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24/05/2011

às 21:09 \ O País quer Saber

A boa vida do assassino em liberdade

(Texto publicado originalmente em 16 de agosto de 2010)

Bruno Abbud

Em 1997, o jornalista Antônio Marcos Pimenta Neves dirigia a redação da Gazeta Mercantil e tinha 60 anos quando conheceu Sandra Gomide, de 29. Dois anos depois, ao assumir a direção de redação do jornal O Estado de S. Paulo, nomeou a namorada editora de Economia e decidiu incorporá-la ao seu patrimônio pessoal. Inconformado com o fim do romance em maio de 2000, primeiro perseguiu-a profissionalmente, depois passou a agredi-la fisicamente e, finalmente, condenou-a à morte.

Executou a sentença em 20 de agosto de 2000 com uma bala nas costas e um tiro de misericórdia na cabeça. Foragido, repreendeu por telefone os antigos subordinados: achava que a cobertura do caso feita pela Folha era melhor. Depois de entregar-se, censurou com rispidez o delegado que o interrogava: estava insatisfeito com o teor das perguntas. Pimenta Neves comportou-se todo o tempo com a arrogância dos que se sabem condenados à impunidade.

Até 1979, quando o colunável paulistano Raul “Doca” Street foi condenado à prisão por ter assassinado a socialite mineira Ângela Diniz, os criminosos passionais escapavam da cadeia pelo túnel aberto no Código Penal por uma excrescência jurídica: “o direito à legítima defesa da honra”. Como o truque fora revogado, Pimenta Neves valeu-se do método utilizado por quem tem dinheiro suficiente para pagar honorários calculados em dólares por bons advogados. Nesta sexta-feira, fará dez anos que continua em liberdade graças a apresentação de sucessivos recursos às distintas instâncias da Justiça. Condenado em 2006 a 19 anos de prisão (depois reduzidos para 15), só ficou numa cela durante sete meses.

Hoje, enquanto aguarda o julgamento do recurso que, a julgar pelo histórico do caso, nunca será o último, vive numa casa de 930 metros quadrados na Chácara Santo Antônio, zona sul da capital paulista. Costuma passar o dia lendo e navegando pela internet, como descreve a reportagem da edição 2131 de VEJA. Sai pouco, não lhe sobraram amigos.

Antonio Pimenta Neves vai morrer desfrutando da liberdade que Sandra Gomide perdeu ao procurar um namorado e encontrar o algoz.

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13 Comentários

  1. SANDRA CASSARO

    -

    26/07/2011 às 1:26

    Este caso tanto conhecido na mídia como um ESCÂNDALO DA IMPUNIDADE, e certamene é, passa a ser fichinha perto do CASO ANASTACIO CASSARO, Prefeito assassinado por incomodar seus algozes com sua honestidade e dignidade, COM 25 ANOS DE IMPUNIDADE. Há 2 anos foi travada uma luta incansável por JUSTIÇA pela filha da vítima, que enfim depois de 25 anos o CASO FOI JULGADO E TODOS OS 5 RÉUS CONDENADOS. Ainda faltou o Vice-prefeito que não foi julgado pela benécies da lei, por ter 70 anos qd saiu a SENTENÇA DE PRONÚNCIA, 15 ANOS APÓS O ASSASSINATO ! O que mais poderia se dizer diante de uma atrocidade desta?
    O que as famílias de vítimas pedem é bem pouco: APENAS JUSTIÇA !
    JUSTIÇA BRASIL !!!

  2. Alexandre

    -

    04/06/2011 às 21:15

    A crença que tenha a justiça,não vale,pois ela é lenta de dar dó.
    A impunidade é vista e reincidida como uma coisa corriqueira.Depois os magistrados diz que a justiça funciona, que vigora.
    Mas na prática é outra, a realidade é outra.
    O exemplo deste ex-jornalista é mais que uma prova da inoperância da própria justiça.
    Um crime hediondo do qual é confesso, é inacreditável, que um sujeito deste, fique livre por dez ou mais anos.Como pode ser possível?
    Então quem tiver esta resposta,estarei esperando.

