Jato – A corrupção se olha no espelho”) e Rogério Arantes (cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo). Confira trechos do programa:

Fábio Prieto de Souza

“A Reforma do Judiciário em 2004 criou 4 conselhos de Justiça. O Conselho Nacional de Justiça e o Conselho da Justiça Federal já existiam. Além deles, surgiram o Conselho Superior da Justiça do Trabalho e o Conselho Nacional do Ministério Público. Cada um desses conselhos é caríssimo. Eles têm um corpo de funcionários enorme, prédios belíssimos e consomem bilhões do contribuinte. Apesar disso, não sabem dizer nem o salário real de um magistrado. Precisamos urgente fazer a reforma da reforma do sistema Judiciário. Apenas um conselho é mais que suficiente”.

“Temos hoje 1.187 juízes que não emitem sentenças e estão em serviços paralelos. A maioria dos países do mundo não tem em seus quadros o número de juízes que existem hoje no Brasil exercendo atividades que nada tem a ver com suas funções primordiais”.

 

Modesto Carvalhosa

“O povo está silencioso diante dessa calamidade continuada, porque não confia mais nas instituições. A população está exigindo para o próximo ano eleições sem a necessidade de filiação partidária. Como os partidos se transformaram em organizações criminosas e nossos representantes estão todos ligados ao crime, os eleitores querem se ver livres deles em 2018”.

“Depois de tantos anos de operação Lava Jato, o sistema político brasileiro tem a possibilidade de começar do zero e isso é positivo. Todos os partidos, líderes de partidos, ministros e líderes de governo estão sendo investigados, são réus ou suspeitos, assim como o próprio presidente da República. E o pior é que é essa gente que quer fazer a reforma política. Não é preciso restaurar essa classe política. É preciso eliminá-la. Não podemos mais votar nesses políticos profissionais”.

 

Rodrigo Chemin

“Estamos vivendo um momento único. O papel do Judiciário, apesar de algumas falhas, tem sido muito importante. No contexto geral ele está sendo capaz de mostrar à sociedade que é possível ter Justiça”.

“Com relação aos acordos de colaboração premiada, ainda não temos uma tradição de negociação como os americanos, por exemplo. Esse instrumento veio para ficar, mas o Ministério Público e o Judiciário estão aprendendo na prática a fazer essas negociações. É um contrato de compra e venda como qualquer outro. A Odebrecht ficou 10 meses negociando o acordo para falar sobre crimes que tinham acontecido há meses. No caso do Joesley Batista, os crimes não só estavam acontecendo como alguns ainda iriam acontecer. Foi uma situação atípica e bastante difícil para o procurador-geral”.

 

Rogério Arantes

“O Mensalão demorou 8 anos para ser julgado. Portanto, não é possível saber quanto tempo a operação Lava Jato, que tem dimensões muito maiores, vai durar. Ela atingiu o coração do sistema político brasileiro e a forma com que ele vinha sendo praticado até aqui. Ao meu ver, o problema agora não é seguir no combate à corrupção, porque isso o Ministério Público faz e continuará fazendo, mas descobrir como vamos reconstruir o sistema político”.

“É preciso saber agora como restabelecer a forma de financiamento de campanhas e a confiança nos partidos, porque não há democracia sem partidos. É preciso reconstruir as bases do sistema político para não chegarmos em 2018 nesse estado falimentar que nos encontramos hoje. Não quero restaurar a classe política que temos hoje, mas reconstruí-la pela via eleitoral”.

Com desenhos em tempo real do cartunista Paulo Caruso, o programa foi transmitido ao vivo pela TV Cultura.

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  1. O roda viva de ontem, foi um tapa na cara da burocracia !
    Resto nos saber, até quando…..

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  2. Angela Brandão Seger

    Augusto, parabéns pelo programa de ontem à noite. Gostaríamos de ver novamente. Como?
    Todo mundo deveria saber que a LavaJato difere das Mãos Limpas graças a participação popular e que a maioria das operações da PF ou do MPF foram anuladas no STJ ou mesmo no STF. Isso tem que cair na boca do povo.
    Abração.

    Cara Angela, que bom que gostou do programa. Acabamos de colocar o link no fim do post. Para assistir, é só acessar. Abraços

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  3. Angela Brandão Seger

    Ótimo! Obrigada.

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