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Marcos Troyjo: Brasil precisa de profissionais da globalização

Em mais de 500 anos de história, nosso fluxo comercial com o exterior foi marcado pelos ciclos de commodities

Um dos principais obstáculos ao crescimento sustentado da economia brasileira é a falta de recursos humanos especializados. É conhecida nossa defasagem de engenheiros, químicos, físicos, matemáticos.

O fato é que se evidenciam também carências numa área intermediária –porém essencial: o profissional de relações internacionais (RI). Ele é aquele que cuidará da expansão e defesa não apenas dos assuntos diplomáticos do Brasil, mas também dos objetivos de nossas empresas e da sociedade civil.

Houve um tempo em que a formação desse profissional refletia a tímida inserção externa do país. Os cursos de comércio exterior concentravam-se em aspectos aduaneiros. Era interpretar as hamurábicas regras da CACEX, que contribuíam para a posição do Brasil como uma das economias mais insulares do planeta.

Em mais de 500 anos de história, nosso fluxo comercial com o exterior foi marcado pelos ciclos de commodities (ouro, borracha, cana de açúcar, café). Descontados esses períodos de “monocultura de exportação”, raramente o Brasil alcançou uma corrente de comércio que representasse mais do que um quarto de nosso PIB.

Há 25 anos, havia apenas dois bacharelados em RI no Brasil. Eram vistos pelos alunos basicamente como uma “antessala” para se prestar o concurso à carreira diplomática.

Hoje, estados, municípios, agências multilaterais e ONGs todas representam grandes oportunidades para os profissionais de RI. São muitas as possibilidades para quem quer concretizar o sonho de construir uma carreira global.

Em nenhuma área, no entanto, o talento para as relações internacionais é tão demandado quanto no setor empresarial. Para que se tenha uma dimensão de sua necessidade no setor privado, basta mencionar que o Brasil é um pais de 200 milhões de pessoas e há apenas umas 20 empresas multinacionais brasileiras. A Suécia é um país de 10 milhões de pessoas e 200 multinacionais suecas.

No entanto, fazer relações internacionais voltadas ao mundo empresarial hoje representa um conjunto de habilidades mais complexas e multifacetadas do que dispunham os pioneiros do comércio exterior. Além de meros operadores alfandegários ou intermediários burocráticos entre países, os profissionais têm de ser verdadeiros “especialistas em globalização.” Eles têm de comprar e vender de multinacionais. Participar de painéis de organismos multilaterais como a OMC.

É preciso conhecer a sensibilidade da imprensa e da opinião pública de seus compatriotas e de outros países e sociedades. Saber relacionar-se se com a imensa influência de Fundações internacionais, de que a Bill & Melinda Gates é um exemplo. E, é claro, lidar com governos dos mais diferentes tipos.

Nesse contexto, em recente aula magna numa universidade brasileira, perguntaram-me, em resumo, quais seriam os elementos básicos para a construção de uma carreira global. Bem, vão aqui então 7 sugestões:

– Comunicar-se bem em inglês (e em português, obviamente), e se possível, em outras línguas.

– Dominar métodos quantitativos de modo a permitir a formulação e avaliação de planos de negócios.

– Sempre ter em mente a importância do Marketing Internacional.

– Familiarizar-se crescentemente com as ferramentas de augmented intelligence  e como elas podem ser utilizadas na arena global.

– Possuir ao menos noções básicas de Direito Internacional Privado, sobretudo nos ramos contratual e de arbitragem.

– Aprofundar-se numa certa região do mundo, ou no conhecimento de um produto específico. Um especialista em Ásia ou alguém que conheça bem as negociações internacionais de patentes, por exemplo, tendem a encontrar mais oportunidades do que os mais generalistas.

– Tomar gosto pela negociação. Sem descurar dos aspectos de estudo teórico, é fundamental ser um profissional também voltado para o mundo da ação.

Se os cursos universitários no país, na graduação e na pós, conseguirem moldar profissionais desse tipo, o Brasil estará mais capacitado a expandir a janela de oportunidade que o cenário mundial, apesar de sua imensa complexidade, continua a oferecer.

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  1. Wilson Rodrigues Rodolfo

    Pra vender o quê além das commodities, área na qual somos realmente competitivos, seja pela benção da natureza quanto aos minerais e tecnologia mesmo no caso da agropecuária, sem nos esquecermos que nem mesmo esse avanço tecnológico seja coisa tão maravilhosa, pois enquanto estamos comemorando uma colheita de pouco mais de 200 milhões de toneladas de grãos os Estados Unidos colhem mais de 300 milhões de toneladas de……milho. Mas, claro, não podemos desprezar nossa evolução no campo e nas minas, apenas sofrer pela ausência de investimento na educação como um todo que é o que faz com que um pais se desenvolva de verdade,não o que temos aqui: uma grande fábrica de diplomas, com o agravante de que ainda assim, a maior parte dos diplomas fabricados estão na dita área de humanas. Talvez sejamos o pais com o maior numero de “cientistas” políticos, ainda que eu não tenha muita certeza do que produz mesmo um exemplar do gênero. Basta olhar para dentro de nossas casas para comprovarmos o desastre tecnológico que somos, pois não conseguimos nos deparar com quase nada de brasileiro de verdade entre nossos utensílios, na maioria apenas montados por aqui, de preferência na Zona Franca de Manaus para diminuir a carga tributária necessária à manutenção dos privilégios criminosos que drenam todo esforço do brasileiro que ainda consegue trabalhar. Ademais, nos últimos 50 anos o Brasil jamais conseguiu exportar o equivalente a 25% do seu PIB, nem mesmo durante a fase do milagre do santo Médici, ou do festejado boom das commodities do Lula, bem diferente de uma China que já teve as exportações representando bem mais do que 25% do PIB, China que seguiu os mesmos passos da Coréia (do sul, claro!), e pensar que em 1980 Brasil e China exportavam somas parecidas, algo em torno de 20 bilhões de dólares/ano enquanto hoje a soma de nossas exportações anuais pouco passa da exportação mensal da mesma China- mentirinha: não é a mesma China, é outra, muito mais e melhor educada-. Formarmos RI competentes é importante para vendermos aquilo que o mercado internacional precisa e busca, o que sempre significa inovação que só vem com a tal P&D, coisa muito rara em terras tupiniquins, o que significa que eles não bastam.

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  2. Denise.nagamine Nagamine

    Adilson nagamine CG
    Exportar para a bolivariana Venezuela do colombiano Maduro. E levar calote. Qual a graça ? Não faça do microondas uma arma

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  3. Carlos Caetano

    Seja como for, esse Aloísio Nunes está marcado como o responsável pela invasão muçulmana em nosso país. É inimigo da Pátria. Que muera!

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  4. Juca Leiteiro

    De 2003 para cá, o que mais nosso governo exportou foram empresas subsidiadas pelo BNDES para atuarem como multinacionais da corrupção.

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