07/08/2011
às 20:35 \ Feira Livre‘Davi e Golias’, um artigo de Fernando Henrique Cardoso
TEXTO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO
Fernando Henrique Cardoso
A propósito do atual dilema americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que pela primeira vez em muito tempo não havia um abismo tão grande entre poder, economia e sociedade. Pode parecer banal, mas não é: nos Estados Unidos, o “ideal americano” dava solidez a um caminho em comum para o país. Havia tensões, tendências mais progressistas chocavam-se com outras mais conservadoras, o grande business sempre quis controlar mais de perto o governo, os governos ora se inclinavam para atender aos reclamos das maiorias, ora assumiam a cara mais circunspecta de quem ouve as ponderações da ordem, da econômica em primeiro lugar. Mas, bem ou mal, liberdade, democracia, prosperidade e ação pública caminhavam mais ou menos em conjunto.
E agora?, poderia perguntar, perplexa, a secretária de Estado. Agora, digo eu, parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável. No meio de tudo isso, a crise provocada pelo cassino financeiro surgiu como um terremoto. Logo depois veio o marasmo da semiestagnação e, pior ainda, se desenha o que há pouco era impensável, a moratória do país mais rico do mundo! Por trás da peleja econômica corre a outra, mais profunda, a do poder: o Tea Party – os ultrarreacionários do Partido Republicano – levou o governo Obama às cordas. A agenda política, mesmo depois de “resolvida” a questão do endividamento, passou a ser ditada por eles: onde e quanto cortar mais no orçamento de um país que clama por muletas para reavivar a economia.
Na Europa as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, essa doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultraendividados vão às nuvens. A rua agita-se, não faltam movimentos dos “Indignados” que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados. É como se daqui a 30 anos os historiadores olhassem para trás e dissessem: ah, bom, a Grande Crise dos Derivativos começou em 2007/2008, foi mudando de cara, mas prosseguiu até que novas formas de produzir e de distribuir o poder começaram a dar sinais de vida lá por 2015/2020…
E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou. Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas do tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas. Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova, e não a desgastada do “clube do chá” americano. A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo. Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?
Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada num dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá tornar-se econômica. Explico-me: a presidenta é herdeira de um Sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar. Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual se troca governabilidade por favores, cargos e tudo o mais que se junta a isso.
Essa tendência não é nova. Ela se foi constituindo à medida que o capitalismo burocrático (ou de Estado, ou como se queira qualificá-lo) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo. Na onda do crescimento econômico as acomodações foram-se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção). No início parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista, que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do Sistema precisa da outra para funcionar e o próprio Sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e por empregos de baixo salários e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao Sistema, mas a suas partes constitutivas.
É neste ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do Sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina, quebram-se as peças da engrenagem toda. Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do País? E sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, “desprodutividade” da economia, e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais? É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas de que para se desfazer da herança recebida será preciso não só “vontade política”, como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.
Tags: China, Davi e Golias, Dilma Rousseff, Estadão, Estados Unidos, EUA, Fernando Henrique Cardoso, FHC, Hillary Clinton










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23 Comentários
Fibonacci
-10/08/2011 às 23:29
Lamentavelmente nessa paródia do velho testamento, parece que o rei salomão também acaba caduco.
giorgio seixas
-10/08/2011 às 0:46
Caro Augusto, posto o link onde se lê um bom contraponto para este, na minha humilde opinião, DESASTROSO ARTIGO de FHC: http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/12309-fhc-e-o-olho-do-furacao.html
Lin
-09/08/2011 às 16:03
O meu modesto escrito foi censurado ou se perdeu nos meandros da web?
È melhor não opinar mais.O PT venceu!
Jeremias-no-deserto
-09/08/2011 às 15:54
Penso que a maioria dos nobres colegas comentaristas forma excessivamente implacáveis com o ex presidente. Fernado Henrique não avaliza a política econômica do governo Dilma e dá o tom certo ao desastre que é a herança recebida pela sucessora de Lula.O texto pretende ser mais uma análise socioeconômica do capitalismo de estado que de militância política e é evidente que ele não pretende aqui fazer proselitismo partidário. Não isenta Dilma, mas a situa realisticamente em um universo determinado por grandes interesses de capital gerados há décadas dos quais o lulopetismo é beneficiário.
