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19/04/2012

às 15:03 \ Feira Livre

‘Régua e compasso’, por Dora Kramer

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA

 

DELCIDIO AMARAL 142

senador Delcídio Amaral, do PT: "misturá-las só serve para enervar o Supremo" (Foto: Sergio Lima / Folha Imagem)

DORA KRAMER

Se estiver dando para entender direito o que o PMDB anda dizendo sobre a CPI da vez, o partido tem um plano. Posa de bom conselheiro, na certeza de que o PT se enrola todo e acaba deixando o governo em maus lençóis.

Instalada a confusão, usa de sua influência e experiência para salvar a situação abatendo logo dois coelhos: enfraquece o parceiro que identifica como um bom amigo da onça e recupera prestígio no Palácio do Planalto.

Entraria em cena assim como uma espécie de guia genial dos povos.

Na teoria, como sempre, tudo corre bem. O problema dos planos muito bem elaborados é a desobediência da realidade e a insubordinação das consequências.

Em 2005 a oposição projetou o sangramento político do então presidente Luiz Inácio da Silva considerando desnecessário confrontar sua investidura no cargo com a confissão do publicitário Duda Mendonça sobre uso da caixa dois na campanha presidencial.

Em 2010 a mesma oposição planejou com capricho uma vitória e com o mesmo afinco ajudou Lula a construir uma derrota.

Há inúmeros exemplos da distância existente entre a projeção e a execução de empreendimentos.

Até engenheiros considerados muito competentes cometem erros de cálculo. Note-se o ex-presidente Lula agora no papel diverso do acima citado.

Por enquanto seus planos para Fernando Haddad como candidato a prefeito de São Paulo não têm saído conforme o roteiro original, embora essa ainda seja uma obra em aberto e pode haver modificações.

O que não se alteram são os relatos sobre a oposição da presidente Dilma Rousseff à ideia de Lula de incentivar a comissão de inquérito com o propósito de dar o troco em adversários e anuviar o ambiente de julgamento do mensalão.

O senador Delcídio Amaral, do PT, acha o gesto equivocado: “São coisas diferentes, tratadas em foros distintos e, além do mais, misturá-las só serve para enervar o Supremo e complicar em vez de facilitar a situação”.

É a tal história dos planos: assim como ninguém garante que o PMDB possa controlar a situação e ficar de fora do que venha por aí, tampouco é possível assegurar que se houver seriedade nas investigações originadas nas relações do senador Demóstenes Torres com Carlos Augusto Ramos, não se tenham escarafunchadas as relações entre governos (federal inclusive) e empreiteiras.

Com repercussão direta e imprevisível sobre o PAC e demais obras públicas. Não é à toa nem por acaso que há anos se tenta sem sucesso e se evita com grande êxito sentar essas senhoras nos bancos de uma CPI.

 

Cerca Lourenço

De todas as cenas impróprias que a política produz dia sim outro também, entre as recentes a pior é a do deputado João Paulo Cunha, dublê de réu do mensalão e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em périplo aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Deputado João Paulo Cunha

Deputado João Paulo Cunha protagoniza cena imprópria da vez (Foto: Fernando Pilatos / Futurapress)

Por ora pediu audiências a cinco ministros e foi atendido por um, justamente José Antônio Dias Toffoli, assessor jurídico da Casa Civil à época do escândalo e depois advogado-geral da União.

A alegação de que teria ido entregar relatório sobre alterações no Código Penal não faz sentido, pois Cunha além de não ser o relator (era o deputado Sérgio Barradas Carneiro) não tinha delegação para tal.

A motivação óbvia é “sentir o clima” entre os ministros. Uma inconveniência, de parte a parte.

 

Bendita

Ao contrário do que diz o (a partir de hoje ex-presidente do Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso, Eliana Calmon deixará sim um legado importante como corregedora do Conselho Nacional de Justiça.

Ela pode não ter, como disse o ministro, “apresentado resultados concretos” sobre várias denúncias envolvendo magistrados. Até porque não é senhora do tempo da conclusão dos processos.

Mas contribuiu com atitude, pondo vários pontos em muitos “is”. O que não é pouco no ainda obscuro ambiente da Justiça.

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11 Comentários

  1. marco antonio do pra

    -

    20/04/2012 às 12:41

    Caros jornalistas Augusto Nunes e Dora Kramer: Meus parabens a ambos, o primeiro pela divulgação e a segunda pelo texto apresentado. Ainda bem que nosso país uma boa e influente parte imprensa que ambos fazem parte, não se deixou levar pelo “cantar” do sapo barbudo e asseclas.

  2. fpenin

    -

    20/04/2012 às 8:52

    Dora diz, e todos sabemos,que o cerca- lourenço de João Paulo Cunha é um ato impróprio que se desenrola numa cena também imprópria.Uma dúvida: não existe cadeia hierárquica no STF?É permitido esse notório tráfico de influências nas barbas dos outros membros do STF? O sr. Toffoli não tem a quem responder ou é preciso a imprensa fazer as vezes das instâncias de controle do STF? O meu receio, injustificado, é que de repente a imprensa canse de denunciar os malfeitos (sic).Aliás, este é o sonho de 11 em cada 10 corruptos.Bola na caçapa, Dora!

