Blogs e Colunistas

22/04/2012

às 21:23 \ O País quer Saber

Ética jornalística: uma reflexão permanente

EURÍPEDES ALCÂNTARA, DIRETOR DE REDAÇÃO DE VEJA

“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

VEJA nunca permitiu que suas páginas fossem usadas para outro fim que não a busca do interesse público. Sempre que uma denúncia é publicada, alguém ganha e alguém perde. Um ministro cai e outro ministro sobe. Um grupo político é prejudicado e outro grupo político é beneficiado. São consequências normais da divulgação de fatos verdadeiros. Em nosso trabalho cotidiano, essas circunstâncias são tão naturais para nós que nos dispensamos de discuti-las. Mas temos de concordar que as pessoas não diretamente envolvidas em nosso trabalho possam, de boa-fé, não entender completamente a natureza do bom jornalismo que praticamos em VEJA. Refleti sobre nossos critérios, nossas relações com as fontes de informação, enfim, nossa missão jornalística. O resultado é o texto abaixo.

“O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente.”

O jornalismo é feito com fontes de informação. O jornalista não é pago para saber. É pago para descobrir. Por essa razão, as relações do jornalista com suas fontes merecem uma reflexão permanente. Os profissionais de VEJA seguem as regras escritas da Editora Abril, cujo Código de Conduta estabelece: “O jornalista da Abril não tem relação de trabalho com, nem presta serviço, ainda que eventual, para qualquer pessoa, empresa ou entidade que seja, ou possa a vir a ser, fonte de informação. A Abril jamais paga entrevistados por informação de nenhuma espécie, de forma direta ou indireta. Sempre que possível, o jornalista deve pagar por almoços e jantares com fontes ou seus representantes. Cabe ao profissional e a sua chefia imediata definir as situações em que a aplicação desta regra pode afetar o relacionamento com a fonte.”

Em complemento ao Código de Conduta da Abril, a redação de VEJA em seu Plano Editorial anual reafirma que a “independência” é o maior valor de um jornalista da revista. Por independência, diz o Plano Editorial, entende-se que o repórter não aceita nenhuma barganha editorial com as fontes em troca de informações. Em nosso cotidiano, embora seja uma regra não escrita, sempre avaliamos as informações que recebemos das fontes tendo como único metro o interesse público que se confunde com o interesse jornalístico. Isso significa que as inúmeras informações pitorescas ou de caráter pessoal, comportamental ou sexual de autoridades e governantes que nos chegam na forma de fotos, vídeos e gravações nunca são usadas por serem ofensivas e nada ajudarem na compreensão dos fatos públicos.

“O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.”

Os jornalistas de VEJA estabelecem com suas fontes uma relação em que fica claro desde o primeiro momento que não se trata de uma relação de troca. A fonte não terá nenhum outro privilégio por fornecer informações, a não ser a manutenção do sigilo, caso isso seja do interesse dela. As fontes nunca são desinteressadas das reportagens com as quais colaboram fornecendo informações. Um corrupto que passa informações quer se vingar de outro corrupto ou espera atrapalhar o negócio do concorrente com o governo. Nos dois casos, o jornalista precisa ter noção exata do interesse da fonte e usar a informação quando e somente se a vinda dela à luz servir mais ao interesse público do que ao do próprio informante. Um assassino que revela na cadeia um plano para assassinar o presidente da República é possuidor de uma informação de interesse público – e pelo mecanismo da delação premiada ele pode ter sua pena atenuada ao dar uma informação que impeça um crime ainda pior do que o cometido por ele. Portanto, temos aqui uma situação em que a informação é de qualidade e o informante não, por ser um assassino. O ensinamento para o bom jornalismo é claro: maus cidadãos podem, em muitos casos, ser portadores de boas informações.

“Uma informação de qualidade é verificável, relevante, tem interesse público e coíbe a ação de corruptos.”

O repórter que se preza não despreza uma fonte de informação sobre casos de corrupção com base apenas no fato de que o informante é corrupto. Mas como se cativa e se mantém um informante desse tipo sem acenar com alguma vantagem para ele? O jornalista, consciente dos interesses subalternos do informante, deve tentar obter dele o que for relevante para o interesse público – e publicar. O mais provável é que o informante se sentirá gratificado por ter conseguido o objetivo de ver a informação tornada pública e o jornalista também terá cumprido sua missão de trazer à luz fatos que, de outra forma, nunca sofreriam o efeito detergente dos raios solares. Ao jornalista cabe distinguir:

A) se a informação é verificável;

B) se a informação é relevante e de interesse público;

C) se a vinda da informação a público ajudará a diminuir o escopo de ações dos corruptos, entre eles o próprio informante.

Cumpridas as três condições acima, a informação merece ser levada a sério, a despeito, repita-se, da estatura moral do informante.

O bom jornalista não se deixa paralisar estabelecendo como critério só ter como fontes pessoas que passem pelo crivo ético mais elevado. Isso não deve ser confundido de jeito nenhum com a ideia de que vale tudo. O critério de VEJA é claro. As informações precisam ser qualificadas, independentemente da estatura moral do informante. Pessoas de estatura moral questionável podem deter informações de altíssimo padrão de qualidade jornalística. Digamos que a informação trate de uma negociação de pagamento de propina. Quem tem mais condições de contar o que aconteceu? Quem estava lá ou quem não estava lá? A resposta é clara: quem estava lá, ou seja, um dos envolvidos.

Evidentemente, o critério acima não vale para fontes que queiram dar opiniões. Não abrimos espaço para pessoas de baixo padrão moral dar opiniões. No processo de coleta de opiniões, procuramos as mais qualificadas autoridades mundiais para entrevistar, onde quer que estejam. Se uma fonte moralmente discutível testemunhou um fato importante, quer contar o que presenciou e se o que ela narra é verificável por outros meios, consideramos que ela pode ter uma informação que vale a pena ser levada em conta. Se essa mesma fonte quiser dar uma opinião a respeito daqueles mesmos fatos, não aceitamos. A qualidade da informação pode independer da qualidade da fonte. Já a opinião é indissociável de quem a emite. A qualidade de quem opina afeta a qualidade da opinião.

“A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.”

Esse ponto merece uma análise mais detida. Como o jornalista deve diferenciar sua relação quando uma fonte é, digamos, um economista respeitado e outra fonte é um criminoso? O jornalista deve ter em mente que ambos podem ser detentores de informações da melhor qualidade. O criminoso pode ter sido testemunha de um crime e seu depoimento pode ajudar a desbaratar uma quadrilha perigosa. Não se pode desprezar o que ele tem a dizer. É preciso ouvir, analisar, pesar, checar, contextualizar. Um economista respeitado, caricaturando, pode estar teoricamente equivocado sobre algum fenômeno ou pode estar a serviço de algum especial interesse econômico ou comercial. Enfim, ambos valem pelo teor, qualidade e grau de interesse da informação verdadeira de que são detentores. É preciso atentar para o fato de que, mesmo que a fonte seja um assassino esperando a execução de uma sentença de morte (exemplo verídico transformando no livro O Jornalista e o Assassino pela americana Janet Malcolm), ela merece ser tratada com respeito. Se a fonte não tem ética, isso é problema dela. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Entrevistar o papa não nos faz santos. Ter um corrupto como informante não nos corrompe.

Quando o jornalista lida com uma fonte que tem uma informação verdadeira, verificável e relevante, ele precisa ter consciência dos interesses particulares do informante. Deve avaliar se o interesse público maior supera mesmo o subproduto indesejável de satisfazer o interesse menor e subalterno da fonte. Se o resultado for positivo, a informação se candidata a ser publicada. Por isso, o jornalista não pode ser amigo de fontes. Não pode aceitar presentes, convites para viagens ou quaisquer outros agrados.

