Blogs e Colunistas

28/05/2010

às 20:50 \ Feira Livre

Um poema de Elizabeth Bishop

Uma Arte

A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
Mesmo perder você ( a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.

(Elizabeth Bishop; tradução de Paulo Henriques Brito)

A norte-americana Elizabeth Bishop nasceu em Massachusetts, em 8 de fevereiro de 1911, e morreu 68 anos depois, em Boston. Em 1952, depois de uma viagem pela costa brasileira, Elizabeth encantou-se pelas montanhas de Petrópolis e lá permaneceu por longos quinze anos. Durante esse período, escreveu numerosos registros e poemas, como o transcrito acima.

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

14 Comentários

  1. Luiza santos

    -

    23/02/2012 às 15:40

    Me emocionei, esse poema foi lido por pedro bial na eliminação de Laísa no BBB 2012 me emocionei quando ele lia essas belas e tocantes palavras…

  2. laryssa

    -

    22/02/2012 às 14:51

    AMEI SEUS POEMAS ,ELES SAO LINDOS NUNCA PENSSEI QUE IRIA MIM EMOCIONAR TANTO.

  3. Valentina de Botas

    -

    29/12/2011 às 6:44

    Olá!
    Grande Elizabeth Bishop, tão saudosa! A arte de perder não é nenhum mistério… o mistério é fazer da perda uma arte. Um beijo, Valentina.

  4. ademir

    -

    28/09/2010 às 23:04

    A beleza deste poema é a declaração de vida vivida e não idealizada, acontecida e descontrolada, onde a perda virou ganho e o que se desejou um dia ganhar se tornou inespressivo diante da aceitação da impossibilidade da retenção. Viva Elizabeth.

  5. AndréT

    -

    01/06/2010 às 0:31

    Primeiro li de manhã.
    Salve!
    À noite, duas doses acima, fiquei atordoado.

  6. f tavares - 45 !

    -

    29/05/2010 às 21:38

    esse poema, especificamente, é triste, parece dedicado ao amor mas expressa a depressão de uma relação instável… aliás, a poetisa bishop era chegada, tinha uma sensibilidade especial, viveu na década de cinquenta uma grande paixão com uma dama aqui do rio, com nome de avenida, que acumulou frustrações até à separação… mas tinha comigo algumas afinidades: gostamos da natureza, de petrópolis, de poesia e…de mulheres!

  7. Julia

    -

    29/05/2010 às 17:56

    Aprender é sempre a melhor lição. Essa poesia emociona e nos reconhece como provisórios e mutantes. O homem é a melhor experiência de Deus e agradeço por me lembrar disso, Branca e Elizabeth Bishop. Obrigada!

  8. Natalina Jardim-BH

    -

    29/05/2010 às 16:45

    Elizabeth Bishop, quando em nosso Estado, traduziu “Minha Vida de

    Menina” de Helena Morley, tão impressionada ficou com a originalidade do livro.

  9. Natalina Jardim-BH

    -

    29/05/2010 às 16:42

    Elizabeth Bishop, quando em nosso Estado, traduziu “Minha Vida de

    Menina” de Helena Morley, tão impressionada ficou com a originalidade dol livro.

  10. eidia

    -

    29/05/2010 às 10:17

    Há muitos anos li a biografia desta inglesa que se apaixonou pelo Brasil e por uma brasileira. E me apaixonei por ela e por sua poesia.
    eidia
    http://www.oquevivipelomundo.blogspot.com

  11. Vera

    -

    29/05/2010 às 0:17

    Em minhas orações sempre agradeço à Deus pelas lições aprendidas e por aquelas que dolorosamente vou ter que aprender. Assim é a vida. Belo poema.

  12. Dulce Toledo/BH

    -

    28/05/2010 às 23:18

    Perder e ganhar fazem parte da vida. Na perda sempre se ganha muito mais – não há o que lamentar, há o que aprender.
    Elizabeth Bishop tem belíssimos textos e poemas. Vale a pena a sua leitura.
    Bela recomendação, Branca. Você é dez, menina!
    Um abraço
    Dulce

  13. maria-maria

    -

    28/05/2010 às 21:11

    Sábia Elizabeth: às vezes damos tanta importância às perdas, que elas obscurecem o valor dos ganhos. Afinal, perder é condição intrínseca ao jogo da vida; não há o que lamentar.

  14. Nei Duclós

    -

    28/05/2010 às 21:08

    A poesia é sempre a melhor notícia. Obrigado pelo poema. Que venha mais, pois todo o resto passa.


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados