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04/12/2011

às 13:32 \ Feira Livre

Muito prazer, eu sou a MPB

Foto: Jardiel Carvalho

Branca Nunes

Teve microfonia, improviso e até um lapso de memória da cantora Vanuza. Mas tudo isso só contribuiu para ampliar a singularidade do ‘Troféu Sexo MPB 2011′, terceira edição do evento organizado pelo pesquisador musical Rodrigo Faour. Num ambiente para lá de animado, subiram ao palco do Tom Jazz, nesta terça-feira, em São Paulo, lendas da Música Popular Brasileira, algumas injustamente esquecidas há anos pelos holofotes.

Ouvir Inezita Barroso, por exemplo, é sempre bom. Ouvir Ângela Maria é ótimo. Ouvir Cauby Peixoto é uma delícia. Ouvi-los juntos é um privilégio raro. Faour conseguiu isso com um sabor a mais: a trilha sonora era Ronda, de Paulo Vanzolini – até os garçons do Tom Jazz interromperam o serviço para aplaudir. A trinca já vale muitas noites, mas havia mais. Como os sussurros de Claudete Soares numa música de Mundo Livre S/A, os agudos de Tetê Espíndola cantando Gata Vadia, ou Gaby Amaranto, a Beyoncé do tecnobrega de Belém do Pará, ao lado da Lady Gaga do Brasil inteiro, Maria Alcina.

“É uma homenagem pelo conjunto da obra desses artistas”, diz Faour. “Ao mesmo tempo em que o fake faz sucesso hoje em dia, cantores que ajudaram a transformar a música brasileira são dados como mortos em vida. Esse prêmio é o meu presente para o público”.

A busca por autenticidade foi o norte da edição deste ano: Por uma MPB com mais tesão. Segundo Faour (que é, ao mesmo tempo, o único jurado e o patrocinador exclusivo do próprio prêmio), quem deixa a MPB mais sexy é Vanuza (troféu Musa Loira Bombshell), Tetê Espíndola (Gata Sexy), Claudete Soares (Bossa Sexy), Cauby (Hors Concours), Flávio Renegado (Black is Beautuful), Maria Alcina (Tropicalista Abusada), entre outros. Apesar da inegável qualidade musical, quase nenhum deles toca nas emissoras de rádio.

“Meu objetivo é acabar com as fronteiras: isso é chique, isso é brega”, afirma Faour. “Os artistas costumavam experimentar muito mais. A música brasileira era menos careta. Essa sempre foi a arte que melhor nos representou. A história do Brasil pode ser contada pela letra, pelo ritmo e pela postura dos artistas da MPB”.

Pesquisador musical há mais de uma década, Faour é autor de biografias de Cauby Peixoto e Claudete Soares e do livro História Sexual da MPB, que deu origem a um programa de rádio, na MPB FM carioca, e um de televisão, no Canal Brasil. Nesta quinta-feira, lançou O Brasil de Inezita Barroso, caixa com os CDs da cantora, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, em São Paulo.

Com a intenção de “dar a César o que é de César”, como resume Faour, ele faz o possível e o impossível para resgatar personagens históricos da música brasileira. Perla será a próxima. “Eu me sinto insultado pela inexistência de um DVD da Perla”, brinca. Enquanto não grava um exclusivo, a cantora paraguaia pode ser vista no DVD Sexo MPB – O Show,que reúne os 21 premiados com o troféu do ano passado. Algumas pérolas: Ai que saudade da Amélia na voz de Ãngela Ro Ro, Sabiá Marrom, cantado por Alcione, e Fernando Abreu interpretando Rita Lee.

“Não aguento mais só Chico Buarque e Tom Jobim”, desabafa Faour. “Eles são ótimos, mas não são os únicos”. Quem assistiu ao show desta quarta-feira assina embaixo.

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16 Comentários

  1. Valéria

    -

    05/12/2011 às 20:55

    Inezita minha linda, que você viva muito ainda e que nestes anos por vir, sempre nos encante com sua voz,sua generosidade e com sua sabedoria musical. Não perco um só dia o viola minha viola. A música verdadeira agradece. Obrigado.

  2. WESAK

    -

    05/12/2011 às 20:17

    Que matéria maravilhosa.

