Blogs e Colunistas

Arquivo de 10 de agosto de 2012

10/08/2012

às 20:19 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo liga para a padaria: ‘Por favor, a Dilma está? Aqui é o Pezão’

O jornalista Celso Arnaldo Araújo retoma, na seção O País Quer Saber, a incrível história do telefone de Nova Friburgo que, em janeiro de 2011, sobreviveu à inundação e às conversas entre o vice-governador do Rio de Janeiro, Pezão, e Dilma Rousseff.

10/08/2012

às 20:15 \ Direto ao Ponto

Atrações da Feira Livre

Os leitores podem encontrar na Feira Livre produtos de variados sabores e procedências. Reynaldo Rocha comenta a aprovação da obrigatoriedade do diploma de jornalista pelo Senado e Eliane Cantanhêde analisa a reação de Dilma Rousseff à onda de greves no funcionalismo público federal.

10/08/2012

às 18:34 \ Sanatório Geral

Proibido para crianças

“Trata-se de evidente desvirtuamento da atividade do Ministério Público, com notória intenção de carnavalizar um julgamento sério”.

Cândido Vaccarezza, deputado federal pelo PT de São Paulo, sobre o material divulgado pelo site da Procuradoria-Geral da República destinado a explicar o mensalão ao público infantil, reconhecendo que o que a quadrilha fez em 2005 é assunto proibido para crianças.

10/08/2012

às 17:07 \ Direto ao Ponto

O abismo que separa os grandes oradores de tribunal dos bacharéis do mensalão

Quer dizer que é essa a seleção brasileira de advogados criminalistas? Então são esses os doutores que cobram por hora e calculam os honorários em dólares, graça só alcançada por alquimistas capazes de transformar em filho extremoso um matricida confesso? É o que perguntam, espantados, os brasileiros razoavelmente cultos que acompanham desde segunda-feira a passagem da procissão dos perjuros pelo plenário do Supremo Tribunal Federal.

Para quem viu em ação um Evandro Lins e Silva, Márcio Thomaz Bastos parece estagiário no primeiro júri. Para quem conheceu um Waldir Troncoso Peres ou um Evaristo de Moraes Filho, o exército de bacharéis do mensalão lembra uma tropa de candidatos a vereador num comício de grotão.

A discurseira de improviso escancara a retórica anêmica, os escorregões gramaticais, as pausas hesitantes, a adjetivação gordurosa, sobretudo a argumentação indigente. A Era da Mediocridade anda provocando estragos de bom tamanho em todas as categorias profissionais. Chegou a vez dos advogados.

Um abismo separa os seguidores de Sobral Pinto dos devotos de God Bastos. O grande orador de tribunal é uma espécie extinta.

10/08/2012

às 16:07 \ Feira Livre

‘Chama o exército’, por Eliane Cantanhêde

PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO DESTA QUINTA-FEIRA

ELIANE CANTANHÊDE

Dilma não só mandou cortar o ponto dos grevistas como aprovou um projeto do Exército para garantir a integridade dos prédios públicos e a oferta de serviços essenciais em caso de ameaça externa (improvável) e principalmente de greves (que se multiplicam).

O sistema “Proteger” está orçado em R$ 9,6 bilhões e, com o Sisfron, de monitoramento de fronteiras, vai custar R$ 21 bilhões em 12 anos, apesar de Dilma argumentar com a crise internacional e com a falta de recursos para não dar aumentos no setor público. O único acordo foi com professores de universidades federais e, mesmo assim, polêmico.

São 13.300 alvos estratégicos do “Proteger”, 371 prioritários, como refinarias, hidrelétricas, centrais de telecomunicações e as principais estradas. Brasília, que abriga os três Poderes e as embaixadas, é listada como o alvo número um.

Para definir o sistema, o Exército estudou casos exemplares, como a invasão da CSN, a greve da refinaria de Paulínea e um curto na rede de Tucuruí, que não teve influência de grevistas, mas afetou boa parte do país.Isso mostra que Dilma não brinca em serviço. Se a democracia prevê o direito de greve, prevê também a garantia dos prédios públicos e dos serviços essenciais à população. Em caso de risco, os militares entram.

