A versão circense de Stalingrado

Publicado em 23 de setembro “Honduras sitia Zelaya em missão do Brasil”, entrou em combate o editor de Mundo da Folha no alto da página grávida de patriotismo beligerante. Ao lado de bravos funcionários do Itamaraty, à frente de quase 300 hondurenhos dispostos a dar a vida pelo chefe, o presidente Manuel Zelaya resistia aos agressores no interior do […]

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Publicado em 23 de setembro

HONDURAS-BRAZIL-COUP-ZELAYA-RETURN

“Honduras sitia Zelaya em missão do Brasil”, entrou em combate o editor de Mundo da Folha no alto da página grávida de patriotismo beligerante. Ao lado de bravos funcionários do Itamaraty, à frente de quase 300 hondurenhos dispostos a dar a vida pelo chefe, o presidente Manuel Zelaya resistia aos agressores no interior do prédio sem luz, sem água e sem telefone. Do outro lado do muro, multidões desarmadas lutavam contra tropas a serviço do regime ilegal.

O Planalto, continuava o resumo da terça-feira medonha, exigia que o Conselho de Segurança da ONU interviesse de imediato na zona conflagrada ─ antes se consumasse o massacre iminente. O presidente interino Roberto Micheletti prometia não invadir o território brasileiro, mas como confiar em assassinos das liberdades democráticas? A embaixada em Tegucigalpa, comunica ao planeta a página 12 da edição desta quarta-feira, é a reprodução em miniatura do cerco de Stalingrado. É o episódio heróico em sua versão circense, corrige o noticiário da página 13.

Entre setembro de 1942 e janeiro de 1943, dezenas de milhares de soldados e civis fizeram a travessia do inferno na cidade russa engolfada pelo exército nazista. Além do bombardeio feroz e impenitente, além das ofensivas selvagens, resistiram à fome, ao frio, ao desespero e à impossibilidade do socorro. Conheceram provações inverossímeis durante os 150 dias de cerco. Mas Stalingrado sobreviveu até a chegada das tropas comandadas por Georgi Zhukov.

Na montagem cucaracha, o chefe da resistência é um paisano que usa chapéu e botas de fazendeiro urbano, cultiva com capricho o bigode de cafetão portenho, tem voz de apresentador de circo e mente como cigano de García Márquez.  “Fiz uma viagem de 15 horas pelas montanhas, marchando e caminhando”, garantiu o marechal Zelaya ao pousar na frente de combate, sem esclarecer se pediu licença à tripulação do avião venezuelano para ficar zanzando no corredor durante o voo.

O ministro-conselheiro Francisco Catunda Resende, único diplomata brasileiro em Honduras, acumula agora as funções de subchefe do alto comando. Pelo celular, esse cearense de 61 anos revelou à jornalista Eliane Cantanhêde os piores momentos do drama. Num deles, “ao abrir a porta para uma mulher que gritava desesperadamente por socorro”, Catunda foi alvejado por uma lufada de gás lacrimogêneo. “Passei horas com os olhos vermelhos e ardendo”, contou.

Na batalha seguinte, rechaçou com um giro de maçaneta e um golpe de fechadura a ofensiva conjunta de um promotor e um oficial de Justiça, que atacaram a porta com batidas de mão.  “Provavelmente, era uma ordem de captura, e eu não ia receber documento de um governo que o Brasil não reconhece”, explicou, com a mesma altivez demonstrada na guerra contra a fome:  “A única comida em 24 horas se resumia a pizzas contrabandeadas por uma vizinha e ao resto de leite e biscoito de 12 hondurenhos que chegaram com Zelaya. Ainda há gente comendo resto de pizza fria da véspera”.

Catunda enfrenta o cerco em companhia dos três funcionários da embaixada que conseguiu recrutar: o assistente de chancelaria, o motorista e o mecânico que cuida do gerador de luz. No momento do relato, os quatro aguardavam, unidos na adversidade, a chegada de um lote de quentinhas prometido pela representação da ONU. Se depender dos perigosos inimigos, a vida dura na embaixada vai ultrapassar com folga os 150 dias do cerco de Stalingrado. “O Brasil só precisa conceder oficialmente a Zelaya o status de asilado”, condiciona o presidente Micheletti. “Se quiser, ele pode viver por lá cinco anos. Ou dez”.

“O ex-chanceler de Zelaya já fala em mortos”, noticiou o editor combatente na página 12. Até agora, sabe-se da morte de um hondurenho. O plural sugere que foram incluídos os milhões de espectadores que estão morrendo de rir e os incontáveis brasileiros mortos de vergonha.

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  1. Comentado por:

    Ixmael

    Sr. carlos nascimento, ainda hoje,
    aguardo sua resposta ao meu coment
    das 18:02. Hoje eu estou com a mão
    na massa. Até as 04hs da manhã.
    Não se acanhe, estamos entre amigos.

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  2. Comentado por:

    Genaro

    Sr. Carlos Nascimento, 16:06h
    De minha parte, garanto-lhe que não tomei conhecimento dos termos do tropeço cometido pelo Boris Casoy. Só tive notícias de que ele teria se desculpado e dado a mão à palmatória. Não direi que isso o redima de críticas. Tendo sido um “despoliciamento mental”, revelou seu preconceito subjacente. Se quis impressionar, mostrou que como jornalista ele não é lá uma Brastemp. Em ambas as hipóteses, ele se feriu mais do que àqueles que inadvertida ou propositalmente pretendeu atingir.
    Solidariamente, Genaro

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  3. Comentado por:

    ETIENNE

    EI NUNES BOM DIA
    ONDE ANDA O DIOGO MAINARDI, SOLTOU QA BOMBA (SERRA MARI-
    NA) E SUMIU, TEMOS SAUDADES ELE FAZ MUITA FALTA.

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  4. Comentado por:

    SILVA SANTOS

    Dia 04.01, o jornal nacional noticiou, que Agência Nacional de Notícias Ant-drogas dos Estados Unidos, informou sobre o envolvimento da As-farc e Al-Qaeda, com tráfico de drógas e de armas ao mesmo tempo em que informava que Cuba é um dos paises que financia o terrorismo.
    Saber, que parte de nossos políticos que estão no poder tém uma afinidade muito forte com Cuba e que no passado foram treinados por aquele pais, isso nos preocupa.

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  5. Comentado por:

    carlos nascimento

    Augusto / Branca
    Autorizo liberar e informar meu EMAIL ao Sr.Ixmael.
    Grato
    Carlos Nascimento.

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