A lamentar a escorregadela intencional no vernáculo, chamando-a de “presidenta”, um atitude que tem o ranço da sabujice.Talvez, à essa altura de sua vida, o ex presidente queira apenas descansar sobre os louros da sua bela biografia e fazer amigos em todas as áreas do poder.
João Antonio Pagliosa
-09/08/2011 às 11:10
Caro Augusto:
Para mim, FHC sempre foi etéreo demais, frouxo demais, egocêntrico demais e sinceramente nunca o considerei grande coisa.
E não acho cedo demais para prever o curso da historia e se continuarmos nesta toada, pacientes com mercenários, sem meter na cadeia algumas dezenas de políticos sem nenhuma vergonha na cara, sem moralizarmos esta nação, perderemos o bonde da historia e os chineses deitam e rolam com a nossa indolência e leniência. Serão a maior economia do planeta bem antes do que imaginamos.
Nós (Brasil) devemos quase tanto quanto os USA, se compararmos dívida pública com PIB e pergunto:quantos PIBs precisaremos gastar para termos a infraestrutura dos Estados Unidos?Acorde FHC.
Temos ladrão demais. Incompetência demais e coerência de muito menos.
João
Antonio Carlos
-08/08/2011 às 23:13
Prezado Augusto Nunes. Noa noite.
Tenho que concordar com o pensamento do Olivier. Entretanto, pensamos ter votado na oposição, quando ela não existia. São todos esquerdistas mesmo. Porisso não se combatem. Enquanto isso, a pátria amada……!
luizjr
-08/08/2011 às 21:51
Caro Augusto,
É lamentável que FHC trate o tema corrupcão de forma oblíqua, como se fosse apenas efeito colateral de uma conjuntura sócio-política perversa. É justamente o contrário: a corrupção é quem define a agenda política, mobiliza os recursos e define prioridades. Não há “causa” ou projeto político coisa nenhuma.Para aqueles que querem ideologizar a safadeza, um lembrete: comunopetista também adora uma comodidade burguesa.
elizabeth rhe Best
-08/08/2011 às 20:24
Fernando, o fato de Monsieur ficar ao lado daqueles que queriam o fim da monarquia não queria dizer que ele queria o fim da monarquia já que monárquico. Deu pra entender? Ele queria ser alguem o que era impossivel se comparado ao irmão todo poderoso.
Voce irrita um povo inteiro com o seu esquerdismo elegante.
Os fundos de pensão que no seu governo voce fez tudo para espoliar nada mais são do que a poupança deste povo que voce diz, subliminarmente proteger.
Chega de bom mocismo. Ou é oposição a esta anomalia esquerdista que aí está e não passa de uma quadrilha bem orientada para transformar-se naquilo que mais combatem (as Zelites), ou é conivente, aprova e acha que tudo deve ser exatamente assim.
Pela reação da oposição a tudo que é denunciado neste governo somos levados a pensar que a oposição nada mais é do que a continuação do mesmo.
Não precisamos de palavras, mas de ação.
Pimenta
-08/08/2011 às 19:02
Augusto,
Fernando Henrique Cardoso foi o melhor presidente para o país e para os brasileiros. Porém, depois que recebeu alguns elogios de Dona Dilma, passou a suavizar, cada vez, mais, seu discurso como oposicionista à corja que tentou, inclusive, surrupiar-lhe os feitos. Antes, se referia à Dilma como “a presidente”. Depois do mimo, como troco, passou a fazer sua vontade se dirigindo a ela como “presidenta”…e por aí está indo.
Quanto mais grave for o escandâlo, mais silenciosos ficam “os bravos do PSDB”. Se a passividade for a vocação tucana, sugiro que mudem o símbolo do partido para um “bicho” mais ativo.