  3. fpenin

    -

    20/04/2012 às 8:39

    O brasileiro assiste, COMPULSORIAMENTE, a muitos filmes.Todo dia, todo santo dia, a minha capacidade de indignação é testada à exaustão,quando iterativamente tenho de assistir “Um estranho no ninho”, ambientado no STF e estrelado por este senhor de notável saber jurídico chamado José Toffoli.Quanto à ministra Eliana Calmon, faço votos para que ela continue a ser aquela pedrinha dentro do sapato dos políticos.Como incomoda…, mas faz um grande bem ao país. Dá-lhe, Dora!

  4. Oliver

    -

    20/04/2012 às 0:31

    AUGUSTO
    Cheguei nesta parte de seu nobre espaço lendo ao mesmo tempo a sempre bem construída argumentação de Dora Kramer e aquele Vladimir Safado tentando dourar seu ajuntamento de bandidos. Enquanto um é um completo emaranhado de enganações cheirando a bolor socialista, a régua e compasso de Kramer cairiam como uma benção para lascar o couro de um meliante daquela envergadura. Eu só faria uma observação que me valeu de você a expressão “oposição puro-sangue”, quando Dora afirma que “em 2005, a oposição projetou o sangramento” do grande vigarista, e “em 2010 planejou com capricho uma vitória”. Não vi nenhuma das duas coisas, exceto pela visão da cúpula. Já afirmei aqui mil vezes que acho FHC e Serra dois verdadeiros dinossauros da probidade, cercados de meliantes por todos os lados, incluindo aqui o falador das Alterosas e o exterminador de sacolinhas. Na média, foi oportunismo. Duvido que o grande filho da luta de Garanhuns tenha sujado as próprias mãozinhas cheias de dedos arrancando da parede o crucifixo do palácio. Ele tem um séquito de meliantes para fazer o servicinho sujo por ele. Do mesmo modo que já ouvimos o próprio FHC em gravações divulgadas quando ainda era presidente, afirmando em particular o que defendia em público; os interesses do país acima dos interesses do partido. Jamais duvidei de sua probidade e boas intenções. Mas o inferno mora ao lado e gosta de mensalões. Seu grande erro foi a indolência. Achar que todos eram bandidos polidos, da mesma casta. Não eram. A pose pra foto ainda indica que o pai do real ainda não se livrou da paternidade do imaginário também. O que ele pariu por omissão acabou com seu legado por ação. E nem isto é argumento para que ele assuma o papel que dele espera seu eleitorado; nada de complacência com a quadrilha, em nome da civilidade. Demóstenes caiu por um fogão. Ele quer cair pelo quê ? Por uma foto no lugar errado ? Por se imiscuir ? Se mimetizar ? A política morreu e não sabe, nobre Augusto. O fogão do Demóstenes está aí para nos provar isto. São todos da mesma farinha, uns por ação, outros por omissão. Afeiçoaram-se ao poder. Acham que podem manter o clubinho de senhores torpes com mortadela pública e impostos estratosféricos. Vão pensando. Um dia o arrastão vai chegar. A “conspiração antitabagista do Olavão”. O Greenshit, com seus navios adernados. Os xixis no banho, revoltados com as condições do ralo. Os índios Conxavantes. A turba toda. Até lá, a política que não quis se apequenar pela eficiência vai se apequenar pela covardia mesmo. Que vai sair muito menor do que é hoje, disso eu não tenho a menor dúvida.

  5. TONINHO MINEIRO

    -

    19/04/2012 às 23:19

    Ele e o PT conseguem colocar o pior do péssimo junto na mesma latrina!!!!

  6. FM

    -

    19/04/2012 às 21:18

    Para quem mentiu descaradamente como João Paulo Cunha em 2005, a visita inconveniente facilitada por um ministro do Supremo é o que se espera dessa gente.

  7. dpiresmont

    -

    19/04/2012 às 19:15

    Ante os fatos e a blindagem de grande parcela da imprensa à real banda podre, bate o desânimo, a descrença. Daí vem uma Dora Kramer e dá um puxão pra cima. Mostra, estamos aqui, fiiirmes, e vamos continuar na luta.
    Obrigada Augusto, obrigada Dora.

  8. dilucio

    -

    19/04/2012 às 18:58

    Dora, parabéns!!!! Na mosca!!!

  9. Elizabeth the best queen in town

    -

    19/04/2012 às 18:18

    Como sempre ora irretocável. Só espero que a obra em aberto fique bem esquecida entre tantos outros quadros nos porões do pt. Haddad pode muito bem se candidatar a prefeito em Bagdad. Tem mais chances.

  10. Aldo Matias Pereira

    -

    19/04/2012 às 17:57

    Augusto,
    A posição do pmdb é bastante cômoda nesse momento. Ele sabe muito sobre tudo que está por acontecer. Afinal ele é, praticamente, dono de Goiás há muito tempo. E como andam dizendo por aí, “ninguém consegue alguma coisa em Goiás se não for sócio de cachoeira”. Dai que … no momento certo o pmdb entrará em cena com seu tradicional jogo da chantagem e do achaque. A oposição que se cuide. E o pt que se prepare!!! Vem m … por aí! Vem chumbo grosso por aí!

  11. M@theus

    -

    19/04/2012 às 16:14

    Um querendo puxar o tapete do outro?
    Tomara.

 

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