17/02/2011
às 19:49 \ Feira LivreA trajetória do PT
EDITORIAL PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA
Quando foi fundado, o Partido dos Trabalhadores (PT) se proclamou agente das transformações políticas e sociais que, pautadas pelo rigor da ética e pelo mais genuíno sentimento de justiça social, mudariam a cara do Brasil. Trinta e um anos depois, há oito no poder, o PT pode se orgulhar de ter contribuído – os petistas acham que a obra é toda sua – para melhorar o País do ponto de vista do desenvolvimento econômico e da inclusão social. Mas nada no Brasil mudou tanto, nessas três décadas, como a cara do próprio PT. O antigo bastião de idealistas, depois de perder pelo caminho todos os mais coerentes dentre eles, transformou-se numa legenda partidária como todas as outras que antes estigmatizava, manobrada por políticos profissionais no pior sentido, e, como nem todas, submissa à vontade de um “dono”, porque totalmente dependente de sua enorme popularidade. Esse é o PT de Lula 31 anos depois.
Uma vez no poder, o PT se transformou em praticamente o oposto de tudo o que sempre preconizou. O marco formal dessa mudança de rumo pode ser considerado o lançamento da Carta ao Povo Brasileiro, em junho de 2002, a quatro meses da eleição presidencial em que pela primeira vez Lula sairia vitorioso. Concebido com o claro objetivo de tranquilizar o eleitorado que ainda resistia às ideias radicais e estatizantes do PT no âmbito econômico, entre outras coisas a Carta arriou velhas bandeiras como o “fora FMI” e passou a defender o cumprimento dos contratos internacionais, banindo uma antiga obsessão do partido e da esquerda festiva: a moratória da dívida externa. Eleito, Lula fez bom uso de sua “herança maldita”. Adotou sem hesitação os fundamentos da política econômico-financeira de seu antecessor, redesenhou e incrementou os programas sociais que recebeu, barganhou como sempre se fez o apoio de que precisava no Congresso e, bafejado por uma conjuntura internacional extremamente favorável, bastou manejar com habilidade os dotes populistas em que se revelou um mestre para tornar-se um presidente tão popular como nunca antes na história deste país.
E o balzaquiano PT? O partido que pretendia transformar o País passou a se transformar na negação de si mesmo. E foi a partir daí que começaram as defecções de militantes importantes, muitos deles fundadores, decepcionados com os novos rumos, principalmente com os meios e modos com que o partido se instalou no poder. O mensalão por exemplo.
Os anais da recente história política do Brasil registram enorme quantidade de depoimentos de antigos petistas que não participaram da alegre festa de 31.º aniversário do partido – na qual o grande homenageado foi, é claro, ele – porque se recusaram a percorrer os descaminhos dos seguidores de Lula. Um dos dissidentes é o jurista Hélio Bicudo, fundador do PT, ex-dirigente da legenda, ex-deputado federal, ex-vice-prefeito de São Paulo. Em depoimento à série Decanos Brasileiros, da TV Estadão, Bicudo criticou duramente os partidos políticos brasileiros, especialmente o PT: “O Brasil não tem partidos políticos. Os partidos, todos, se divorciaram de suas origens. E o PT é entre eles – digo-o tranquilamente – um partido que começou muito bem, mas está terminando muito mal, porque esqueceu sua mensagem inicial e hoje é apenas a direção nacional que comanda. Uma direção nacional comandada, por sua vez, por uma só pessoa: o ex-presidente Lula, que decide tudo, inclusive quem deve ou não ser candidato a isso ou aquilo, e ponto final”.
Bicudo tem gravada na memória uma das evidências do divórcio de seu ex-partido com o idealismo de suas origens. Conta que, no início do governo Lula, quando foi lançado o Bolsa-Família, indagou do então todo-poderoso chefe da Casa Civil, José Dirceu, os objetivos do programa. Obteve uma resposta direta: “Serão 12 milhões de bolsas que poderão se converter em votos em quantidade três ou quatro vezes maior. Isso nos garantirá a reeleição de Lula”.
