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18/06/2010

às 17:23 \ Feira Livre

José Saramago: a partida do escultor das longas frases

“O escritor morreu acompanhado de sua família, despedindo-se de uma forma serena e plácida”, anunciou a Fundação José Saramago nesta sexta-feira. Prêmio Nobel de Literatura em 1998, Prêmio Camões em 1995, o português nascido em 16 de novembro de 1922 escreveu mais de 20 livros antes de completar 87 anos, em 2009. Um deles, “Ensaio sobre a cegueira”, levou a personalíssima obra de José Saramago às telas do cinema. Leia um trecho do livro que inspirou o cineasta brasileiro Fernando Meirelles.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

‘Temos que ver se há por aqui alguma pá ou alguma enxada, seja o que for que possa servir para cavar, disse o médico. Era manhã, tinham trazido com grande esforço o cadáver para a cerca interior, puseram-no no chão, entre o lixo e as folhas mortas das árvores. Agora era preciso enterrá-lo. Só a mulher do médico sabia o estado em que se encontrava o morto, a cara e o crânio rebentados pela descarga, três buracos de balas no pescoço e na região do esterno. Também sabia que em todo o edifício não havia nada com que se pudesse abrir uma cova. Percorrera toda a área que lhes tinha sido destinada e não encontrara mais que uma vara de ferro. Ajudaria, mas não era suficiente.

E vira, por trás das janelas fechadas do corredor que seguia ao longo da ala reservada aos suspeitos de contágio, mais baixas deste lado da cerca, rostos atemorizados, de pessoas à espera da sua hora, do momento inevitável em que teriam de dizer às outras Ceguei, ou quando, se tivessem tentado ocultar-lhes o sucedido, as denunciasse um gesto errado, um mover de cabeça à procura duma sombra, um tropeção injustificado em quem tem olhos.

Tudo isto também o sabia o médico, a frase que lançara fazia parte do disfarce combinado por ambos, a partir de agora a mulher já poderia dizer, E se pedíssemos aos soldados que nos atirassem cá para dentro uma pá, A ideia é boa, experimentemos, e todos estiveram de acordo, que sim, que era uma boa ideia, só a rapariga dos óculos escuros não pronunciou palavra sobre esta questão de enxada ou pá, todo o seu falar, por enquanto, eram lágrimas e lamentos, A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar. Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma forma bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratular-nos ou pedir perdão, aliás, há quem diga que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala, Será, mas este homem está morto e é preciso enterrá-lo’.

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37 Comentários

  1. Valentina de Botas

    -

    06/01/2012 às 2:12

    Oi, Augusto!
    Chatíssimo? Um porre? Pelamordedeus, Augusto, chato e um porre é aeróbica na praia – Saramago é intolerável! Quando jovenzinha e flertando com o esquerdismo (todos temos defeitos), imaginava haver certo charme no pessimismo de esquerda e tentava apreciar a literatura nele inspirado. Mas, antes dos meus 20 anos de idade, descobri que saber de certas coisas erradas e permanecer esquerdista é sinal de desvio de caráter. Dispersa a bruma ideológica, percebi que determinados autores deixam de ser atraentes e não se sustentam. Antes que isso pareça preconceito, adianto que adoro o comunista Graciliano Ramos. Magnífico, de linguagem enxuta, seca, cortante, riquíssima e complexa na sua correta simplicidade. Longas frases, prefiro as de Raduam Nassar. Saramago é de uma linguagem que se pretende transformadora, experimental, inédita e ‘difícil’ – difícil de aguentar. Ela resulta apenas na escrita cansativa de um misantropo que pretendia condenar a humanidade às luzes escuras do comunismo. Que o homem precisa da sociedade e da civilização para tornar-se gente, todos os sãos sabemos; Saramago acha que este papel civilizador é do comunismo, coloca-o no lugar de Deus, da religião e/ou da espiritualidade; enquanto o partido substituiria a sociedade. Ah, mas você tem que separar o homem do escritor. Uma ova! Foi ele quem começou ao não separar nada, ao juntar tudo. Aliás, a própria civilização para Saramago é completamente condenável porque ele abomina os pilares sobre os quais ela se erigiu. Enfim, não compartilho da metafísica de Saramago, do seu pessimismo que recende a colchão de criança grande que faz xixi na cama e não gosto de seus livros. Nenhum. Pronto, agora vou contar tudo: entre outros queridinhos, detestei também ‘Avatar”, não suporto a Paula Fernandes e acho o Bob Marley um chato. Aprecio muito o que é muito bom (risos)- esta Coluna, por exemplo. Um beijo, Valentina.

