Em meio a tanta imoralidade, a homenagem a um homem honrado

O diplomata Eduardo Saboia e outros envolvidos na fuga do senador Jorge Pinto Molina enfim começam a ter a importância de seu papel histórico reconhecido

Em 26 de agosto de 2013, a coluna publicou o post abaixo com o título “Graças à altivez do diplomata Eduardo Saboia, o senador boliviano escapou do cerco armado por Evo Morales e Patriota” O texto, que comentava a reação do Itamaraty à fuga para o Brasil do senador boliviano Roger Pinto Molina, destacava a coragem dos responsáveis pelo plano que retirou o parlamentar de um cárcere de 455 na embaixada brasileira em Bogotá, em especial do diplomata Eduardo Saboia.

Colocados na geladeira diplomática durante o governo Dilma Rousseff, Saboia e os outros envolvidos na libertação de Pinto Molina acabam de ter o seu valor moral reconhecido. Nesta quinta-feira, a Coluna do Estadão publicou que “Temer decidiu condecorar com a mais alta honraria da diplomacia brasileira os envolvidos na fuga”, destacou. “Os motoristas e os fuzileiros navais que ajudaram na fuga, além do advogado Fernando Tibúrcio e do embaixador  Eduardo Saboia, vão receber a medalha da Ordem de Rio Branco”.

Graças à altivez do diplomata Eduardo Saboia, o senador boliviano escapou do cerco armado por Evo Morales e Patriota

Se conseguisse manter na vertical a espinha dorsal, o chanceler Antonio Patriota estaria celebrando desde sábado, a exemplo dos democratas do mundo inteiro, a chegada ao Brasil de um perseguido político asilado há 15 meses numa representação do Itamaraty — e impedido de dali sair pela arrogância de um tirano de ópera-bufa. Como vive de joelhos, Patriota determinou a divulgação da seguinte nota sobre a libertação do senador boliviano Roger Pinto Molina:

O Ministério das Relações Exteriores foi informado, no dia 24 de agosto, do ingresso em território brasileiro, na mesma data, do Senador boliviano Roger Pinto Molina, asilado há mais de um ano na Embaixada em La Paz. O Ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do Senador boliviano da Embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. O Encarregado de Negócios do Brasil em La Paz, Ministro Eduardo Saboia, está sendo chamado a Brasília para esclarecimentos. O Ministério das Relações Exteriores abrirá inquérito e tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

A nota de hoje do Ministério das Relações Exteriores reflete a crise moral por que passa a diplomacia brasileira”, retrucou o advogado Fernando Tibúrcio, que defende o parlamentar cassado e caçado por Evo Morales. “Ao invés de proteger e prestigiar um funcionário que deveria ser visto como exemplo, alguém que corajosamente tomou a única medida cabível numa situação de emergência, o Itamaraty optou por jogar Eduardo Saboia aos leões. Pior, inviabilizou a sua volta à Bolívia, por razões óbvias de segurança”.

Tibúrcio constatou que, na ânsia de bajular o lhama-de-franja, o chanceler “não foi capaz nem mesmo de lembrar que a esposa do Ministro Conselheiro Eduardo Saboia, funcionária do Consulado-Geral em Santa Cruz de la Sierra, e os filhos do casal, permanecem na Bolívia”. A nota oficial abjeta confirma que, se dependesse do ministro, a clausura de Pinto Molina se estenderia por muitos meses, ou anos. A sorte do senador é que ainda há no Itamaraty homens que honram o legado da instituição, cultivam valores morais e não desengavetam os direitos humanos apenas quando lhes convém.

“Se tudo deu certo, se uma grave questão humanitária foi resolvida,  foi graças aos funcionários da embaixada”, afirma Tibúrcio. Graças sobretudo à bravura e à altivez de Eduardo Saboia. Segundo o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores e um dos participantes do resgate de Pinto Molina, a vítima de Evo Morales viajou de La Paz para o Brasil acompanhado por Eduardo Saboia e escoltado por fuzileiros navais que integram o esquema de segurança da embaixada. (Nessa espécie de missão no exterior, militares se subordinam não ao Ministério da Defesa, mas ao chefe da representação diplomática).

Na viagem de 22 horas até Corumbá, a 1.600 km de distância, os dois carros com placas consulares que transportaram o grupo passaram por cinco postos policiais antes de alcançar a fronteira da Bolívia com Mato Grosso do Sul. Já em território brasileiro,  Saboia telefonou para Ferraço. “Ele me disse que não tinha como levar o senador  até Brasília”, relata o parlamentar capixaba. “Tentei falar com o presidente Renan Calheiros e com outras autoridades, sem sucesso. Então consegui um avião e fui buscá-lo e levá-lo para Brasília”.