VEJA nunca publicou conteúdos de gravações obtidas ilegalmente, portanto o que segue aqui tem o objetivo apenas de refletir sobre certos limites. Quem se favorece conscientemente do produto de furtos, roubos ou outros crimes é potencialmente cúmplice do autor. Por essa razão, o jornalista que eventualmente receber uma gravação obtida ilegalmente e usá-la em uma reportagem pode estar se expondo aos rigores da lei. Desse modo, ele só deve dar esse passo arriscado quando o custo para a sociedade de desprezar o conteúdo da gravação for muito grande. Se o preço pessoal de evitar um crime ou uma sequência de crimes dando publicidade a gravações ilegais for incorrer em uma transgressão menor, o jornalista tem o dever de considerar correr esse risco. Em VEJA, casos assim jamais são decididos individualmente por um jornalista, mas pela direção da revista. O trabalho jornalístico envolve vários riscos. Como qualquer trabalho. Do cirurgião, do advogado. Do engenheiro. Se ele tomar todos os cuidados, os riscos serão minimizados, mas jamais eliminados. A primeira preocupação de VEJA ao ter acesso a uma informação é entender como a informação foi obtida.

Se a publicação do produto do crime tiver relevância para evitar crimes piores, e mesmo que isso ajude a vender revistas, não se incorre em falha ética. Se um jornalista furtar da pasta de uma pessoa, por exemplo, um plano para explodir a represa de Itaipu e se com a publicação do plano ele evitar o ataque terrorista – e ainda vender mais revistas –, a implicação ética lhe será altamente favorável.

“O bom jornalismo é uma atividade de informação mediada. O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave.”

As informações obtidas com a garantia de manter o sigilo da fonte trazem desafios adicionais ao jornalista. As informações obtidas de fontes anônimas, que não podem ou não querem se identificar, devem ser usadas preferencialmente como confirmação de dados ou relatos já obtidos de outras fontes. Mas é um erro desprezá-las. Muitas vezes um informante testemunhou fatos relevantes e a única condição que coloca para narrá-los é a manutenção do sigilo sobre sua identidade. A regra básica para errar menos com o uso de fontes anônimas é ter em mente que o leitor pouco ou nada saberá sobre quem deu a informação, portanto o jornalista tem de saber tudo sobre a fonte. VEJA muitas vezes não tem meios de confirmar com outras fontes as informações passadas por uma fonte que pediu OFF. Digamos que uma discussão entre duas pessoas seja contada em OFF por um dos participantes. VEJA não vai publicá-la se a outra pessoa não confirmar? Talvez sim, talvez não. Depende do conteúdo do diálogo passado. A lição é a de que o bom jornalismo é uma atividade de informação mediada. O jornalista não é um mero repassador de declarações. Ele tem o poder discricionário de não publicar uma acusação ou uma ofensa grave. Se o custo de não publicar for prejudicial ao interesse público, o jornalista deve pesar os riscos e corrê-los se necessário.

Uma fita contendo revelações importantes (depois de devidamente periciada e contextualizada) tem valor extraordinariamente maior do que uma frase acusatória, seja em OFF ou em ON. VEJA sempre pericia os diálogos gravados que publicou e guarda esses registros. VEJA já publicou diálogos que lhe foram entregues degravados sem ter tido acesso ao conteúdo original – mas o fez com absoluta segurança da origem do material. Existe uma diferença grande entre uma acusação em OFF e uma fita. A fita, muitas vezes, envolve um diálogo de duas pessoas acusando uma terceira – que pode ser inocente. E ela acaba sendo envolvida num escândalo involuntariamente. Isso raramente acontece na acusação, ainda que em OFF. Por isso, todo o cuidado é pouco com esse tipo de informação.

O documento (depois de periciado e contextualizado) tem valor exponencialmente maior do que uma informação oral, desde que o conteúdo de ambos seja equivalente em relevância. Mas às vezes um documento mente e a informação falada tem mais valor. Exemplo: como forma de mostrar seu distanciamento de uma denúncia de corrupção, o ministro envia um memorando cobrando de seu assessor informações sobre a irregularidade. Esse documento pode ser apresentado pela autoridade como prova de sua inocência. Uma apuração mais aprofundada pode provar que aquele documento não passava de uma armação. Ou seja, cada caso é um caso.

“A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.”

A fita (periciada, contextualizada) tem muito valor. A perícia ajuda a mostrar se a fita chegou à redação em condições de ser usada como prova. Às vezes, as gravações são inaudíveis ou indecifráveis – ou a fita pode ter sido adulterada com o propósito de mudar o sentido das falas. Nesses casos, ela vai para o lixo.

É crucial enfatizar um ponto da mais alta importância. O que se discute aqui é a publicação de informações que dizem respeito à atuação de autoridades e suas relações com terceiros quando tratam de questões que envolvem dinheiro ou outros bens públicos. A regra para lidar com gravações ilegais que registraram atividades de cidadãos ou empresas privadas em seus negócios particulares é: descartar sem ouvir ou assistir – ou, alternativamente, entregá-las às autoridades.

“As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas.”

Nenhuma reportagem de VEJA – com a exceção óbvia da entrevista das Páginas Amarelas – é feita com base em apenas uma única fonte de informação. As informações são tratadas em VEJA como portas que se abrem para a obtenção de novas informações. Todas elas são checadas, contextualizadas e comparadas, de modo que os eventuais erros que possam ocorrer sejam aqueles que conseguiram escapar de nossos rigorosos mecanismos de filtragem – e nunca resultado de má-fé.

 

 

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31 Comentários

  1. RIQUELME SILVA

    -

    14/10/2012 às 16:32

    APRECIEI ENORMEMENTE A VOSSA MATÉRIA NA PENÚLTIMA EDIÇÃO DE VEJA. “FOI-SE O MARTELO” ,ALÉM DO INTELIGENTE TROCADILHO, MERECE RESPEITO O QUE FOI DITO ALI. SE NÃO FOSSE PELO ESFORÇO DA VEJA E DE SEUS COLABORADORES , NÃO SEI O QUE SERIA DESTE PAÍS.
    VALE A PENA UMA MATÉRIA SOBRE O PROCURADOR GERAL DR.GURGEL , FIGURA DE DESTAQUE CENÁRIO DA JUSTIÇA BRASILEIRA, SEM ESQUECER É CLARO SEU ANTECESSOR QUE INICIOU O TRABALHO DE CAÇA A QUADRILHA .

  2. RIQUELME SILVA

    -

    14/10/2012 às 15:33

    Parabéns ao sr. Euripedes Alcantara, e a Revista Veja,pela batalha contra este bando de sanguessugas do povo. Continuem lutando pela Justiça e a liberdade de imprensa (que nem sei se tenta liberdade assim. Precisamos realmente ver extirpado das nossa entranhas esta quadrilha, que sob o disfarce de socialistas querem se perpetuar no planalto central com todo o poder e codntrole sobre os trabalhadores. Ninguém merece viver sob o jugo da ignorância, debaixo das asas de um governo corrupto. MANDEM ZÉ DIRCEU PARA CUBA COM PASSAPORTE ETERNO DE IDA SEM VOLTA. LÁ É O LUGAR IDEAL PRA ELE.

  3. conceicao

    -

    11/07/2012 às 22:54

    Temos muito que agradecermos À VEJA e toda sua equipe eficiente e ética nos mostrando, os fatos contundentes, para nos alertarmos sobre os acontecimentos! parabens pelos belos trabalhos! Augusto, você é um dos homens de bem deste Brasil, que está sendo um ótimo professor para nós! Obrigada!!

  4. g g Oliveira

    -

    20/05/2012 às 23:29

    Um fato incontestável: Não fossem as denuncias fundamentadas da Veja e seus reporters, mais da metade dos ministros(Sinistros)continuariam no governo desviando recursos do povo para seus bolsos e partidos. Uma declaração que deve ser entendida como: “O Verdadeiro lema do bom Jornalista” . Eu, que já sofri os efeitos nefastos que podem causar uma manchete infundada, sei reconhecer o mérito dos jornalistas éticos e sensatos. Parabens, a Revista Veja e a todo o seu
    excelente quadro de profissionais. Um grande abraço Augusto, e continua, pois a história sempre desprezará os covardes e os falsos.

  5. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:44

    DO JORNALISMO TRADICIONAL AO JORNALISMO
    COLABORATIVO – UM ESTUDO CONTEXTUALIZANDO OS DIFERENTES ASPECTOS
    PÓS-GRADUAÇÃO – EM PDF
    NEIMAR VITOR PAVARINI
    PAULO EDUARDO GALINDO DE ALMEIDA MILREU

  6. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:43

    21.04.2011 – 13:58
    Uma reflexão obrigatória sobre o “impasse moral” do jornalismo
    http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2011/04/21/uma-reflexao-obrigatoria-sobre-o%E2%80%9Dimpasse-moral%E2%80%9D-do-jornalismo/

  7. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:43

    Ética, para Bucci, não são as posturas nem as generalidades superficiais dos códigos de ética. É a essência do bom jornalismo ao moldar o caráter dos profissionais, de forma a levá-los sempre a atender a função pública e social de divulgar tudo que é de interesse da sociedade, de forma correta. Se Aristóteles deixava entender que não existe uma ética coletiva e Cláudio Abramo definia ética como “a ética do cidadão”, Eugênio Bucci ressalta que é para o cidadão que a imprensa deve existir – e só para ele. Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, enfim, os veículos de comunicação que se dedicam ao jornalismo, assim como os sites informativos na internet, nada disso deve existir com a simples finalidade de gerar empregos, fortunas e erguer os impérios de mídia; deve existir porque os cidadãos têm o direito à informação.
    http://diletanteando.wordpress.com/2007/07/06/etica-moral-e-etiqueta-no-jornalismo/

  8. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:42

    Qual é o limite do jornalismo? Entre o interesse público e o direito dos personagens à sua própria versão dos fatos, como diz Frias Filho, qual é a solução? Janet Malcolm não apresenta uma resposta simples para o que ela chama de “impasse moral”, mas obriga qualquer profissional a refletir um pouco sobre o seu ofício, o que já é um bom começo.

  9. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:38

    No Caso Watergate, podemos ter a certeza de que quando o jornalismo se propõe a investigar um fato até o fim, sendo ético é possível mudar a história. Neste caso não houva a limitação de passar a notícia apenas, mas sim investigar, entrevista diversas fontes e enfim denunciar e mostrar a verdade.
    http://www.eticaagora.blogspot.com.br/2006/05/caso-watergate.html

  10. Cristina

    -

    13/05/2012 às 11:32

    JORNALISMO CIDADÃO – CONQUISTE A REDE
    A SEPARAÇÃO RÍGIDA ENTRE OS QUE FAZEM AS NOTÍCIAS E OS QUE RECEBEM AS INFORMAÇÕES DESAPECEREM NO MUNDO VIRTUAL. OS PROFISSIONAIS DA COMUNICAÇÃO TÊM AGORA MILHARES DE ALIADOS NA TAREFA DE APURAR FATOS, CONHECER NOVIDADES, REUNIR E COMENTAR INFORMAÇÕES. QUALQUER UM FAZ NOTÍCIA. O MODELO TRADICIONAL, QUE DISTINGUE OS EMISSORES DOS RECEPTORES DA INFORMAÇÃO, DEU LUGAR À COMUNICAÇÃO FEITA POR MEIO DA COLABORAÇÃO (p.9).
    Fonte: Jornalismo Colaborativo em PDF. ANTONIO ROZENG, KAREN NOVOCHADLO E TÁSSIA BÚRIGO.

  11. Matheus Magalhães da Silva

    -

    08/05/2012 às 15:33

    Que tipo de comentário “desmoralizante” sobre a nota pode ser feito? Quantas informações obtidas por fontes moralmente deploráveis a Época deve ter conseguido? A IstoÉ? A Folha de São Paulo?
    Quando a Rede Globo apresentou a entrevista com os assassinos da menina Isabela, que lhe rendeu um pico tremendo de audiência, ela estaria compactuando com o crime? Ou quem sabe estaria sob algum interesse relacionado ao infanticídio?
    Esse ataque babaca da imprensa financiada pela rede petista é hilário em sua ridícula estrutura hipócrita, imagina só o Paulo Henrique Amorim assinando matéria querendo chamar a Veja de cúmplice de politicagem. Seria aquele PHA que estaria com um processo por racismo nas costas? Ou aquele que tomou processo do Lula e hoje é seu puxa-saco mor? Quem vai falar em credibilidade agora, hein?

