‘Não existe máfia no mundo que o Tuma não conheça’, avisou o ministro da Justiça há 20 dias

Tarso Genro chefiava o Ministério da Justiça quando, em setembro de 2007, o presidente Lula ordenou-lhe que instalasse no alto do organograma o delegado Romeu Tuma Junior. Agora candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso jura que mal conheceu o secretário nacional de Justiça. Se é quase incapaz de ligar o nome à […]

Tarso Genro chefiava o Ministério da Justiça quando, em setembro de 2007, o presidente Lula ordenou-lhe que instalasse no alto do organograma o delegado Romeu Tuma Junior. Agora candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso jura que mal conheceu o secretário nacional de Justiça. Se é quase incapaz de ligar o nome à pessoa, alega o signatário do ato de nomeação, não merece ser interpelado sobre as patifarias em que se meteu o companheiro na sala ao lado.

O álibi faz algum sentido. Enquanto foi ministro, Tarso dedicou as horas de serviço a missões de ordem ideológica ─ a libertação do assassino de estimação Cesare Battisti, por exemplo, ou a revogação da Lei de Anistia ─ e as horas livres a atividades intelectuais menores: escreveu artigos ininteligíveis, rabiscou mais versos onanistas e discursou até em festa de batizado. Talvez só possa ser acusado de cumplicidade por omissão.

Omissão e irresponsabilidade, acrescenta a releitura do falatório despejado por Tarso Genro para fingir que a nomeação de Tuma Junior não lhe fora imposta.  “O currículo dele casa diretamente com questões que são tratadas na Secretaria Nacional de Justiça, como o combate ao crime organizado, através do combate à lavagem de dinheiro, e ao tráfico de pessoas, que pode ser monitorado e orientado por um policial experiente”, recitou.

O caso do substituto de Tarso é ainda pior. Secretário-geral durante a gestão do titular relapso, Luiz Paulo Barreto tornou-se ministro de fato muito antes de herdar a vaga do chefe. Por coordenar as atividades de todo o ministério, conviveu bastante com Tuma Junior. Gostou tanto do que viu que resolveu nomear o secretário nacional de Justiça para a presidência do Conselho de Combate à Pirataria.

Na festa de posse, celebrada neste 23 de abril, Barreto cumprimentou-se pela escolha. “A indicação agrega um valor substantivo ao trabalho do órgão”, discursou. “Não existe máfia no mundo que o Tuma não conheça”. Conhece muito bem pelo menos a máfia chinesa, informou o Estadão menos de 15 dias depois do palavrório. Conhece, protege, aprecia e, sempre que aparece um bom negócio, a ela se associa.

Governar é escolher, sabe-se desde sempre. Escolher sobretudo as pessoas certas, sabe-se desde que o primeiro chefe de tribo escolheu alguém para ajudá-lo a administrar o cotidiano da caverna. Lula, que seleciona ministros com a ligeireza e a leviandade dos improvisos depois do almoço, escolheu Tarso Genro, depois escolheu Luiz Paulo Barreto, que aprovou Tuma Junior, que foi escolhido por Lula. Num país com mais pudor, já teriam sido, na mais branda das hipóteses, castigados por improbidade administrativa. Os quatro.

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  1. Comentado por:

    carlos

    Os tumas são os representantes fieis da nossa polícia.
    Quer apostar que não vai perder o emprego? Vamos bancar sua aposentadoria integral.

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  2. Comentado por:

    Martunes Ancelo

    Essa fala de que não há máfia no Mundo que Tuma não conheça pode ser mais ampla do que pode imaginar. Há tempos circula em algumas rodas de conversas graduadas a informação de que os tentáculos da Família Tuma estariam abraçados até nas atividades do Tráfico de armas no Brasil.
    Basta fuçar um pouco mais, apurar, interrogar e traçar a rota das armas e do dinheiro que todo mundo ganha com a atuação nessa esteira.
    Um dia, um dia. Tenho esperança

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  3. Comentado por:

    Luiz Gonzaga

    Os amigos do Fidel tentaram nos empurrar goela abaixo a lógica de que o bom presidente tem que ser pobre, analfabeto e imcompetente. Discordo integralmente!
    Entre os índios Ianomami o bom representante deve possuir três qualidades essenciais:
    • Ser um bom orador
    • Ser generoso
    • Ser um “fazedor de paz”, um diplomata que não incita a cisão na sociedade
    O “cabra” tem as seguintes inabilidades:
    É um bom piqueteiro (orador de porta de fábrica)
    Um egocêntrico (só pensa em se manter no poder)
    Um extremista (quando incita a cizânia entre raças e classes sociais)
    De quebra alimenta a corrupção para reinar incólume. E ainda nos presenteia com dois cavalos de tróia: a Dilma e o Tuma-lá-dá-cá.
    É mole?

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  4. Comentado por:

    Luiz Gonzaga

    Supernova
    Subiu vertiginosamente até alcançar os píncaros da glória
    Nunca se viu “nestepaiz” tão brilhante estória
    Depois caiu e despencou tornando-se um dejeto
    Um ser transformado em objeto
    Um astro que caiu furando o teto
    Um mero fragmento de escória.
    Esse é o destino dos ignorantes
    Que brilham fugazmente como estrelas de-cadentes
    Originários de frestas, fendas e de covas
    Que tentam ser sóis tão delirantemente
    E acabam se tornando supernovas
    A vida em si é sempre uma surpresa
    Que ofusca como a luz no firmamento
    Ninguém consegue enganar a Natureza
    Sem o alicerce do conhecimento
    Sua luz se apaga na torpeza
    Sepultada na tumba do esquecimento.
    Nota: Supernova é o nome dado aos corpos celestes surgidos após as explosões de estrelas com grandes massas solares, que produzem objetos extremamente brilhantes, os quais declinam até se tornarem invisíveis, passadas algumas semanas ou meses. Em apenas alguns dias o seu brilho pode intensificar-se em 1 bilhão de vezes a partir de seu estado original, tornando a estrela tão brilhante quanto uma galáxia, mas, com o passar do tempo, sua temperatura e brilho diminuem até chegarem a um grau inferior ao estado inicial.

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  5. Comentado por:

    Vera L.

    Augusto,
    Além de tudo o que você citou sobre Tarso Genro, um dos seus hobbies preferido era distribuir, com pompa e circunstância, bolsa ditadura a torto e a “esquerdo”, não porque “direito”, nem pensar!
    Se for pesquisar no Ministério da Justiça às vezes que Tarso Genro esteve no Rio, na ABI, OAB, distribuindo bolsa ditadura para que não merecia um tostão se quer, vai se ver o rombo que ele ajudou a dar nas contas do Estado brasileiro. Todos sabemos, de muitos vigaristas que estão nadando em grana sem nunca terem sido perseguidos ou presos ou torturados. Vigarice pura.
    Tarso Genro foi o PIOR Ministro da Justiça que o Brasil já teve, ele o ex presidente da OAB, o tal Brito, já foram tarde, além de incompetentes são da mesma ideologia que só contempla “cumpanheiros” . O Rio Grande tem que dar chega pra lá nesse incompetente, amigo de terroristas, das FARC.

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  6. Comentado por:

    Lis

    Prefiro a obstinação oriental em relação à vergonha. O simples fato de ter o nome manchado, com ou sem provas, pedem demissão e praticam o Arakiri!

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