    Um beijo, Valentina.

  2. Celia

    -

    22/06/2010 às 19:24

    “Oi internautas, pra mim a morte do Saramago nao foi ruim nem mau”.

  3. Anouk

    -

    22/06/2010 às 14:08

    Caro Augusto,

    Como nao li o livro tampouco assisti ao filme, fica difícil saber os motivos da moca de ócluos escuros sentir-se culpada. Contudo, o arguemnto de que nossos atos independem de uma avaliacao moral para que a vida seja plena, é simplesmente primitivo e irresponsável. Por outro lado, Saramago acerta ao reconhecer que os resultados de nossas escolhas, boas e riuins, vao-se distribuindo de uma forma “equilibrada”, por todos os dias do futuro etc. Considera, no entanto, a hipótese de que isso é que é a imortalidade de que tanto se fala. Neste ponto ele mistura alhos com bugalhos e louva os maus atos. Que porcaria!

    Só vi o filme, cara Anouk. Chatíssimo. Um porre. abraços

  4. Kátia Bacana Bahia Oliveira - a Estrangeira

    -

    22/06/2010 às 13:24

    Amílcar Tavares disse:
    21/06/2010 às 20:50

    O queixo de Sr. Amilcar Tavares caiu e meu espanto cresceu. Onde existe lei que obrigue alguém a gostar, admirar ou elogiar quem quer que seja? Pelo menos aqui no Brasil ainda não vi nenhuma. Liberdade de expressão é direito de todos. Está na Constituição.

  5. Alfredo Bresson

    -

    21/06/2010 às 22:07

    Parece que aqui as pessoas escrevem para Veja apenas para parecerem mais inteligentes.. colocar Saramago, Garcia Marques, Jorge amado no mesmo nível de Hitler?

  6. Amílcar Tavares

    -

    21/06/2010 às 20:50

    Estou de queixo caído! Os comentários que acabo de ler aqui são um autêntico festival de imbecilidade!

    Com todo o respeito, tenho de registrar meu entusiasmo com a expressão “queixo caído”. Não conhecia. Essa vai pegar.

  7. Sérgio

    -

    21/06/2010 às 20:21

    Se o mundo está mais burro, parte da culpa é do Sr. Saramago, com sua irresponsabilidade, incoerência e relativismo moral.

  8. Marchiori

    -

    21/06/2010 às 19:16

    a prova que o mundo está mais burro.

  9. santeófilo

    -

    21/06/2010 às 15:56

    Nunca me aventurei a ler nada do escritor Saramago. Nem mesmo sua morte me comoveu a ponto de passar a vista no texto transcrito no blog. E sabem por quê? Simples: não consigo separar a criação do seu criador. O homem era um comunista e para mim todo comunista é um facínora, um genocida. Talvez esse seja um dos motivos pelo qual nunca parei para tentar entender ou apreciar as pinturas de Hitler, ou mesmo as obras arquitetônicas de Oscar Niemayer e os livros de Jorge Amado, Garcia marques, etc, etc.

