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J.R. Guzzo: O engodo do populismo

Para manter o Brasil do jeito que está, os populistas prometem aos eleitores direitos, vantagens e proteções sem ter a menor chance de entregá-los

Publicado na revista EXAME

A resistência, verdadeira ou fabricada, às poucas e modestas reformas ora propostas pelo governo na área trabalhista e na previdenciária mostra mais uma vez quanto o “populismo”, muito mais do que o marxismo, o comunismo e outras teorias gasosas, tornou-se o grande inimigo atual da liberdade econômica ─ e, no fim das contas, dos regimes democráticos. Marxista é uma espécie que só sobrevive no ambiente protegido da universidade onde, em geral, tem sua subsistência fornecida pelos salários que recebe do Estado. Na vida real não existe nem em Cuba. Da mesma forma, os regimes considerados “progressistas” pela esquerda brasileira e mundial, por se apresentarem como uma alternativa virtuosa ao capitalismo ─ lugares como Venezuela, Coreia do Norte e ditaduras africanas ─, aparecem muito nas primeiras páginas e nos horários nobres da mídia, mas, pelo que se sabe, não chegam a inspirar revoluções populares mundo afora nem contribuem para o avanço da causa proletária internacional. Já os populistas são artigo de outra qualidade. Combatem com eficácia, persistência e vastos recursos financeiros qualquer mudança que possa melhorar a chance de sucesso de quem se dispõe a empreender alguma atividade econômica por conta e risco próprios. O mandamento central de sua religião é negar a legitimidade do esforço individual em busca da prosperidade, do trabalho que dá lucro e do mérito pessoal.

O objetivo real do populismo, em seu esforço atual para manter no Brasil tudo do jeito que está, sem transformação nenhuma, é continuar mandando no país com a utilização de um conto do vigário básico. Trata-se de prometer aos eleitores todos os direitos, vantagens e proteções que possam ser colocados num pedaço de papel ─ sem que, de um lado, os beneficiários tenham executado algum trabalho, produzido alguma coisa ou mostrado algum mérito para receber os benefícios; e sem que, de outro lado, os autores das promessas tenham a menor possibilidade de cumpri-las. Costuma dar certo, ou tem dado certo até agora, para os trapaceiros profissionais que há décadas tiram seu sustento e sua fortuna do exercício da vida pública. Vivem ganhando votos desse jeito, dentro da ideia geral segundo a qual o eleitor jamais está disposto a abrir mão de direitos que não tem e sempre estará pronto a aplaudir a promessa de direitos que não terá. Aparecem como “defensores do povo”, ou dos “pobres”, ou da “maioria” ─ e, se for o caso, também das “minorias” ─, sem ter a menor responsabilidade pela execução do que aprovam ou pelas despesas que criam. Só sobrevivem dentro do sarcófago que é o Estado brasileiro de hoje, cada vez mais enterrado nos gastos que fabrica e na prática da extorsão fiscal. Por isso mesmo, não admitem mudar nada.

Tudo é muito difícil numa sociedade em que os que querem produzir alguma coisa têm de pedir autorização a quem não produz nada. Difícil só para quem trabalha, é claro ─ já para os parasitas que vivem de dar as autorizações, escrever as regras e gastar o dinheiro que vão tirar do bolso do contribuinte, o Brasil é um paraíso. Reformas? Por que diabo aceitariam reformas que só os prejudicam? Por que um sindicalista, por exemplo, aprovaria a extinção do imposto sindical ─ um dos mais abjetos da legislação tributária do mundo? Muito melhor fazer uma “greve geral” em que ninguém corre risco nenhum. Ou, como disse uma das vozes “progressistas” mais estimadas pela imprensa nacional, considerando-se a quantidade de vezes que aparece no noticiário, cálculos aritméticos estimando o déficit da Previdência Social são “inconstitucionais”.

Só está dentro da lei, pela visão de mundo dos inimigos das reformas, a matemática segundo a qual o caixa da Previdência está estourando de tanto dinheiro guardado. Ou que as empresas privadas têm recursos de sobra para pagar todos os “direitos trabalhistas”, atuais e futuros. Ou que o Tesouro Nacional se recusa a distribuir renda para os pobres. É onde estamos.

Comentários
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  1. Juca Leiteiro

    Meu pixuleco, minha vida. Hoje, o que não falta é “voluntário” escorado por ONGs desmamada, esmolando em faróis para fazer “casa para favelados”. Para a vagabundagem tudo é festa…
    Por quê não vão cobrar o trabalhar duro e doar seus salários para esse fim?

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  2. Robson La Luna Di Cola

    Quase tão maléfico quanto um governo populista, é um governo que implanta um plano econômico supondo que governar um país é como administrar uma empresa. NÃO É!

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  3. Paulo Cesar Martins

    Boa, a verdade dói , né não?

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  4. antonio carlos Ferreira

    Creio que o Guzzo está com a razão em tudo, por tudo. O Brasil vai passar por um período difícil. Não me preocuparia com estes grupelhos mantidos com dinheiro público de sindicatos e ONGs , e MSTs da vida. A preocupação é com o País que tem obrigatoriamente que passar por uma série de reformas, e a principal é a constitucional. Devíamos batalhar por uma nova Constituição, com poucos artigos e que cuidasse do País e seus habitantes, com a propriedade privada, com a ética, e desaparecesse com esta enxovia de mendas.Daqui a pouco a Constituição Federal vai ter dois volumes de mil páginas. Já é quase um livro de quinhentas páginas, com estas estupidas emendas constitucionais. Constituição é para valer e não para ser emendada de acordo com os interesses de grupos. Urge uma análise rápida por juristas isentos de esquerda ou direita, coisa feia que devia ter desaparecido. Em trinta anos conseguimos esfacelá-la com emendas ridículas. Na sua origem ela não foi um primor, pois vinhamos de uma ditadura e os srs. procuraram salvar-se dando a si direitos que não deveriam ter. Imunidades que não deveram existir. E manietaram o Supremo Tribunal Federal. A Constituição era uma obra prima que cuidava de tudo e de todos, e no fim não cuidava de ninguém,pois se necessitou de tantas emendas para quem e o quê serviu. Este o ponto fundamental. A liberdade de manifestações violentas viraram moda, pois são reprimidas quando temos vítimas fatais. Os policiais, não podem exercer suas funções, mesmo com a razão de seu lado sob pena de serem processados. Os discursos que se apresentam no Senado e na Assembléia são ridículos, pois parecem que falam para incautos impunemente. Hoje não existe no Brasil atual Partidos Políticos, Grupos heterogêneos que cuidam mais de seus interesses pessoais que da Nação, as passeatas são grupelhos que objetivam desordem , e não têm objetivo algum, tando de esquerda radical, os que se dizem populistas, quanto os que se dizem liberais ou de direita, que não têm plataformas a defender. A continuar da forma que estamos caminhamos para o caos completo. Por hora a Justiça tem tentado por ordem, embora esteja infestada de imbecis também, que se aproveitam para aparecer como se fossem salvadores da pátria. Mas a maioria significante dela é de gente cordata que pretende limpar o país da corrupção e da canalhice. Hoje a Justiça que é o único anteparo plausível para contornar a situação está sendo violentamente atacada, quando cumpre com o seu dever. O caos está aí, mas pode-se, ainda reverter este quadro com uma assembléia constituinte, formada apenas por constituintes capazes, mas fora do Congresso Nacional, desmoralizado e violentado por safardanas, que foram eleitos, mas não defendem ao povo que os elegeu em sua maioria. Para não haver injustiça não poderão todos concorrer aos cargos de constituintes. Esta é uma solução. A outra que se aproxima a passos largos todos nós sabemos qual vai ser…

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  5. Juca Leiteiro

    Com uma histórica Carteirada Profissional de Trabalho, o Dória carimbou a Carteira de Trabalho de Mentiroso do Lula, provando por A mais B, que ele é o portador da alma mais desonesta do planeta.

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  6. O Lula nunca trabalhou na vida, sempre viveu sugando os verdadeiros trabalhadores do Brasil, espero que um dia a justiça seja feita e esse elemento pague por todo mal que as brasileiros…

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  7. Cético, muito cético

    OK, mas como se divulga isso no meio do Nordeste?

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  8. Cético, muito cético

    O molusco colocou o dedinho mindinho esquerdo na máquina, Não ia doer muito, a perda não seria grande e ele poderia passa o r esto da vida ganhando a aposentadoria e fazendo política. Vale a pena , não?

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  9. Augusto, eu diria que o Guzzo é da sua família. São irmãos. A qualidade dos artigos de ambos é formidável.

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