    Ahhhh já sei, o Edir Macedo.

  12. evandro luiz

    -

    05/05/2012 às 21:21

    BOA NOITE,SR.EURIPEDES E SR.AUGUSTO,SOU MUITO GRATO A <>POR CEDER ESTES ESPAÇOS PARA COMENTARIOS,USO-O COMO A TERAPIA####O REI ESTA NU####DESDE MEADOS DA ERA DA MEDIUCRIDADES NAO ME CONFORMO COM A DESFAÇATEZ DOS SALAFRARIOS PUNGUISTAS DO ERARIO PUBLICO,A TURMA DO 13,GELEIA PMDB E BASE PROMISCUA,NAO SOU ANARQUISTA,MAS SOU DEBOCHADO,E SEI QUE UM DEBOCHE DESMORALIZANTE ATINGE O AMAGO DESTAS CRIATURAS PESTILENTAS,QUE SOB A LUZ DO DIA,NAO CAMINHAO NAS RUAS,EU SOU IMPOTENTE PARA LEVANTAR BANDEIRAS,MAS A MINHA MENTE FICA SACIADA A CADA COMENTARIO QUE DIGITO,NAO TENHO A INTENÇAO DE SER O RATO QUE RUGE,SOMENTE USUFLUO DA<>POIS TODO BRASILEIRO MEDIANO SABE DO VALOR E DO ALCANCE DA MESMA,POR ISSO PRETENDO CONTINUAR TORPEDEANDO isso que se chama governo,SOU ASA NOTURNA,KRATOS,MAQUIAVEL DE HOSPICIO,09292167-5,APRENDI MUITO COM A FABULA DO COLIBRI,SE NO FUTURO,VOCES CANCELAREM MEU E-MAIL DE ACESSO,PACIENCIA,PARA BONS ENTENDEDORES,UMA VIRGULA E O INFINITO DE POSSIBILIDADES,,,,,,,,,,,,,AGRADEÇO AOS SRS.,AGRADEÇO A TERAPIA,,,,,BOA NOITE,,,,,,,,,KSL,,

  13. dilucio

    -

    23/04/2012 às 23:25

    Bastante oportuno e esclarecedor!! Parabéns!!!

  14. Lilian

    -

    23/04/2012 às 14:18

    EXCELENTE! Eurípedes e Augusto, é por tudo isso que vai escrito nessa maravilha de depoimento que confio tanto nas informações da VEJA. Tenho observado que a revista age com ética e que sempre tem condições de provar o que afirma. Parabéns! E que todos os jornalistas deste País (seria pedir muito?)tirem proveito dessa excelente lição.

  15. Nara

    -

    23/04/2012 às 13:12

    Tremenda lição.

  16. Leonardo

    -

    23/04/2012 às 10:35

    Excepcional!

  17. Cyro de Freitas

    -

    23/04/2012 às 10:08

    Eurípedes e Augusto,

    Não precisam dizer mais nada, jornalismo sério é assim.
    Agora, quando se trata dos JEGs, a história é outra. Verifiquem nas redes compradas os comentários que virão.
    Ainda bem que existe uma pequena parcela do Brasil que ainda presta. Essa parcela é a que escreve para as pessoas de bem. O resto é lixo!

  18. Igor

    -

    23/04/2012 às 9:49

    Engraçado como só os comentários positivos são aprovados.

    Este saiu. Mas só porque o retrato desmoraliza o comentarista.

  19. Think tank

    -

    23/04/2012 às 9:42

    Afirmar que: “Entrevistar o papa não nos faz santos. ” esta afirmação em si já não parte de uma premissa ou presunção equivocada de que todo papa é santo?

  20. Mírcio Alves

    -

    23/04/2012 às 9:38

    Arrasador!