Ferraço confirmou que Sabóia se vinha mostrando crescentemente preocupado com a situação de Pinto Molina: “Ele me disse que advertiu o Itamaraty, porque a situação logo ficaria inadministrável. Molina estava com depressão, sua saúde estava se deteriorando”. Inconformado com o teatro do absurdo, Saboia avisou que, se aparecesse alguma oportunidade, ele próprio trataria de resolver o impasse. “Não sei se o governo acreditou”, diz Ferraço.

Não acreditou, grita  a reação repulsiva dos condutores da política externa da cafajestagem. Também surpreendido com a viagem rumo à liberdade do senador que ousou enfrentá-lo, Evo Morales determinou ao Ministério das Relações Exteriores que rebaixasse Pinto Molina a “fugitivo da Justiça”. Se pudesse, o chanceler de Dilma Rousseff já teria deportado o perseguido.  Agora é tarde: por enquanto alojado na casa de Ferraço, Roger Pinto Molina é um asilado político que o governo está obrigado a proteger.

Os democratas venceram mais uma. E terminaram o fim de semana estimulados pela reafirmação de que um Eduardo Paes Saboia vale mais que milhares de antonios patriotas.

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  1. Comentado por:

    Malu

    Eu estava precisando ver boas atitudes, precisava ver gente corajosa, precisava de algo que me fizesse esquecer das tramóias de alguns brasileiros. Era a falta de heróis na nossa vida, até que um alento, um sopro de heroísmo nos fez conhecer Eduardo Sabóia, um homem, um herói com H maiúsculo.

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  2. Comentado por:

    Aluzair Junior

    Prevaleceu o patriotismo e o senso de justiça… Não do Patriota, mas do cidadão brasileiro EDUARDO SABOIA!!! Parabéns Excelência!!! O senhor honrou a todos os funcionários públicos que exercem os seus cargos com Probidade e Lealdade aos princípios da nossa Democracia.

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  3. VAGNER F BARBOSA

    É emocionante ver a coragem desses brasileiros que enfrentaram a “ditadura burra do messias farsante” com honra republicana e fé inabalável. Um grande salve às Veninas, Valentinas, Francenildos, Saboias, A. Nunes, R. Azevedos, Felipe Brasilis e os milhôes de filhos desta terra que amam e sofrem ao vê-la vilipendiada por uma quadrilha de fanáticos religiosos!

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  4. Jorge Luís dos Santos

    Disseste tudo, Augusto: ANTONIO PATRIOTA É UM SUJEITO QUE VIVE DE JOELHOS! Pobre funcionário público! A honra é para muito poucos. A desonra,…

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  5. Essa gangue sul-americana há de cair, um após o outro. A justiça está perto de pegar Lula; Dilma vai cuidar do corpo e da mente até o fim e pagará por seus atos ocultos; Maduro está por um fio; Evo andou se tratando em Cuba, está percebendo que é frágil. Quem sabe brasileiros do naipe dos condecorados voltem a surgir e nos honrar daqui para frente.

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  6. Boa noite. Nessa ação do diplomata Eduardo Saboia eu senti um orgulho e uma sensação de um ato heroico, de coragem e justiça. Estávamos, e, estamos carentes de pessoas com atitudes honrosas. Parabéns Eduardo Saboia e todos que ajudaram nessa valorosa ação. Um abraço.

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  7. Alberto G Filho

    Daria tudo pra ver a cara do cocaleiro vagabundo quando soube da fuga. Lhama de franja eu já vi! Lhama de franja com ataque de raiva, NUNCA! Hahahaha

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  8. jose jorge rodrigues lopes

    Antônio Rousseff da Silva Patriota. Filho da mãe dele.

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  9. antonio carlos Ferreira

    Era uma época de democracia bolivariana. E o Brasil dela fazia parte até um ano atrás com Dilma no poder. Justa homenagem a um verdadeiro, corajoso e importante diplomata. De vez em quando aparecem um heróis que não podem ser esquecidos , especialmente nesta horda de malefícios, que país sofreu, praticados por estes minúsculos e mafiosos governantes que agora se afastam do Poder.

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  10. renato carvalho

    Porque herói e não apenas um homem íntegro? A falta de homens e mulheres com H e M maiúsculos é tanta e tão devastadora que o simples cumprimento da obrigação cria esse clima. PS-O que falta ainda pro Lula ser preso?

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