No dia das manifestações organizadas por quem se apresenta como representante do povo, povo foi o que menos se viu

PUBLICADO EM 12 DE JULHO BRANCA NUNES Em vez dos cartazes de cartolina com dizeres manuscritos – NÃO SÃO SÓ 20 CENTAVOS, QUEREMOS HOSPITAIS PADRÃO FIFA, TOLERÂNCIA ZERO PARA A CORRUPÇÃO e várias reivindicações bem humoradas –, banners, a grande maioria vermelhos, com slogans como “O petróleo é nosso”, “Não à terceirização”, e “Pela taxação […]

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PUBLICADO EM 12 DE JULHO


BRANCA NUNES

Em vez dos cartazes de cartolina com dizeres manuscritos – NÃO SÃO SÓ 20 CENTAVOS, QUEREMOS HOSPITAIS PADRÃO FIFA, TOLERÂNCIA ZERO PARA A CORRUPÇÃO e várias reivindicações bem humoradas –, banners, a grande maioria vermelhos, com slogans como “O petróleo é nosso”, “Não à terceirização”, e “Pela taxação das grandes fortunas”. Em vez das bandeiras do Brasil e das caras pintadas de verde e amarelo, estandartes da CUT, da Força Sindical, do Sindicato dos Comerciários, do PSOL, da UNE, do PSTU, do MST e de dezenas de partidos e movimentos sociais. Em vez de palavras de ordem cantadas em coro, berros individuais vindos do carro de som.

Nesta quinta-feira, todas as bandeiras que haviam desaparecido – ou sido expulsas – das ruas nas manifestações que tomaram conta do país desde 6 de junho reapareceram na Avenida Paulista atendendo à convocação das centrais sindicais engajadas no Dia Nacional de Luta com Greves e Mobilizações. Em compensação, a população apartidária sumiu – e o 11 de julho foi marcado por mais do mesmo: os mesmos discursos inflamados contra o capitalismo, a direita golpista, a Rede Globo e outros inimigos de sempre.

Ao contrário do que se via nas manifestações anteriores a pretendida greve geral desta quinta-feira teve mais bandeiras de centrais sindicais e partidos do que manifestantes. Os discursos no carro de som não provocavam nem aplausos nem vaias. E gritos de guerra como “eu, sou brasileiro, com muito orgulho”, que os dirigentes tentaram puxar mais de uma vez, morriam antes da segunda frase – nada a ver com os hinos entoados durante os protestos do Movimento Passe Livre, que contagiavam multidões.

O acordo intersindical que excluiu o “Fora Dilma” da pauta de reivindicações parece ter dado certo. Ainda assim, as bandeiras do PT eram as mais envergonhadas – e tanto Dilma quanto Lula não escaparam de críticas no asfalto e no palanque. Enquanto Ana Luiza, que disputou a prefeitura de São Paulo pelo PSTU clamava “contra a política econômica do governo Dilma, contra Alckmin e contra Haddad”, um representante do recém nascido Partido Pátria Livre (PPL) fez questão de “saudar o PT e saudar o Lula” nos três minutos a que teve direito no serviço de som. Algumas faixas chamavam José Eduardo Cardozo de Ministro da Injustiça e exigiam o mesmo reajuste salarial concedido aos ministros.

Se o objetivo das centrais era pegar carona na revolta da rua, elas podem considerar-se derrotadas. O contraste entre as duas manifestações foi tão gritante que apenas escancarou o abismo entre o que quer a população e o que lhes oferece quem está no poder (seja nos governos, nos partidos ou nos sindicatos), entre uma forma nova de expressar-se e outra completamente ultrapassada, entre o autêntico e o artificial. Embora se apresentem como representantes do povo, povo era o que menos se via entre as pouco mais de cinco mil pessoas que ocuparam duas quadras da avenida mais emblemática de São Paulo.

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  1. Comentado por:

    noel gonçalves cerqueira

    Augusto, talvez tenhamos se esquecido que o maior beneficiado pelas passeatas foi o Ministérito Público, que soube introduzir a emenda 37, como pauta das manifestaçõemas. Não ganhou nada, mas deixou de perder – aquilo que, eventualmente, não lhe pertence. abraço. noel

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  2. Comentado por:

    Robes Mendes

    A militância desses PSOL, PSTU, CUT e UNE da vida reproduzem, com perfeição, os agitadores do nazi-fascismo do século 20.

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  3. Comentado por:

    razumikhin

    Nóis agora é crace média! Nóis çó vai naz manifeztassaum se o dotô pagá mió….

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  4. Comentado por:

    Vera

    Eu tinha certeza de que eles pegariam carona nas manifestações de uma população descontente. São os eternos aproveitadores. Mas o verdadeiro manifestante sabe muito bem o que quer, não vai sair junto com demagogos e nem perder tempo fazendo número para ajudá-los. Oh, corja!

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  5. Comentado por:

    GEROLDO ZANON

    Agora com achegada da copa do mundo temos que salvar muitas vidas dar um aviso pela internet para nenhum estrangeiro vir para o BRASIL assistir a os jogos da copa aqui é terra de bandido a começar por BRASILIA

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  6. Comentado por:

    Mauricio Ranieri

    Boa tarde. Uma sugestão importante.
    Nem todos podem sair para as ruas nos dias de protestos seja por medo, receio, saúde, etc.
    Por que não sugerir de todos os brasileiros decorarem as janelas e faixadas de suas residências com bandeiras ou tecidos de verde amarelo como fazemos na Copa do Mundo?
    Tenho a certeza que surtirá muito mais efeito do que o panelaço, Desta forma as emissoras de TV e as autoridades não vão poder omitir o descontentamento dos Brasileiros. Também não poderão dizer que alguém bancou tudo isso, pois será apenas o uso dos materiais restantes da Copa vergonhosa que tivemos com tntos prejuízos.
    Fico revoltado, pois na hora de Parada isso ou aquilo. copa do mundo ,blocos de carnaval o povo vai para a rua, mas na hora de reivindicar seus direitos, porquê todos se escondem?
    Acho que além das manifestações nas ruas temos que mostrar em nossas residências. Propaguem isso como mais uma ferramenta de mostrar a nossa insatisfação com a situação atual.
    Vamos colocar o nosso verde e amarelo nas faixadas de nossas residências, prédios comerciais, parques, escolas, postes, etc…

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  7. Comentado por:

    Igaci

    PROTESTO X PROTESTO
    Meu amigo AUGUSTO NUNES, existe um perigoso plagiador em Campo Grande MS que copia textos de meio mundo e depois publica como se dele fosse. Veja o seu comentário PROTESTO X PROTESTO (publicado aqui) – ele virou artigo assinado pelo malandro em jornais da capital, como ele faz costumeiramente. Veja quem assina o seu comentário “PROTESTO X PROTESTO”
    O plagiador é um tal de Valdeci Martins (busque no face ou no jornal do Povo, Campo Grande – MS) que vc o encontra…
    Vou ver isso já, caro Igaci. Obrigado pelo alerta. abração

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