É uma boa lembrança quando a elite do funcionalismo testa forças com a presidente: Polícia Federal, Banco Central, Itamaraty, oficiais de inteligência, defensores públicos, auditores da Receita, agências reguladoras (Anatel, Aneel…). Nem todos estão de greve, mas se uniram num movimento único de reivindicação.

O governo avalia que a pressão acaba no dia 31, com a entrega do Orçamento de 2013. É uma visão muito otimista. Os servidores engoliram sapos e ficaram quietos na era Lula (como CUT, UNE, MST) e resolveram devolver agora com Dilma. Não vão recuar tão cedo.

O governo do PT revida botando o Exército na parada.

10/08/2012

às 15:51 \ Sanatório Geral

Doutor em elegância

 ”Então quer dizer que agora tem que ter modelito pra entrar no plenário?”

Luiz Francisco Corrêa Barbosa, o advogado de Roberto Jefferson, advertido por um segurança do Supremo Tribunal Federal por estar vestindo, em vez do terno obrigatório, calça jeans, blazer, camisa e gravata, pronto para tentar entrar de bermuda na próxima sessão.

 

10/08/2012

às 15:39 \ Feira Livre

Reynaldo-BH: ‘O Senado insiste em impor limites à liberdade de expressão’

REYNALDO ROCHA

O que leva a classe política a tentar, sistematicamente, impor limites à imprensa ou à liberdade de expressão? Seria o incômodo causado pelos jornalistas que honram esta titulação? Certamente. Mas  quando falo em titulação não me refiro ao diploma expedido por alguma faculdade que não consegue ensinar a língua pátria, muito menos o ofício de informar, analisar e até investigar.

Na quarta-feira, o Senado aprovou a obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercício da profissão, numa votação que só não alcançou a unanimidade graças à exceção encarnada por Aloysio Nunes Ferreira. Em breve, é possível que escritores tenham de provar que são formados em Letras. E logo se exigirá de um talento como Neymar que se forme em Educação Física.

A proximidade de um jornalista com um escritor é infinitamente maior que com um cabeleireiro. (Cito a profissão por ter sido regulamentada neste ano ─ sem a exigência de um diploma…).

Não se trata de julgar dispensável o ensino oferecido por faculdades sérias. Trata-se de fazer uma opção. Quem achar necessário adquirir conhecimentos específicos em alguma universidade deve sentir-se à vontade para fazê-lo, e talvez dispute vagas no mercado de trabalho em posição vantajosa. O que não faz sentido é impedir, por exemplo, que um médico sem diploma de jornalista como Draúzio Varela (alguém no Brasil escreve sobre saúde melhor do que ele?) ocupe espaços na imprensa para tratar de assuntos que conhece muito mais do que gente que nunca viu um estetoscópio.

Idem para psicólogos, economistas, engenheiros, especialistas em aviação, diretores de cinema e TV, músicos e atores.

O que está em curso é mais uma tentativa de cercear a liberdade de expressão.

A imprensa não é Geni. Não pode ser ameaçada pelo controle social da mídia, ou pela regulamentação exigida por quem jamais entrou numa raedação de verdade.

Franklins de laboratório foram substituídos pelo Senado?

Aqueles são movidos pela obsessão de controlar opiniões contrárias e instituir o pensamento único, sempre mais confortável: quando é único, pensamento não requer esforço algum. É como vaca em curral. Os senadores parecem animados com a chance da intimidação. Querem mostrar que têm poderes para legislar sobre a liberdade de imprensa. E feri-la.

Não sou jornalista. Não tenho talento para isso e nunca assumo funções para as quais não estou suficientemente preparado. É por isso que também não sou médico ou engenheiro.

Sou, essencialmente, um leitor. E dos bons! Leio o que quero, quando quero, escolho autores livremente. Simples assim.

