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11/11/2011

às 13:02 \ Feira Livre

‘Não tem nada de mais – a série’, por Carlos Alberto Sardenberg (2ª parte)

Carlos Alberto Sardenberg

DURA LEX, SED LEX

Semana passada, na CBN, ouvintes com assuntos a resolver na Justiça Federal reclamaram e perguntaram por que seus funcionários haviam emendado a segunda, 31 de outubro, e a terça, com o feriado de 2 de novembro, quarta.

Emendaram logo dois dias úteis?

Não tem nada de mais, explicaram funcionários e juízes em diversos emails. Assim: a folga no 31 de outubro foi por conta do dia do funcionário público, que caíra na semana anterior e foi transferido o dia 1º. de novembro é feriado na Justiça Federal e o dia 2 é feriado nacional.

Vá lá, mas de onde tiraram que 1º. de novembro é feriado? – muitos comentaram. Novos emails de funcionários e juízes quase chamaram todos de ignorantes.

Está no sagrado ordenamento jurídico deste país, não sabiam? Está mesmo, caro leitor. Trata-se da Lei 5.010, de 30 de maio de 1966, que diz em seu artigo 62: Além dos fixados em lei, serão feriados na Justiça Federal, inclusive nos Tribunais Superiores: I – os dias compreendidos entre 20 de dezembro e 6 de janeiro, inclusive II – os dias da Semana Santa, compreendidos entre a quarta-feira e o Domingo de Páscoa III – os dias de segunda e terça-feira de Carnaval IV – os dias 11 de agosto e 1° e 2 de novembro.

São 21 dias a mais, “por expressa previsão legal” – como nos escreveu, assim mesmo, uma funcionária de Brasília.

O leitor ingênuo perguntaria: mas o fato de estar na lei torna a coisa justa ou razoável? Ou ainda: quando reclamam reajuste salarial e a contratação de mais juízes e funcionários, todos estes falam da enorme quantidade de processos a despachar. Se trabalhassem uns 20 dias – um mês útil inteiro – já ajudaria, não é mesmo?

Mas aqui vale a letra da lei. Como descobriram os romanos, a “lei é dura, mas é a lei”.

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4 Comentários

  1. Fabricio

    -

    12/11/2011 às 15:51

    É uma pena que a Lei, no Brasil, só sirva a esses propósitos, favoráveis aos sanguessugas da Nação: ganham muito (mas acham que não) e fazem (muito) pouco, a não ser em prol dos poderosos. Coitado do cidadão comum que precisa da Justiça no Brasil! Mas a culpa é nossa mesma. Somos tratados como otários diariamente, e achamos normal. Aguenta agora Brasil!!

  2. catson aruak

    -

    12/11/2011 às 9:51

    E seguimos em frente, reconhecendo mais uma do pior problema brasileiro: a falta do judiciário.

  3. esther correa

    -

    11/11/2011 às 17:40

    Augusto
    A lei é dura mas é a lei sempre para os mesmos que dela se privilegiam.

  4. maria-maria

    -

    11/11/2011 às 13:38

    Os crápulas que legislam em causa própria sabem cumprir as “leis” que os beneficiam; quanto à observância da CF, permanentemente ignorada pela presidemência, as excrescências, como aquele deputadozinho mafioso, estão pouco se lixando.
    Parece que os egressos do esgoto, tornados “gente” em função dos cargos que ocupam, sentem-se acima das leis e do povo, que lhes mantém as benesses indevidas.

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