  10. Marcelo F

    -

    21/06/2010 às 15:54

    Augusto,
    tentei ler várias vezes um livro do Sal Amargo. Nunca consegui. Prosa chata, uma pontuação inexistente, parágrafos omitidos. Uma página de Sal Amargo desce pior que um uísque paraguaio ao meio-dia.
    Quanto à ideologia da fera, era apenas cretinice, coisa para agradar a galera. Como, então, um comunista migra de Portugal para a Espanha apenas para pagar menos impostos? Que comunismo é esse?
    Pelo fato de o Sal Amargo só ter criticado a ditadura cubana em 2005, acho que ele deveria concorrer ao Homem Sem Visão do Século (passado?). Isso explica ter cometido o ensaio sobre a cegueira…
    Em tempo: já li autores comunistíssimos como Gabriel Garcia Marquez, e gostei (dos livros). Não sou preconceituoso.
    Até vejo um lado útil da obra deste senhor: uma página de Sal Amargo desperta um desejo enorme de ler toda a coleção do Eça.
    Sds.,
    de Marcelo.

  11. Leonardo XLV

    -

    21/06/2010 às 11:44

    Em que pese meu profundo respeito por certos comentaristas deste blog, apreciadores da obra literária deixada pelo “de cujus”, confesso que só li de sua autoria o trecho aqui transcrito. E não gostei. Se me permitem a comparação que faço apenas para ilustrar meu ponto de vista, Francisco Goya foi um grande pintor de telas embora repugnantes, porque assim encontrou uma forma de expressar seu desprezo pela cupidez, imbecilidade e arrogância preponderantes no ambiente obscurantista da Inquisição espanhora. Condenou toda violência e ridicularizou toda vaidade com sua genial arte nos quadros que nos dizem de sua verve de orador das tintas e pincéis. Saramago, ao contrário, com seu estilo insípido, parece-me fazer uma catarse dos ressentimentos recalcados em uma mente torturada pela consciência da desesperança inerente à concepção do ser humano como gerado pelo acaso e que vai se apagar sem saber para que fim aqui esteve fortuitamente. Seu apego recalcitrante a uma ideologia que só contribuiu para deixar a realidade ainda mais conflagrada e desumana – e por isso mesmo não sobreviveu sequer a um século desde que logrou tornar-se a doutrina oficial de um país – é o suficiente para desqualificá-lo como um grande escritor, independentemente da qualidade de sua pena e de sua erudição. Eu não posso admirir um artista que leve ao seu semelhante o desespero, e somente o desespero que deveria guardar para si mesmo. Mas admiro todo aquele que leve a esperança da Verdade, do Caminho e da Vida. A Verdade que sempre acaba por desnudar a mentira; o Caminho que leva à revelação do mistério da existência e a Vida que triunfa sobre a morte. “O mal é sempre banal; só o bem consegue ser radical”. (Hannah Arendt)

  12. Sérgio

    -

    21/06/2010 às 11:14

    Quer se goste ou não dos livros do finado senhor, é o cúmulo dizer que ele foi uma pessoa íntegra. Um sujeito que até o fim da vida se recusa a enxergar os crimes de Stálin, ao mesmo tempo que fica posando de moralista com “ensaios sobre a cegueira”, e que mal disfarça seu antisemitismo, além de lamber as botas de um canalha como o Arafat, não pode ser levado a sério como humanista, nem muito menos como íntegro,

    Está mais para um tremendo hipócrita, ignorante e o pior tipo de cego: o que não quer ver.

  13. Charles A.

    -

    21/06/2010 às 3:41

    Parece que todo mundo que sabe ler tem,obrigatoriamente,que gostar desse sujeito. Li poucas e não lerei mais nenhuma das palavras que esse pregador do ateísmo vingativo(não é simplesmente ateu, é contra Deus, o que é muito diferente) ,comunista chique, de araque,rico e arrogante,escreveu, e não escreverá mais…Que Deus o tenha…

  14. Antônia de Paula

    -

    20/06/2010 às 19:31

    Achava o escritor José Saramago um chato, mas sua morte nos priva de um ser humano íntegro e coerente. Coisa rara e imprescindível nesses tempos de canalhices de todo tipo. Seus escritos me enfastiavam, mas sua figura compenetrada e segura, sossegava minha alma.
    Estou de luto.

  15. Comunista

    -

    20/06/2010 às 2:15

    O comunista José Saramago é/foi uma das maiores porcarias da lingua portuguesa. Esqueçam esse sujeito.

  16. jandra

    -

    19/06/2010 às 17:40

    Jose Saramago e´´e o meu melhor escritor, mesmo depos de morto eu nunca vou dizer foi mais sim é e vai ser sempre.

  17. abl3

    -

    19/06/2010 às 14:43

    Alô, alô, Celso Arnaldo.
    É pule de 10!
    Semana que vem, na Folha, Madre Superiora, tal qual uma ordinária e bem-remunerada carpideira, vai lamentar o passamento de Saramago – amigo, correspondente, etc.
    Quem sabe assim o honorável autor do “Brejal” e tantas outras jóias literárias não venha a se tornar o segundo Nobel da língua portuguesa?

  18. Anônimo

    -

    19/06/2010 às 14:37

    O mundo ganha quando perde um comunista.
    A literatura talvez perca, mas isso num universo povoado por escritores de todos os naipes não chega a fazer grande diferença. Também aos 87 anos o que haveria de criatividade, além da engorda regular da conta bancária?
    A viúva com a palavra.
    Saí esse português e entram centenas, milhares de outros “operários da palavra”, com talento variável – menor, igual ou maior.
    O importante é que hoje existe menos uma voz a proteger a escória cubana dos castro.
    Quando esses lixos também se forem, o mundo ficará ainda melhor.

  19. Anita

    -

    19/06/2010 às 12:08

    Saramago era obcecado pela cegueira, tanto que a retomou no livro “Ensaio sobre a Lucidez”. Suas obras são excênticas e inúteis, de leitura extremamente cansativa. Enfim, um escritor insípido.

  20. roby

    -

    19/06/2010 às 11:00

    Minha “homenagem” ao laureado português é da lavra de outro português de estirpe muito mais nobre, Antero de Quental:
    “Levanto-me quando os cabelos brancos de V. Exa. passam diante de mim. Mas o travesso cérebro que está debaixo e as garridas e pequeninas cousas que saem dele, confesso não merecerem, nem admiração, nem respeito, nem ainda estima. A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V. Exa. precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta anos de reflexão.”
    Quanto ao Nobel, Yasser Arafat também ganhou. E daí?

  21. Ricardo

    -

    19/06/2010 às 10:58

    O mundo fica mais pobre intelectualmente com certeza

  22. Joana

    -

    19/06/2010 às 9:27

    Independentemente das idealogias que José Saramago partilhava vivamente com o público em geral, principalmente com os regimes actuais em vigência, nomeadamente o partido político e as crenças religiosas dos países, é totalmente inegável que este homem fora, e, no meu crer, continuará sempre a ser, porque ele não só foi como permanecerá na memória, indicando que ainda o é, um dos maiores homens, uma das maiores figuras do nosso período histórico, não só no âmbito restrito do país em que nos situamos, como também um marco evidente na literatura internacional. Isto, conjugado com a sua personalidade irrecusavelmente distinta, dinâmica, espontânea e desafiadora, remete-nos para uma coragem que eu declaro como extrema. Se reflectirmos sobre o assunto, imaginem só as ideias que milhares e milhares de pessoas, cidadãos assíduos, retêm na sua cabeça, mas nunca expulsando para o exterior, ora com receio da recepção externa, das represálias, ora sem coragem para reinvindicar e reclamar. Este facto, por si só, já nos diz que, quaisquer que sejam as ideias de Saramago, boas ou más, concorde-se ou não, o que há hoje para fazer é homenagear grandiosamente o seu carácter visionário e vanguardista que carregou às costas a língua portuguesa, espalhando-a vigorosamente pelo mundo fora. E não me infiram com argumentos de que o dinheiro que ele ganhara era a justificação para isso, pois não era, e acredito que, como a maior parte dos BONS escritores, escrever não é tarefa com objectivos monetários, escrever é um capricho que vai aumentando, com a sede que cada um tem de saber até onde consegue chegar com as palavras.