Leio até bula de remédio! (Dúvida: será preciso contratar um jornalista formado para redigi-las?).

E quero exercer o direito de ler especialistas, formados em outras áreas, que possam contribuir para a acumulação de conhecimentos, aperfeiçoamento cultural e crescimento pessoal.

Sugiro aos senadores que regulamentem a própria atividade. Que tal exigir dos postulantes a cargos públicos ao menos o curso primário completo? Seria mais proveitoso. Jornalistas não formados sabem escrever. Senadores eleitos – alguns – não sabem sequer se expressar. O Brasil agradeceria.

Melhor não. Até presidentes seriam reprovados.

Quem paga Jornalistas (com J maiúsculo!) não formados nas faculdades que crescem mais que erva daninha são empresas editoriais.

Pouco importa que uma federação de jornalistas (que defende a censura prévia à imprensa!) esteja apoiando a iniciativa. Talvez desejem recrutar nas universidades os tais “blogueiros progressistas” . Ou os dóceis e bem pagos chapas-brancas que se identificam indevidamente como jornalistas. Além de não saberem escrever, consolidaram o jornalismo a favor. Uma invenção que faz um Millôr (não formado) e Francis (idem) se revirarem nos túmulos.

Quem paga políticos (senadores inclusive) sem nenhuma formação que sirva para alguma coisa, somos nós, contribuintes.

Senhores senadores: tirem as patas de um assunto que não precisa nem pode ser regulamentado por quem desconhece o terreno em que se mete. Sejam, ao menos, leitores!

Já seria um avanço extraordinário.

10/08/2012

às 13:33 \ Sanatório Geral

Tremendo argumento

“A denúncia deixou de descrever o vínculo associativo, o modo, o lugar, a data em que se associaram os réus para formar a quadrilha. E deixou de descrever o vínculo permanente.  A quadrilha existe mas os réus não se conhecem. Genú não recebeu nenhum tostão, não tinha conhecimento das transferências de valores.

Maurício Maranhão de Oliveira, advogado de João Claudio Genú, então filiado ao PP e ex-assessor parlamentar do deputado José Janene (PR), acusado de embolsar R$1 milhão das empresas de Marcos Valério, explicando que só existe quadrilha quando os quadrilheiros se reúnem em data e local previamente divulgados pela imprensa conhecidos e os debates são registrados em ata, rubricada e assinada pelos presentes.

10/08/2012

às 11:52 \ O País quer Saber

Celso Arnaldo liga para a padaria: ‘Por favor, a Dilma está? Aqui é o Pezão’

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Lendo o nonsense de Dilma sobre o telefone mágico instalado na central de bolinhos de chuva de Nova Friburgo, presumi – embora o dilmês sempre dê margem a inúmeros sentidos em sua falta de sentido – que quem ficou na padaria, “na madrugada de vários dias”, foi o Pezão, não ela.

Dilma fez aquele sobrevoo à la Capitão Hamilton na região devastada, deu uma descidinha básica para encenar uma careta compungida, solucionou na hora o problema das enchentes com uma represa construída na cabeça, separando o neurônio em duas metades, e embarcou de volta ao clima demi-sec de Brasília. O Pezão, a contragosto, ficou por lá – já que Cabral, enquanto a população serrana fazia splash, já tinha combinado um squash no condomínio Delta de Mangaratiba, onde graças a Deus fazia sol, com o Cavendish.

Mas não importa se foi Dilma ou Pezão o náufrago da padaria. Essa história do telefone do padeiro, reproduzida pelo Blog do Planalto, não seria plausível nem no pândego Diário da presidenta publicado na revista piauí: Pezão ficou ali ilhado, sozinho, descalço, dia e noite, insone, heroico, comendo pão velho e duro, comandando os trabalhos de resgate na região a partir do único aparelho de telefone ativo em toda a cidade, enquanto seus auxiliares diretos, com potentes iPhones, flanavam por aí trocando SMS e atualizando seus Facebooks.