  3. sylvio do amaral rocha filho

    -

    05/12/2011 às 20:11

    Branca: que sensibilidade em descrever uma noite única.Que venham muitas outras noites assim com outros tantos artigos que as reportem com tal categoria e elegância.
    sylvio

  4. WESAK

    -

    05/12/2011 às 20:07

    MORE CAUBY, pleeeeeaaasse !!!! Ele tem de cantar “Foi Deus” com a Selma REis !!!É de arrebentar !!!!!!!!

  5. WESAK

    -

    05/12/2011 às 20:04

    Cauby é o máximo !!!!!!

  6. Marcos Muanis

    -

    05/12/2011 às 19:33

    pobres são aqueles que negam a música brasileira.
    mais pobre ainda são os que criticam sem dó, sem razao e sem conhecimento.
    pior ainda são aqueles que falam mal para aparecer.
    nobre o texto da Branca Nunes que mostra sutilmente uma riquíssima MPB.

  7. Cida

    -

    05/12/2011 às 17:20

    Nossa, que trinca! Se fosse num país sério, isso seria televisionado. Adoro o Roberto, mas todo final de ano com ele cansa. A Globo poderia abrir espaço para shows como esse. Parabéns ao blgo por fazê-lo.

  8. John

    -

    05/12/2011 às 15:57

    Love Brazil and brasilian music!

  9. Francis

    -

    05/12/2011 às 15:55

    Que delicía. Da proxima vez avise antes, vontade enorme de participar de um show desses.
    Obrigado pela notícia.

  10. mx50

    -

    05/12/2011 às 0:36

    Cauby , Cauby !!

  11. FM

    -

    04/12/2011 às 23:11

    Apesar de sermos um povo sem memória, nossos grandes artista que fizeram as platéias vibrarem não merecem ser esquecidos. Seu artigo Branca, dá até idéia de ligar aquele velho rádio e ouví-los.Parabéns.

  12. NandoEsposito

    -

    04/12/2011 às 21:40

    Branca, parabéns pela matéria..sensacional..O Brasil é Vanusa, é Perla, é Inezita e é RoRõ (
    .
    Eu troco um Genival Lacerda (o maior artista do Brasil), por 1.000.000 de Caetanos (o pior artista do Brasil).

    O Brasil acabou quando se djavaneou em pétala e lilás ou se gilbertizou na forma de Regina Casé.

    Mas eu sempre continuei é de olho na boutique dela. Questão de bom gosto..sorry, periferia!

  13. Petista arrependido

    -

    04/12/2011 às 20:24

    Branca,
    Parabéns pelo bom gosto!!!

  14. marcello fonttes

    -

    04/12/2011 às 16:31

    O TEMPO era uma incógnita até que A. Einstein afirmou que era uma DIMENSÃO. Intrinsecamente indistinguível do ESPAÇO foi demonstrado que o Tempo-Espaço é um “tecido” dimensional. O Tempo não consome as pessoas, mas, torna os fatos, mesmos os importantes, passado e, o passado não trás novas emoções, e as velhas, já não mexem nos sentimentos de todos nós com as forças de incentivos à transformações. Todos nós somos importantes ao nosso Tempo, quase sempre, para os nossos familiares e outros amores… é impossível e por isso ilógico desejarmos “VIVER” cotidianamente as velhas emoções – que novos Tempos em crescente renovação de valores e talentos nos impõem – porque a necessidade cronológica nos obriga materialmente e espiritualmente a seguirmos em frente e assim o futuro inexoravelmente nos aguarda com novas oportunidades que o somatório dos nossos valores e virtudes nos oferece… O antigo é para ser apreciado muito mais por suas motivações e contribuições ao futuro do que ser lembrado com
    lamentos e saudosismos banais. O crescimento, o amadurecimento e as alegrias das próximas emoções, estão no futuro. Os artistas do “passado” devem ser
    lembrados com carinho, festejo e afeto. Mas é o futuro que fará a diferença na vida, mesmo nas emoções, mesmo nos amores, mesmo nas saudades…

  15. Tapioca Tundra.

    -

    04/12/2011 às 14:12

    Branca, que legal!
    Sem politica, somente um artigo tão simples que expressa um abraço enorme em artistas que foram tão
    importantes.
    Muiiito Bom, gostei e quero ver de novo.
    Voce sabe que temos tantas coisas BRASILEIRISSIMAS de alta qualidade e que merecem sempre uma memória.
    Isso nos faz bem.
    Obrigado.


 

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