    Cumprimentos a todos.

  23. Reynaldo-BH

    -

    18/06/2010 às 22:52

    Somente mais um comentário.

    “Igreja Católica em Portugal lamenta morte de Saramago, ateu e crítico
    Conferência exalta escritor e diz que obra leva ao debate da Bíblia.
    ‘Ele é, talvez, mais bíblico dos grandes autores contemporâneos’, diz padre.
    A Igreja Católica em Portugal lamentou nesta sexta-feira (18) a morte de José Saramago. O diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura da Conferência Episcopal Portuguesa, Padre José Tolentino, e o porta-voz da conferência, Padre Manuel Morujão, disseram que o país perde um “expoente” e que a igreja perde um crítico com o qual soube dialogar constantemente. “Seja como for, o diálogo nunca foi cortado e sempre foi possível”, disse padre Manuel Morujão.
    Padre Manuel Morujão acredita em um desfecho piedoso para a relação de Saramago com a religiosidade. “Penso que Deus, ao encontrá-lo na eternidade, terá havido alguma surpresa: ‘como o senhor tem a coragem de me dar um abraço se o critiquei tanto?’”, imagina o padre, referindo-se a quais seriam as palavras de Saramago. No suposto diálogo, na visão do padre, Deus responderá: “você criticou outro, não o Deus do amor e da misericórdia.”

    ASSIM SEJA!

  24. Reynaldo-BH

    -

    18/06/2010 às 22:45

    Ao Francisco de Taubaté:
    18/06/2010 às 20:57

    Amigo Francisco, fará falta a mim. que não sou comunista e nem elogio Fidel. (Só como comentário, Saramago era crítico de Fidel e do egime cubano. Com textos intensos e diretos!).

    Sei que também fará falta à Dulce, nossa poetisa mineira de imensa sensibilidade.

    Fará falta à humanidade, que precisa de poetas e homens dignos, mais do que radicais e cultuadores de pensamentos únicos, sejam eles quais forem!

    Fará falta a nossa língua portuguesa, tão carente de esgrimistas de palavras e construtores de idéias e emoções!

    Fará falta a Portugal, que perdeu um escritos, poeta e crítico sem par nestes anos.

    Fará falta à Igreja, pois ter um adversário ateu de valor (e não um opositor venal, vendido a falsas crenças calcadas em um Cristo artificial!) é mais dignificante que ter carolas de ocasião! (leia a nota da Igreja de Portugal em pesar pela morte do escritor: uma homenagem mais que a Saramago, mas à pluralidade de pensar e crer! A Igreja de Pedro, neste caso de Santo Antônio de Lisboa, cresceu na verdadeira acepção da palavra CRISTANDADE!) .

    Fará falta a mim, repito. Pois mesmo não concordando com o que ele pensava, respeitava o pensar honesto e humanamente coerente!

    E sei que se fosse adversário de Saramago (quem sou eu, eu minha modesta existência?) teria dele o mesmo sentimento que hoje sinto: de perda!

    “Não pergunte por quem os sinos dobram! Eles dobram por ti!’ (John Donne).

    E eu acrescento: Eles dobram por todos os seres humanos que souberam viver a vida de modo íntegro! Mesmo que discordando de mim e de minhas crenças!

    Abraços, amigo!