Essa padaria fantástica, à parte a nova fornada de empulhações que agora já assa às cinzas o tal Programa Nacional de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais, ontem anunciado por Dilma, me trouxe à lembrança uma historinha que era contada, com muita verve, pelo veterano repórter Durval Ferreira ─ saudosíssimo colega da revista MANCHETE, remanescente da época romântica do jornalismo policial em São Paulo. Os chamados setoristas faziam plantão, juntos, nas delegacias centrais, à espera de crimes que valessem a saída ou da chegada de infratores que valessem a entrada.

Numa tarde de domingo particularmente vazia de sangue e fatos, chega uma notícia que, num dia bom, não daria nem um rodapé de jornal: um português, dono de padaria na Liberdade ─ daqui para frente, vamos chamá-lo pelo exótico nome de Seu Mané, para não identificá-lo ─ tinha sido recolhido ao distrito por aplicar uma coça na mulher, mulata sestrosa de múltiplos talentos.

Aos policiais, de homem para homem, contou sua desgraça: contratara um pintor para dar um trato na fachada do estabelecimento e o gajo acabou dando um trato na fachada e na retaguarda de sua mulher. Pega em flagrante, nos fundos da padaria, levou uma bifa. O pintor, bem, o pintor se mandou, para nunca mais ser visto na Liberdade ou na falta dela. Seu Mané acabaria perdoando a moça – que era mulata para muitos e incontáveis talheres e também perdoou Seu Mané.

Mas os setoristas de plantão, que ouviram a história de um policial que deu com a língua nos dentes, não perdoaram a desdita do português. Figuraço: baixo, careca, roliço, irritadiço, um tipo do baixo mundo de Eça, língua armada com os piores palavrões desde Camões. No dia seguinte, num jornal mais popular, saiu a inevitável manchete:

─ Pintor passa o pincel na mulher do padeiro.

Bem, no dia seguinte esses jornais embrulhariam bacalhau, o caso estaria encerrado. Mas o pior, para Seu Mané, ainda estava por vir. A temporada era fraca, nada acontecia de bom ─ ou ruim ─ nos plantões policiais daquela semana, os setoristas tinham tempo de sobra. E então começou o bullying que levaria o português à loucura:

─ É da padaria?

─ Sim senhôre.

─ O sr. faz pizza para viagem?

─ Perfeitamente.

─ Dá para mandar o pintor trazer?

Antes que o jornalista desligasse, às gargalhadas, Seu Mané já tinha mandado o sujeitinho colocar a pizza nos lugares mais improváveis. No dia seguinte:

─ Seu Mané?

─ Sim senhôre.

─ Aqui é o pintor. Acho que esqueci a broxa aí.

Mané caiu de novo. E cairia todos os dias, durante quase um mês, diante de um interminável estoque de variações de maldades em torno do pintor lançadas pelos jornalistas, que se revezavam na empreitada cruel. Até que os repórteres se cansaram. E desistiram de infernizá-lo. Deixaram Seu Mané em paz ─ que, provavelmente à la Nelson Rodrigues, deve ter pedido perdão à mulher por ter sido traído. Foram felizes para sempre ─ ou até aparecer o pedreiro, mas aí é outra história.

Os flagelados sobreviventes das enchentes anuais de Nova Friburgo e da região serrana, iludidos sistematicamente pelo governo do Rio com a promessa de obras que nunca serão feitas, agora tem sobre suas cabeças, como manto protetor à prova de chuvas, deslizamentos e mortes, um certo Programa Nacional de Gestão de Risco e Resposta aos Desastres Naturais.

Não forma nem sigla: PNGRRDN parece sequência de letras de câmbio automático. No lugar do telefone da padaria, um rádio transmissor móvel, para Pezão comunicar o próximo desastre sem precisar comer pão velho. Cabral, é certo, estará comendo brioche em Paris. Esse é o avanço que empolga Dilma: transmitir o temporal pela “central móvel de comunicação”. A chuva também é móvel, bem como as encostas.