  21. sofia

    -

    23/04/2012 às 8:46

    Eis porque o dinheiro empregado para se ter a assinatura da revista Veja é o mais bem empregado, sem contar que quantas vezes consultei revistas antigas para trabalhos na faculdade. Uma pergunta que não quer calar, Jornalista Augusto Nunes, com o devido acatamento, o ptralha Ruy Falcão que se diz jornalista, não teve será entre as disciplinas na faculdade de jornalismo pelo menos um semestre aulas sobre ética? como pode se sentir tão ameaçado a ponto de insistir em calar a imprensa livre e séria? Pelo que li no site Veja ele mandara para a Câmara Legislativa novamente o projeto para calar a imprensa, que democracia é essa? será possivel que vamos dia a dia sentindo essa gentalha sujar a nossa Carta Magna? Aonde esta quem deveria frear essa corja implantada feito vermes no defunto que é o nosso Brasil? Temos somente o direito de nos indignar?

  22. Razumikhin

    -

    23/04/2012 às 8:41

    Excelente.

  23. Leonardo X, na Resistência

    -

    23/04/2012 às 7:24

    Veja era a revista preferida das esquerdas quando o país estava sob o regime militar. Eles a tomavam como uma revista de esquerda? Não, simplesmente a respeitavam como uma publicação de qualidade e independente. E agora? Bem, agora a revista continua a mesma de sempre, mas eles deixaram a clandestinidade e a oposição. E aí a revista passou a ser de direita para eles, que passaram a odiá-la. Claro, ela não é como os petistas, cuja ética é camaleoa. Depende de que lado do balcão eles estejam. Eurípedes Alcântara escreveu um texto que vale por um tratado de ética sob o ponto específica da imprensa. Conciso e completo. E definitivo.

  24. Kamila

    -

    23/04/2012 às 6:38

    Perfeito,

  25. FM

    -

    23/04/2012 às 1:15

    Não é à toa que a Veja é satãnizada por muita gente que não quer ser pautada pela mídia. Pior que se não gostar mesmo, compactua.

  26. Valentina de Botas

    -

    23/04/2012 às 1:04

    Oi, Augusto!
    Postei aqui um comentário mais cedo que desapareceu, não tem problema, posso repeti-lo com prazer: orgulho-me de ser assinante da Veja há quase 30 anos, e o texto estupendo do Eurípedes Alcântara é eloquente expressão do que a faz a melhor revista brasileira. Todos os seus profissionais estão de parabéns. É jornalismo estranho ao país obsoleto, por isso mesmo dramaticamente fundamental na sua mensagem civilizadora. Em mais um domingo de trabalho, especial por ser um aniversário – não é, querido colunista? -, é perfeitamente lógico que um texto assim seja publicado aqui. Há 3 anos você vem esfregando nas fuças da cambada, com textos brilhantes, que a ética resiste e manda lembranças. Não tenho muito a dizer, deixo que você continue dizendo com toda a força desta sua paixão pela verdade. Só (re)escrevo este comentário para dizer-lhe parabéns e para agradecer-lhe com um beijo. Um beijo, então, Valentina.

    Um beijo, Valentina.

  27. Regina

    -

    22/04/2012 às 23:23

    Excepcional!

  28. Paulo Bomfim

    -

    22/04/2012 às 23:23

    As conversas estão rolando há tempos, meu amigo Paulo Bomfim. Muita gente disse o que pensa. A crítica não faz sentido, acredite. abração

  29. Law

    -

    22/04/2012 às 23:01

    Essa é a razão de “Veja, seus jornalistas e colunistas serem, atualmente, a única fonte de informação e divulgação cultural digna de crédito no Brasil. Os demais meios, na minha opinuião, foram contaminados pelo Vassalismo e Mediocridade imperantes entre nós a partir de janeiro de 2003. E, pior, vassalismo à ignorãncia(s) personificada(s).
    No Brasil, à exceção de alguns poucos blogs e sites críticos e independentes, não há nada comparável a “Veja”. E nem alguns degraus abaixo dela. Por favor, resistam e prevaleçam!

  30. dpiresmont

    -

    22/04/2012 às 22:07

    Repetindo o comentário abaixo, BRILHANTE! E oportuno, nestes tempos de deturpação do certo e exaltação do errado.

  31. nelsinho

    -

    22/04/2012 às 21:25

    Brilhante!

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