  25. Dulce Toledo/BH

    -

    18/06/2010 às 22:27

    Francisco de Taubaté disse:
    18/06/2010 às 20:57

    Francisco de Taubaté,
    eu só reconheço aqui a grandeza do escritor. Não discuto as ideologias que ele defendia – aliás não as defendo. Mas não podemos negar-lhe o talento e a presença: era um homem que atraia os olhares por onde passava, tinha peso. Comunista e anti-semita e, pior!, ardoroso crítico das religiões.
    Cada um tem o direito de pensar e ser o que quiser e exprimir e eu respeito o espaço que ele ocupou no mundo – como estou fazendo agora: defendendo o meu ponto de vista, sem querer dizer que você está errado – só explicando.
    Ficamos, sim, mais pobres porque pessoas como Saramago sempre calava vozes quando dizia alguma coisa. Nem que depois houvesse uma grita criticando sua frase ou parágrafo. Não podemos negar-lhe a inteligência, a verve, o conhecimento, a integridade e o belo portugues.

  26. Francisco de Taubaté

    -

    18/06/2010 às 20:57

    Dulce disse que ficamos mais pobres? Desde quando um admirador do Coma Andante cubano fará falta? Por mim, não fará falta nenhuma. Um comunista a menos.

  27. Vera

    -

    18/06/2010 às 20:32

    Não posso deixar de reconhecer sua cultura, como não também não posso esquecer de sua conduta política que não me agradava. Deus lhe dê paz.

  28. Dulce Toledo/BH

    -

    18/06/2010 às 19:54

    Saramago foi de tal presença que onde chegava todos o viam. Não concordo com algumas de suas posturas e o que defendia, mas não posso negar que foi um grande escritor. Sabia o que fazer com as palavras e como colocá-las para defender a idéia que descreviam. Não foi incensado em vão.
    Ficamos mais pobres – ele tinha peso, sua presença era forte. Os portugueses têm por quem chorar e este é mais um na extensa galeria de filhos ilustres por merecimento.

  29. Celso Arnaldo

    -

    18/06/2010 às 19:38

    Augusto

    “Minhas homenagens ao grande José Saramago.Li muitas de suas obras.Gostei especialmente do Evangelho segundo Jesus Cristo e Jangada de Pedra”

    Dilma, que não lembra nem do livro que “concluiu rapidinho ontem à noite”, revelando-se no twitter uma leitora voraz e recém-póstuma de Saramago, um escritor reconhecidamente “difícil”, muito além de Dilma.

    Ah, como eu gostaria de sabatinar a candidata, que já se declarou “num primeiro momento cristã”, sobre seu nível de compreensão do “Evangelho de Saramago”, e pedir-lhe três palavras sobre “A Jangada de Pedra”, onde a Península Ibérica acaba por se soltar do continente europeu, permanecendo à deriva. Mais ou menos como Dilma depois dessa viagem à Europa.

    Em suma, duvido que Dilma tenha lido Saramago. Se leu, o julgamento sobre ele orna com o primarismo de suas ideias: ela se limita a dizer “gostei”. Nada mais insuficiente para analisar Saramago.

    Mas se leu e assimilou, temos aí mais uma pista da origem do espantoso Discurso sobre o Nada. Períodos e parágrafos de Saramago não têm hora para acabar, fazendo “circunavegações” em torno de pequenos e recorrentes temas; narrador e personagens se enroscam como um novelo e enrolam-se sobre si mesmos para expressar uma ideia – ou não. Já ouviram uma candidata com esse estilo verbal recentemente?

    Se isso efetivamente ocorreu, Dilma leu muito mal Saramago.

    A diferença é que Saramago faz todo o sentido do mundo – neste e no outro, se houver outro, onde está agora, em paz, longe das “homenagens” de Dilma.

    Abraço

    Celso Arnaldo

  30. Reynaldo-BH

    -

    18/06/2010 às 19:24

    Por fim minha sincera homenagem a Saramago e Pilar!
    Saudades!

    http://www.youtube.com/watch?v=MYhcDPPctnc&feature=player_embedded

  31. Reynaldo-BH

    -

    18/06/2010 às 19:05

    Aos amigos democratas (assim somos!) deste nosso site, blog e espaço de resistência.