De qualquer modo, há aspectos em que o PT é hoje, inegavelmente, um partido muito melhor do que foi: este ano, com base na contribuição compulsória de seus filiados, pretende recolher a seus cofres R$ 3,6 milhões. Apenas 700% a mais do que arrecadava antes de assumir o poder.
O PT está completamente peemedebizado.
Tags: Bolsa Família, Casa Civil, editorial, Estadão, Hélio Bicudo, José Dirceu, Lula, PMDB, poder, PT












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6 Comentários
JCB/RJ
-19/02/2011 às 20:22
Deve ter mais fotos por aí. Não deve ter faltado ao regabofe a Martaxa Suplichic. Imagine a “vice presidentA” da Madre Superiora soprando a vela com aquela boquinha botomizada do relaxa e goza?
Já o puxassaquismo explícito do deputado M.M. é patético. Só o Superman soprava bem de qualquer distância…..
pg17h274 oliveira
-18/02/2011 às 19:18
Gostei de ver parte da quadrilha junta pena que não estavão todos, até quando o povo vai suportar tanta hipocrísia? Certa vêz o ex presidente João Batista Figueiredo disse que o povo ainda teria saudades da ditadura, eu confesso que tenho saudades.
pg17h274
Eu não tenho saudade de ditadura nenhuma, amigo. Meu negócio é democracia.
Cláudio Luís
-18/02/2011 às 9:11
PT é o partido do Mensalão, aliado dos narco-terroristas das FARC e das piores ditaduras. O Partido dos “Trabalhadores” foram contra a redemocratização do país( foi o único partido que não assinou a Carta Magna). Foram contra o Plano Real e a Lei de Responsabilidade Fiscal, etc. Em resumo: nunca fizeram nada pelo Brasil. Pensavam única e exclusivamente nos interesses do partido e, principalmente, dos seus “líderes” partidários. A trajetória do PT é a de uma organização criminosa aos moldes da Cosa Nostra. Seus integrantes e filiados ao partido comenteram infinitos crimes, contra o erário e a sociedade brasileira como um todo, nesses 31 anos de existência. Fosse o Brasil um país mais desenvolvido, com uma população nos mais altos padrões educacionais, o PT seria tratado como realmente é: uma organização criminosa e seus integrantes estariam todos na cadeia.
Katita Bahia Bacana de Oliveira
-18/02/2011 às 8:36
Augusto, que bom que você publicou esta foto. Estava esperando por isso há uma semana.
Ela é a prova viva da subserviência. Não entendi porque o Presidente da Câmara dos Deputados, não o Marcos Maia que poucos conhecem, se esforçou tanto para ajudar o lula a apagar UMA ÚNICA vela.
Não podemos esquecer que esta coisa é quem substitui o Presidente da República, na falta do vice presidente.
É o severino petista.
Do jeito que as coisas andam neste Brasil tão machucado, me orgulho de ainda me indignar com estas coisas.
Beijão prá você.
Obrigado por ter enviado a grande foto, minha querida. Um beijo.
Siará Grande
-18/02/2011 às 8:33
Quando será que os comentaristas políticos vão começar a desconfiar que o PT nunca mudou? O PT sempre foi um ajuntamento de espertalhões. Gente séria como o Dr. Hélio Bicudo serviu apenas de escada para a ascenção do exLulla e do ZéDirceu. Será que os comentaristas políticos esqueceram que os casos do Celso Daniel e do compadre Roberto Teixeira aconteceram muito antes do exLulla subir a rampa do Palácio?
GUARARAPES
-17/02/2011 às 21:18
ESTA FOTO É GENIAL…Toda a quadrilha junta…que momento sublime….quanta felicidade….E o bebum assoprando a velinha de longe para não virar um LANÇA-CHAMAS….E tem um puxa-saco ao lado ajudando a apagar a velinha…Vou guardar essa imagens entre os meus favoritos…