Cinco dias de silêncio demonstraram que o candidato a D. Pedro III aprendeu a lição de D. João VI: ‘Quando não se sabe o que fazer, é melhor não fazer nada’

Sem contar o período de tratamento contra o câncer na laringe, ressalva o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, Lula só emudeceu por mais de três dias em 2005, quando explodiu o escândalo do mensalão, e em julho de 2007, depois do acidente com o avião da TAM na pista de Congonhas. […]

Sem contar o período de tratamento contra o câncer na laringe, ressalva o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, Lula só emudeceu por mais de três dias em 2005, quando explodiu o escândalo do mensalão, e em julho de 2007, depois do acidente com o avião da TAM na pista de Congonhas. Abalroado pela descoberta de que virou achacador de ministros do Supremo Tribunal Federal, o mais falante presidente da história perdeu deliberadamente a voz no último sábado, assim que começou  a ser distribuída a edição de VEJA.

“Quando não se sabe o que fazer, é melhor não fazer nada”, vivia recomendando D. João VI. O candidato a D. Pedro III resolveu ouvir o conselho do avô do imperador que rebatizou de “Dom Predo” num comício em que prometeu para 2010 a transposição das águas do Rio São Francisco ─ que continuam onde sempre estiveram. “O silêncio de Lula está impressionantemente, absurdamente ensurdecedor”, espanta-se Sérgio Vaz no artigo reproduzido na seção Feira Livre.

O cronista Paulo Sant’Ana, em sua coluna no jornal Zero Hora, ficou intrigado com a inovadora reação do palanque ambulante: em vez de berrar que está indignado, o ex-presidente valeu-se do bisonho comunicado divulgado pelo Instituto Lula para comunicar ao país que está indignado. “Diz a nota que ele está indignado”, escreveu Paulo Sant’Ana nesta quarta-feira. “Quem está indignado não escreve uma nota dizendo que está indignado. Quem está indignado fica indignado. E vem para a televisão dar murros na mesa e na tela e gritar que está indignado”.

A indignação silenciosa grita que Lula é culpado. Os milhares de minutos de silêncio registram a despedida do estrategista genial que nunca existiu. Nascido e criado na imaginação dos devotos, o mito do intuitivo infalível, tão consistente quanto o Brasil Maravilha do cartório, sucumbiu aos dois últimos disparos do canhão sem mira. Ambos deveriam levar os inimigos à capitulação e livrar do camburão a tropa de mensaleiros. Ambos vão provocando estragos e baixas no exército liderado pelo general trapalhão.

O primeiro tiro foi a instauração da CPI do Cachoeira. Além de desviar para o Congresso os holofotes concentrados no julgamento do mensalão, a CPI seria o instrumento perfeito para que Lula se vingasse  do governador Marconi Perillo e do senador Demóstenes Torres. Nesta quarta-feira, Perillo entrou na lista de depoentes, mas ao lado do companheiro Agnelo Queiroz, governador do Distrito Federal. Logo chegará a vez do governador Sérgio Cabral, condenado ao mergulho no pântano pela aprovação da quebra do sigilo bancário da construtora Delta. O segundo tiro foi a intensificação do assédio aos ministros do Supremo. O disparo que deveria adiar o julgamento dos mensaleiros só serviu para apressá-lo.

Louco por um microfone, Lula emergiu da mudez nesta quarta-feira, num comício improvisado em Brasília. Sem quaisquer vestígios de indignação, Lula elogiou Lula, recitou lições sobre questões que desconhece, contou mentiras novas e velhas. Tratou de uma penca de assuntos, menos do que interessa ao Brasil decente. O farsante recuperou a fala mas perdeu um pedaço da memória: não consegue lembrar-se do que houve neste fim de maio. Não tocou no nome de Gilmar Mendes, passou ao largo do STF e fingiu que nem sabe direito o que é mensalão. O surto de amnésia conveniente talvez seja interrompido nesta quinta-feira, durante a entrevista prometida ao apresentador Ratinho, do SBT.

Caso lhes reste algum juízo, os quadrilheiros do mensalão vão torcer para que a audiência do programa fique perto do traço. Se muita gente ouvir a discurseira forjada para justificar o injustificável, os sinais de perigo poderão multiplicar-se. Dependendo do que Lula disser, a turma de José Dirceu será obrigada a sair do desespero para afundar no pânico.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

  1. Comentado por:

    CarmemK

    Augusto,
    Como pode um pais inteiro (ao menos 99%) ficar indiferente aos acintes cometidos por esta quadrilha? Nao consigo entender onde foram parar os jovens exaltados que ajudaram a expulsar Collor do Planalto, por delitos graves, sem duvida, mas comparativamente coisa de amador, em realçao ao que assistimos nos dias de hoje. As manifestaçoes publicas contrarias à quadrilha sao pifias, se comparadas às de 1992. Parece que a populaçao se acostumou a assistir aos descalabros em sequencia, ou que isto é tratado como peça de ficçao, ninguéem se importa! Quando voce escreveu este post, Sua Majestade ainda nao havia feito seu comicio patrocinado pela ratazana. Pois a coisa que parecia ruim ficou ainda pior! Estou começando a achar que a melhor saida é o aeroporto…ou talvez o Cabo Canaveral!

    Curtir

  2. Comentado por:

    manuela

    Ok , eu estava com duas conexões conflitantes, a roteador e da banda larga e a mané aqui já perdeu um computador de manhã do dia anterior . O trojan foi fulminante , ele só permite 2 minutos e depois força a máquina a desligar. Mas computador é isso mesmo, não foi o primeiro e nem será o último. O chato que se perde muita coisa.
    Ok! No Rio +20. A natureza ainda aguarda as resoluções da Rio 92 .A beleza da cidade está um pouco cansada do cartão postal do Pão de Açúcar e Corcovado. Como evento vai ser uma festa para as celebridades, mas como compromisso, o Rio era melhor há 20 anos passados. Até quando os rios poderão correr para o mar, procuro a interrogação neste novo teclado, ainda não achei. A poluição das águas já não aguenta tanta carga de esgoto doméstico. Na baía de Guanabara e de Lévi Strauss segundo Caetano – parece um boca banguela- muito mais que barquinhos bossa nova a navegar, interceptações noturnas de tráficos nos domínios de Pablo Beira Mar. De dia, se vê o óleo no Fundão por cachoeiras e nas compensações ambientais motivas pela lei e pela REDUQ, algumas tartarugas podem sobreviver na Bahia.
    A floresta da Tijuca deveria ser chamada parques da Tijuca (já deve ter algum condomínio como esse nome ) do eixo zona sul, o desmatamento, do eixo zona norte, o desmatamento e milícias controlam o verde possível , um pouco de chumbo grosso e muito vermelho. Já foram os tempos que aos domingos de manhã se podia caminhar nas trilhas e chegar até algum lugar bacana, passar a tarde e ver a paisagem. Ninguém faz mais isso tranquilo, se perdeu muita coisa.
    Sérgio Cabral mandou todo mundo trabalhar . Na Barra, no buraco do Metrô todo mundo pra lá, todo mundo pra cá, um fila de caminhões betoneiras esperando, não sei muito bem o que. Sérgio Cabral e seu pães vão tentar tudo para o esquecimento da CPI, mostrando ao mundo que nunca antez houve uma dupla tão dinâmica.
    Ecologia não é mais plantar uma árvore, vintes depois , as soluções são mais indigestas, Marina Silva e Dilma – agora, a salvadora das florestas – ou são amigas ou amigas

    Curtir