O comando da Tríplice Aliança acabou na Ópera dos Malandros

Terminada a montagem do plano destinado a infiltrar o companheiro Manuel Zelaya em Tegucigalpa e, na etapa seguinte, devolvê-lo ao gabinete presidencial, o comando da Tríplice Aliança combinou o que faria cada um dos envolvidos na Operação Honduras. A mesada do estadista desempregado, as despesas da família, os gastos com a comitiva e o transporte aéreo teriam o patrocínio da Venezuela. O apoio logístico para a viagem entre […]

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Terminada a montagem do plano destinado a infiltrar o companheiro Manuel Zelaya em Tegucigalpa e, na etapa seguinte, devolvê-lo ao gabinete presidencial, o comando da Tríplice Aliança combinou o que faria cada um dos envolvidos na Operação Honduras. A mesada do estadista desempregado, as despesas da família, os gastos com a comitiva e o transporte aéreo teriam o patrocínio da Venezuela. O apoio logístico para a viagem entre a fronteira e a capital seria garantido pela vizinha Nicaragua. Casa, comida e roupa lavada ficariam por conta do Brasil.

Distribuídos os encargos, os generais Hugo Chávez, Daniel Ortega e Lula decidiram o que ocorreria depois da instalação de Zelaya no prédio onde funcionou a embaixada brasileira. Multidões de patriotas exigiriam nas ruas a rendição incondicional dos golpistas e a restituição das chaves do palácio ao líder popular. Todas as nações do planeta celebrariam a bravura do país do futebol.

O presidente americano Barack Obama continuaria fazendo de conta que não sabe o que se passa na América cucaracha. Acuados, os usurpadores primeiro tentariam destruir a embaixada. Minutos mais tarde, rechaçados por batalhões de voluntários da pátria, estariam cruzando o Caribe a nado na direção de Miami. E Zelaya festejaria a segunda posse acenando o chapéu branco ao lado da trinca de estrategistas.

Faltou combinar com os hondurenhos. Os combatentes que se animaram a sair de casa produziram manifestações parecidas com procissão de cidade interiorana em dia útil. Os parceiros de sempre acharam que o Brasil fez bonito, mas se limitaram a pedir aos responsáveis pela deposição de Zelaya que voltassem para casa. Não foram atendidos. Em vez de atacar a embaixada, o presidente interino, Roberto Micheletti, mandou cortar por algumas horas a luz, a água e o telefone.

Só então o chanceler Celso Amorim lembrou que o Brasil decidiu faz mais de 50 dias não reconhecer o novo governo ─ e é complicado conversar com quem não existe. Se há queixas a fazer, portanto, devem ser encaminhadas ao quarto onde o presidente de verdade dorme durante a noite ou ao sofá onde cochila durante o dia (ao lado de uma bandeira do Estado do Rio). Ou ao bispo de Tegucigalpa. Ou ao Conselho de Segurança da ONU, como preferiu Amorim.

Enquanto o Itamaraty procura a saída do beco em que se meteu voluntariamente, é provável que o hóspede já tenha começado a reclamar do serviço da estalagem. Não lhe parece à altura da afamada hospitalidade brasileira. Ao contrário de Amorim e Lula, Zelaya sabe que há mais de 50 dias não preside coisa alguma. Mas decerto acha que qualquer ex-presidente merece algum conforto. Se os cortes forem reprisados, pode acabar convencido de que a cadeia é mais aconchegante.

O comando da Triplíce Aliança planejou o que deveria ter sido uma irretocável operação político-militar. Por enquanto, só compôs a ária mais bisonha da Ópera dos Malandros.

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  1. Comentado por:

    Ixmael

    Chavéz, Ortega, D.LLulla I,
    Zelaya, Amorim, TopTop.
    Não é Tríciple Aliança, é
    Sextupla.

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  2. Comentado por:

    trespontos.:

    Prezado Rafael das 19:49, nem tento alegar que foi um “achado” essa comparação que fiz, de tão óbvia. zé da laia é de fato o Odorico, e mais ainda: Odorico é também vários outros personagens, infelizmente, ainda atualíssimos: o “gente boa” que faz média tomando cachaça com os eleitores, o corrupto que recebe ambulâncias em troca de apoio a candidatos, o que se acha inatingível, o ignorante dos discursos intermináveis e metido a falar difícil, etc.etc.
    A piada amarga – na realidade nem tanto para mim, mas para muitos que hoje encontram-se no poder – é que o “antigo” Odorico, criado para ser uma sátira aos governantes da época, continua atualíssimo. lulla, chavez, zé da laia, evo, os kirschners (invasão do Clarín), os castro (falta de papel higiênico, que argumento de novela daria) e etc são, todos eles, Odoricos.
    E revendo alguns clips antigos da novela, confesso que fiquei chocado. A peruca do personagem da falecida atriz Ida Gomes (a mais alta das irmãs Cajazeira) me lembrou a da dilma; até nisso temos semelhança: bajulação e peruca, ou como poderia dizer o Odorico, teria o personagem uma bajulice peruquista galopante.
    Um abraço.

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  3. Comentado por:

    Amazônida Adotivo

    A propósito dos seus comentários sobre a ENROLAÇÃO do Brasil na crise hondurenha só usando aquela expressão que as mães costumam dizer para os filhos com uma ponta de orgulho e admiração: MENINO VOCÊ ESTÁ IMPOSSÍVEL! No bom sentido, claro. O texto é inigualável.
    Continue assim. Eu quero é mais. Aguardo com ansiedade os próximos capítulos desse pastelão. Alguém vai acabar levando muita torta na cara.

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  4. Comentado por:

    João, do Sul

    Vejam a foto e concluam. O cara que deixa fotografar-se desta maneira (não me digam que foi pego de surpresa) passa que impressão? Qual a mensagem embutida na postura de uma pessoa que se quer líder de uma nação? O demente está preocupado com o país, com o povo e a democracia?
    E os nossos três patetas (o rei do tártaro, o lularápio asnácio e o amorinzinho) entraram direitinho nesta furada. “Pariram a criança, agora a embalem!” Bando de incompetentes… e ainda tem quem os apóie.

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  5. Comentado por:

    Nogueira – SP

    O mais grave em tudo isso, é a participação do governo brasileiro neste verdadeiro circo, com a cumplicidade da nada isenta mídia tupininquim, salvo a VEJA, a…. e o……..

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