  3. Claudio

    -

    30/05/2011 às 16:56

    Dá uma dó imensa ver a foto dessa menina, amontoada no chão, já vazia de vida. Meu Deus! como eu gostaria que isso não acontecesse mais, com ninguém. O nosso tempo já é tão curto e ainda aparece gente para diminuí-lo. Todo o meu pensamento para o pai, a mãe, os parentes, os amigos da Sandra.

  4. paolo

    -

    30/05/2011 às 12:41

    rapaz,que país é o brasil.se um dia eu puder sair daqui,nunca mais volto.vou deixá-lo para os que o amam,pois me dá medo viver aqui.

  5. Luis Cela DImas

    -

    27/05/2011 às 23:32

    Não aprecio hoje a revista Veja (principalmente na tendenciosa cobertura internacional) mas sou seu fã, Augusto Nunes. Obrigado pela coragem, denúncia, humor (grande arma), insenção e humanismo com que abrilhanta cada artigo. Parabéns !

  6. João Eulálio

    -

    26/05/2011 às 14:37

    Só um reparo: nunca houve no Código Penal a figura da “legítima defesa da honra”. Ela foi criada por advogados que invocavam sua ocorrência nos crimes passionais. Era aceita pelos jurados que queriam absolver os maridos que matavam as esposas infieis (sim, há não muitos anos a maioria da população achava que esse era o castigo merecido).

    Mas eu nunca soube de um Juiz de Direito que haja absolvido réu baseado nessa tese.

    Não é o Código Penal que precisa ser reformado, e sim a Lei de Execuções Penais. É esta que propicia os abrandamentos de pena que resultam em impunidade.

    Ah, e outra reforma, mais difícil, impõe-se: a da mentalidade dos juízes. Mesmo com as leis atuais haveria meios de punir criminosos se a interpretação jurisprudencial não fosse sempre a que mais benefecia os réus.

  7. Nelson Cravo

    -

    25/05/2011 às 17:14

    Fico pensando na família desta jornalista assistindo este vexame nacional! Injustiça respaldada totalmente, incondicionalmente pela Justiça. Sinto vergonha da Justiça brasileira e me recuso a acreditar que isto está acontecendo de fato.

  8. Angelo

    -

    25/05/2011 às 10:57

    Senhores,é uma pena que o coração humano,se deixe
    levar por sentimentos rasteiros,como ódio,ciúmes,
    o poder,o querer mandar nos sentimentos alheios,o
    não raciocínio lógico,a estupidez,ceifando a vida
    desta jovem que acreditava na amizade,na alegria
    de viver e que infelizmente encontrou a morte.!!!

  9. Mauro Pereira

    -

    25/05/2011 às 0:05

    Caro Augusto Nunes.
    A página da Coluna hoje está parecendo arquivo de Delegacia de Polícia. Tem facínoras para todos os gostos.
    Vivêssemos nós em um país mais sério, salvo raríssimas exceções, cada uma das fotos estaria devidamente selecionada com o carimbo de “procurado”.

  10. Sérgio

    -

    24/05/2011 às 23:24

    Esse aí, vai ficar uns dias na cadeia enquanto o passaporte está sendo renovado. Aí ele entra com um habeas-porcus e o dr. Gilmar Schmitt vai dizer que não há perigo para a sociedade, que ele pode responder em liberdade e que mantê-lo preso seria um precedente perigoso para a “segurança jurídica” do país.

    Aí o cara sai e voa para Paris, Venezuela, Cuba ou vai se juntar do dr. Tarad Abdelnopé, lá em Beirute.

  11. Dominus

    -

    24/05/2011 às 22:57

    Se o congresso decidir modernizar o código penal e outras leis, eles próprios serão prejudicados.É por isso que eles deixam do jeito que está.

  12. adriano

    -

    24/05/2011 às 22:43

    a vida de um detento no brasil é tão bom , porque quando vai preso ainda da risada da cara dos policiais.

  13. O Brasil na zona

    -

    24/05/2011 às 22:01

    COM AS LEIS E A JUSTIÇA QUE TEM O BRASIL, CONDENADO É QUEM MORRE.


 

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