fernando pawlow
-08/08/2011 às 15:49
Bravo Augusto,como o comentarista Luiz Pradines notou,ao adotar formas de tratamento impostas por gente sem senso estético de linguagem,FHC assinou sua carta renuncia à relevancia.Malgradas as explicações de Reinaldo Azevedo,considero o chamado de FHC aos membros do PSDB ao recolhimento,renunciando ao “povão”,capitulação que custará caro ao País.O PSDB e principalmente seu líder maior parecem resignados ao domínio petista,á sua escritura de posse das ruas e movimentos sociais.O Tea Party ,podem dizer dele o que quiserem( e muito será justo,acrescento)ao menos não aceita passivamente a hegemonia dos poderosos do dia.Com o PMDB (que poderia dada à sua penetração popular e seu ideário fazer frente a esta ditadura)vendido e acovardado,e o PSDB instalado no comodismo ,nas delícias de ser partido de minoria que lê,o PT está mais que confortavel em sua etapa da consolidação de seus delírios,tornados realidade pela omissão de quem deveria confrontá-lo.FHC escreve como historiadores do Sec xix tratando do Terror na Revolução Francesa, e não estou convencido de que este é o tom a ser adotado enquanto Robespierres elaboram listas de nomes a guilhotinar.Perdão pelo texto prolixo,abraço do Pawlow
Olá, caro Fernando Pawlow. O Augusto está gravando o Roda Viva. Vai ler este e os outros comentários mais tarde. Abraços, Bruno Abbud
Dimas
-08/08/2011 às 15:24
Esse é mais um dos equívocos de FHC.Além de defender a liberação da maconha agora vem com essa de defender a Dilma Rouseff.Ainda MAIS a chamando de “presidenta” com os aúlicos bajuladores oficiais do Planalto? Onde ficaram as regras da gramática portuguesa? Para onde foi a Lógica?Só faltava essa!
Luiz Pradines
-08/08/2011 às 13:40
Convivência respeitosa não significa submeter-se aos caprichos de uma figura ridícula, arrogante e politicamente inexpressiva como a Dilma. Quando FHC enfatiza o famigerado termo “presidenta”, mostra-se cordato e amistoso com um projeto de poder diabólico. No fim, ajuda a pavimentar o caminho para mais uma derrota da oposição na disputa à presidência.
LABOR
-08/08/2011 às 12:04
Concordo com o Oliver em gênero, número e caso. Se os figurões de nossa oposição não tivessem um forte viés esquerdista ,já teríamos eliminado essa
aberração que está no poder há quase nove anos.
Pedro Erik
-08/08/2011 às 11:23
Caro Augusto,
Sei que gosta de FHC, mas que desastre de artigo!
Especialmente estas duas frases:
“parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável”
E
“Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova, e não a desgastada do “clube do chá” americano”.
Meu Deus do céu, FHC brincando de “luta de classes” na primeira frase e na segunda não consegue enxergar que o “clube de chá” mostrou a grande força do povo americano em se levantar contra um governo que ia se afundando em dívidas. É sim uma grande novidade, alías a única força hoje que move o país na direção correta.
É por isso que o Brasil não tem solução de longo prazo, somos todos marxistas.
Além disso, é um texto confuso e sem pé nem cabeça. Será que ele escreveu de madrugada depois de um jantar?
Grande abraço,
Pedro Erik
Rakel Maia
-08/08/2011 às 7:09
Credo!Quer saber? Foi até bom. Eu estava acostumada a admirar FHC quase o tempo todo. Agora acabou. Ele pensa muita abobrinha também.
Rakel Maia
Manoel Jacinto de Araujo Neto
-08/08/2011 às 6:11
Sou brasileiro.
kelly
-08/08/2011 às 5:11
Que sejam os caminhos de pedra e os calos nos pé. O império do casuísmo e se Davi – o poeta – esquecesse de olhar a pedra.
Nada nem mesmo a paixão nacional motivou o debate. Mascarar o Mário Filho , demolir ou esquecer Mário Filho. O tempo passou e a legislação do IPHAN é tão antiga quanto Getúlio e agora – o que fazer? – outro regime diferenciado, outra exceção, outro armário?
Conviver com os limites, obedecer as regras do jogo, dois lutadores de sumo: inércia da massa em choques de força, pode tudo, mas não muita coisa e o mawashi nunca sai do lugar.
De tantas possibilidades estéticas, arte foi esquecida pelos simbiontes. As reformas do Maracanã se arrastam desde o tempo do governador Garotinho , logo, o impasse das obras não foi por falta de tempo, nem da lei de licitação e nem de concurso de projetos .
A permanência de 2005 e a recusa dos limites pelo poder , ou seja, explicando melhor, pelo desenho político ufanista que vem sendo traçado por Lula/PMDB desde então. A ordem de grandeza dos problemas já possui um índice – cadê as obras ?