E mais: não faz sentido ligar para a padaria e aplicar no coitado do padeiro de Nova Friburgo uma pegadinha do tipo:

─ Por favor, a Dilma está? Aqui é o Pezão.

O trote do pintor, numa escala muito mais dramática, porque eventualmente letal, vem sendo dado sistematicamente na população por governantes que traem descaradamente os pobres manés desta vida.

10/08/2012

às 10:15 \ Direto ao Ponto

O ministro da Justiça resolveu acabar com a vadiagem para preservar a tribo dos vadios

Assim que o Senado endossar a decisão da Câmara dos Deputados, que aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei concebido pelo deputado José Eduardo Cardozo, o agora ministro da Justiça poderá gabar-se de ter acabado com a vadiagem para garantir a preservação dos vadios. Não é pouca coisa, mas a fórmula nada tem de complexa. O projeto limita-se a suprimir da Lei das Contravenções Penais o artigo que desde 1941 permite castigar com até três meses de cadeia os integrantes da tribo dos macunaímas.

Graças a Cardozo, portanto, “entregar-se habitualmente à ociosidade, sendo válido para o trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover a própria subsistência mediante ocupação ilícita” deixará de ser contravenção para virar direito exercido sem sobressaltos por quem sofre de aversão ao trabalho. No país dos feriadões, convém ressalvar, é mais fácil encontrar um entrevistado pelo Sensus do que alguém engaiolado por vagabundagem. Mas não custa prevenir-se contra juízes exageradamente rigorosos, reiterou o ministro da Justiça que sempre preferiu  legalizar ilegalidades em vez de combatê-las.

Em 2007, por exemplo, foi ele quem induziu o Conselho de Ética da Câmara a adotar a “doutrina Cardozo”, segundo a qual nenhum parlamentar pode ser julgado por delinquências cometidas antes da posse. A invenção do crime com prazo de validade impediu que mensaleiros eleitos em 2006 fossem punidos pelas patifarias descobertas em 2005. Mais recentemente, a filha de Joaquim Roriz livrou-se da cassação ao alegar, baseada na tese parida pelo ministro, que a deputada federal Jaqueline Roriz não poderia ser castigada pelas cenas de ladroagem explícita protagonizadas pela deputada estadual Jaqueline Roriz.

Em 2009, o futuro ministro voltou a socorrer os quadrilheiros do mensalão com o projeto que liberou os donos de agências de publicidade contratadas pelo governo para usar como quisessem o chamado bônus de volume. Apoiada nessa esperteza, a ministra Ana Arraes convenceu o Tribunal de Contas da União a chancelar o parecer que transforma em negócios de rotina as negociatas forjadas por Marcos Valério em parceria com Henrique Pizzolato, diretor do Banco do Brasil. A decisão, providencialmente suspensa por um colega da mãe de Eduardo Campos, confirmou que as ideias de Cardozo nunca nascem por acaso.

“É preciso reparar uma das grandes injustiças que ainda se perpetram no nosso ordenamento jurídico”, caprichou Cardozo nas justificativas do  projeto que extingue a vadiagem para preservar os vadios. “Não é possível conviver mais um único dia com determinações legais dessa natureza, contemporâneas do ordenamento jurídico medieval”. O palavrório não deixa claro quem vai sair ganhando com a legalização de mais uma ilegalidade. E o ministro jura que não se inspirou em gente conhecida ao conceber o projeto que legaliza a vadiagem.

É possível que sim. De todo modo, alguns beneficiários já foram claramente identificados. Cardozo certamente sabe que deputados e senadores, por exemplo, vão ganhar mais um argumento para enfrentar os inconformados com a semana de três dias. Sabe que o ministro do Trabalho se dispensará de explicar por que trabalha só de vez em quando. E sabe, sobretudo, que a Lei das Contravenções Penais não poderá mais ser invocada por adversários do chefe sem emprego fixo desde 1978.

 

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