    Saramago era um escritor, poeta, pensador e crítico.

    Concordo com ele? Não, não consigo…
    Porém peço licença para ALERTAR a algumas diferenças que, creio, precisam ser ressaltadas.

    Saramago nasceu em uma aldeia (Azinhaga) pobre do Ribatejo em Portugal. Teve que abandonar a escola pois seus pais não tinham como mantê-lo estudando. Foi serralheiro, operário de construção civil, jornalista e escritor (revolucionário, pela escrita e forma!) por esforço próprio.

    NUNCA escondeu-se em poderosos ou viveu de favores oficiais!

    Somente como contra-ponto, lembremo-nos de SARNEY!
    Escritor membro da Academia Brasileira de Letras, e INFELIZMENTE, ainda vivo e atuante! Em espalhar HORROR e escrotidão entre nós!

    Saramago é somente um dos maiores escritores da língua portuguesa!

    Era ateu? SIM! E Sarney comunga e come hóstia a cada semana!
    Era comunista? SIM! E jamais concordei com isto!
    Sarney, meu exemplo de comparação, é o que?
    Qual classificação podemos dar?

    E no segredo do UNIVERSO, a quem DEUS daria preferência na eternidade? A Saramago ou ao assassino do Maranhão???

    A quem será cremado e tendo as cinzas espalhadas na aldeia em que nasceu, ou ao político que roubou um Convento do Maranhão para eregir um mausoléu em homenagem eterna à própria “história”?

    Quem escreveu Memorial do Convento ou Maribondos de Fogo?

    Devemos nós, os democratas afastados deste pensamento unicista dos petralhas, condenar um SER HUMANO íntegro e honesto somente por discordarmos do que ele defendeu e acreditou de modo honesto?
    Não seria o mesmo que estes escrotos do PT sugerem quando NÓS somos oposição?

    Sei não….

    Sejamos mais essencialmente humanos.

    E informo que este desabafo que aqui vai, é fruto de quem é agnóstico e tenta – TODO DIA! – crer e ter PAZ!

    E baseado nisto, prefiro crer que Saramago será recebido – para surpresa dele e minha! – por um Deus que dirá:
    “Você errou na análise! Mas acertou no essencial! SEJA BEM VINDO!”

    ABRAÇOS!

  32. Sérgio

    -

    18/06/2010 às 18:23

    Se ele disse isso, deveria ter tido um pouco de autocrítica dialética e ficado horrorizado com sua própria ignorância, eg, sobre os crimes de Stalin. Mas sabemos como a coisa funciona no partidão: para os companheiros, tudo, para os outros, uma bala na nuca.

  33. Luciana

    -

    18/06/2010 às 18:21

    Nunca li Saramago e também não assisti o filme produzido por um brasileiro.
    Até tive boa vontade, mas perdi quando vi Saramago dividindo mesa no Forum Social Maconhal com João Pedro Stédile.

    E que comunista era hein!! Morando numa ilha espanhola..local “daselite”.

  34. Zebaiano

    -

    18/06/2010 às 18:16

    Concordo com voce Sergio.

  35. fiodor

    -

    18/06/2010 às 17:36

    Uma das frases que me lembro dele, não li nenhum livro ainda, dizia que a ignorancia está se alastrando de forma avassaladora, mais ou menos isso. Depois da candidatura da Dona dilma esta verdade jamais será contestada. Ou alguém duvida?

  36. Sérgio

    -

    18/06/2010 às 17:34

    Desculpe estragar a festa, mas o sr. Saramago morreu estalinista de carteirinha. Não é de surpreender que era um antisemita clássico e grotesco. Só merece o prêmio igNóbil.

  37. f tavares 45 !

    -

    18/06/2010 às 17:32

    ensaiou sobre a cegueira, depois emudeceu…


 

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