O tempo da favela é tempo global ou alguém tem dúvida da globalização da sociedade brasileira pelo satélite em 2014 e a culpa não será do FHC.
Antônio Maria
-08/08/2011 às 2:34
Saúdo a inteligência do grande FHC; porém, desta vez, discordo da análise – algo maniqueista – em relação à “direita americana”. A coisa, considero, é um pouco mais complexa que isso.
Oliver
-08/08/2011 às 1:44
Augusto, me permite a réplica ao xara ? O telegráfico augusto 0:20 tenta me passar uma descompostura de quem só “consegue lutar contra”; afirma que a oposição não é inoperante ( ? ) e que política não é war. É tão vago e desconexo em suas afirmações quanto o foi seu defendido, ao fazer uma “apologia aos incluídos” incluindo o roubo e seus praticantes.
Não tem ferramenta de desenho em seu blog, caro Augusto. Não sei se dá pra explicar ainda mais o que já afirmei aqui. Meus heróis morreram de overdose. Não tenho porque adular aqueles que fizeram grandes governos e grandes borradas. Nem porque reponder telegrafias. ESTAMOS NESSA LAMA PORQUE A SUA OPOSIÇÃOZINHA SE RECUSA A FAZER O QUE FOI VOTADA PARA FAZER. Entendeu agora ou preciso usar corpo 72 ? Sou eu ou eles que estão lutando contra ? O governo tem que incuir todos QUE NÃO SEJAM LADRÕES, meu caro. O resto que tem que incluir é a penitenciária. Simples assim. E sem nhém nhém nhém.
Eliana
-08/08/2011 às 0:28
O dircurso é belo, o texto é claro e a mensagem é assustadora.
Augusto
-08/08/2011 às 0:20
Oliver,oposição não é inoperante, e o governo tem de incluir todos, por isso se chama política, e não WAR, onde o objetivo é destruir o exército vermelho (ou azul) e conquistar um continente. É necessário antes de destruir A ou B que o país ande. Só não vê isso os que preferem (ou só conseguem)lutar contra do que a favor.
Oliver
-07/08/2011 às 22:04
DAVI, GOLIAS e o CRIDE, FALA PRA MÃE.
Li com atenção o ensaio sempre inteligente de nosso sociólogo-mor. E confesso; não entendi nada. Suspeito sempre desta minha impressão de burrice. Como não me acho burro, suponho estar diante de um nhém nhém nhém. Nada mais antigo que cinto de inutilidades e críticas ao “sistema”. Vale dizer que o “sistema” a que se refere o nobre ex-presidente conta com mais de uma dezena de governadores de tal falada “oposição”. E o que fazem, além de cuidar de suas respectivas biografias ? Onde estão seus programas comuns ? Onde está a tal vontade de se aliar em torno de um projeto ? Onde estaria nesse contexto o novo modelo administrativo ?
Fala sério. Pau que dá em Nando também dá em Fernando. O bicho pega mesmo não no fato de estarmos diante de um governo sem projeto, e sim de estarmos diante de um projeto de poder que tomou o governo de assalto, usando TODAS as ferramentas socialistas inventadas, não por acaso, no governo deste que nos profetiza o caminho das pedras que nenhum de seus partidários persegue. Defenda a liberação da maconha, no lugar da liberação do Estado, caro presidente. É uma luta menos inglória e mais exótica. Combina mais com seus grisalhos e com seu legado. O PT é um partido ridículo, montado numa sucessão infindável de escândalos. Baní-lo de nossa política seria tarefa fácil, caso ele não estivesse justamente montado numa engrenagem de apoios perversa, vigarista e dominante no atual “sistema”. E se houvesse uma oposição menos picareta, mais objetiva, menos soberba e mais compromissada com a eficiência, com a meritocracia, com menos muletas sociais e bem menos verborragia barata. Se houvesse mais gente disposta a denunciar as falcatruas e menos gente disposta a “fazer uma agenda de composição” com o bando de vigaristas de turno. “O Cride; fala pra mãe pra esse gaiato parar de dar tiro no pé que eu já tô quase votando na oposição dele.” – diria o saudoso humorista Golias.
Augusto Alexandre
-07/08/2011 às 21:22
Desde o fim da ditadura, apenas dois Presidentes, foram realmente Presidentes, um já se foi desse mundo, o outro fez este belo artigo.